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VIVER AGORA | Editorial Voz de Lamego | 31 de janeiro de 2017

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A partir da capa da edição desta semana da Voz de Lamego, o destaque para o Dia Mundial do Doente, no interior outros destaques tais como a Semana do(s) Consagrado(s) ou a Visita Pastoral de D. António Couto a Parada de Ester, na Zona Pastoral de Castro Daire. Como sempre, muitas outras notícias da diocese e da região, bem assim como uma variedade de reflexões que nos provocam, nos desafiam, nos envolvem…

O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, no Editorial, parte da festa da Apresentação de Jesus no Templo, a 2 de fevereiro, 40 dias depois do Natal, sugerindo-nos que aproveitemos o Agora para vivermos…

VIVER AGORA

Na quinta-feira, dia 2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa da Apresentação de Jesus no Templo, também conhecida como festa da Candelária, da Senhora das Candeias ou Festa da Purificação.

A celebração recorda um facto narrado no Evangelho de Lucas 2, 22-40. Quarenta dias após o seu nascimento de Jesus, Maria vai ao Templo, em Jerusalém, para a purificação prescrita e, juntamente com José, apresentam o Menino ao Senhor, de acordo com a lei judaica. Ali chegados, encontram Simeão, que “sobrevivia” na expectativa de ver o Messias antes de morrer.

Já com o Salvador nos braços, o “piedoso e justo” judeu entoa um hino que a Liturgia das Horas convida a rezar na última oração do dia, as Completas. “Nunc dimittis servum tuum, domine”, que pode traduzir-se por “despede agora o teu servo, Senhor” e se recita “Agora, Senhor, deixareis ir em paz o vosso servo”.

Deus concedera ao velho Simeão a graça de contemplar o Messias e da sua boca saíram palavras de alegria e de gratidão, motivadas pelo encontro vivido, pela promessa cumprida, pela meta atingida… pela vida cumprida!

Numa “tradução” influenciada pelo som das palavras, talvez o ouvinte seja tentado a traduzir “nunc” por “nunca”, esquecendo o “agora” devido.

Tal como neste latim mal traduzido, também a vida pode permanecer “incumprida” quando se adiam decisões e caminhos, inviabilizando o “agora” e protagonizando um contínuo “nunca”.

Na verdade, há vidas que “nunca” estão no sítio certo, à hora certa, disponíveis para amar, contemplar, acolher, aclamar, rezar, seguir, cumprir, etc, apesar de continuamente serem destinatários do “agora” que acontece e da oportunidade que pode não voltar.

A exemplo do velho Simeão, nunca é tarde para corresponder aos convites, sinais e situações que o agora (presente) concede.

in Voz de Lamego, ano 87/12, n.º 4397, 31 de janeiro de 2017

Apresentação do CD “Tu, Senhor” do Pe. Marcos Alvim

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Não foi um mero espetáculo musical, uma festiva apresentação de cânticos agradáveis, nem uma saudável distração noturna de fim de semana; o que presenciamos no dia 28, sábado, ás 21 horas no Centro Paroquial de Almacave, perante um auditório repleto de gente, onde novos e menos novos se acomodavam para que, com espírito fraterno, “coubesse sempre mais um”, e quando já se viam crianças  e jovens ocupando todo e qualquer cantinho de chão (felizmente alcatifado, que a noite estava fria!), o que presenciamos foi um autêntico ATO DE EVANGELIZAÇÃO, mais de 2 horas de LOUVOR e ADORAÇÃO, ouvindo e cantando, rindo (muito) e dando graças ao nosso Deus, enquanto comungávamos da alegria de estarmos juntos, cristãos e amigos, unidos pela Fé e pela felicidade que um dia todos tivemos de nos cruzarmos com alguém muito especial – alguém que transmite o Amor de Deus com alegria, pureza, paciência, boa disposição , sabedoria, disponibilidade, companheirismo… bom, nunca mais acabaria…

O mentor desta autêntica “migração” para o CPA foi o nosso amigo Pe. Marcos, que, com os jovens das paróquias da Sé e de Almacave, e a colaboração de muitos amigos (que a quem o é não lhe faltam!) lançou oficialmente o seu 4.º CD “TU SENHOR”.

