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Posts Tagged ‘Livros’

Editorial Voz de Lamego: Só os filhos têm direito ao último lugar

Precisamos de nos descentrar de nós e, como cristãos, colocar Cristo ao centro. É a divisa do Papa Bento XVI. Uma Igreja autorreferencial não cumpre a sua missão, terá de ser uma Igreja lunar e, como a Lua reflete a luz do Sol, refletir Jesus Cristo, saindo para as periferias. É a divisa do Papa Francisco.

Seguir Jesus Cristo implica que O imitemos e como Ele nos gastemos pelos outros. Amar a Deus faz-nos irmãos. A vida eterna não se inicia quando morrermos, mas agora. Diz-nos o Pe. Luigi Epicoco (ver a sugestão de leitura desta semana): “Esquecemos que Jesus, que é Filho de Deus, veio a este mundo, fez-Se carne, encheu-o com a Sua presença, santificou, transformou em possibilidade cada fragmento desta nossa vida”.

Se Jesus Cristo encarnou, também nós temos de encarnar. “O irmão, o seu rosto, o seu corpo, a sua história, história de homem, história imperfeita, história de luz e trevas, é rosto, corpo e história para os quais as nossas mãos se estendem, mãos estendidas para o próprio Cristo”.

Uma das doenças do nosso tempo é o egocentrismo. Tornamo-nos o centro de tudo. Fazemos de nós próprios um absoluto. “Neste egocentrismo tudo é insatisfação… é um vazio que nunca se consegue preencher, é o vazio de quem se concentra em si próprio, de quem se tomou por absoluto”.

Existe também o risco de um descentramento negativo: “anular-se de tal maneira que deixa de ter um personalidade… começamos a pensar que não merecemos nada, que nada nos é lícito, que não temos o direito a sermos felizes, que só erramos, que nunca encontraremos o amor, que, por mais que desejemos a felicidade, não é para nós… Essas pessoas confundem a religião com frustração, a humildade com o humilhar-se. Escolher o último lugar não é sentir-se em último lugar. Significa reconhecermo-nos como filhos, ao ponto de nos podermos sentar em último lugar sem nos sentirmos diminuídos na nossa dignidade de filhos. Somos tão donos da casa que nos podemos sentar no último lugar porque, habitualmente, o dono trata sempre melhor o hóspede e escolhe para si o que resta. Fá-lo não por servilismo, mas porque esse é o estilo do dono da casa.

A humildade que nos ensina o Evangelho não é a humildade de quem tem uma baixa autoestima, mas de quem pensa de tal modo bem de si próprio que se reconhece filho do dono e, por isso mesmo, se pode levantar do primeiro lugar e sentar-se no último sem se sentir menos amado, mas antes profundamente amado. É porque tem intimidade connosco que Se permite mandar-nos levantar e sentarmo-nos no último lugar: não o faria com um hóspede ou com um estranho, para não o humilhar, com um filho sim. A nós, filhos, o Senhor solicita muitas coisas que aos olhos do mundo podem parecer sacrifícios, mas, na realidade, são apenas sinais da familiaridade profunda com que Deus nos ama e trata. É porque somos filhos que nos pede isto, pede-nos mais”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/09, n.º 4544, 28 de janeiro de 2020

Andreia Gonçalves entrevista Paulo Pinto

“Este território das Terras do Demo poderia ser um espaço literário de referência em Portugal”

Entrevista conduzida por: Andreia Gonçalves

O livro “Aquilino Ribeiro e as Terras do Demo: o marketing num território literário” é uma homenagem ao mestre e aos lugares pelos quais era, verdadeiramente, apaixonado. Paulo Pinto é mestre em Comunicação e Marketing, e o que era uma tese passou a ser um livro, apresentado, em Sernancelhe, no final, de um colóquio especial, que encerrou as comemorações do centenário da publicação da obra “Terras do Demo”.

Por isso, vamos fazer uma viagem pelas Terras do Demo, enquanto entrevistamos, este promissor autor e perceber este seu estudo.

 O ponto de partida para este roteiro, de Aquilino Ribeiro, tem de ser o pátio e a casa onde nasceu o escritor, em 1885, no Carregal, lugar que deu origem ao livro “Cinco Réis de Gente”, obra que cronologicamente situa Aquilino, nos primeiros dez anos de vida, antes de ir estudar para o Colégio da Lapa.

E aqui, lanço ao Paulo Pinto, a primeira pergunta. Como nasceu a ideia de escrever este livro? 

