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Centenário da presença franciscana em Lamego – 4 de outubro

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No dia 4 de outubro, a Igreja celebra a memória litúrgica de São Francisco, o jovem de Assis que não teve medo de mudar de rumo e que continua a marcar a comunidade dos discípulos de Jesus Cristo.

Nesse dia, em Lamego, a comunidade franciscana associou a esta festa a comemoração do centenário da sua presença entre nós (1916 – 2016), finda que foi a ausência forçada pela expulsão dos religiosos (1834) e pela implantação da República (1910).

A igreja de S. Francisco, na paróquia de Almacave, acolheu muitos para a festa. Não faltaram os fiéis que habitualmente ali rezam e celebram a fé, os padres franciscanos que servem esta comunidade, Frei Amador Carreira e Frei Arnaldo Taveira, o nosso bispo, D. António Couto, Mons. Joaquim Rebelo e Pe. João Morgado, Vigário Geral e Pró-Vigário, D. Jacinto Botelho, vários sacerdotes do arciprestado lamecense e uma assinalável comitiva franciscana vinda de outras terras, com destaque para o actual Ministro Provincial da Ordem Franciscana e para o bispo emérito de Bragança-Miranda, D. António Montes. Particular referência é devida também aos membros da Ordem Terceira, proprietária daquela igreja, que se destacaram na animação litúrgica da celebração e em tantos trabalhos que contribuíram para a festa.

Recorde-se que a presença franciscana em Lamego já leva quase oito séculos, ao longo da qual se notabilizaram pela disponibilidade para servir a Igreja, acolher todos e com todos seguir Jesus Cristo. Ainda hoje, a igreja de S. Francisco é sinónimo de oração, de celebração da Eucaristia e da Reconciliação, mas também de discernimento e acompanhamento espirituais. Nesse sentido, trata-se de uma presença reconhecida, estimada e desejada.

Na homilia proferida por D. António Couto, que presidiu à celebração, não faltaram referências a S. Francisco, “pura transparência de Jesus”, o jovem que aceitou o encargo de “reconstruir a Igreja” e de levar todos “aos ombros e no peito” para Deus. Lembrou ainda três importantes afirmações daquele santo, recolhidas e estimadas como parte do seu testamento espiritual: “amem-se sempre uns aos outros”; amem sempre nossa senhora, a santa pobreza”; “sejam sempre fiéis e submissos aos prelados e ministros da Igreja”.

Nas palavras proferidas, saudou também a presença e acção franciscana nos séculos que passaram e nos dias que correm: “Lamego precisa da vossa agenda diária, do acolhimento, bênção, ternura, paz…”. E terminou com a afirmação de que Francisco recebeu uma “enxurrada” do amor de Deus e que, por isso, dava Deus, desejando que o mesmo se repita com os baptizados de hoje.

Antes da bênção final, o Ministro Provincial saudou e agradeceu a presença de todos, lembrando que os franciscanos estão a assinalar a chegada à terra lusitana, há 800 anos, e que tal ocasião deve servir para redescobrir a alegria e a confiança. A propósito do centenário assinalado em Lamego, apresentou-o como dom de Deus e apelo para servir Deus, o mundo e a Igreja.

Após a bênção, os presentes tiveram a oportunidade de oscular a relíquia de S. Francisco, bem como de escutar das palavras de gratidão do Padre Amador.

A festa continuou nos espaços ocupados actualmente pela Messe de Sargentos (CTOE) e que, até 1834, tinham sido pertença dos padres franciscanos. Ali se escutou o Pe. Arnaldo a propósito de alguns dados cronológicos daquele espaço que podem ser lidos no livro que o mesmo preparou para este dia: “Vida e acção dos Franciscanos em Lamego”.

