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Posts Tagged ‘Monsenhor Armando’

In Memoriam: Mons. Henrique Paulo da Fonseca

Celebrar a memória dos homens é próprio da História; celebrar a memória de um Sacerdote é próprio da Igreja; celebrar um Pároco deve ser obrigação de um paroquiano, Pároco ou não como ele ou simplesmente um paroquiano que com ele viveu, compartilhou as mesmas aspirações e preocupações, mesmo que a vida os separasse para mais longe ou os retivesse por mais perto.

Fui paroquiano do P.e Henrique, deixa-me e deixai-me que assim me dirija e ele e dele fale; dois anos mais novo do que ele no Seminário onde estudámos e convivemos, tudo era a vivência de um caminhar para a meta onde ambos gostaríamos e queríamos chegar: o Sacerdócio. Ele recebeu-o na Sé de Lamego em 15 de agosto de 1959 e eu no Santuário dos Remédios em igual dia de 1961.

Nesta última data ele era já pároco de Numão, uma freguesia vizinha da minha; ali vivia o seu Sacerdócio, partilhando com sua irmã a pobre casa transformada em residência para os dois, a empregada e, mais tarde, o agora Mons. José Guedes, que com ele fez o seu estágio pastoral. A vida não era fácil, mas foi assim que o P.e Henrique mereceu ser chamado «lutador» ao logo da sua vida e assim apontado por seu irmão no dia do seu funeral. Ali me deslocava, acompanhando nas férias o meu Pároco, P.e Fernando Teixeira Dias; mais tarde encontrávamo-nos com o P.e Henrique, que havia de lhe suceder na paroquialidade de Numão e da Horta, aqui depois da doença e transferência do P.e Fernando. Memórias não esquecidas, porque vividas e divididas entre Padres, amigos, cada um nas suas missões, comuns na sua especificidade, mas separadas no terreno de trabalho.

Já padre, também me enviaram para o meu concelho de Vila Nova de Foz Côa, com Mós e Santo Amaro para o meu cuidado pastoral, onde o P.e Henrique me conduziu para a tomada de posse. E nova etapa da vida começava para mim, continuando ele meu pároco e eu, padre, a ser o seu paroquiano. Condividíamos trabalhos, embora limitados pela dificuldade de locomoção e deslocação, mas se os tempos eram outros, a mesma era também a nossa missão e preocupação.

A vida que nos tinha aproximado acabou mesmo por nos separar; duas ausências no Estrangeiro, pároco na região de Lamego, as distâncias separavam-nos para o trabalho, mas não para a amizade. E as minhas idas à Horta eram quase sempre de visita ao P.e Henrique, que já tinha ali a sua residência.

Foi pouca a minha colaboração para a construção da nova igreja da minha terra, mas não deixei de o acompanhar quando era preciso ir onde eu me sentia mais à vontade para o que fosse preciso; e não lhe neguei a minha colaboração a vários níveis, sempre que era necessário.

Era a alegria do P.e Henrique receber o Clero que na sua casa se reunia para reuniões do Arciprestado ou o colega que o visitava. Voltou a residir em Numão, mas já pouco nos encontrávamos; a vida tornou-se mais complicada para mim, mas sabia que podia contar com ele e com a sua amizade nos diversos encontros do Clero Lamecense.

Em Viseu foi o nosso último encontro de vida, na sua terra natal, a Póvoa, o encontro do paroquiano ainda vivo com a antigo Pároco, agora falecido; trouxe comigo a «memória» escrita que o nosso novo colega e seu pároco escreveu; em cima da minha mesa de trabalho, ela lembra-me o Homem, o Padre e o Amigo que perdi para este mundo, mas ganhei junto de Deus.

Obrigado, P.e Henrique, por tudo que me ensinaste, ajudaste e fizeste para que o teu paroquiano pudesse ser o Padre que ambos queríamos ser e creio que fomos: Deus não falta aos Seus amigos. Ainda não tínhamos, mas tenho agora diante dos meus olhos a palavra do Papa Francisco: «Peçamos a Deus a graça de recordar todos os dias que não somos esquecidos por Ele». Lembrou-se de ti e chamou-te para te recompensar dos teus trabalhos por Ele; da minha parte confio que não Se esquecerá de mim. E tu, por aí mais perto, pede-Lhe também por mim. Obrigado!

