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Editorial Voz de Lamego: Estamos agora mais perto da salvação!

É a nossa esperança assente na fé que nos une a Jesus Cristo e, n’Ele, aos irmãos, constituídos em comunidade, em discípulos missionários. A Páscoa é oportunidade para amadurecermos e renovarmos a nossa fé, purificando-a do acessório, tradições, usos e costumes. Estes são beneméritos na medida em que nos ajudem a reaviar os acontecimentos do passado, tornando-os visualizáveis na atualidade.

O acontecimento da paixão redentora de Jesus, não é uma realidade do passado, é vivência real do nosso tempo. Jesus dá-Se, de novo, por ação do Espírito Santo, em Igreja. Ele veio! Ele vem e traz a eternidade até nós, faz-nos participar do banquete celeste. Na Cruz, Ele oferece-Se por mim e por ti, faz-nos irmãos, envolve-nos em família. Ressuscita e arrasta-nos para a vida divina; partilha a Sua vida, torna-Se um de nós, para nos fazer participantes da Sua vida. É o mistério maior da nossa fé. Estamos lá! Ele está ali, na Eucaristia, senta-Se connosco, fala para nós, interpela-nos, dá-nos o Seu corpo, a Sua vida por inteiro.

De forma mais solene, em cada ano, a Páscoa é um desafio que nos faz recuar no tempo, ao tempo da vida histórica de Jesus, mas sempre na certeza que não somos tanto nós que recuamos, mas é Ele que traz o passado até à nossa vida, fazendo-nos experimentar, no encontro d’Ele connosco, a Sua entrega filial. A hora é hoje. É hoje que Jesus está na Cruz, é hoje que Jesus sofre em cada irmão marginalizado, esquecido, violentando, em cada irmão espezinhado ou remetido para as periferias. Jesus continua a ser crucificado na criança que morre à fome, na mulher que é agredida, nas famílias destruídas pela guerra, ou em busca de pão, no jovem iludido nas dependências químicas, nos pobres sacrificados à economia.

É hoje que Jesus ressuscita e nos ressuscita nos propósitos e compromissos de O acolhermos, acolhendo, amando e servindo os irmãos. Aquilo que fizerdes ao mais pequenos dos irmãos é a Mim que o fazeis. Não há verdadeira Páscoa sem conversão ao coração de Cristo, que ama, consumindo-Se totalmente. Não há verdadeira Páscoa, transformação autêntica, se continuar a faltar tempo e lugar para os mais pequeninos, para os mais pobres e fragilizados. A Páscoa recria a criação, torna novas todas as coisas. Somos o Seu olhar, as Suas mãos que perdoam e abençoam, protegem e levantam, servem e ajudam.

Interpela-nos São Paulo: “Sabeis em que tempo vivemos: já é hora de acordardes do sono, pois a salvação está agora mais perto de nós do que quando começamos a acreditar. A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Rom 13, 11-12).

Há um ano vivemos uma Quaresma atípica! Como atípica também a deste ano. Há um ano, as celebrações comunitárias foram confinadas! Desta vez, a Quaresma iniciou em confinamento, mas em tempo útil regressámos à comunidade, ali onde a Igreja nasce, amadurece e se realiza. Claro que em cada Eucaristia está todo o povo, pois Deus, em Jesus, pelo Espírito Santo, dá-Se para todos, não para uma pessoa, por mais santa que pudesse ser. A oferenda é por todos, todos estão implicados na oração e no banquete, todos são benificiários do mistério pascal. Mas, na realidade sensível da nossa carne, sentimos urgência e necessidade de estarmos também fisicamente envolvidos, próximos dos outros ao ponto de lhes vermos os olhos e sentirmos o seu odor e os seus tremores!