A propósito deste livro, Frei Isidro Lamelas, franciscano natural de Penude, sublinhou a presença e missão dos franciscanos por terras da nossa diocese, onde surgiram tantas vocações. E conluia com a afirmação de que tal presença é sinónimo de “ilha de misericórdia” na cidade e na diocese, contribuindo para a presença de S. Francisco.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/46, n.º 4382, 11 de outubro de 2016

Jornadas Culturais 2015/2016 – ESFOSOL E ESCOPAL – Lamego

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Parafraseando a fadista Mariza, no fado Chuva “há dias que marcam a história e a vida da gente” e, este ano, as nossas Jornadas Culturais também deixaram a sua marca.

Os finais de ano letivo da Escola de Formação Social Rural de Lamego e da Escola Profissional de Lamego são conhecidos pela realização das suas Jornadas Culturais. Este ano, dedicadas à temática da Vida Saudável, decorreram nos dias 2 e 3 de junho e, mais uma vez, quisemos mostrar à cidade o que se faz dentro das nossas escolas.

Foram dois dias que coloriram, o centro da cidade, de azul e amarelo, mas também de alegria, animação, energia, música e talento.

No dia 2, fizemos uma caminhada desde a Rina até ao Soldado Desconhecido. Já na Avenida Visconde Guedes Teixeira tivemos rastreios visuais, auditivos, de tensão arterial e de glicémia.  Ainda durante a manhã, uma aula de Zumba deu continuidade ao ritmo da caminhada e um torneio de jogos tradicionais relembrou divertimentos antigos. A tarde foi preenchida com um Concurso de Talentos, onde os nossos formandos mostraram que há hobbies que se poderiam transformar em carreiras de sucesso. No final da tarde, tivemos a nossa 13ª Mostra de Produtos Regionais, só possível com o contributo dos amigos e produtores regionais. A noite caiu, e com ela veio a música, num magnífico Café Concerto, construído com o talento e dedicação dos nossos Formandos.

A manhã do dia 3 iniciou-se no Teatro Ribeiro Conceição com duas palestras: uma dedicada à alimentação saudável e a outra à importância do exercício físico para uma vida saudável. Os palestrantes convidados esclareceram, deram dicas e conselhos preciosos à plateia. Terminámos o dia com atividades recreativas para todos os gostos e participadas tanto por Formandos, como por Formadores e até transeuntes – um peddy paper, os concursos Quiz e Soletrar e o 1st Gaming Event.

No final, não podemos deixar de fazer um reconhecimento e um agradecimento públicos aos nossos Formandos pelo comportamento, pela dedicação e por gostarem de vestir a camisola da sua Escola e aos nossos Formadores, por estarem presentes, disponíveis para ajudar e orientar.

Queremos também agradecer o apoio de algumas instituições, sem as quais não teria sido possível realizar qualquer atividade. À Câmara Municipal de Lamego, aà Associação de Bombeiros Voluntários de Lamego, à PSP, à Óptica Parente, à UCC de lamego, ao Centro de Marcha e Corrida, ao TRC, ao Centro Diocesano de Promoção Social, à Paróquia da Sé, à Dra. Ana Sofia Rebelo, aos Professores Bruno Maravilha e Hélder Daniel, à Casa Marinel, à Real Gastronomia, ao Sr. Tozé Pinheiro, à Beira Douro, à Fina Flor, às Adegas Cooperativas de Favaios, Penajóia e Sabrosa, à Raposeira, à Murganheira, à Montez Champalimaud, aos Laticínios Paiva, aos Fumeiros Porfírios, à Beira Lamego, ao Dr. José Ferreira, ao Pinheiro & Pinto – Soc. de Frutas, Lda,  e aos Sr. Paulo Julião Congelados Douro Sul A todos, o nosso obrigado.

As Direções Pedagógicas, in Voz de Lamego, ano 86/26, n.º 4365, 31 de maio de 2016

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Celebração da Comunhão Pascal na Escola Básica (2,3) Latino Coelho

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No passado dia 18 de março, pelas 14.30 horas realizou-se a celebração pascal da EB23 do Agrupamento de Escolas Latino Coelho, na Sé Catedral. A cerimónia foi presidida pelo nosso Pároco, Reverendo Padre José Abrunhosa e contou com a participação de mais de 300 celebrantes entre alunos, professores voluntários, pais e encarregados de educação e convidados.

