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O MILAGRE DO ACOLHIMENTO

D. ANTÓNIO JOSÉ DA ROCHA COUTO, Bispo de Lamego

DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM – ano A – 2 de julho de 2017

1. Neste Domingo XIII do Tempo Comum, escutaremos o final do Discurso Missionário do Evangelho de Mateus (10,37-42), que iniciámos há dois Domingos atrás. Específico desta última parte do Discurso é que ele não é dirigido aos missionários, mas àqueles que os acolhem. O acolhimento feito aos missionários reveste-se de extrema importância, pois é dito que é como acolher o próprio Cristo e Aquele que o enviou (Mateus 10,40). Para tornar este aspeto visível e audível, neste pequeno texto de seis versículos, o verbo «acolher» (déchomai) faz-se notar por seis vezes (Mateus 10,40[4 vezes].41[2 vezes]). «Acolher» é, pois, a palavra-chave do texto de hoje.

2. Acolher os Doze, os discípulos de Jesus, os missionários e evangelizadores de todos os tempos, não consiste apenas em recebê-los educadamente em casa. Consiste também, e sobretudo, em expor-se ao anúncio que trazem, ao testemunho que dão. Não consiste apenas em abrir-lhes as portas da casa, embora isso também seja importante para quem deixou tudo por causa de Cristo (Mateus 10,37-39), e de vez em quando precisa de um quarto de hora de hospitalidade. Tem muito mais a ver com abrir o coração à mensagem de que são portadores, sabendo e vendo bem que por detrás deles, está Jesus, que os enviou.

3. Acolher os anunciadores, os mensageiros, os profetas, não é fácil, porque o anúncio de que são portadores provoca divisão, requer uma nova postura pró ou contra Cristo, uma escolha que não admite compromissos ou soluções retóricas, divide a humanidade, a família, o coração de cada um. Muitas vezes esperamos que os profetas nos ajudem a justificar os nossos compromissos, a nossa maneira de viver assim-assim. Mas, nesta matéria, o profeta é intolerante e radical. Eis o motivo pelo qual acolher um profeta é coisa difícil. É quase como tornar-se profeta também. Ambos terão, portanto, a mesma recompensa (Mateus 10,41).

4. Acolher Jesus ou os seus enviados é aceitar expor-se à cirurgia da Palavra, que divide junturas e medula e julga as disposições e intenções do coração (Hebreus 4,12). Acolher não é organizar uma festa de amigos. É aceitar conviver com um bisturi dentro de nós, com um fogo a arder dentro de nós (Jeremias 20,9; Lucas 24,32). É, afinal, tão complicado ou tão simples como oferecer um copo de água fresca a um missionário. É verdade, este simples copo de água fresca pode trazer pela mão a eternidade (Mateus 10,42).

5. A melodia do acolhimento vem de longe. Nove séculos antes de Cristo, lê-se no Segundo Livro dos Reis 4,8-11.14-16, uma mulher rica de Sunam, uma aldeiazinha situada na planície meridional do monte Carmelo, acolheu em sua casa o profeta Eliseu, em quem ela reconhece um homem de Deus (2 Reis 4,9). Eliseu, do hebraico ʼelîshaʽ ou ʼelyashaʽ [= «Deus salvou»], é apresentado como filho de Safat, natural de Abel Mehôlah, no vale do Jordão, e os Livros dos Reis mostram-no como sucessor de Elias e continuador da sua missão profética. Para tal, recebe o manto de Elias (1 Reis 19,19; 2 Reis 2,13) e a dupla porção do seu espírito (2 Reis 2,9), e segue o mestre até ao seu arrebatamento (1 Reis 19,21; 2 Reis 2,1-11).

6. A hospitalidade da mulher de Sunam traduz-se na construção de um pequeno quarto no terraço da casa, equipado com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada (2 Reis 4,10). O suficiente para Eliseu, o homem de Deus, poder repousar quando estiver de passagem por Sunam. Mas, como quem acolhe um profeta por ele ser profeta, recebe recompensa de profeta, também a mulher hospitaleira de Sunam recebe uma recompensa nova: um filho! (2 Reis 4,16). A Palavra profética tem, de facto, uma energia nova: é a Palavra antes das coisas e do homem, de modo diferente da história comummente entendida, que pD. õe as palavras depois das coisas e do homem.