Com originais da sua autoria (e colaboração em algumas letras) o Pe. Marcos pretendeu oferecer aos cristãos um guia musical para celebração eucarística, com cânticos apropriados a todos os momentos, solenes mas alegres, fáceis de aprender e de cantar, com conteúdo adequado e mensagem clara e apelativa, atrativo para todas as faixas etárias, de modo a alargar as opções disponíveis na animação das nossas celebrações.

A abertura esteve a cargo do Pe. Zé Guedes, seu conterrâneo, que lembrou os tempos de infância do “ Marquitos” e a sua precoce queda musical, e deixou umas palavras de homenagem a seus Pais, senhor João e D. Maria do Céu.

D. António Couto, sempre presente no meio do seu rebanho, amigo e bem disposto, honrou-nos com algumas palavras inspiradoras e apelou á união, especialmente dos jovens, em torno da evangelização pela musica, pois “o ser humano é fundamentalmente um ser musical”, pelo que é um método congregador da juventude, tão tentada por “outras musicas” muito pouco aconselháveis.

Também contamos com a presença de D. Jacinto, Bispo Emérito, do Vigário Geral. Dr. Joaquim Rebelo, do Pró – Vigário, Dr. João Carlos, do Reitor do Seminário de Lamego, Dr. Joaquim Dionísio, e de inúmeros sacerdotes da nossa Diocese e não só.

A “grande festa” terminou com a filmagem do vídeo-clip da música “Caminho, Verdade e Vida”, com todo o público e artistas envolvidos – aguardamos o resultado e a possível descoberta de novos talentos…

Era já tarde quando a interminável fila de “fãs” que aguardava o autógrafo do autor se diluiu, e entre abraços, risos e despedidas voltamos para casa com o coração cheio, como só o sentimos quando o Amor de Deus nos preenche o coração em comunhão com os irmãos.

Obrigada Pe. Marcos! Por nós pode ser assim todas as semanas…

Dr.ª Isilda Montenegro, in Voz de Lamego, ano 85/53, n.º 4340, 1 de dezembro

XLI ENCONTRO NACIONAL DE PASTORAL LITÚRGICA

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Comunicar na liturgia

Pela 41ª vez, entre os dias 27 e 31 de julho, reuniu-se em Fátima um grupo de cerca de 1100 participantes em mais uma Semana Nacional da Pastoral Litúrgica, este ano subordinada ao tema “A comunicação na liturgia”. Durante a semana foram vários os momentos que nos ajudaram a refletir e compreender o modo como a liturgia é fonte e meio para o encontro com Deus.

Os vários oradores procuraram apresentar vários prismas referentes à relação entre Homem e Deus na celebração litúrgica. Nas várias apresentações, evidenciou-se a liturgia como o momento auge e incontornável de toda a vida da Igreja, onde é possível o encontro corporal entre Deus e os homens, quer pela presença corpórea no pão e vinho consagrados, quer pela voz do celebrante e dos leitores que proclamam a mensagem salvífica para toda a assembleia.

Foi discutida também a importância de uma correta postura dos fiéis e do presidente para que se criem as condições necessárias para a consciencialização da real presençade Deus e para que esta possa ser sentida por toda a assembleia celebrante: “A liturgia não reclama uma presença de espectadores, não, a liturgia reúne um corpo vivo” (Prof. Dr. José Frazão) e celebranteque é o corpo eclesialcujo a cabeça é Cristo. Apontou-se ainda a importância de todos se abrirem ao Espírito Santo que é quem nos pode fazer sentir Deus, nos ensina quem Ele é e a sua vontade, apontando-se a demasiada catequese como irrelevante quando essa abertura não se verifica: “O centro do cristianismo não é compreender Jesus Cristo, mas sim ser encontrado por Ele” (Ibidem) e esse encontro só é possível na Eucaristia “onde podemos ser tocados e tocar o corpo real de Cristo” (Ibidem).

