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Posts Tagged ‘Misericórdias’

JUBILEU DA MISERICÓRDIA: Santas Casas da Misericórdia

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Como o próprio nome indica, estamos diante de um edifício humano com portas abertas para acolher e cuidar e que, por causa do bem praticado, recebeu a denominação de “Santa Casa”.

Na nossa diocese existem Santas Casas da Misericórdia em, praticamente, todas as sedes de concelho e são sinónimo de instituição particular de solidariedade social. A maior ou menor dimensão de cada uma, bem como a visibilidade onde existe e intervém virão dos serviços prestados, do património gerido, dos locais de trabalho criados, da participação na vida local… Algumas já contam centenas de anos e outras apenas algumas dezenas. Mas sempre com o mesmo objectivo: contribuir para o bem comum.

A instituição remonta à fundação, em 1498, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, por frei Miguel Contreiras, com o apoio da rainha D. Leonor. A instituição surgiu da remodelação da Confraria de Caridade Nossa Senhora da Piedade, destinada a enterrar os mortos, visitar os presos, acompanhar os condenados. Curiosamente, tal fundação acontece no mesmo ano em que Vasco da Gama chegou à Índia. Se este contribui para dar “novos mundos ao mundo”, a Santa Casa visava apoiar a vida num mundo nem sempre justo e atento.

A Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, dedicou-se aos doentes, pobres, órfãos, prisioneiros e artistas, e patrocinou a fundação da Santa Casa, instituindo aquilo que hoje se diria ser a primeira ONG (Organização Não Governamental). A criação de Santas Casas por todo o reino constituiu o principal instrumento de acção social da coroa portuguesa, tornando-se, em muitas regiões, sinónimo de amparo, cuidados, casa aberta para cuidar da saúde ou para abrigo e asilo, cuja inspiração se encontra nas Obras de Misericórdia.

Em 1975, as Misericórdias foram espoliadas de um dos eixos principais da sua actividade, a hospitalar. Mas a vida continuou e a adaptação foi acontecendo, chegando-se a um modelo de cooperação que permite o seu contributo para aquilo que se designa por “Estado social”. De acordo com dados existentes, as Misericórdias, em Portugal, apoiam directa e diariamente, cerca de 150.000 pessoas através de serviços vários que abrangem crianças, jovens, idosos, pessoas portadoras de deficiência, vítimas de violência e maus tratos, etc.

A Santa Casa de Misericórdia é uma Irmandade que tem como missão o serviço das catorze obras de misericórdia que surgiu para suprir lacunas. É verdade que alguns dos nossos políticos nem sempre convivem pacificamente com isto, mas a verdade é que tais estruturas se mantêm porque são úteis e necessárias.

As Misericórdias são de erecção canónica (criadas por Decreto do Bispo diocesano), com excepção da de Lisboa, a única estatal.

Importa também deixar uma palavra a todos quantos se esforçam por gerir de forma eficiente tais instituições, promovendo a prática das Obras de Misericórdia e tudo fazendo para que continuem no tempo a cumprir a missão que lhes deu origem.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/36, n.º 4372, 19 de julho de 2016

1 de outubro > DIA MUNDIAL DO IDOSO

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CUIDAR PARA AGRADECER

No primeiro dia de outubro, lembramos os nossos mais velhos, no Dia dos Idosos. Uma data que vale a pena assinalar, sobretudo porque nos chama a atenção sobre uma realidade que podemos e devemos ter em conta. E, às vezes, isso não acontece, levando a que os mais avançados na idade se considerem um estorvo, um peso ou empecilho.

Sobre este assunto, as notícias de abandono, de maus tratos, de solidão ou insegurança são mais ruidosas do que as notícias que poderiam destacar o carinho e o cuidado no acompanhamento da grande maioria. Mas sabemos que, felizmente, há muitos idosos com sorriso, respeitados na sua dignidade e amparados na sua fragilidade. Para isso, muito concorre a solicitude e permanente atenção de familiares, vizinhos e amigos, mas também a acção profissional e próxima de tantas instituições particulares de solidariedade social (IPSS).

