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Editorial da Voz de Lamego: Maio, mês de Maria e da vida

Este é um dos meses mais luminosos e preenchidos!

Maio fala-nos de primavera, de vida, de alegria, de festa, fala-nos de amor, de paixão; fala-nos de Páscoa; fala-nos de Maria e de São José; fala-nos do verde que floresce e das flores que despontam. Tudo nos fala de vida e de Maria. A primavera começa antes e termina depois, mas é maio que melhor nos fala de ressurgimento da vida e da multicolaridade da natureza.

Não podemos falar de maio sem falar do mês de Maria. É-lhe dedicado por inteiro. Mas logo de início, temos a memória litúrgica de São José Operário, no dia 1, e o Dia da Mãe, no primeiro Domingo, acontecimentos estritamente ligados a Maria.

São José é o guardião de Maria e de Jesus, e da Igreja. Com Maria, São José cuida de Jesus, dá-lhe um teto, um espaço para crescer, para aprender a vida, para se sentir aconchegado, amado, protegido.

Comemorar um Dia das Mães quando elas são mães todos os dias do ano, a todo o instante, suscita uma atenção redobrada ao que significa ser mãe. Desde que uma mulher sente o ventre a bulir, ou pressente a gravidez que se está a manifestar, não mais deixa de ser mãe. Até durante o sono! É um trabalho constante, sem pausas, e com muitos sobressaltos à mistura. Claro que a alegria de gerar um filho, e quando é desejado, por maioria de razão, ajuda a enfrentar o mundo, as adversidades, a passar vergonhas, a sujeitar-se a pedir pelos filhos ou a mendigar o carinho deles.

Maria é a cheia de graça. Deus achou-lhe graça e encheu-a da Sua graça, gerando Jesus. Mas cada mãe, a seu jeito, se enche de graça. Claro que há mães que geram no ventre, mas não geram no coração! Se gerarem também no coração, este dilatar-se-á e até as mais egoístas passam a descentrar-se de si para se darem totalmente ao fruto do seu ventre. Maria é exemplo do cuidado permanente, da atenção ao filho, presente nos momentos mais importantes na vida de Jesus, mas com o desprendimento suficiente para saber que o filho que nasceu das Suas entranhas não Lhe pertence, como em absoluto os filhos não pertencem aos pais, pelo menos na ordem da posse, eles têm vida própria e as mães sofrem quando percebem que têm de deixar os filhos trilhar os seus próprios caminhos. E, então, mesmo que os vejam sofrer ou ir pelo caminho errado, terão que renunciar ao comando materno.

Na terceira semana do mês, temos a Semana da Vida. É também o mês do coração. A vida e o amor. O amor que gera vida, que cuida, que se dá. O coração, talvez mais poeticamente, continua a ser o centro dos sentimentos, do amor, o epicentro da vida. Cuidar do coração é cuidar da vida. A melhor forma de cuidar da vida é amar, pois só o amor nos humaniza, nos irmana, só o amor dá calor, cor, beleza e sentido à vida. Quem ama despoja-se de si mesmo para se dar, para servir, para ser prestável. A pressa de Nossa Senhora, por ocasião da Visitação, é bem a expressão do amor em movimento, em correria, ao encontro de quem precisa.

Maria teve que passar por alguns encómios: uma gravidez misteriosa, a explicar; a fuga para o Egipto; a perda do Menino em Jerusalém; as insinuações sobre a sanidade de Jesus, o processo que Lhe levam o filho desta vida, mas em todas as situações prevaleceu o amor que tudo suporta, a fé que tudo alcança, uma imensa confiança em Deus, que garante vida, eternamente…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/25, n.º 4607, 4 de maio de 2021

Editorial da Voz de Lamego: Por Maria a Jesus

Esta expressão – Per Mariam ad Iesum – sublinha como Maria nos aproxima de Jesus e nos conduz a Ele. Neste mês que lhe é particularmente dedicado, quase iniciando com o Dia das Mães, no primeiro Domingo de maio, Maria surge como Mãe que intercede por nós, nos impele para Jesus, nos comunica, através dos silêncios e das palavras, da presença e dos gestos, o Evangelho da ternura.

Numa família, a mãe tem essa missão especial de humanizar a casa e a família, de aproximar entre si os pais e os filhos e os irmãos. A maternidade, creio que é verificável em quase todas, predispõe as mulheres para uma atenção alargada aos outros, humanizando os relacionamentos. Uma vez mãe (é-o também em relação a outros filhos e na sintonia com outras mães), tem o olhar mais aguçado para as necessidades e a injustiças e uma prontidão maior para “reclamar” por justiça e verdade. Há nas mães uma capacidade imensa de reparar nos pormenores, observar tudo o que as rodeia, de forma peculiar as pessoas. Se de uma mulher se pode dizer isso, muito mais de uma mãe, pois aprendeu (desde sempre) a estar atenta aos filhos para ver por onde andam, para onde vão, que obstáculos têm por perto e se alguém é ameaça para eles ou, simplesmente, lançarem um olhar fulminante se alguém não os trata com delicadeza que merecem.