Temas como “o canto como comunicação”, “a liturgia e as novas tecnologias”, “as artes ao serviço da liturgia” foram alguns dos assuntos também tratados no variado leque de apresentações e de oradores, que sem dúvida, proporcionaram aos participantes mais atentos, novos horizontes úteis para as várias missões que cada um desempenha na vida comunitária da Igreja.

À formação aliou-se aindaa oração com os momentos diários de celebraçãoda Eucaristia e da liturgia das horas, mais precisamente das Laudes e Vésperas.

Importa ainda fazer aqui referência aos treze participantes oriundos da Diocese de Lamego, entre os quais leigos(as), sacerdotes, religiosos(as) e seminaristas, procurando desta forma também apelar à participação de mais cristãos da nossa diocese nos próximos encontros.

João Pereira, Diogo Rodrigues e Vítor Carreira, seminaristas

in Voz de Lamego, ano 85/38, n.º 4325, 18 de agosto

Formação do Clero de Lamego no programa Ecclesia

EVANGELIZAÇÃO E LITURGIA |> Jornadas de Formação do Clero | 2015

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O clero da Diocese de Lamego viveu dois dias de formação, 3 e 4 de fevereiro. O encontro realizou-se na Casa de Retiros de São José, em Lamego, e contou com cerca de 40 sacerdotes, oscilando em conformidade com os dias, as horas e a disponibilidade. 

Depois da oração, nos dois dias, o reverendo Pró Vigário Geral, Pe. João Carlos, apresentou os conferentes: Pe. Jorge Santos, da Diocese de Coimbra, pároco de São João Batista, paróquia criada em 2010, e Vigário Episcopal para a Pastoral, e que veio falar-nos das Células Paroquiais de Evangelização (CPE); Frei Bernardino da Costa, OSB, Abade de Singeverga, convidado para continuar o trabalho do ano anterior, prosseguindo com a temática litúrgica.

Dinâmica missionária do Plano Pastoral

Ide e construí com mais amor a família de Deus. D. António Couto propôs que a Diocese de Lamego vivesse em dinâmica missionária.

Ao Clero de Aveiro, em formação também nestes dias, D. António Couto, um dos oradores, partindo da Evangelii Gaudium, apontou a necessidade da Igreja, toda a Igreja ser missionária, Igreja em saída, em que «o primeiro anúncio é o elemento fundamental de toda a pastoral» e em que «a dimensão missionária tem que ser o horizonte permanente da ação da Igreja». As paróquias hão de ser «casas de portas abertas», «santuários onde os sedentos vão beber» a fim de que «quem encontra a paróquia encontre Cristo, sem glosas e sem filtros»… O Bispo de Lamego elencou mais três chaves de leitura da Evangelii Gaudium: «a evangelização ‘non stop’», «o primado da graça, sem estratégias» e ainda «o Espírito Santo não condicionado». E finalizou, afirmando: «Não podemos deixar transformar a tempestade do Pentecostes em ar condicionado».

Fundamentação bíblica da Evangelização

O primeiro dia de formação esteve a cargo do Pe. Jorge Santos, que nos trouxe a sua experiência como cristão e como sacerdote. “Deus era alguma coisa, mas não era Alguém”. Até aos 20 anos. Num encontro de jovens, do Renovamento Carismático, fez a experiência de encontro com Deus. “Agora Deus passou a ser Alguém”. Sem este primeiro encontro, pessoal, fundante, de primeiro anúncio, “não seria o que sou como crente”.

