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Posts Tagged ‘Mês de Maria’

Editorial da Voz de Lamego: Por Maria a Jesus

Esta expressão – Per Mariam ad Iesum – sublinha como Maria nos aproxima de Jesus e nos conduz a Ele. Neste mês que lhe é particularmente dedicado, quase iniciando com o Dia das Mães, no primeiro Domingo de maio, Maria surge como Mãe que intercede por nós, nos impele para Jesus, nos comunica, através dos silêncios e das palavras, da presença e dos gestos, o Evangelho da ternura.

Numa família, a mãe tem essa missão especial de humanizar a casa e a família, de aproximar entre si os pais e os filhos e os irmãos. A maternidade, creio que é verificável em quase todas, predispõe as mulheres para uma atenção alargada aos outros, humanizando os relacionamentos. Uma vez mãe (é-o também em relação a outros filhos e na sintonia com outras mães), tem o olhar mais aguçado para as necessidades e a injustiças e uma prontidão maior para “reclamar” por justiça e verdade. Há nas mães uma capacidade imensa de reparar nos pormenores, observar tudo o que as rodeia, de forma peculiar as pessoas. Se de uma mulher se pode dizer isso, muito mais de uma mãe, pois aprendeu (desde sempre) a estar atenta aos filhos para ver por onde andam, para onde vão, que obstáculos têm por perto e se alguém é ameaça para eles ou, simplesmente, lançarem um olhar fulminante se alguém não os trata com delicadeza que merecem.

Temos muito a aprender com as mães, temos muito a aprender com Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Não são muitos os textos do Novo Testamento que nos falam diretamente de Nossa Senhora, mas é possível sentirmo-nos próximos em cada instante em que nos é permitido vê-la e ouvi-la.

Logo na Anunciação podemos aprender algumas coisas com Nossa Senhora para melhorarmos, amadurecermos e, eventualmente corrigirmos a nossa direção como cristãos, priorizando com o que nos pode levar a encontrar Deus e, partindo da Sua graça, preenchermos a nossa vida de docilidade. Para escutar e perceber a voz do Anjo, Maria terá de ser alguém que faz silêncio. Não é, por certo, uma barata-tonta (os mais sensíveis desculpem-se a expressão), mas alguém capaz de se recolher, de rezar, de deixar que Deus fale nela e na sua vida. É uma mulher de oração e de coração. Alguém que escuta. Temos uma boca e dois ouvidos, para ouvirmos mais e falarmos menos. Quem muito fala até pode acertar muito, mas é possível, como sói dizer-se, que acerte pouco. Quem escuta, com o coração, torna-se sábio, não se precipita, não tem tendência para fazer juízos de valor precipitados, mas age pacientemente para que o trigo e o joio se revelem a seu tempo. Maria é uma pessoa inteligente: escuta, pondera, espera e coloca os dons que Deus lhe dá a funcionar. Não paralisa, decide, acolhe, aceita a vontade de Deus: faça-se em mim segundo a Tua palavra.

Ainda na Anunciação, podemos descortinar a docilidade, a pobreza, a pureza de Maria: Ave, cheia de Graça, o Senhor está contigo… Isto vale também para nós, na medida em que nos esvaziamos de nós, dos nossos egoísmos e demónios, e nos deixamos preencher pelo Espírito de Deus. Mais tarde Jesus há de dizer-nos: minha Mãe, minhas irmãs e meus irmãos são aqueles que escutam e fazem a vontade de Meu Pai que está nos Céus.

Pe. Manuel Gonçalves,

in Voz de Lamego, ano 90/23, n.º 4558, 5 de maio de 2020

Festa em honra de Nossa Senhora de Fátima em São Joaninho

Como já vem sendo tradição, nos dias 20 e 21 de Maio a paróquia de São João Batista em São Joaninho, Castro Daire, celebrou a festa religiosa em honra à Nossa Senhora de Fátima.

Durante a tradicional procissão no sábado á noite, as ruas foram iluminadas pelas luzes das velas que todos os participantes acenderam como manifesta devoção à Virgem. No domingo encheram-se de cor, onde as nossas crianças e jovens representaram os mistérios Gozosos do terço, tema escolhido para a festa deste ano.

É uma festa já com cerca de meio século de história e devoção deste povo, onde a comunidade se junta para honrar a NOSSA MÃE.

Ana Rita Mendes, in Voz de Lamego, ano 87/29, n.º 4414, 30 de maio de 2017

CONFORTAR – PERTURBAR | Editorial Voz de Lamego | 2 de maio

Entrámos no mês de maio, dedicado especialmente a Maria, não apenas na referência ao Centenário das Aparições, à Visita o Papa Francisco a Fátima, como peregrino, a canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta, mas a todas as devoções que povoam as nossas famílias e comunidades, a recitação do terço, peregrinações nacionais, arciprestais, paroquiais, caminhadas, procissões…

A edição da Voz de Lamego, em início de mês, evidencia a vivência do mês de Maria. Também o Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, evoca a devoção a Maria, deixando-nos guiar pelo desafio que Ela nos faz constantemente: Fazei tudo o que Ele vos disser.