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 89/34, n.º 4522, 20 de agosto de 2019

Nuno de Santa Maria Pascoal… Partiu mais um amigo…

A notícia chegou aos meus ouvidos em momentos de oração na Capela da Obra Kolping e quando um grupo de Sacerdotes se encontrava em Retiro. Ao telemóvel chegou mensagem, mas a vibração deu tempo para sair e ouvir: faleceu o Dr. Nuno de Santa Maria Pascoal…

Interroguei-me sobre a razão da escolha do meu nome para receber e comunicar a notícia a quem e como o fazer naquele momento e a partir daquele lugar; porque era momento de silêncio, informei o Senhor D. Jacinto do que tinha acontecido e pedi as orações dos presentes pelo Dr. Nuno Pascoal. Senti que era meu dever de caridade para com um amigo que partira para Deus e que eu conhecera há muitos, muitos anos, e nunca mais nos esquecemos.

Eu esperava a chegada da camioneta que me levaria ao Pinhão, na ida para o Seminário. Da camioneta sai um jovem, que me informa de que o Seminário de Resende só abria as aulas dali a uma semana, o que acontecia por causa das obras na Casa. Mas lá fui até S. João da Pesqueira, podendo regressar a minha casa, e à tarde, na «carreira» para mais uma semana de férias. E o jovem que me dera a notícia era o então Nuno Pascoal, que me permitiu ser seu amigo ao longo dos anos que se seguiram, ele no Seminário de Lamego e eu no de Resende. Quando eu cheguei a Lamego (1954), já ele abandonara o Seminário (1953); mas a amizade estava encontrada e entrara em acção nunca destruída.

Agora, eram as reuniões da ASEL que permitiam os nossos encontros. E lá estávamos, com outros e outros que acorriam às reuniões/encontros, se saudavam amistosamente e conviviam em mais um dia da sua vida. E o Dr. Nuno Pascoal e eu também éramos assíduos na frequência dos Encontros da ASEL. A notícia do seu falecimento dizia que éramos da mesma terra; não sendo a verdade exacta, esta consistia numa proximidade relativa, a que vai de Longroiva, no concelho da Meda, à Horta, a minha aldeia natal, onde passava a camioneta que nos levaria ao Pinhão. Mas a amizade nasce assim, para nunca mais desaparecer e nem a morte será capaz e destruir. Por isso, posso dizer «Partiu um amigo». Ler mais…

Pe. Manuel Pinto Almeida – Partiu um amigo

Corria o ano de 1949 e nova reboada de uns quarenta jovens dirigiu os seus passos para o Seminário de Resende. Vinham dos quatro cantos da Diocese, e já não é fácil dizer de onde vinham todos eles.

Também vinha um chamado Manuel Pinto de Almeida, que descia das alturas da Panchorra, concelho de Resende, que a pé percorreu os caminhos que ali o trouxeram; a serra nada mais oferecia aos que por ela passavam e que dela saíam para outro qualquer lugar. Também eu fazia parte do grupo, mas vindo do outro extremo da Diocese, no concelho de Vila Nova de Foz Côa.

O grupo foi diminuindo; inadaptação de uns, saudades de outros, passámos ao Seminário de Lamego; tínhamos recebido dois do curso anterior, porque a saúde os reteve em casa; o grupo diminuía, mas ia-se recompondo na vida de cada ano escolar. No oitavo ano (era a contagem dos anos de estudo de então), só quatro entrámos no Curso Teológico: lá estava o Pinto de Almeida. No dia da ordenação sacerdotal, 15 de Agosto de 1961, o grupo de quatro subiu a pé para o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, para a Ordenação Sacerdotal; o grupo, aí, sofreu novo revés, pois um dos quatro não avançou, quando esperávamos o avanço de todos, que não éramos muitos.

Começou, então, nova etapa da vida de um grupo que se foi reduzindo ao longo de doze anos, agora com um futuro que tinha tanto de certo como de incerto; vida pastoral que chamava por nós, às vezes em lugar nunca sonhado, muito menos visitado e conhecido. E o P.e Manuel foi para o concelho da Mêda, num dos extremos da Diocese; para lá dos limites da sua paróquia de residência começava o concelho de Trancoso e a Diocese da Guarda. Casteição e Paipenela eram as suas duas paróquias, a que se juntava o lugar anexo dos Chãos. E lá ficou o nosso antigo companheiro, amigo, padre e pároco, um dos três que chegaram ao fim, receberam o Sacerdócio e partiram para a missão a que foram chamados e para a qual foram enviados, para usar a palavra de agora. Ler mais…

Festa em Valclaro, na Paróquia da Penajóia

Fé e História de mãos dadas

Ainda bem que a vida não pára, seja a nível mundial seja a nível de uma pequena comunidade, que encontra um motivo para se apresentar aos seus cidadãos e amigos, em celebrações de Fé e de História, que a fizeram nascer para marcar um ritmo de vida ao lado de outras comunidades, construtoras e continuadoras da mesma Fé e da mesma História.