O primeiro anúncio é essencial, porque é o mandato de Jesus Cristo (1); porque o mundo precisa urgentemente de Cristo e do Seu Evangelho de amor (2); porque quem encontrou Jesus tem necessidade de O comunicar a toda a gente (3). O Evangelho, com os 4 evangelistas, coloca a evangelização como paradigma da vida cristã. Cada um deles faz acentuações diferentes. São Marcos (16, 15): Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho (K –Kerigma); São Mateus (28, 19-20): Ide por todo o mundo e (F) Fazei discípulos; São João (20, 21): como o Pai me enviou, também Eu vos envio, C – Comunhão missionária; São Lucas (24, 48): Vós sois (T) Testemunhas destas coisas.

A Igreja existe para evangelizar. “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unigénito” (Jo 3, 16). O mundo de hoje, como o de ontem, precisa de evangelizadores, de quem leve esperança, de quem dê mais, dê Deus. Evangelizar é amar.

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Sugestão de Leitura | novo livro de D. António Couto > ano B

SUGESTÃO DE LEITURA DA VOZ DE LAMEGO:

 

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O nosso bispo, D. António Couto, oferece-nos mais uma ajuda para melhor compreendermos os textos bíblicos que escutamos semanalmente. Dando continuidade ao trabalho já publicado para o Ano A, eis que um novo livro chega para nos acompanhar neste Ano B, que estamos a viver desde o primeiro domingo do Advento.

Tal como afirma o próprio autor, na introdução, trata-se de um contributo para “aqueles que gostam de saborear os textos bíblicos que a Liturgia nos oferece”.

A mesma introdução alude ainda ao aparecimento próximo de um livrinho para melhor conhecermos e compreendermos o evangelista deste ano, “Introdução ao Evangelho segundo Marcos” e que, juntamente com este, formará um todo.

Título: Quando Ele nos abre as Escrituras domingo após domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário Ano B.

Autor: D. António Couto

Edição: Paulus Editora

Tamanho: 215 x 145 mm, 399 p.

Preço: 20 euros

 in VOZ DE LAMEGO, n.º 4293, ano 84/55, de 16 de dezembro de 2014

Há um ano > D. António Couto: Introdução ao Evangelho de São Mateus

D. ANTÓNIO COUTO. Introdução ao Evangelho segundo Mateus. Paulus Editora. Lisboa 2014. 112 páginas.

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Depois da publicação do “Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo Após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário (Ano A)”, inteirinho dedicado à liturgia de Domingo, centrado essencialmente no Evangelho, cujo evangelista principal, de domingos e solenidades é são Mateus, eis agora mais uma preciosa ajuda para entender o Evangelho da Igreja, isto é, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

Com a seriedade com que nos habitou, com a profundidade que lhe reconhecemos, D. António faz-nos entrar DENTRO do texto do Evangelho mas também dentro da HISTÓRIA de Jesus Cristo, de uma forma muito, muito, acessível, simples e muito poética. Cada texto traz a sabedoria das Escrituras Sagradas, explicada, exemplificada, com ligações à história de Israel e à história da Salvação. Texto de Mateus mas ligado a outros textos e contextos.

Os grandes discursos de Mateus, diversos acontecimentos que nos “agrafam” a Jesus, levam-nos àquele tempo, ou melhor trazem Jesus até nós, pois que Ele caminha connosco, queiramos nós escutá-l’O e segui-l’O e ainda seremos poucos para a sua seara. Ele diz o Pai, como o Espírito Santo diz o Filho e o Pai, mas também nos diz a nós. Estamos lá à beirinha de Jesus, escutando, interrogando-o, hesitando, duvidando, caminhando, ansiosos, de olhares perdidos que Ele faz questão em encontrar.