Temos muito a aprender com as mães, temos muito a aprender com Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Não são muitos os textos do Novo Testamento que nos falam diretamente de Nossa Senhora, mas é possível sentirmo-nos próximos em cada instante em que nos é permitido vê-la e ouvi-la.

Logo na Anunciação podemos aprender algumas coisas com Nossa Senhora para melhorarmos, amadurecermos e, eventualmente corrigirmos a nossa direção como cristãos, priorizando com o que nos pode levar a encontrar Deus e, partindo da Sua graça, preenchermos a nossa vida de docilidade. Para escutar e perceber a voz do Anjo, Maria terá de ser alguém que faz silêncio. Não é, por certo, uma barata-tonta (os mais sensíveis desculpem-se a expressão), mas alguém capaz de se recolher, de rezar, de deixar que Deus fale nela e na sua vida. É uma mulher de oração e de coração. Alguém que escuta. Temos uma boca e dois ouvidos, para ouvirmos mais e falarmos menos. Quem muito fala até pode acertar muito, mas é possível, como sói dizer-se, que acerte pouco. Quem escuta, com o coração, torna-se sábio, não se precipita, não tem tendência para fazer juízos de valor precipitados, mas age pacientemente para que o trigo e o joio se revelem a seu tempo. Maria é uma pessoa inteligente: escuta, pondera, espera e coloca os dons que Deus lhe dá a funcionar. Não paralisa, decide, acolhe, aceita a vontade de Deus: faça-se em mim segundo a Tua palavra.

Ainda na Anunciação, podemos descortinar a docilidade, a pobreza, a pureza de Maria: Ave, cheia de Graça, o Senhor está contigo… Isto vale também para nós, na medida em que nos esvaziamos de nós, dos nossos egoísmos e demónios, e nos deixamos preencher pelo Espírito de Deus. Mais tarde Jesus há de dizer-nos: minha Mãe, minhas irmãs e meus irmãos são aqueles que escutam e fazem a vontade de Meu Pai que está nos Céus.

Pe. Manuel Gonçalves,

in Voz de Lamego, ano 90/23, n.º 4558, 5 de maio de 2020

MAIS MÃE QUE RAINHA | Editorial Voz de Lamego | 5 de maio de 2015

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O mês de Maio é dedicado especialmente a Maria. O Editorial, da responsabilidade do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor do nosso Jornal diocesano, Voz de Lamego, foca-se precisamente em Maria, mais Mãe que Rainha, e na sua simplicidade de vida.

Pastoralmente, o mês de Maio é um dos meses mais preenchidos com atividades pastorais: encontros, caminhadas de oração, peregrinações, festas da catequese, Fátima Jovem, Jornadas Diocesanas da Juventude…

 

MAIS MÃE QUE RAINHA

Maio é sinónimo de Maria, a Mãe de Jesus e da Igreja que se desdobra em iniciativas para a louvar e lhe dirigir preces. E a Mãe a todos acolhe, de todos se ocupa e por todos intercede.

Diante do culto que lhe é devido, importa sublinhar a sua proximidade e ter consciência de que Maria levou, na terra, “uma vida semelhante à do comum dos homens, cheia de cuidados domésticos e de trabalhos” (AA 4). Por isso, e tal como lembrou Sta. Teresinha, “é preciso ver a sua vida real e não a sua suposta vida… E a sua vida real devia ser absolutamente simples”.

Maria partilhou a humilde situação social da maioria das mães do povo e viveu “sem pompas nem circunstâncias”, pertencendo ao grupo dos pobres e excluídos… As privações, o trabalho e a incerteza do depois marcaram a vida que viveu naquela aldeia pequena e pobre, rodeada de gente “socialmente insignificante”. Ela não foi rainha em reinos deste mundo, mas esposa e mãe de operários. E a santa francesa acrescentava: “Sabe-se perfeitamente que a Santa Virgem é rainha… mas ela é mais mãe do que rainha”.

M. Unamuno recorda-nos que “os jornais nada dizem da vida silenciosa dos milhões de seres humanos sem história que, em todas as horas do dia e em todos os países do globo, se levantam a uma ordem do sol e vão aos campos continuar o obscuro e silencioso trabalho quotidiano e eterno… Os que fazem barulho na história levantam-se sobre a imensa humanidade silenciosa”.

Assumindo-se como “serva do Senhor” e protagonizando um sim que a singulariza, a mãe de Jesus é exemplo e modelo de tantos e tantos que, discreta e decisivamente, contribuem para a vida.

in Voz de Lamego, n.º 4312, ano 85/25, de 5 de maio de 2015