7. A passagem da Carta aos Romanos 6,3-4.8-11 é um grande texto batismal. Batizados na morte de Cristo e com Ele sepultados, formamos com Ele uma realidade só, e viveremos com Ele, por graça, a vida nova da ressurreição.

8. Motivos sempre em excesso para cantar, saboreando a bondade do Senhor, e aprender a reconhecer a sua presença no meio de nós com a aclamação terûʽah (Salmo 89,16), grito ruidoso de emocionada alegria, em si intraduzível, mas que é a maneira de o povo fiel assinalar a presença favorável de Deus. É o que fazemos também nós hoje, cantando o Salmo 89, um Salmo Real, que canta Deus e o seu Messias, e o Reino maravilhoso do seu amor já estabelecido no meio de nós.

António Couto

 

FONTE: Mesa de Palavras

DIOCESE DE LAMEGO EM CAMINHADA – QUARESMA 2017

caminhada-quaresma-pascoa_2016-2017

PREPARAÇÃO: Construir uma cruz de madeira. A cruz deve permanecer inclinada (apoiada num dos braços), num local visível da Igreja. Tanto quanto possível deve ser pintada ou revestida de preto de um dos lados e de branco do outro. Deve estar segura e de fácil acesso, por forma a poderem ser coladas algumas palavras ao longo dos domingos. Pode ser colocada logo na Quarta-feira de cinzas, ou então no início da Eucaristia do Primeiro Domingo da Quaresma, com a parte preta virada para a frente.

OBJETIVO DA CAMINHADA:

– Dar realce aos textos litúrgicos que são propostos para cada domingo da Quaresma e da Páscoa, já que cada gesto, símbolo e palavra tem a ver sempre com as leituras do dia;

– Procurar que, durante este tempo, as pessoas levem consigo uma mensagem visual ou um símbolo material que as faça recordar a celebração dominical;

– Acentuar, através dos pequenos gestos da liturgia, a importância destes dois tempos litúrgicos e a sua diferença em relação ao tempo comum;

– Envolver o maior número de pessoas, grupos e estruturas da paróquia na preparação dos gestos, das palavras a colar, dos símbolos a distribuir ao longo dos vários domingos;

– Sem alterar a o fundamental da estrutura da celebração, nem a tornar mais demorada, fazer com que esta se torne mais participativa e envolvente.

RAZÕES PARA A CAMINHADA:

– Realizar as propostas do plano pastoral diocesano, no seguimento do que já vem sendo feito ao longo do ano;

– Dar cumprimento ao lema pastoral deste ano, proposto pelo nosso bispo, relevando a urgência de ir a toda a criatura levar o Evangelho.

 

1.º DOMINGO DA QUARESMA

Momentos da Eucaristia: Admonição inicial e profissão de fé

Gesto: Após a saudação inicial da Eucaristia deve ser lida a admonição.

– No fim da homilia, antes do Credo, colar na cruz a palavra: TENTAÇÕES

Admonição inicial:

Estamos no início de um tempo litúrgico, particularmente importante para a vivência da fé do povo cristão. São quarenta dias de uma caminhada intensa e profunda de significado, que nos conduzirão à Páscoa da Ressurreição.

Para podermos mergulhar mais seriamente neste mistério salvífico da paixão, morte e ressurreição de Jesus, vamos este ano prolongar a nossa caminhada não só pela Quaresma, mas também pelo Tempo Pascal.

O destaque será dado à Cruz. A cruz que nos fala do sofrimento atroz de Cristo, da sua dolorosa caminhada até ao Clavário e da sua arrepiante morte, entre dois malfeitores. A cruz que nos fala do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, nas escaladas íngremes das suas vidas. A cruz que nos fala das nossas próprias angústias e dores. Refletiremos, durante a Quaresma, sobre aquilo que a torna mais pesada e mais penosa.

Mas a cruz não é derrota, é essencialmente vitória! Por isso, ao longo do Tempo da Páscoa, teremos oportunidade de nos deixar envolver pelas consequências gloriosas da Cruz redentora de Cristo. Vamos ornamentá-la, de domingo a domingo, para que se nos afigure uma verdadeira árvore de Vida.

in Voz de Lamego, ano 87/16, n.º 4401, 28 de fevereiro de 2017