O que surpreende sempre nos textos de D. António, para lá da vasta cultura bíblica, é a forma poética e ritmada de dizer, de explicar, de nos envolver nas belíssimas páginas do Evangelho, da Escritura Sagrada. Este é mais um extraordinário exemplo, como quem trabalha a prata e o ouro, ou quem de tosca pedra tira belas estátuas, ainda que aqui a imagem seja desajustada, pois a pérola é o próprio Evangelho. Mas é possível que a beleza do Evangelho se torne ainda mais transparente e acessível com este estudo de D. António. Vale a pena ler, meditar, deixar-nos guiar para dentro das páginas do livro e sobretudo fazer com que as páginas do Evangelho continue a escrever nas nossas vidas, dentro do coração de cada um.

Já recomendámos a leitura dos comentários da Liturgia do DOMINGO: AQUI. Do mesmo modo poderá seguir as reflexões de D. António através do seu blogue pessoal: Mesa de PalavrasAQUI. Embora possam ser textos próximos, o autor e as leituras são as mesmas, mas o blogue permite uma ou outra atualização, que aqui ou acolá mais nos conduz ao Evangelho de Jesus.

A Livraria Fundamentos também recomenda este belíssimo trabalho: AQUI.

Livro sugerido no blogue CARITAS IN VERITATE: Aqui

Solenidade de TODOS OS SANTOS | Santidade | 1 de novembro

todos-os-santos-e-santasNeste sábado louvamos o Criador por todos quantos, antes de nós, viveram responsavelmente a sua vida, em plena liberdade. Homens e mulheres que, apesar de limites confessados e de percursos nem sempre isentos de dúvidas ou quedas, percorreram a vida de forma exemplar e são um testemunho a ter em conta. A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos.

A santidade não está na moda. Nunca esteve. E falar dessa vocação a que todos os baptizados são chamados pode não motivar muito os ouvintes e leitores. Mas é a verdade: somos todos convidados a ser santos, a esforçarmo-nos por ser santos. Tal como nos esforçamos por saber algo ou a conseguir alguma coisa. E nada se consegue sem esforço. Porque a santidade não é um acaso, fruto de intenções, de discursos ou de fugas, mas o resultado de uma procura e a consequência de muitas escolhas acertadas e de opções correctas.

Alguém disse, com humor, gostar muito do trabalho e que seria capaz de estar horas e horas a olhar para ele. A santidade dá trabalho, mas não resulta apenas da contemplação. Até porque, entre os nossos pecados, talvez tenhamos que confessar sempre o da omissão. Quem quer ser santo? A resposta deveria vir, em uníssono, da boca de todos os baptizados. Sabemos que não é assim. Confiantes na misericórdia de Deus, acreditamos que a multidão dos santos é incontável. O que nos dá esperança de chegar lá, apesar dos muitos limites.

Festa de todos

No primeiro dia de Novembro a Igreja honra a imensa multidão dos que foram vivas e luminosas testemunhas de Cristo. Se um certo número de entre eles foi oficialmente reconhecido, concluindo um procedimento chamado “canonização”, e nos foram dados como modelos, a Igreja sabe bem que muitos outros viveram igualmente na fidelidade ao Evangelho e ao serviço dos irmãos. Por isso, nesta festa, celebramos todos, conhecidos ou desconhecidos.

Mas a festa serve também para nos recordar que todos somos chamados à santidade, por caminhos diferentes, às vezes surpreendentes ou não esperados, mas acessíveis. Porque a santidade não é uma via reservada a uma elite: diz respeito a todos os que escolhem seguir Cristo.

Por outro lado, a vida dos santos constitui uma verdadeira catequese, viva e próxima de nós. Mostra-nos a actualidade da Boa Nova e a presença actuante do Espírito Santo entre os homens. Testemunhas do amor de Deus, estes homens e mulheres são nossos próximos pelo seu caminhar – não se tornaram santos do dia para a noite – pelas suas dúvidas, pelos seus questionamentos, pela sua humanidade.