O livro “Aquilino Ribeiro e as Terras do Demo, o Marketing num território Literário” é a materialização da tese de mestrado em Comunicação e Marketing que realizei na Escola Superior de Educação de Viseu. O desafio para que passasse de um trabalho académico a livro foi da editora Edições Esgotadas, em particular da Professora Ana Maria Oliveira e da Dra. Teresa Adão, que entenderam que este estudo poderia ser útil para os concelhos de Sernancelhe e Moimenta da Beira e poderia despoletar, de certa forma, a ideia de que estamos perante um território único, porque aqui nasceu e viveu o escritor Aquilino Ribeiro, e que o turismo cultural, centrado na literatura, pode ser determinante para o desenvolvimento desta região. Ora, com esta certeza por parte da editora, e o apoio dos Municípios de Sernancelhe e Moimenta da Beira, o livro nasceu e faz parte agora da Coleção Saber, das Edições Esgotadas, distinguido com um extraordinário prefácio do professor Aquilino Machado, neto de Aquilino Ribeiro, e professor do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

Porquê do lançamento ser feito neste ano tão especial de centenário da edição da obra “Terras do demo”? 

O desafio surgiu, em primeiro lugar, da parte do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Dr. Carlos Silva, quando começou a ganhar forma a ideia de encerrar as comemorações do Centenário da edição da obra Terras do Demo com os Colóquios “Aquilino, Letras e terra”, iniciativa que trouxe ao Concelho dois ex-ministros da educação, um ex-ministro da cultura e vários académicos que são dos mais conceituados especialistas nacionais em Aquilino Ribeiro. Depois, fazia todo o sentido dar a conhecer o resultado de uma investigação que vem confirmar que as Terras do Demo têm as qualidades e o potencial para serem um território literário de exceção em Portugal. Por isso, foi muito importante que o livro fosse apresentado neste Colóquio, evento que marcou um ponto final num ano de intensas comemorações por todo o País, que envolveram, desde abril, os municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva – os legítimos herdeiros das “Terras do Demo”, que durante 2019, demonstraram que, na realidade, têm orgulho na designação que Aquilino lhes atribuiu, estão conscientes de que a marca Terras do Demo tem cada vez maior valor, e que partilham de um território que reúne elementos turísticos em quantidade e qualidade para proporcionar experiências únicas aos visitantes e para se afirmar a nível nacional. Ler mais…

Dia dos Santos ou Halloween?

Conhecer para compreender e poder discernir

As festividades associadas à denominação de Halloween são simples brincadeiras, ou melhor, simples pretextos lúdicos? Será isto que a maioria das pessoas pensa sobre esta efeméride também conhecida por «Dia das Bruxas»?

O livro, “Halloween – a travessura do Diabo” – é o resultado do trabalho de investigação sobre este tema a que se dedicou Aldo Buonaiuto, o qual pode contribuir para um melhor conhecimento do contexto histórico, desde o seu surgimento até à actualidade.

Através de uma séria pesquisa, o autor defende um poderoso argumento que prova estarmos em presença de um reavivar de cultos pagãos, de origem europeia e não americana, como comummente se admite e que agora, a pretexto da festividade do Dia de Todos os Santos e dos fiéis defuntos de origem cristã, se pretende reimplantar, por reinterpretação simbólica, essas ancestrais celebrações, aproveitando-se da ausência de conhecimentos religiosos como consequência da secularização das últimas décadas e pelas novas e ditas «suaves e propiciadoras» correntes espiritualistas do New Age.

Esclarecendo a faceta incógnita do Halloween e das práticas maléficas a que este fenómeno está ligado, sobretudo de modo inconsciente para muitos que nele participam, o autor conduz-nos de forma simples e esclarecedora, pelos meandros das suas origens até à magia da doçura ou travessura, nos dias de hoje.

“A festa das abóboras é, na realidade, uma festa para abóboras ocas. A travessura do demónio é doçura mortal para a alma”.

Miguel Ataíde, in Voz de Lamego, ano 89/44, n.º 4531, 22 de outubro de 2019

Livro do Pe. Fabrício: Pastoral do Encontro e nova Evangelização

Análise da Paróquia de Penajóia

Vivemos num tempo marcado pela pobreza relacional onde o anonimato, a solidão, a individualidade e a incomunicabilidade se fazem sentir.

No trabalho (livro) apresentado pelo bispo da nossa Diocese, D. António Couto), no passado dia 16 de dezembro, tive como objetivo, abordar a Nova Evangelização como a capacidade de ir ao encontro de todos, dos homens e das mulheres do nosso tempo, para dar continuidade ao anúncio de Jesus Cristo.