A atividade foi enriquecida e dinamizada por alunos que já realizam atividades pastorais nas suas paróquias. Uma palavra de apreço aos alunos e professores que participaram no Grupo Coral, que se disponibilizaram para realizar as várias leituras, que organizaram o Ofertório Solene e Acolitaram, pela dignidade e beleza que emprestaram à nossa celebração. Esta cerimónia foi um encontro de oração cheio de cor e de música.

A mensagem que pautou a cerimónia foi a Páscoa e a Misericórdia. Aliás, o Padre Abrunhosa na reflexão litúrgica e diálogo com os alunos fez a ponte entre estas realidades. A passagem e a renovação exigida a cada cristão concretiza-se na aceitação do outro e na sua constante dignificação enquanto rostos de Deus. Desta forma, cada um tem a responsabilidade de ser um cidadão atento aos outros, com sentido crítico e com a missão de anunciar e denunciar.

No momento da ação de graças houve ainda tempo para homenagear ao Pai o Pai de cada um através da leitura de um poema que enalteceu as qualidades de cada Pai…do nosso Pai!

Neste âmbito, em jeito de resposta às vozes que se levantam contra este tipo de manifestações, ficou patente que as pessoas não sentiram qualquer pejo em participar voluntariamente e celebrar. Aliás, registamos a ALEGRIA da participação e o respeito por quem não quis envolver-se.

Os professores de EMRC

António Rodrigues/ Simão Carvalho

in Voz de Lamego, ano 86/21, n.º 4358, 12 de abril de 2016

Festa de Nossa Senhora dos Remédios | Homilia de D. António Couto

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A REVOLUÇÃO DA TERNURA

  1. Hoje é o Dia em que a gente sabe e sente que Maria é nossa mãe também, e que Deus não abandona nunca estes seus filhos muito amados, de geração em geração, um rosário de gerações de Adam até Cristo, de Cristo até hoje, até nós. É, de certo modo, como se Deus também rezasse, passando pelos dedos, amorosamente, as contas do rosário dos seus filhos queridos, de cada um de nós.
  1. Por isso, por excesso de amor condescendente, Jesus Cristo desceu ao nosso mundo, a este mundo que Deus ama tanto, não obstante os nossos inúmeros disparates e tolices. Na sua bela Exortação Apostólica programática Evangelii Gaudium [2013], partindo da lição da Incarnação, o Papa Francisco apontou à Igreja e ao mundo a «revolução da ternura» como o mais belo programa de vida para estes tempos petrificados, cinzentos e nublados: «Na sua incarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura» (n.º 88). E faz-nos também olhar para Maria com um olhar novo, bem nosso, bem humano, mas igualmente cheio de Deus: «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (n.º 288).
  1. Lendo o nosso, os homens da cultura veem-no sombrio, noturno (Martin Heidegger), dominado pelo princípio da necrofilia (Erich Fromm), a atração pela morte (Sabedoria 1,16; 13,10.18; 15,5-6), que é o resultado do domínio do nosso «coração de pedra» sobre o nosso «coração de carne». Só a ternura, o Evangelho da ternura, que faz prevalecer a força do amor humilde sobre a brutalidade da força, pode vencer este mundo soturno e petrificado, este mundo de morte que nos rodeia e nos fascina! É quanto mostra o monge russo Zósima numa das mais belas páginas de Os Irmãos Karamazov, do grande escritor russo Fiodor Dostoiévski:

«Meus irmãos – diz Zósima –, não temais o pecado dos homens, amai ser humano também no pecado, porque é esta a imagem do amor divino, e não há amor maior sobre a terra. Amai toda a criação no seu conjunto e em cada grão de areia. Amai cada folha, cada raio de luz. Amai os animais, amai as plantas, amai todas as coisas. Se amardes todas as coisas, encontrareis nelas o mistério. Tendo-o encontrado, compreendê-lo-eis cada dia mais e melhor. E acabareis por amar o mundo inteiro com um amor total e universal. […] Amai particularmente as crianças, porque elas são como os anjos, sem pecado. Existem para nos encherem de ternura, para purificar o nosso coração, e são para nós como um sinal. Ai de quem ofender os pequeninos! […] Alguns pensamentos, especialmente acerca do pecado humano, deixam-te perplexo, e levam-te a perguntar a ti mesmo: “Devo recorrer à força ou ao amor humilde?”. Decide sempre: “Recorrerei ao amor humilde”. Se tomares esta decisão uma vez por todas, poderás vencer o mundo inteiro. O amor humilde é uma força incrível, a maior de todas, e não há outra igual a ela».

  1. O escritor católico alemão, Enrich Böll, prémio Nobel de literatura em 1972, dirigindo-se aos católicos, dizia acertadamente: «Aquilo que até hoje tem faltado aos mensageiros do cristianismo, de qualquer proveniência e latitude, é a ternura».
  1. Don Tonino Bello, bispo de Molfetta, Itália, morto de cancro em 1993, grande companheiro dos pobres e operário da paz, um homem que pediu ao mundo para abrir as janelas do futuro, escreveu esta bela oração, que intitulou Dá à Tua Igreja ternura e coragem:

Espírito de Deus, faz da tua Igreja uma sarça

que arde de amor pelos últimos.

Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo que abrasa de amor.

Dá à tua Igreja ternura e coragem.

Lágrimas e sorrisos.

Faz dela praia dulcíssima para quem está só e triste e pobre.

Atira fora as cinzas dos seus pecados.

Faz uma fogueira com as suas avarezas.

E quando, desiludida dos seus amantes,

voltar cansada e arrependida para ti,

coberta de lama e pó,

depois de tanto caminhar,

leva-a a sério se te pedir perdão.

Não a censures,

mas unge com ternura os membros desta Esposa de Jesus

com as fragrâncias do teu perfume e com o óleo da alegria.

E depois introdu-la,

cheia de beleza,

sem mancha e sem ruga,

ao encontro do Esposo,

para que possa olhá-lo nos olhos,

sem corar,

E possa finalmente dizer-lhe: «meu Esposo».

  1. É um belo retrato da Igreja bela, a transvasar de ternura e de paz. Como Maria, Nossa Senhora dos Remédios, que hoje aqui nos congrega. Faz, Senhor, que a tua Igreja transpareça da ternura que se vê no rosto, nos braços e não mãos, de Nossa Senhora dos Remédios, que aqui veneramos, cuidando ternamente de Jesus. Deles, os dois, Mãe e Filho, assim unidos, sai a «força dos sinais» do amor humilde e dedicado que nós, peregrinos de hoje, devemos imitar. Só assim, faremos cair os «sinais da força», que andam por aí, e também aqui, instalados no nosso coração.
  1. Ontem mesmo, dia 7 de setembro, no decurso da Visita ad Limina Apostolorum, tive a oportunidade de apresentar ao Papa Francisco esta bela imagem de Nossa Senhora dos Remédios, que ele benzeu, e pediu que rezássemos e testemunhássemos com a nossa vida a ternura do Evangelho que se aprende olhando para Jesus e para Maria.
  1. Dá-nos, Senhor, um «coração de carne». De nada vale, não serve para nada, continuar a ostentar um «coração de pedra». Não vive, não respira, não ama. Precisamos, de facto, meus irmãos e irmãs, de mais amor, mais amor, mais amor. Mais ternura, mais ternura, mais ternura.

 

Lamego, Nossa Senhora dos Remédios, 08 de setembro de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

Visita Pastoral em Lamego | D. ANTÓNIO COUTO NO CTOE

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Em 25 de fevereiro de 2015, Sua Excelência o Bispo de Lamego, D. António José da Rocha Couto, efetuou uma visita ao Centro de Tropas de Operações Especiais, incluída na visita pastoral que está a efetuar às Paroquias de Almacave e da Sé, da cidade de Lamego.