Assim aconteceu no dia 12 de Agosto, na povoação de Valclaro, que faz parte da freguesia e paróquia da Penajóia. Com um jornal paroquial que é um reflexo da sua vida, procurando na sua breve história, dar conta de outra grande História, que bem merece uma maiúscula, ao tentar narrar a vida da aldeia/paróquia. É que há páginas da vida que não chegam à grande informação, mas passam também pela história da sua vida, narrada por um jornal local, marcada por bons ou maus momentos da sua vida.

Mas não quer a Paróquia deixar passar o dia 12 de Agosto de 2018 sem dar conta de que, nesse dia, a Fé e a História deram as mãos para poderem viver um dia de muita intensidade, emoção, entusiasmo, amizade e alegria à volta de uma festa em honra de Nossa Senhora da Piedade, ali venerada, invocada e celebrada com esse título.

A história parte de uma data assinalada por umas pedritas que, num conjunto que se pode ver e ler no adro da Capela, mostram uma data: 1918. Cem anos de umas pedras, a suscitar a vontade de as celebrar em 2018; dessa vontade partiu-se para uma festa e da festa se quis e quer fazer memória.

A notícia foi espalhada e teve o condão de acordar muitas vontades de marcar presença; e vieram penajoienses de toda a parte para onde a vida levou uns e outros, na procura de um bem-estar que nem sempre se encontrava na terra natal; vieram, de modo particular, naturais de Valclaro, que deram uma prova de amor à sua terra, ao seu povo, e sobretudo quiseram honrar a Senhora da Piedade; vinte e três anos ali passados nunca me mostraram tanto entusiasmo, vontade de «fazer», ajudar, participar, celebrar, fazer uma festa que, segundo ouvi agora, não se fazia há cinquenta e quatro anos.

Fez-se por entusiasmo de alguns, onde temos de destacar a coragem do Quim de Sousa, que de Ferreirós partiu para outras paragens, outra vida, que nunca o impediu de estar, vir e sentir Valclaro e, sempre, Penajóia; e encontrou a colaboração amiga e prestimosa da comissão que preside à vida da Capela de Valclaro; rejuvenesceu e descobriu-se o amor de muitos, muitos mesmo, que pelo seu lugar, a sua rua, a sua casa, a família que nunca se havia esquecido, os amigos que se reencontravam e agora, em comum, ajudaram, trabalharam, alguns quase até ao limite das suas forças; viam-se rostos cansados, olhos a denotar mais uma necessidade de descansar do que a de trabalhar; mas era preciso avançar: o sonho nascera, a festa marcou-se, os amigos vieram de perto e de longe e Valclaro parecera voltar ao movimento de pessoas que marcaram a sua vida, agora irmanados com os que vieram de toda a Penajóia, Portugal e do mundo da emigração. Também eu cheguei, acorrendo ao convite que me fora feito, diminuído na possível actuação, mas recebido como o amigo de há anos, que nunca esqueceu as paróquias por onde passou e onde volta com muita amizade. Ler mais…

Um livro do nosso Diretor: AO RITMO DO TEMPO. Olhar a atualidade

Joaquim Dionísio decidiu-se pela publicação de um livro, pois «a vida de um jornal impresso é curta», diz ele na Abertura. Na verdade, um jornal lê-se e arruma-se quando não se lhe dá outro lugar menos próprio para o seu muito ou pouco valor; o livro lê-se e guarda-se na estante da casa, normalmente em lugar digno num escritório ou mesmo numa sala.

O leitor de VL vai lendo, certamente, em cada semana, o texto que facilmente se descobre como sendo da autoria do seu Director; só que, e acontece a todos, já não se lembrará do que ele nos quis dizer e comunicar; daí o nascer de uma decisão, agora tomada.