Para tal tive a preocupação de analisar alguns conceitos que deveremos ter em conta, nomeadamente, o conceito de Ação Pastoral, de Evangelização e de Encontro. Conceitos estes que, de algum modo, são para nós desafios, os quais, nos foram propostos pelo Concílio Vaticano II e que nunca chegarão ao seu termo, pois são estímulos que devem estar sempre em constante desenvolvimento e atualização, em permanente aggiornamento como tão, belamente, caracterizava Sua Santidade João XXIII.

A Ação Pastoral e, neste caso, a Pastoral do Encontro é a ação de quem tem de guiar, de abrir caminhos, de orientar, de velar, de cuidar, de acolher e de preservar o homem e o mundo como nos diz o Papa Francisco na sua última Carta Encíclica Laudato Si.

Num último momento do trabalho apresento algo mais concreto de uma realidade particular que é a Análise à realidade da Paróquia de Santíssimo Salvador de Penajóia, no desejo de dar a conhecer os seus vários dinamismos, os seus vários vetores de ação pastoral no que diz respeito à prática da Pastoral do Encontro à Nova Evangelização.

É necessária uma grande atitude de humildade e de abertura à renovação da Igreja, sem medos nem preconceitos, é urgente uma transformação do coração do Homem para que este possa, aberta e alegremente aderir a novas renovações que o futuro possa proporcionar.

O Encontro de ontem não é o mesmo de hoje, nem será o mesmo de amanhã. O Encontro deve acompanhar sinais dos tempos, de modo a que prolifere as ações necessárias à Nova Evangelização.

O meu contributo neste trabalho é apenas abrir horizontes de reflexão e ajudar a entender o modo como devemos estar sempre atentos às realidades que nos circundam, de tal forma que sejamos capazes de conseguir fazer chegar a todos os corações a verdadeira Palavra da Salvação que, pela Fé acreditamos ser o próprio Jesus Cristo Encarnado para todos e por cada um de nós.

 

O Autor do Livro: Pe. Fabrício Pinheiro,

in Voz de Lamego, ano 88/06, n.º 4443, 9 de janeiro de 2018

Lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego

Teve lugar no passado sábado, dia 22 de Julho, o lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego, resultante de uma parceria entre a Diocese de Lamego e a Universidade do Algarve. A obra de autoria de Francisco Lameira, Pedro Vasconcelos Cardoso e José João Loureiro, aborda a história e temática do retábulo na Diocese, com especial incidência entre os séculos XVI a XX.
O evento começou com uma visita guiada à capela de Nossa Senhora do Desterro, em Lamego, orientada por um dos co-autores do livro – Pedro Vasconcelos Cardoso. Aquando da análise formal daquele espaço, foi referida a possibilidade de se tratar de uma “obra de arte total”, conferida pelo conjunto de elementos constitutivos do interior daquele espaço, destacando-se a importância da talha na sua concepção.
Da capela, local de paramentação dos bispos de Lamego, seguiu-se para a Sé onde, este co-autor abordou, de novo, a temática dos retábulos, dando especial relevo à ideia da Mitra ser o principal introdutor das novidades da retabulística na Diocese, a par de alguns mosteiros da região. Esse facto é manifestado pela datação do altar-mor, ou do altar de São Miguel no transepto, ambos a comportarem-se como importantes introdutores na região do Tardobarroco e Rococó respectivamente. Seguiu-se uma outra intervenção, esta proferida por José João Loureiro, também co-autor do livro, que abordou a pintura do retábulo-mor da Sé. Nela falou sobre a atribuição da autoria da tela e do aspecto curioso de o pintor se ter feito retratar na mesma.
Posteriormente ocorreu o lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego no auditório do Museu Diocesano, apresentado pelo Cónego José Paulo Leite de Abreu. Foi enaltecida a grande qualidade gráfica da edição, acrescida pela excelência dos registos fotográficos, e igualmente foram louvadas a clareza e sistematização dos conteúdos que, desta forma, se tornam acessíveis a qualquer indivíduo. A intervenção daquele Cónego pautou-se pela boa disposição sem deixar de referir os aspectos importantes que o livro levanta, quer para o estudo da história da arte do retábulo, quer para a investigação e conhecimentos de outras expressões da história da arte em geral.
Coube de seguida aos três autores do livro a vez de exporem algumas considerações sobre o percurso da obra, as principais novidades que levanta e agradecer a total colaboração da Diocese no processo de investigação, destacando-se o papel desempenhado pelo Pró-Vigário Geral no processo.
O Senhor Padre João Carlos Morgado, enquanto Pró-Vigário Geral e coordenador de todo o evento, presidiu à sessão, e, antes do encerramento, destacou a importância desta obra como um documento, ou registo global, que fica sobre o retábulo na Diocese de Lamego, tornando-se, a par de outras edições de importantes investigadores locais, uma obra de referência para o estudo da arte sacra da região.