Santidade como meta

O texto das Bem Aventuranças, lido nesta festa, diz-nos que a santidade é fruto do acolhimento da Palavra de Deus, da fidelidade e da confiança n’Ele, mas também da bondade, justiça, amor, perdão e paz (cf. Mt 5, 1-12). E a multidão dos baptizados de todas as raças, de todas as línguas, de todas as nações, que são filhos adoptivos pela graça divina e participam na vida trinitária, é anónima aos olhos dos homens. Só Deus a conhece, Ele que a todos chamou.

Desde o século IV que a Igreja síria consagrava um dia para festejar todos os mártires, já que o seu número se tornara tão grande que impossibilitava a comemoração individual. Três séculos mais tarde, num esforço para cristianizar as festas pagãs, o Papa Bonifácio IV transformava um templo romano dedicado aos deuses, o Panteão, numa igreja consagrada a todos os santos. O costume expandiu-se no ocidente, mas cada Igreja festejava em datas diferentes, até ao ano 835, quando é fixada no primeiro dia de Novembro.

Como escreveu S. Bernardo: “É do nosso interesse, não do interesse dos santos, que honremos a sua memória. Pensar neles, é uma forma de os ver. Com isso, somos transportados espiritualmente para a Terra dos Viventes”.

Procura e não acaso

Ao longo da Revelação bíblica, Deus dá-se a conhecer não somente como Deus criador, vivo e verdadeiro, ao qual se deve render culto com sacrifícios santos, mas mais ainda como Aquele que ama os homens, que os livra do mal e lhes oferece a possibilidade de viverem em aliança com Ele.

Ao longo deste caminhar na Aliança, aparece a inconstância dos homens e a sua recusa em amar, o seu pecado. É a estes homens fracos e por vezes rebeldes que Deus oferece a sua própria santidade como caminho de felicidade: “Vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lev 19, 2).

Tornar-se santo não é fazer coisas para Deus ou em seu nome, mas tornar-se semelhante a Ele, ser participantes da vida de Deus (cf. 2 Pd 1, 4) que é Amor e Luz. Ser santo é então uma maneira nova de ser, enraizado no amor, iluminado pela Palavra de Deus, e que se traduz pelo dom de si mesmo para o serviço de Deus e do próximo: “Procurai imitar Deus, como filhos bem amados, a exemplo de Cristo que vos amou e se entregou por vós” (Ef 5, 1).

Jesus Cristo é “o Santo de Deus” (Jo 4, 34), perfeita imagem de Deus na nossa humanidade. Ele é o modelo que nos é proposto e o próprio caminho da santidade. É por Ele, único mediador entre Deus e os homens, que comunicamos com Deus, o Pai, no Espírito de amor.

Tornar-se santo é percorrer um caminho de transformação profunda, vivendo a “vida nova dos filhos de Deus”, pela prática das virtudes cristãs e humanas. Dito de outra forma, protagonizar comportamentos habituais, a partir do coração, na fé em Jesus Salvador, na esperança fiel de Deus e suas promessas de vida, no amor de Deus, a si mesmo e ao próximo, na justiça, na franqueza, na sobriedade, na luta contra o mal, etc.

Vocação comum

O Concílio Vaticano II relançou este apelo de Deus para participarmos na sua santidade: é a vocação comum de todos os fiéis de Cristo e que os coloca em pé de igualdade, homens e mulheres, desde o Papa até ao mais pequeno dos baptizados. Um convite único que não está reservado aos cristãos, mas que estes assumem a missão de anunciar a todos os homens e mulheres, porque a alegria ou se partilha ou não está completa.

Entre os cristãos, alguns – mesmo crianças – gozam de uma grande consideração pelo testemunho de santidade que deram até ao fim das suas vidas, às vezes pelo martírio, mas mais frequentemente pela sua total fidelidade ao quotidiano. A sua reputação de santidade manifesta-se no povo cristão pela estima dedicada ao seu exemplo, mas também pela oração que lhe é confiada junto de Deus e pelas respostas ou graças que lhes são atribuídas. A sua vida cristã é tomada como exemplo, considerados como irmãos mais velhos na fé, chegados a bom porto depois das dificuldades desta vida, mas que continuam próximos de nós e nos assistem com a sua intercessão.