Deixemo-nos envolver pela alegria da Páscoa que se aproxima, certos de estarmos mais perto… da salvação.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

VIVER AGORA | Editorial Voz de Lamego | 31 de janeiro de 2017

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A partir da capa da edição desta semana da Voz de Lamego, o destaque para o Dia Mundial do Doente, no interior outros destaques tais como a Semana do(s) Consagrado(s) ou a Visita Pastoral de D. António Couto a Parada de Ester, na Zona Pastoral de Castro Daire. Como sempre, muitas outras notícias da diocese e da região, bem assim como uma variedade de reflexões que nos provocam, nos desafiam, nos envolvem…

O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, no Editorial, parte da festa da Apresentação de Jesus no Templo, a 2 de fevereiro, 40 dias depois do Natal, sugerindo-nos que aproveitemos o Agora para vivermos…

VIVER AGORA

Na quinta-feira, dia 2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa da Apresentação de Jesus no Templo, também conhecida como festa da Candelária, da Senhora das Candeias ou Festa da Purificação.

A celebração recorda um facto narrado no Evangelho de Lucas 2, 22-40. Quarenta dias após o seu nascimento de Jesus, Maria vai ao Templo, em Jerusalém, para a purificação prescrita e, juntamente com José, apresentam o Menino ao Senhor, de acordo com a lei judaica. Ali chegados, encontram Simeão, que “sobrevivia” na expectativa de ver o Messias antes de morrer.

Já com o Salvador nos braços, o “piedoso e justo” judeu entoa um hino que a Liturgia das Horas convida a rezar na última oração do dia, as Completas. “Nunc dimittis servum tuum, domine”, que pode traduzir-se por “despede agora o teu servo, Senhor” e se recita “Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo”.

Deus concedera ao velho Simeão a graça de contemplar o Messias e da sua boca saíram palavras de alegria e de gratidão, motivadas pelo encontro vivido, pela promessa cumprida, pela meta atingida… pela vida cumprida!

Numa “tradução” influenciada pelo som das palavras, talvez o ouvinte seja tentado a traduzir “nunc” por “nunca”, esquecendo o “agora” devido.

Tal como neste latim mal traduzido, também a vida pode permanecer “incumprida” quando se adiam decisões e caminhos, inviabilizando o “agora” e protagonizando um contínuo “nunca”.

Na verdade, há vidas que “nunca” estão no sítio certo, à hora certa, disponíveis para amar, contemplar, acolher, aclamar, rezar, seguir, cumprir, etc, apesar de continuamente serem destinatários do “agora” que acontece e da oportunidade que pode não voltar.

A exemplo do velho Simeão, nunca é tarde para corresponder aos convites, sinais e situações que o agora (presente) concede.

in Voz de Lamego, ano 87/12, n.º 4397, 31 de janeiro de 2017

Apresentação do CD “Tu, Senhor” do Pe. Marcos Alvim

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Não foi um mero espetáculo musical, uma festiva apresentação de cânticos agradáveis, nem uma saudável distração noturna de fim de semana; o que presenciamos no dia 28, sábado, ás 21 horas no Centro Paroquial de Almacave, perante um auditório repleto de gente, onde novos e menos novos se acomodavam para que, com espírito fraterno, “coubesse sempre mais um”, e quando já se viam crianças  e jovens ocupando todo e qualquer cantinho de chão (felizmente alcatifado, que a noite estava fria!), o que presenciamos foi um autêntico ATO DE EVANGELIZAÇÃO, mais de 2 horas de LOUVOR e ADORAÇÃO, ouvindo e cantando, rindo (muito) e dando graças ao nosso Deus, enquanto comungávamos da alegria de estarmos juntos, cristãos e amigos, unidos pela Fé e pela felicidade que um dia todos tivemos de nos cruzarmos com alguém muito especial – alguém que transmite o Amor de Deus com alegria, pureza, paciência, boa disposição , sabedoria, disponibilidade, companheirismo… bom, nunca mais acabaria…

O mentor desta autêntica “migração” para o CPA foi o nosso amigo Pe. Marcos, que, com os jovens das paróquias da Sé e de Almacave, e a colaboração de muitos amigos (que a quem o é não lhe faltam!) lançou oficialmente o seu 4.º CD “TU SENHOR”.

Com originais da sua autoria (e colaboração em algumas letras) o Pe. Marcos pretendeu oferecer aos cristãos um guia musical para celebração eucarística, com cânticos apropriados a todos os momentos, solenes mas alegres, fáceis de aprender e de cantar, com conteúdo adequado e mensagem clara e apelativa, atrativo para todas as faixas etárias, de modo a alargar as opções disponíveis na animação das nossas celebrações.