in Voz de Lamego, ano 87/37, n.º 4422, 25 de julho 2017

Apresentação de Livro de Mons. Arnaldo Cardoso

Num lugar favorecido de beleza e adornado de silêncio (só o murmúrio das águas que passam caminhando no leito de um regato o parecem querer quebrar), num templo opulento em arte e recheado de história, beleza que nos encanta, silêncio que nos tonifica, história que nos educa e arte que nos tira quase a respiração, reuniram-se na passada quinta-feira, dia 30, pelas 16 horas, umas dezenas de interessados para assistirem à apresentação de mais uma obra notável de Mons. Arnaldo Cardoso, esta como título “Representações Artísticas do Cântico dos Cânticos em Portugal”.

A presidir, na mesa de honra, para além do autor, D. António Couto, Bispo da Diocese, a quem coube a tarefa da apresentação do livro, o Presidente da Câmara de Tarouca, Valdemar Pereira, D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito, Mons. Joaquim Rebelo, Vigário-Geral, e Zita Seabra, proprietária e directora da Alêtheia Editores, a quem pertence a edição. Ler mais…

CONVERSAS FINAIS | Editorial Voz de Lamego | 21 de março de 2017

A peregrinação do Papa Francisco ao Santuário de Fátima, nos próximos dias 12 e 13 de maio, vai tomando conta das notícias, ocupando um espaço cada vez maior e mais frequente. A Voz de Lamego tem procurado fazer o seu trabalho de informação e e formação à volta da Peregrinação Papal, do Centenário das Aparições, da Mensagem de Fátima.

Há, porém, espaço e tempo para outras notícias, outras reflexões, outros temas. O Diretor da Voz de Lamego, o Pe. Joaquim Dionísio, faz eco das Conversas Finais com o Papa (Emérito) Bento XVI, entrevista-livro que agora chega às bancas nacionais.

CONVERSAS FINAIS

Apesar de publicado em setembro último, só hoje aparece, em português, o livro “Conversas finais”, fruto da mais recente entrevista que Bento XVI concedeu ao alemão Peter Seewald. E são já quatro as entrevistas destes protagonistas que deram outros tantos livros.

O título é sugestivo, não porque inviabilize novas conversas, mas porque revela a serenidade do ancião que se sabe mais próximo do encontro com o Criador. Com naturalidade, sem desespero ou saudosismo, Bento XVI sabe que os seus 89 anos o fazem olhar mais de perto a finitude desta vida, ele que vive uma situação inédita: um Papa reformado!

O livro pode ser encarado como uma espécie de balanço do seu pontificado (2005-2013), sem esquecer as razões da renúncia, a opinião sobre o sucessor ou o futuro da Igreja, ao mesmo tempo que surge como oportunidade para Bento XVI falar de si e dos seus, partilhar memórias e explicar opções, recordar pessoas e factos.

Um dos grandes teólogos do nosso tempo que, apesar da personalidade reservada que o caracteriza, soube aliar humildade e sabedoria. Pode discordar-se das suas posições, criticar-se a sua actuação ou questionar opções, mas não poderá negar-se a singularidade do seu pensamento, a forma didáctica como se expressou e a disponibilidade para servir a Igreja.

E serviu-a quando se apresentou como o “humilde servo da vinha do Senhor”, mas também quando resignou, mostrando que sair pode não ser sinónimo de desistir ou abandonar, mas ser uma outra forma de permanecer e de ser fiel (amar).

Após a renúncia, soube preservar-se de qualquer tentação para aparecer ou fazer-se ouvir, não acompanhando aqueles que se opõem à linha do Papa Francisco e que, possivelmente, gostariam de o ter como “porta-voz”.

in Voz de Lamego, ano 87/19, n.º 4404, 21 de março de 2017

Tempo, espaço e vivências de Nossa Senhora dos Remédios

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O rosto de Lamego

A igreja do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios foi escolhida, mais uma vez, para a cerimónia de apresentação de um livro, da autoria do Reitor daquele espaço diocesana, Pe. João António Pinheiro Teixeira. Aconteceu na tarde do passado domingo e contou com muitas presenças, entre as quais as de D. António Couto e de D. Jacinto Botelho.