Após a receção à porta de Armas da Unidade pelo excelentíssimo Comandante da Brigada de Reação Rápida, Major General Carlos Alberto Grincho Cardoso Perestrelo e pelo Comandante do Centro de Tropas de Operações Especiais e apresentação de cumprimentos no Salão Nobre da Unidade, seguiu-se um briefing informativo das atividades em curso e planeadas para o ano de 2015

Do programa da visita constou também uma visita à coleção visitável do CTOE e à Igreja de Santa Cruz.

Após o almoço Sua Excelência o Bispo de Lamego, D. António José da Rocha Couto assinou o Livro de Honra do Centro de Tropas de Operações Especiais.

in Voz de Lamego, n.º 4306, ano 85/19, de 24 de março de 2015

Festa da Dedicação da Igreja Catedral de Lamego

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Em anos anteriores, na Solenidade de Cristo Rei do Universo, Lamego vivia o Dia da Igreja Diocesana, comemorando a dedicação da igreja catedral e assinalando a abertura do novo ano pastoral. Na mesma data, testemunhava, com alegria, a ordenação diaconal dos seminaristas que tinham concluído a sua formação. Este ano houve alterações: a abertura do novo ano pastoral teve lugar no último sábado de Setembro e o dia da família diocesana (festa) será no último sábado de Junho. Mas, neste dia de Cristo Rei, a diocese continua a celebrar o Dia da Igreja Catedral e a acolher os novos diáconos.

Um espaço

Tal como no-lo recorda o livro dos Atos dos Apóstolos, Deus “não habita em santuários construídos pela mão do homem” (Act 17, 24), mas nós precisamos de um espaço para as nossas celebrações litúrgicas. Por isso, à nossa volta, há imóveis construídos para o efeito, com interiores devidamente organizados para acolher a comunidade que se encontra como assembleia reunida para louvar Aquele que a todos convoca. As igrejas e capelas, maiores ou mais pequenas, sumptuosamente adornadas ou singelas… foram edificadas para serem espaço de encontro entre irmãos e com a divindade. Ali se escuta a Palavra, se celebra a Eucaristia e os demais sacramentos; ali se reza e se apresentam súplicas ao Pai…

Desde os primórdios do Cristianismo, que os fiéis se reúnem em assembleia (ecclesiæ) para celebrar a Eucaristia, ministrar os sacramentos e ouvir a pregação da Palavra de Deus. Nos primeiros tempos, os lugares de reunião eram habitualmente as próprias casas, onde utilizavam a sala mais espaçosa para esse fim. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento.

Nos Atos dos Apóstolos (20, 7-11), conta-se que São Paulo o fez num terceiro andar, adornado com muitas lâmpadas, onde se haviam reunido os fiéis, aos quais, depois de bem instruídos, distribuiu o Pão Eucarístico. Também é tradição certa que o Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se congregavam os cristãos para ouvir suas instruções, assistir aos santos Mistérios e receber a Sagrada Eucaristia.

Com o tempo, as casas nas quais se reunia a assembleia passaram a ter espaços específicos reservados para o culto divino. E, a partir do fim do século II, esses prédios começam a ser chamados de “Domus Ecclesiæ”. Ao longo do século III, esses aposentos foram crescendo em importância e as outras partes do edifício, destinadas a finalidades profanas, vão sendo separadas dele. A “Domus Ecclesiæ” transforma-se em “Domus Dei”.