A abertura esteve a cargo do Pe. Zé Guedes, seu conterrâneo, que lembrou os tempos de infância do “ Marquitos” e a sua precoce queda musical, e deixou umas palavras de homenagem a seus Pais, senhor João e D. Maria do Céu.

D. António Couto, sempre presente no meio do seu rebanho, amigo e bem disposto, honrou-nos com algumas palavras inspiradoras e apelou á união, especialmente dos jovens, em torno da evangelização pela musica, pois “o ser humano é fundamentalmente um ser musical”, pelo que é um método congregador da juventude, tão tentada por “outras musicas” muito pouco aconselháveis.

Também contamos com a presença de D. Jacinto, Bispo Emérito, do Vigário Geral. Dr. Joaquim Rebelo, do Pró – Vigário, Dr. João Carlos, do Reitor do Seminário de Lamego, Dr. Joaquim Dionísio, e de inúmeros sacerdotes da nossa Diocese e não só.

A “grande festa” terminou com a filmagem do vídeo-clip da música “Caminho, Verdade e Vida”, com todo o público e artistas envolvidos – aguardamos o resultado e a possível descoberta de novos talentos…

Era já tarde quando a interminável fila de “fãs” que aguardava o autógrafo do autor se diluiu, e entre abraços, risos e despedidas voltamos para casa com o coração cheio, como só o sentimos quando o Amor de Deus nos preenche o coração em comunhão com os irmãos.

Obrigada Pe. Marcos! Por nós pode ser assim todas as semanas…

Dr.ª Isilda Montenegro, in Voz de Lamego, ano 85/53, n.º 4340, 1 de dezembro

XLI ENCONTRO NACIONAL DE PASTORAL LITÚRGICA

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Comunicar na liturgia

Pela 41ª vez, entre os dias 27 e 31 de julho, reuniu-se em Fátima um grupo de cerca de 1100 participantes em mais uma Semana Nacional da Pastoral Litúrgica, este ano subordinada ao tema “A comunicação na liturgia”. Durante a semana foram vários os momentos que nos ajudaram a refletir e compreender o modo como a liturgia é fonte e meio para o encontro com Deus.

Os vários oradores procuraram apresentar vários prismas referentes à relação entre Homem e Deus na celebração litúrgica. Nas várias apresentações, evidenciou-se a liturgia como o momento auge e incontornável de toda a vida da Igreja, onde é possível o encontro corporal entre Deus e os homens, quer pela presença corpórea no pão e vinho consagrados, quer pela voz do celebrante e dos leitores que proclamam a mensagem salvífica para toda a assembleia.

Foi discutida também a importância de uma correta postura dos fiéis e do presidente para que se criem as condições necessárias para a consciencialização da real presençade Deus e para que esta possa ser sentida por toda a assembleia celebrante: “A liturgia não reclama uma presença de espectadores, não, a liturgia reúne um corpo vivo” (Prof. Dr. José Frazão) e celebranteque é o corpo eclesialcujo a cabeça é Cristo. Apontou-se ainda a importância de todos se abrirem ao Espírito Santo que é quem nos pode fazer sentir Deus, nos ensina quem Ele é e a sua vontade, apontando-se a demasiada catequese como irrelevante quando essa abertura não se verifica: “O centro do cristianismo não é compreender Jesus Cristo, mas sim ser encontrado por Ele” (Ibidem) e esse encontro só é possível na Eucaristia “onde podemos ser tocados e tocar o corpo real de Cristo” (Ibidem).

Temas como “o canto como comunicação”, “a liturgia e as novas tecnologias”, “as artes ao serviço da liturgia” foram alguns dos assuntos também tratados no variado leque de apresentações e de oradores, que sem dúvida, proporcionaram aos participantes mais atentos, novos horizontes úteis para as várias missões que cada um desempenha na vida comunitária da Igreja.

À formação aliou-se aindaa oração com os momentos diários de celebraçãoda Eucaristia e da liturgia das horas, mais precisamente das Laudes e Vésperas.

Importa ainda fazer aqui referência aos treze participantes oriundos da Diocese de Lamego, entre os quais leigos(as), sacerdotes, religiosos(as) e seminaristas, procurando desta forma também apelar à participação de mais cristãos da nossa diocese nos próximos encontros.