Chega até nós como verdadeira prenda de Natal e estamos certos de que muitos dos seus leitores o quererão ter ao seu lado, na mesa de trabalho e em lugar de fácil acesso, para uma leitura mais repousada e melhor aproveitamento de uma palavra, que se define como um olhar a atualidade, seguindo o ritmo do tempo.

Não querendo fazer trocadilhos com as palavras do título, lembro um professor estrangeiro que dizia que o título de um livro devia ser sempre apelativo; aqui, o apelo está feito pela realidade do jornal, onde o Diretor segue o ritmo do tempo para estar em sintonia com os seus leitores.

Ao começar pela história do automobilista que segue em contramão, mas não se importa com os que lhe buzinam, pois se crê fazer a viagem pela pista certa, diz que «às vezes, nos comportamos como este condutor incauto»,e aí encontra o motivo para as duas primeiras páginas, onde nos diz que o Advento nos coloca no rumo certo, enquanto «tempo de espera atenta e activa…, na certeza de que a vida está sempre adiante».

A partir daí, cabe ao leitor descobrir o rumo a tomar numa vida que não se quer ao acaso, mas segura, porque se segue na via certa que nos leva onde queremos chegar.

Podemos orientar-nos na caminhada pelo «ritmo» indicado no título do livro. Aceite, amigo, a leitura deste livro, pelo qual damos os parabéns a Joaquim Dionísio, o Diretor de VL, que entra no rumo e no ritmo de quem quer ser útil aos seus leitores. Começar é difícil; continuar é mais fácil e isso vai acontecer, certamente; o saber e a força de vontade que norteiam  Joaquim Dionísio em ajudar os outros , num tempo em que as dúvidas aparecem de todos os lados, é garantia de que estamos em presença  de um autor que não deixará os seus trabalhos em favor e ao serviço da comunidade onde estamos inseridos.

Por isso e mais uma vez, os parabéns ao autor.

P.e Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 88/06, n.º 4443, 9 de janeiro de 2018

Parada do Bispo celebrou Santa Eufémia

«Eu também acredito em Cristo, eu sou baptizada», disse ela

Eufémia quer dizer que falou bem; e de Santa Eufémia se diz que perante a possibilidade de não ser martirizada, gritou diante dos verdugos: «eu também acredito em Cristo, eu sou baptizada». E acabou por ser mártir, no sentido que esta palavra tem, perante a morte violenta pela fé, não rejeitando a palavra para outros actos iguais nos efeitos, mas diferentes nos motivos.

Santa Eufémia é venerada em Parada do Bispo, freguesia do concelho de Lamego, mas por quem há muita veneração em várias outras paróquias de Portugal, e foi lembrada no dia 1 de novembro corrente na paróquia acima enunciada.

Desde muito cedo começaram a chegar os romeiros, ao que se ouve por ali, com diversos motivos para uma presença que vai desde a «marrã», carne de porco assada no momento e na brasa ao ar livre, aos biscoitos e outros artigos que fazem de uma festa uma feira de utilidades ou simples bugigangas. A pé vão muitos de Lamego e outras terras mais vizinhas; outros vêm de Resende, e do outro lado do rio Douro, de mais longe ou de mais perto se procura o caminho que leva à Capela do lugar, onde há a possibilidade de participar da Eucaristia, receber os sacramentos da Reconciliação e Comunhão, cumprir a promessa feita, mostrar em figuras de cera a dificuldade que foi vencida graças a Santa Eufémia; e ninguém ouse duvidar de uma coisa e/ou da outra. Ler mais…

TERTÚLIAS DE OUTONO: Aprender para saber, saber para viver

No dia 14 de Outubro corrente, o Museu Diocesano de Lamego promoveu uma Tertúlia de formação para o que juntou a palavra do P.e Anselmo Borges e do Dr. José Carlos Gomes da Costa, que dissertaram sobre os temas do «Diálogo Inter-Religioso» e «O Rosário e a Família Dominicana» respectivamente.

A D.ra Júlia Lourenço, com uma bela colecção de Terços em exposição numa das Salas do Museu Diocesano, foi a causa próxima desta Tertúlia, que, por estar escrita no plural, nos faz pensar que outras se seguirão e com mais adesão de lamecenses. Alguém dizia antes que Lamego, com fama de pequena Cidade, tinha bons motivos para a cultura de tantos que a visitaram nesse dia. Ainda bem! Ler mais…