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VISITA PASTORAL DE D. ANTÓNIO COUTO A LAMEGO | conferência

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A FAMÍLIA NO PROJETO DE DEUS

Na continuidade das atividades que o Sr Bispo D. António Couto, realiza junto das paróquias de Almacave e Sé, ocorreu no passado dia 26 de Fevereiro, no Auditório do Centro Social Paroquial de Almacave, uma conferência denominada “A Família no Projeto de Deus”, em substituição dos habituais Cursos Bíblicos que as mesmas paróquias organizam em conjunto, já há alguns anos, nesta altura do ano.

Assim, com a presença de inúmeros paroquianos o tema da Família foi abordado à luz da Palavra de Deus, a Bíblia, nomeadamente pela leitura e interpretação dos dois primeiros capítulos do Génesis, onde o orador se centrou para dar a conhecer como, no Antigo Testamento, se pode encontrar o projeto de Deus para a criação do Homem e da Mulher e a constituição da Família.

Partindo da alusão à carta de divórcio já descrita no tempo de Moisés e, no questionamento feito a Jesus sobre a situação da mulher no casamento, o orador demonstrou a preocupação que já na época existia para a criação de “mecanismos de proteção para a proteção da mulher, principalmente na situação de viúva, ou das que teriam a possibilidade de casas de novo” e que se encontram descritos nos textos bíblicos.

O primeiro Capítulo do Livro do Génesis, descreve toda a obra da Criação, mas a centralidade da comunicação versou sobre a Criação do Homem, um “ser com vontade e inteligência, livre, voluntarioso para colaborar com Deus à Sua semelhança”, num plano de elevação da imagem do Homem que “domine, pela serenidade e pela doçura, com mansidão, à maneira de Deus”.

Parte-se depois para a criação da Mulher que, como ser “côncavo” vai completar o ser “convexo” que é o Homem, numa “conformação dos dois sexos”,   que irão depois receber a “dádiva de Deus a todos nós” – a obra da Criação para que usufruamos dela numa “harmonia entre homens e animais que não têm que se guerrear”, mas antes viver em sã coexistência, para a “tarefa de transformar o mundo em mundo bom”, numa função infindável pelo tempo.

Salientou ainda D. António Couto que o Homem modelado com as mãos de Deus do “pó do solo – ser frágil” teve depois o alento de vida através do Seu “sopro” num ato de amor do Criador que de seguida, viu a necessidade de superar a sua solidão e assim, depois do “sono ritual, tomou um dos seus lados, para o transformar em Mulher” ficando assim o Ser humano constituído por dois lados numa unidade onde, quando se destrói um, também se destrói ao mesmo tempo o outro lado.

A descrição bíblica original diz que Deus criou “um auxílio para o homem” e, não como erradamente é traduzido em algumas versões “uma auxiliar”. Os dois são “uma unidade, onde nenhum é superior ao outro” mas nos tornamos “auxilio uns dos outros e somos lado de uma mesma humanidade”, como referiu o orador.

São estes dois seres a quem a “cobra – parasita que vive à nossa custa” tenta continuamente, através da idolatria e do mal e que vai “separar o homem em relação a Deus”.

Já a referência ao Matrimónio à luz da Bíblia, inicia-se com a alusão a Abraão, “figura chave”, onde se ilustra o “paradigma do ser humano” e da sua caminhada, que se “separa do amor antigo – os pais para, através da força do amor se unir ao amor novo – a mulher” formando assim uma unidade, que se deve auxiliar, por serem lado um do outro.

Esta comunicação a todos fez refletir sobre o sentido da criação do Homem e da Mulher que passam depois à vivência do Matrimónio, como seres que fazem parte do projeto de Deus para a continuidade da Humanidade pelo fluir dos tempos, que necessitam de cuidado e desvelo para que possam continuar a ser resposta a esse mesmo desígnio.

Isolina Guerra, in Voz de Lamego, n.º 4303, ano 85/16, de 3 de março de 2015