João Pereira, Diogo Rodrigues e Vítor Carreira, seminaristas

in Voz de Lamego, ano 85/38, n.º 4325, 18 de agosto

Formação do Clero de Lamego no programa Ecclesia

EVANGELIZAÇÃO E LITURGIA |> Jornadas de Formação do Clero | 2015

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O clero da Diocese de Lamego viveu dois dias de formação, 3 e 4 de fevereiro. O encontro realizou-se na Casa de Retiros de São José, em Lamego, e contou com cerca de 40 sacerdotes, oscilando em conformidade com os dias, as horas e a disponibilidade. 

Depois da oração, nos dois dias, o reverendo Pró Vigário Geral, Pe. João Carlos, apresentou os conferentes: Pe. Jorge Santos, da Diocese de Coimbra, pároco de São João Batista, paróquia criada em 2010, e Vigário Episcopal para a Pastoral, e que veio falar-nos das Células Paroquiais de Evangelização (CPE); Frei Bernardino da Costa, OSB, Abade de Singeverga, convidado para continuar o trabalho do ano anterior, prosseguindo com a temática litúrgica.

Dinâmica missionária do Plano Pastoral

Ide e construí com mais amor a família de Deus. D. António Couto propôs que a Diocese de Lamego vivesse em dinâmica missionária.

Ao Clero de Aveiro, em formação também nestes dias, D. António Couto, um dos oradores, partindo da Evangelii Gaudium, apontou a necessidade da Igreja, toda a Igreja ser missionária, Igreja em saída, em que «o primeiro anúncio é o elemento fundamental de toda a pastoral» e em que «a dimensão missionária tem que ser o horizonte permanente da ação da Igreja». As paróquias hão de ser «casas de portas abertas», «santuários onde os sedentos vão beber» a fim de que «quem encontra a paróquia encontre Cristo, sem glosas e sem filtros»… O Bispo de Lamego elencou mais três chaves de leitura da Evangelii Gaudium: «a evangelização ‘non stop’», «o primado da graça, sem estratégias» e ainda «o Espírito Santo não condicionado». E finalizou, afirmando: «Não podemos deixar transformar a tempestade do Pentecostes em ar condicionado».

Fundamentação bíblica da Evangelização

O primeiro dia de formação esteve a cargo do Pe. Jorge Santos, que nos trouxe a sua experiência como cristão e como sacerdote. “Deus era alguma coisa, mas não era Alguém”. Até aos 20 anos. Num encontro de jovens, do Renovamento Carismático, fez a experiência de encontro com Deus. “Agora Deus passou a ser Alguém”. Sem este primeiro encontro, pessoal, fundante, de primeiro anúncio, “não seria o que sou como crente”.

O primeiro anúncio é essencial, porque é o mandato de Jesus Cristo (1); porque o mundo precisa urgentemente de Cristo e do Seu Evangelho de amor (2); porque quem encontrou Jesus tem necessidade de O comunicar a toda a gente (3). O Evangelho, com os 4 evangelistas, coloca a evangelização como paradigma da vida cristã. Cada um deles faz acentuações diferentes. São Marcos (16, 15): Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho (K –Kerigma); São Mateus (28, 19-20): Ide por todo o mundo e (F) Fazei discípulos; São João (20, 21): como o Pai me enviou, também Eu vos envio, C – Comunhão missionária; São Lucas (24, 48): Vós sois (T) Testemunhas destas coisas.

A Igreja existe para evangelizar. “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unigénito” (Jo 3, 16). O mundo de hoje, como o de ontem, precisa de evangelizadores, de quem leve esperança, de quem dê mais, dê Deus. Evangelizar é amar.

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Sugestão de Leitura | novo livro de D. António Couto > ano B

SUGESTÃO DE LEITURA DA VOZ DE LAMEGO:

 

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O nosso bispo, D. António Couto, oferece-nos mais uma ajuda para melhor compreendermos os textos bíblicos que escutamos semanalmente. Dando continuidade ao trabalho já publicado para o Ano A, eis que um novo livro chega para nos acompanhar neste Ano B, que estamos a viver desde o primeiro domingo do Advento.

Tal como afirma o próprio autor, na introdução, trata-se de um contributo para “aqueles que gostam de saborear os textos bíblicos que a Liturgia nos oferece”.