CONFORTAR > PERTURBAR

Há uns dias, aquando do encontro organizado pelos jovens de Almacave, um dos convidados serviu-se de uma afirmação alheia para caracterizar a sua missão de palhaço: “confortar os perturbados e perturbar os confortados”!

O profissional em questão vive os seus dias entre crianças gravemente doentes, aproximando-se e respeitando a singularidade de cada ser, dando a cada uma a possibilidade de ser protagonista, provocando sorrisos no meio da dor, motivando à vivência do momento de forma serena, confiante e próxima.

E logo acrescentou que a missão do padre também passa por aqui. E estamos de acordo. Porque anunciar Cristo Ressuscitado, celebrar a fé e testemunhar a caridade implica incutir e devolver a esperança e a confiança a quem sofre e espera soluções, ao mesmo tempo que não deixará de questionar e denunciar posturas e decisões que atentem contra a dignidade e igualdade humanas.

Perturbar não é gritar para ser notado ou protagonizar situações insólitas para ser notícia, mas antes desinstalar, provocar consciências adormecidas, denunciar a autoreferencialidade, fazer ver os “pés de barro”, confrontar com a verdade e a justiça…

A própria Igreja também sofre quando se instala. Daí a oportunidade e necessidade dos profetas que a perturbam saudavelmente e a convidam a voltar sempre a Jerusalém e a seguir para a Galileia, a não perder de vista o único Senhor a quem deve obedecer.

Iniciámos ontem o mês de maio, tradicionalmente dedicado a Maria, aquela a quem tantos aflitos, doridos e desiludidos recorrem em busca de conforto. Tal como em Caná, a sua solicitude maternal acolhe, o seu olhar sossega e a sua intercessão devolve a esperança. E isso conforta!

Mas a missão da Mãe atenta vai além do provir material e logo se faz ouvir o seu oportuno apelo: “fazei tudo o que Ele vos disser”. E isso perturba!

in Voz de Lamego, ano 87/25, n.º 4410, 2 de maio de 2017

TERRA E FECUNDIDADE | Editorial Voz de Lamego | 3 de maio de 2016

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A Voz de Lamego desta semana destaca, entre outras temáticas, o encontro nacional da Asel, a Visita Pastoral de D. António Couto na Zona Pastoral de Sernancelhe, em concreto em Tabosa da Cunha e Ponte do Abade, a Jornada Jubilar dos Cursilhos de Cristandade, e a entrevista com o Pe. João Carlos, Pró Vigário Geral, sobre a mais recente Exortação Apostólica do Papa Francisco, “A Alegria do Amor”…

Por sua vez, o Pe. Joaquim Dionísio, no Editorial fala de terra e fecundidade, mas sobretudo de Maria, a Terra sagrada da Igreja. Boa leitura, aqui está o pórtico da edição desta semana da Voz de Lamego:

TERRA E FECUNDIDADE

O mês iniciado convida a contemplar Maria que, entre outros títulos, nos habituámos a apelidar como Mãe de Misericórdia, certos de que “a doçura do seu olhar nos acompanha” (MV 24).

Nas famílias e nas comunidades, a sós ou em grupo, dentro de casa, da igreja ou da capela, pela estrada fora ou num santuário, a vivência cristã destes dias é marcada pela devoção mariana.

Alguns Padres chamaram a Maria “terra sagrada da Igreja” para sublinhar a sua humana e pronta disponibilidade para servir, bem como a sua humilde fecundidade para acolher e frutificar. Porque a fecundidade é sempre fruto de uma escuta atenta e de uma contínua vontade de conversão. Rezar é também deixar-se assumir Palavra semeada.

Foi assim que Maria fez: ofereceu-se a si própria como terra, pôs-se à disposição, deixou-se usar e consumir para ser transformada. Assumindo-se como “serva do Senhor”, parece que se apaga, mas, na verdade, a sua dádiva permitirá ser “louvada por todas as gerações”.

Daí que, neste e noutros meses, possamos aprender com ela a tornarmo-nos “terra fecunda para semente” que é a Palavra. E isso nem sempre é fácil e cómodo.

Uma peregrinação de quilómetros é exigente, cumprir uma promessa de joelhos é difícil, oferecer velas e flores demonstra carinho… mas a verdade é que o louvor a Maria pode concretizar-se, sobretudo, por esta disponibilidade para acolher a Palavra e oferecer-lhe condições para frutificar. A oração diária poderá passar também pela meditação da Palavra de Deus, por um sério exame de consciência, pelo identificar das lacunas e, mais importante, pela resolução tomada e assumida.

No meio do activismo em que, às vezes, nos enredamos, Maria ensina-nos que não somos um “produto acabado” e que o crescimento individual, comunitário, eclesial se concretizará se nos assumirmos como “terra sagrada para a Palavra”.

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4361, 3 de maio de 2016