 

in Voz de Lamego, 28 de outubro de 2014, n.º 4286, ano 84/48

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LITURGIA: adaptações infelizes nos cantos da celebração

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  1. Brincar com qualquer coisa, um texto, uma canção, um desenho…só para ridicularizar uma situação, ignorando ou pondo de lado a razão pela qual o texto, essa canção ou esse desenho foram criados, adulterando o seu sentido original, é procurar um efeito negativo.

  2. A liturgia não aceita “brincadeiras”, isto é, não precisa de usar uma música qualquer popular ou que passa na rádio, dando-lhe um novo sentido, um novo texto para se poder usar nas celebrações de fé. É preferível dar largas à inspiração original do Espírito Santo e às capacidades criativas para compor novas melodias.

  3. A razão é óbvia: quando escutamos uma música chamada “comercial” desta ou daquela canção, o nosso interior une-se de forma inconsciente a contextos, situações e ambientes que podem não estar de acordo com aquilo que celebramos. Por exemplo, circula em muitos grupos juvenis um “Pai nosso”  muito apreciado e repetido, composto originalmente por Paul Simon e Art Garfunkel – “The sound of silence”. É certamente uma bela melodia dos anos 60 (1965). Comercialmente foi um êxito. Porém, nada tem a ver com a liturgia (o texto fala da escuridão, dos sonhos esquecidos, do vaguear da noite e do “som do silêncio”), muito menos com o “Pai nosso”.

  4. Como este exemplo há mais, pois durante um certo tempo foi corrente esta adaptação de músicas à liturgia (é importante respeitar os “direitos de autor”). Um outro cântico muito usado e que se repete tanto nas nossas assembleias é: “Ao teu altar nós levamos, Senhor”, de Bob Dylan… E ainda um outro, que dizem ser um cântico para o momento da Paz, “Ah bumbué”, adaptado do filme “O Rei Leão”!

  5. Se a nossa missão como músicos na liturgia é favorecer o encontro com o Senhor nas celebrações… uma brincadeira nada favorece. Por isso, é preciso irradiá-las da liturgia.

Pe. Marcos Alvim

Departamento Diocesano de Música Sacra

in VOZ DE LAMEGO, 16 de setembro de 2014, n.º 4280, ano 84/42

LITURGIA – Os cânticos na celebração da Eucaristia

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Todas as liturgias constam de quatro partes fundamentais:

a) Ritos iniciais b) Liturgia da Palavra c) Liturgia própria do Sacramento (neste caso Liturgia Eucarística) c) Ritos conclusivos

1. ENTRADA

A procura de Deus através da Igreja. – O amor de Deus que nos escolheu e nos convoca. – Um aspeto da salvação segundo o ano litúrgico. Com ele damos início à celebração eucarística. Não é qualquer canto que se pode utilizar para a entrada de uma celebração. A sua função é criar comunhão. O seu mérito é convocar a assembleia e, pela fusão das vozes, juntar os corações no encontro com o Ressuscitado.

2. ATO PENITENCIAL (Kyrie eleison)

Senhor, tende piedade de nós. – Exprimimos o senhorio de Cristo, a sua misericórdia e louvor. É uma aclamação suplicante a Cristo-Senhor. É o Canto da assembleia reunida que invoca e reconhece a infinita misericórdia do Senhor.