A mesma introdução alude ainda ao aparecimento próximo de um livrinho para melhor conhecermos e compreendermos o evangelista deste ano, “Introdução ao Evangelho segundo Marcos” e que, juntamente com este, formará um todo.

Título: Quando Ele nos abre as Escrituras domingo após domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário Ano B.

Autor: D. António Couto

Edição: Paulus Editora

Tamanho: 215 x 145 mm, 399 p.

Preço: 20 euros

 in VOZ DE LAMEGO, n.º 4293, ano 84/55, de 16 de dezembro de 2014

Há um ano > D. António Couto: Introdução ao Evangelho de São Mateus

D. ANTÓNIO COUTO. Introdução ao Evangelho segundo Mateus. Paulus Editora. Lisboa 2014. 112 páginas.

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Depois da publicação do “Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo Após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário (Ano A)”, inteirinho dedicado à liturgia de Domingo, centrado essencialmente no Evangelho, cujo evangelista principal, de domingos e solenidades é são Mateus, eis agora mais uma preciosa ajuda para entender o Evangelho da Igreja, isto é, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

Com a seriedade com que nos habitou, com a profundidade que lhe reconhecemos, D. António faz-nos entrar DENTRO do texto do Evangelho mas também dentro da HISTÓRIA de Jesus Cristo, de uma forma muito, muito, acessível, simples e muito poética. Cada texto traz a sabedoria das Escrituras Sagradas, explicada, exemplificada, com ligações à história de Israel e à história da Salvação. Texto de Mateus mas ligado a outros textos e contextos.

Os grandes discursos de Mateus, diversos acontecimentos que nos “agrafam” a Jesus, levam-nos àquele tempo, ou melhor trazem Jesus até nós, pois que Ele caminha connosco, queiramos nós escutá-l’O e segui-l’O e ainda seremos poucos para a sua seara. Ele diz o Pai, como o Espírito Santo diz o Filho e o Pai, mas também nos diz a nós. Estamos lá à beirinha de Jesus, escutando, interrogando-o, hesitando, duvidando, caminhando, ansiosos, de olhares perdidos que Ele faz questão em encontrar.

O que surpreende sempre nos textos de D. António, para lá da vasta cultura bíblica, é a forma poética e ritmada de dizer, de explicar, de nos envolver nas belíssimas páginas do Evangelho, da Escritura Sagrada. Este é mais um extraordinário exemplo, como quem trabalha a prata e o ouro, ou quem de tosca pedra tira belas estátuas, ainda que aqui a imagem seja desajustada, pois a pérola é o próprio Evangelho. Mas é possível que a beleza do Evangelho se torne ainda mais transparente e acessível com este estudo de D. António. Vale a pena ler, meditar, deixar-nos guiar para dentro das páginas do livro e sobretudo fazer com que as páginas do Evangelho continue a escrever nas nossas vidas, dentro do coração de cada um.

Já recomendámos a leitura dos comentários da Liturgia do DOMINGO: AQUI. Do mesmo modo poderá seguir as reflexões de D. António através do seu blogue pessoal: Mesa de PalavrasAQUI. Embora possam ser textos próximos, o autor e as leituras são as mesmas, mas o blogue permite uma ou outra atualização, que aqui ou acolá mais nos conduz ao Evangelho de Jesus.

A Livraria Fundamentos também recomenda este belíssimo trabalho: AQUI.

Livro sugerido no blogue CARITAS IN VERITATE: Aqui

Solenidade de TODOS OS SANTOS | Santidade | 1 de novembro

todos-os-santos-e-santasNeste sábado louvamos o Criador por todos quantos, antes de nós, viveram responsavelmente a sua vida, em plena liberdade. Homens e mulheres que, apesar de limites confessados e de percursos nem sempre isentos de dúvidas ou quedas, percorreram a vida de forma exemplar e são um testemunho a ter em conta. A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos.

A santidade não está na moda. Nunca esteve. E falar dessa vocação a que todos os baptizados são chamados pode não motivar muito os ouvintes e leitores. Mas é a verdade: somos todos convidados a ser santos, a esforçarmo-nos por ser santos. Tal como nos esforçamos por saber algo ou a conseguir alguma coisa. E nada se consegue sem esforço. Porque a santidade não é um acaso, fruto de intenções, de discursos ou de fugas, mas o resultado de uma procura e a consequência de muitas escolhas acertadas e de opções correctas.