Na nossa diocese, em muitas paróquias, a existência de um Centro Social, é sinónimo de acção em favor dos mais carenciados. E dizer “carenciados” não significa referir os que são materialmente pobres; falamos dos que são vítimas de solidão, dos acamados, os doentes…

Estas instituições nasceram para servir e cumprem um papel único que nunca é demais apontar e louvar. É verdade que os Utentes comparticipam com alguma verba, fruto das suas reformas, e que a Segurança Social assume grande parte do financiamento destas organizações. Mas também é verdade que há muito voluntariado, muito rigor nas contas, muita solidariedade e sacrifício para não desistir diante de tantas exigências e burocracias ou sofrendo por causa dos escassos apoios.

A Igreja, pela acção das suas paróquias, com a presença de párocos empenhados e de tantos fiéis disponíveis, desenvolve um trabalho meritório que muitos reconhecem e que tantos outros dele beneficiam. E não apenas os idosos, mas também as famílias, que sossegam com o acompanhamento proporcionado; os funcionários, que assim conseguem locais de trabalho; a sociedade, que beneficia com a fixação de famílias; a economia local, com o movimento que tais serviços acarretam, etc.

Por isso, uma palavra de gratidão aos nossos idosos por tudo quanto fizeram e nos legaram com esforço e perseverança, mas uma palavra de estímulo a todos quantos, sem serem notícia, contribuem para a qualidade de vida dos mais velhos, através dos apoios que prestam.

Materializando a nossa homenagem à dedicação de tantos, aqui deixamos o nome das IPSS da nossa diocese que constam no anuário diocesano (certamente que haverá outras que ainda não estão registadas):

Centro Diocesano de Promoção Social, Centro Social e Cultural da Paróquia de Ferreirim, Centro Social e Paroquial de Cambres, Centro Social e Paroquial de Mondim da Beira, Centro Social e Paroquial de Prova, Centro Social e Paroquial de Vila Chã do Monte, Centro Social e Paroquial de Vila Nova de Foz Côa, Centro Social Filhas de S. Camilo (As Lareiras), Centro Social Paroquial Casa de S. José, Centro Social Paroquial de Ferreirim, Centro Social Paroquial de Fonte de Arcada, Centro Social Paroquial de Fontelo, Centro Social Paroquial de Fornelos, Centro Social Paroquial de Freixo de Numão, Centro Social Paroquial de Lamosa, Centro Social Paroquial de Muxagata, Centro Social Paroquial de Tendais, Centro Social Paroquial de Touro, Centro Social Paroquial de Trevões, Centro Social Paroquial de Várzea da Serra, Centro Social Paroquial do Aveloso, Centro Social Paroquial de Caria, Centro Social Paroquial da Beselga, Lar de Chãs, Lar de Lamosa, Lar de Santo António, Lar de Trevões, Lar de Várzea da Serra, Lar Nossa Senhora da Lapa.

in VOZ DE LAMEGO, 30 de setembro de 2014, n.º 4282, ano 84/44

Santa Casa da Misericórdia de Lamego: novos corpos gerentes

No passado sábado, às 15h, na sede da SCML, decorreu a tomada de posse dos novos Órgãos directivos desta instituição lamecense. Recorde-se que as eleições haviam sido feitas no início de dezembro último, com uma única lista a apresentar-se ao sufrágio. Para lá da assinatura de tomada de posse dos eleitos para os próximos três anos, a cerimónia serviu também para que o anterior Provedor, Dr. Manuel Teixeira, expressasse o seu agradecimento pela confiança nele depositada ao longo dos últimos seis anos, ao mesmo tempo que louvou e agradeceu o empenhamento de todos os colaboradores. Emocionado, mas tranquilo perante o percurso e obra realizados, saudou os novos responsáveis, assegurando-lhes total disponibilidade para possível colaboração.

O novo Provedor, Dr. Marques Luís, tomou a palavra para expressar a sua vontade em servir esta instituição que conta quase cinco séculos de vida, comprometendo-se a tudo fazer para que as Obras de Misericórdia, verdadeira carta operática da SCML, se cumprissem em todos os serviços e em todas as Valências da instituição.

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