3. GLÓRIA

O Glória é um hino muito antigo que data aproximadamente do séc. II d. C. É uma belíssima doxologia (ou louvor a Deus), fruto poético das comunidades cristãs primitivas, cuja fonte é a Bíblia. O Glória convida-nos a glorificar a Deus Pai, a Cristo Cordeiro de Deus. É uma invocação trinitária da antiguidade. É a forma da Igreja reunida no Espírito Santo, louvar a Deus Pai e suplicar ao Filho, Cordeiro e Mediador. Este é um hino de louvor, alegre e festivo, que deve ser cantado (ou recitado) por toda a assembleia.

4. SALMO RESPONSORIAL

O Salmo é uma resposta da comunidade à Palavra escutada na primeira leitura. O livro dos Salmos do Antigo Testamento reúne um conjunto de 150 composições poéticas, muitas delas, segundo a tradição, escritas pelo Rei David. Estes textos eram usados nos momentos de oração do povo de Israel. Exprimem muitos dos sentimentos vividos pelo povo, em diferentes situações de dificuldade, de perseguição, de abandono. Deve ser introduzido por um refrão simples, com uma melodia simples. As estrofes devem ser cantadas por um salmista que vai dando melodia à Palavra de Deus. A melodia deve estar de acordo com o texto (se é um texto de súplica, não deve ser uma melodia de festa; se é um canto de louvor, não deve ser uma melodia triste…).

5. ALELUIA

É uma introdução, preparando a assembleia para o que será proclamado. Por outras palavras, o canto que precede a proclamação do Evangelho nada mais é do que um “viva” pascal ao Verbo de Deus, que nos tirou das trevas da morte, introduzindo-nos no reino da vida.

6. APRESENTAÇÃO DOS DONS

É um canto que acompanha a procissão dos dons. O texto do canto não precisa de falar de pão e de vinho e muito menos de oferecimento ou oblação. Outro dado importante: tudo o que for apresentado como oferta não poderá voltar ao dono. Tem de ser partilhado ou doado. Caso retorne, não tem sentido ser ofertado. Não é obrigatório cantar neste momento. Pode optar-se por fazer silêncio ou uma música de fundo.

7. SANTO

O Santo, introduzido na Celebração Eucarística no séc. IV na Igreja do Oriente e no séc. V na Igreja do Ocidente. A letra do Santo é formada por duas partes: a primeira parte “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, o céu e terra proclamam vossa glória…”, reproduz o louvor celeste dos Serafins conforme o relato de Isaías 6, 3 (…). a segunda parte: “Bendito o que vem em nome do Senhor…”, expressa o grito de triunfo do povo de Deus que acolhe e aclama o Messias, o Salvador.

8. CORDEIRO DE DEUS

O Cordeiro tem uma particularidade especial, é um canto sacrificial que dá sentido ao gesto de Jesus ao partir do pão. Bom seria que tivesse um solista que cantasse a primeira parte e a assembleia respondesse na segunda parte. O “Cordeiro de Deus” é uma prece litânica: após cada invocação entoada pelo(a) cantor(a), a assembleia responde com o “tende piedade de nós” e no final com o “dai-nos a paz”.

9. COMUNHÃO

Mistério de Cristo e comunhão fraterna. – Identificação com Cristo no Evangelho de cada dia. – Os frutos de uma vida em Cristo. Neste momento da celebração devemos sentir-nos verdadeiramente unidos e irmãos. É um canto que se inicia quando o sacerdote comunga e prolonga-se enquanto dura a comunhão de todos os fiéis, ou até ao momento que se julgue oportuno. Tendo o cuidado de se dar um tempo de silêncio e de louvor, no momento de ação de graças.

10. FINAL

A Eucaristia não termina, porque se prolonga na vida. É preciso que os participantes saiam comprometidos, com esperança, com a sensação de ter crescido em fraternidade, mais comprometidos… O Canto Final não faz parte da Liturgia. É um canto que se chama “ad libitum”, quer dizer, nesta intervenção musical os músicos são livres de planificar e escolher a música que se proporcione para um final adequado à celebração.

in VOZ DE LAMEGO, 9 de setembro de 2014, n.º 4279, ano 84/41