Alguém disse, com humor, gostar muito do trabalho e que seria capaz de estar horas e horas a olhar para ele. A santidade dá trabalho, mas não resulta apenas da contemplação. Até porque, entre os nossos pecados, talvez tenhamos que confessar sempre o da omissão. Quem quer ser santo? A resposta deveria vir, em uníssono, da boca de todos os baptizados. Sabemos que não é assim. Confiantes na misericórdia de Deus, acreditamos que a multidão dos santos é incontável. O que nos dá esperança de chegar lá, apesar dos muitos limites.

Festa de todos

No primeiro dia de Novembro a Igreja honra a imensa multidão dos que foram vivas e luminosas testemunhas de Cristo. Se um certo número de entre eles foi oficialmente reconhecido, concluindo um procedimento chamado “canonização”, e nos foram dados como modelos, a Igreja sabe bem que muitos outros viveram igualmente na fidelidade ao Evangelho e ao serviço dos irmãos. Por isso, nesta festa, celebramos todos, conhecidos ou desconhecidos.

Mas a festa serve também para nos recordar que todos somos chamados à santidade, por caminhos diferentes, às vezes surpreendentes ou não esperados, mas acessíveis. Porque a santidade não é uma via reservada a uma elite: diz respeito a todos os que escolhem seguir Cristo.

Por outro lado, a vida dos santos constitui uma verdadeira catequese, viva e próxima de nós. Mostra-nos a actualidade da Boa Nova e a presença actuante do Espírito Santo entre os homens. Testemunhas do amor de Deus, estes homens e mulheres são nossos próximos pelo seu caminhar – não se tornaram santos do dia para a noite – pelas suas dúvidas, pelos seus questionamentos, pela sua humanidade.

Santidade como meta

O texto das Bem Aventuranças, lido nesta festa, diz-nos que a santidade é fruto do acolhimento da Palavra de Deus, da fidelidade e da confiança n’Ele, mas também da bondade, justiça, amor, perdão e paz (cf. Mt 5, 1-12). E a multidão dos baptizados de todas as raças, de todas as línguas, de todas as nações, que são filhos adoptivos pela graça divina e participam na vida trinitária, é anónima aos olhos dos homens. Só Deus a conhece, Ele que a todos chamou.

Desde o século IV que a Igreja síria consagrava um dia para festejar todos os mártires, já que o seu número se tornara tão grande que impossibilitava a comemoração individual. Três séculos mais tarde, num esforço para cristianizar as festas pagãs, o Papa Bonifácio IV transformava um templo romano dedicado aos deuses, o Panteão, numa igreja consagrada a todos os santos. O costume expandiu-se no ocidente, mas cada Igreja festejava em datas diferentes, até ao ano 835, quando é fixada no primeiro dia de Novembro.

Como escreveu S. Bernardo: “É do nosso interesse, não do interesse dos santos, que honremos a sua memória. Pensar neles, é uma forma de os ver. Com isso, somos transportados espiritualmente para a Terra dos Viventes”.

Procura e não acaso

Ao longo da Revelação bíblica, Deus dá-se a conhecer não somente como Deus criador, vivo e verdadeiro, ao qual se deve render culto com sacrifícios santos, mas mais ainda como Aquele que ama os homens, que os livra do mal e lhes oferece a possibilidade de viverem em aliança com Ele.

Ao longo deste caminhar na Aliança, aparece a inconstância dos homens e a sua recusa em amar, o seu pecado. É a estes homens fracos e por vezes rebeldes que Deus oferece a sua própria santidade como caminho de felicidade: “Vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lev 19, 2).

Tornar-se santo não é fazer coisas para Deus ou em seu nome, mas tornar-se semelhante a Ele, ser participantes da vida de Deus (cf. 2 Pd 1, 4) que é Amor e Luz. Ser santo é então uma maneira nova de ser, enraizado no amor, iluminado pela Palavra de Deus, e que se traduz pelo dom de si mesmo para o serviço de Deus e do próximo: “Procurai imitar Deus, como filhos bem amados, a exemplo de Cristo que vos amou e se entregou por vós” (Ef 5, 1).