Rosto que provoca

“O rosto de Lamego. Tempo, espaço e vivências de Nossa Senhora dos remédios”, nas suas mais de 500 páginas, é, segundo o Comissário da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, Dr. Manuel Teixeira, o resultado de um grande esforço de investigação por parte do autor e o fruto de uma enorme dedicação daquele sacerdote, oferecendo a todos uma “história do santuário actualizada”. Ler mais…

Sugestão de Leitura: Contra a Eutanásia

untitled_34235de44Sobre o livro Contra a Eutanásia, Luís Paulino Pereira, médico e autor do prefácio, disse que a obra «é um verdadeiro apelo à vida de um indivíduo que se diz agnóstico. E de que forma faz um apelo à vida? Primeiro, citando as verdadeiras maravilhas da medicina. Depois, tudo aquilo que é preciso fazer para preservar a vida.» Luís Paulino Pereira refere que o livro tem uma linguagem acessível, «que toda a gente entende» e deixou um incentivo a que todos leiam o livro para que cada um tire as suas conclusões.

O livro Contra a Eutanásia é escrito em estilo de entrevista com Lucien Isräel, um não-crente e homem da ciência. Este francês foi médico e professor universitário de Pneumologia e Oncologia. Deu aulas em França, Estados Unidos da América, Canadá e Japão. Fez parte também de várias organizações da área da oncologia e da investigação, chegando mesmo a fundar o Laboratório de Oncologia Celular e Molecular Humana, em Paris. Foi membro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

JUBILEU DA MISERICÓRDIA: A caridade dá que fazer

a.caridade.da.que.fazerAo longo das últimas semanas, de forma simples e limitada, aqui se foram fazendo referências ao ano jubilar em curso, aos ensinamentos papais, a gestos e símbolos, a textos bíblicos, a exemplos de santos e, mais concretamente, ao tema que lhe dá o mote: a misericórdia.

Mas sobre a misericórdia, por mais que se escreva ou por muitos que sejam os modelos apontados, o melhor texto e ensinamento será sempre a sua prática. E, demos graças a Deus, são muitos os exemplos que, à nossa volta, nos edificam e motivam! Só não vê e só não imita quem não quer.

E ao olharmos a realidade, facilmente concluímos que não há misericórdia sem caridade, na medida que só um amor que se aproxima e compadece é capaz de protagonizar actos semelhantes ao do bom samaritano da parábola evangélica. Por isso se pode afirmar que a caridade (amor) ocupa um lugar central da fé cristã e da vida que daí decorre. Dito de outra maneira, não há verdadeiro discípulo de Jesus que possa esquivar-se ao amor e à sua prática.

Conscientes desta afirmação, das limitações que nos acompanham e da tentação constante do facilitismo apetece-nos dizer que “a caridade dá trabalho”! Como tudo o que é importante.

O desabafo é motivado pelo título de um livro aparecido em 2011, “A caridade dá que fazer. Atualidade das obras de misericórdia”, do monge italiano Luciano Manicardi que, ainda no último Simpósio do Clero (setembro de 2015), proferiu duas conferências aos sacerdotes portugueses. Este texto, entre o muito que ensina e a que valerá a pena voltar, visa ajudar-nos a “reaprender a gramática elementar da caridade” (p.13).

Partindo da experiência protagonizada e observada, temos que concordar que a caridade cansa porque desinstala, obriga a sair da zona de conforto, a contrariar a cómoda neutralidade e a comprometer-se, a passar das palavras aos actos, a protagonizar gestos de generosidade (de bens consumíveis, mas também de tempo, de atenção, de paciência, de visita, etc).

A caridade cansa porque exige mais do que emocionadas palavras, belos discursos ou diagnósticos atentos. A caridade exige conversão do sujeito para que o gesto que se tem ou a palavra que se lança não sejam apenas algo exterior.

Perante as dificuldades que o dia-a-dia nos mostra e que os meios de comunicação nos trazem de perto e de longe, facilmente se poderá apresentar este tempo como mau, com gente a sofrer e a ser perseguida, com refugiados que ninguém quer acolher, com pobres que seria melhor não ver, com seres humanos a serem espoliados da sua dignidade…

Mas este é também o tempo, no dizer daquele autor, que nos traz a oportunidade para sair da “cultura da lamentação” e tentar avançar, através da “caridade da razão” e enxertar a “razão política na caridade e na justiça”.

Mas isso dá trabalho!

JD, in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016