A catedral

A palavra “catedral” vem do grego “kátedra” e pode ser traduzida por “cadeira”. Embora pensemos de imediato no objecto que serve para sentar e repousar, falar desta “cadeira” é referir o lugar onde se senta aquele que ensina. O título de catedral concedido a uma igreja não lhe vem da sua grandeza ou antiguidade, mas do facto do bispo diocesano ter ali a sua “cadeira”, ou seja, a sua cátedra onde prega, ensina, preside, celebra…

A expressão “ecclesia cathedralis” é utilizada para designar a igreja que contém a cátedra oficial do bispo diocesano. Esta designação foi utilizada, pela primeira vez, nas actas do concílio de Tarragona, em 516. Outra designação utilizada era “ecclesia mater”, ou “igreja-mãe”. Também utilizamos a palavra “sé” para nos referirmos a este mesmo espaço, do latim “sedis” e se traduz por “cadeira”. Por isso, dizer “Sé Catedral” é uma redundância, já que as duas palavras significam a mesma coisa.

Nos primeiros séculos da Igreja, a cátedra foi objecto de veneração, o que levou a dedicar festas especiais para honrar algumas delas, como em Roma, por exemplo.

Em todas as dioceses do mundo, a catedral é lugar de referência da fé, um lugar sagrado onde os fiéis de uma igreja particular se reúnem para exprimir e proclamar a própria fé e a unidade em Cristo. A catedral é o centro eclesial e espiritual da diocese, o símbolo visível da unidade de toda a comunidade cristã, onde se reúnem todos os fiéis, sacerdotes, religiosos e religiosas de diferentes congregações, fiéis de todas as paróquias, de todas as comunidades, com diferentes sensibilidades, numa só assembleia visível, presidida e unificada pelo bispo que é garantia da comunhão e, por isso, garantia da autenticidade da fé e da vida cristã, a ligação real, histórica e mística com o Cristo histórico e com o Cristo ressuscitado e glorioso.

Consagração ao culto

Já a partir do século IV, a dedicação da “Domus Dei” (Casa de Deus) era considerada uma das festas mais solenes da Liturgia, a fim de ressaltar o carácter sagrado do edifício, que não poderia ser usado para fins profanos.

No ritual litúrgico da dedicação de uma igreja destacam-se quatro elementos essenciais: a aspersão com a água benta, a deposição das relíquias dos santos, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística.

Por ser o edifício visível um sinal peculiar da Igreja peregrina na terra e imagem da Igreja que habita nos céus, a Jerusalém Celeste, esses ritos manifestam simbolicamente algo das obras invisíveis que o Senhor realiza por meio dos divinos mistérios da Igreja, ou seja, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.

Festa da Dedicação

Dedicação é o rito litúrgico solene, reservado em princípio ao bispo, pelo qual uma igreja ou um altar ficam consagrados e destinados ao culto divino. Quando, a partir do século IV, os cristãos passaram a construir as suas igrejas, foram-nas consagrando solenemente, com ritos e textos que se foram desenvolvendo, ao longo dos séculos.

Recomenda-se que as igrejas sejam sempre dedicadas, sobretudo, as catedrais e paroquiais. As outras devem ser, pelo menos, benzidas. O mais indicado é que a dedicação ou bênção seja feita pelo bispo da própria diocese.  O novo livro litúrgico, Ritual da Dedicação da Igreja e do Altar é o usado para estas celebrações cheias de simbolismo: a igreja/edifício é um símbolo expressivo da igreja/comunidade e também da «igreja» do Céu.

Ao longo do tempo foram surgindo também festas anuais, em recordação das dedicações mais significativas: a de Santa Maria Maior, em 5 de Agosto; a da Basílica de Latrão, em 9 de Novembro; e a de S. Pedro e S. Paulo, em 18 do mesmo mês.

Também é costume celebrar-se o aniversário da dedicação da própria igreja e, em cada diocese, da própria catedral, tal como fazemos em Lamego, no dia de Cristo Rei, domingo próximo da data da Dedicação (20 de Novembro).

in VOZ DE LAMEGO,  n.º 4289, ano 84/51, de 18 de novembro de 2014.

NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS | Homilia de D. António Couto

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A IGREJA DE SANTA MARIA ONDE ELA NASCEU

 

  1. Neste dia 8 de setembro, o calendário litúrgico assinala a Festa da Natividade da Virgem Santa Maria. Dito por outras palavras: celebramos hoje o dia do nascimento de Nossa Senhora. Sem esquecer esta tonalidade festiva do aniversário natalício de Maria, a Diocese de Lamego, no âmbito deste Santuário e da cidade de Lamego que o envolve, tem motivos acrescidos para fazer subir os índices da sua alegria, pois celebra hoje também a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios, Padroeira principal da nossa cidade.
  1. Sendo a Padroeira principal da nossa cidade, Ela é também a Casa, a Mesa, o Pão, a Porta principal da nossa cidade. Ela é a Senhora da nossa cidade. Ela é a Mãe. Ela é o Coração. Ela é até, está bom de ver, o ganha-pão da nossa cidade. Ela é figura e porta-voz do essencial. Ela tem cumprido bem a sua missão de Padroeira, velando todos os dias por esta cidade, acolhendo aqui todos os que a ela acorrem com as suas dores e… com as suas flores. Ela tem honrado e dignificado o Padroado. Amados irmãos e irmãs desta nobre cidade, vamos ter de nos perguntar também se temos feito tudo o que devíamos fazer para honrar e dignificar a nossa Padroeira, figura e porta-voz do essencial, ou se andamos por aí perdidos e entretidos, figuras e porta-vozes do acidental.
  1. Queridos peregrinos, irmãos e irmãs, que hoje, vindos de perto e de longe, demandastes este Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, sede bem-vindos. Rezo para que encontreis aqui, no regaço maternal de Nossa Senhora dos Remédios, o alívio e o alento que procurais. Mas permiti, amados irmãos e irmãs, dado que passa hoje o dia do aniversário natalício de Maria, que vos convide a fazer comigo, agora mesmo, uma peregrinação ao local onde ela terá nascido. Estamos já na cidade santa de Jerusalém. Entrai comigo pela Porta oriental da cidade velha, chamada «Porta dos Leões», mas também chamada pelos cristãos «Porta de Santo Estêvão» [o seu martírio aconteceu ali nas imediações, fora da cidade], e pelos árabes e cristãos Bab Sittna Maryam, que significa «Porta de Nossa Senhora Maria».
  1. Acabados de entrar por esta «Porta de Nossa Senhora Maria», estamos no quarteirão muçulmano da cidade velha de Jerusalém, e estamos também no início da bem conhecida Via Dolorosa. Entrada a «Porta de Nossa Senhora Maria» e postos os pés na Via Dolorosa, vemos logo à nossa direita e mesmo à flor da Via Dolorosa, um grande edifício que transporta nas suas entranhas uma longa, dorida e bela história. Entrai então comigo no átrio desse edifício. Mal entramos, damos logo com os olhos na Igreja românica de Santa Ana, uma construção dos Cruzados, que remonta ao ano 1130, que os muçulmanos ocuparam em 1192, e não destruíram, pois a transformaram em escola corânica. O sultão turco otomano Abdul Megid doou-a ao Governo francês em 1856, após a guerra da Crimeia. E em 1878, o governo francês confiou-a aos cuidados dos chamados Padres Brancos ou Padres de África, em cuja posse e desvelo ainda hoje se encontra. Entrai comigo então na Igreja de Santa Ana, e cantemos ali uma Ave-Maria: primeiro, porque Santa Ana é, como sabeis, a mãe de Nossa Senhora, e é nesta Igreja austera, mas espaçosa, que a memória do nascimento de Maria é evocado; segundo, porque estamos na Igreja com a melhor acústica do mundo, e cantar ali é um privilégio; terceiro, porque com o nosso canto, à nossa maneira, manifestamos também a nossa comunhão com os sofridos cristãos palestinianos (e de todo o Médio Oriente), que hoje, rodeados por muitos peregrinos idos do mundo inteiro, celebram ali, ao jeito oriental, com explosiva alegria, a Festa da Natividade de Nossa Senhora.

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