Jesus Cristo é “o Santo de Deus” (Jo 4, 34), perfeita imagem de Deus na nossa humanidade. Ele é o modelo que nos é proposto e o próprio caminho da santidade. É por Ele, único mediador entre Deus e os homens, que comunicamos com Deus, o Pai, no Espírito de amor.

Tornar-se santo é percorrer um caminho de transformação profunda, vivendo a “vida nova dos filhos de Deus”, pela prática das virtudes cristãs e humanas. Dito de outra forma, protagonizar comportamentos habituais, a partir do coração, na fé em Jesus Salvador, na esperança fiel de Deus e suas promessas de vida, no amor de Deus, a si mesmo e ao próximo, na justiça, na franqueza, na sobriedade, na luta contra o mal, etc.

Vocação comum

O Concílio Vaticano II relançou este apelo de Deus para participarmos na sua santidade: é a vocação comum de todos os fiéis de Cristo e que os coloca em pé de igualdade, homens e mulheres, desde o Papa até ao mais pequeno dos baptizados. Um convite único que não está reservado aos cristãos, mas que estes assumem a missão de anunciar a todos os homens e mulheres, porque a alegria ou se partilha ou não está completa.

Entre os cristãos, alguns – mesmo crianças – gozam de uma grande consideração pelo testemunho de santidade que deram até ao fim das suas vidas, às vezes pelo martírio, mas mais frequentemente pela sua total fidelidade ao quotidiano. A sua reputação de santidade manifesta-se no povo cristão pela estima dedicada ao seu exemplo, mas também pela oração que lhe é confiada junto de Deus e pelas respostas ou graças que lhes são atribuídas. A sua vida cristã é tomada como exemplo, considerados como irmãos mais velhos na fé, chegados a bom porto depois das dificuldades desta vida, mas que continuam próximos de nós e nos assistem com a sua intercessão.

 

in Voz de Lamego, 28 de outubro de 2014, n.º 4286, ano 84/48

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LITURGIA: adaptações infelizes nos cantos da celebração

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  1. Brincar com qualquer coisa, um texto, uma canção, um desenho…só para ridicularizar uma situação, ignorando ou pondo de lado a razão pela qual o texto, essa canção ou esse desenho foram criados, adulterando o seu sentido original, é procurar um efeito negativo.

  2. A liturgia não aceita “brincadeiras”, isto é, não precisa de usar uma música qualquer popular ou que passa na rádio, dando-lhe um novo sentido, um novo texto para se poder usar nas celebrações de fé. É preferível dar largas à inspiração original do Espírito Santo e às capacidades criativas para compor novas melodias.

  3. A razão é óbvia: quando escutamos uma música chamada “comercial” desta ou daquela canção, o nosso interior une-se de forma inconsciente a contextos, situações e ambientes que podem não estar de acordo com aquilo que celebramos. Por exemplo, circula em muitos grupos juvenis um “Pai nosso”  muito apreciado e repetido, composto originalmente por Paul Simon e Art Garfunkel – “The sound of silence”. É certamente uma bela melodia dos anos 60 (1965). Comercialmente foi um êxito. Porém, nada tem a ver com a liturgia (o texto fala da escuridão, dos sonhos esquecidos, do vaguear da noite e do “som do silêncio”), muito menos com o “Pai nosso”.

  4. Como este exemplo há mais, pois durante um certo tempo foi corrente esta adaptação de músicas à liturgia (é importante respeitar os “direitos de autor”). Um outro cântico muito usado e que se repete tanto nas nossas assembleias é: “Ao teu altar nós levamos, Senhor”, de Bob Dylan… E ainda um outro, que dizem ser um cântico para o momento da Paz, “Ah bumbué”, adaptado do filme “O Rei Leão”!

  5. Se a nossa missão como músicos na liturgia é favorecer o encontro com o Senhor nas celebrações… uma brincadeira nada favorece. Por isso, é preciso irradiá-las da liturgia.

Pe. Marcos Alvim

Departamento Diocesano de Música Sacra

in VOZ DE LAMEGO, 16 de setembro de 2014, n.º 4280, ano 84/42