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Editorial Voz de Lamego: Igreja, da identidade à missão

Quem és? Quem é a tua família? Donde vens? Quem te chamou? O que fazes? Que desejas? Para onde vais?

São questões que vamos fazendo às pessoas com quem nos encontramos. A serem respondidas, ficamos a saber mais acerca delas. Mas não apenas a conhecer, ficamos (mais) ligados e mais comprometidos, pois a pessoa do outro já não é estranha, não é apenas conhecida, mas situamo-la com as suas raízes, os seus sonhos e projetos, os seus medos, a razão por ser assim e a forma como ocupa o tempo!

Como cristãos, inseridos na Igreja e, concretamente, numa comunidade eclesial, também nos colocamos estas perguntas, procurando respostas e novas perguntas que devem alimentar a nossa fé, saciar a nossa sede, procurando ficar (sempre) sequiosos para continuarmos a buscar! Procurar como quem encontra. Encontrar como quem procura, sem parar. É essa a nossa condição de peregrinos.

Aproximamo-nos da apresentação (6 de outubro) do novo Plano Pastoral para a Diocese. Claro que um plano, como facilmente se entende, não resolve todas as dificuldades, não apresenta soluções mágicas ou iniciativas que, de uma assentada, tornem os cristãos mais cristãos e as comunidades mais vivas, dinâmicas, em que todos se sintam em casa e motivados para a outros levar a alegria do Evangelho. Serão, isso sim, linhas orientadoras e motivadoras para que, novamente, uma e outra vez, a conversão a Jesus Cristo, a escuta atenta ao Evangelho, a inserção nas realidades concretas, o compromisso com todos, particularmente com os que se encontram em situação mais frágil, se efetivem e se aprofundem na vida pessoal, familiar e comunitária. O primeiro passo é o da conversão, que pressupõe proximidade com Jesus e passa pela oração que cria a intimidade com Ele. Não há comunidades felizes, se não houver cristãos genuínos, isto é, aqueles cristãos que experimentaram e continua a viver o encontro pessoal com Jesus Cristo.

Para os próximos três anos teremos como referência a Igreja, não para colocar de parte o compromisso missionário e caritativo, mas, precisamente, para que a consciência do que somos como cristãos, na pertença a um povo, a uma comunidade, nos faça perceber ainda melhor que não podemos ser discípulos, ser cristãos, se não nos tornarmos missionários, apóstolos de outros. A alegria que comunicamos acentua a alegria que há em nós por sermos cristãos. Essa reflexão, e todas as iniciativas que à sua volta se proponham, ajudar-nos-á a perceber Quem nos chama e Quem nos envia, qual a mensagem e Quem anunciamos! Qual é a família que nos acolhe e qual a família que desejamos para que outros se sintam atraídos, e uma vez incluídos, se sintam ansiosos por espalhar, ao largo e ao longe, a alegria de serem de Cristo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 88/40, n.º 4477, 18 de setembro de 2018

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Papa Francisco: Sou um pecador, limitado, um homem comum

O jornalista iniciou a conversa com o Pontífice ressaltando que se diz que o Papa tenha ficado fascinado, em Augsburgo, por um quadro de Nossa Senhora Desatadora dos Nós pintado por um artista barroco no século XVIII. Francisco respondeu que não é verdade, pois nunca foi a Augsburgo.

O repórter insistiu, afirmando que a fonte é crível. O Papa respondeu: “Os jornalistas são assim”, e sorriu. “A história é que uma religiosa que eu conhecia, me enviou um cartão de Natal com a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Eu vi e interessei-me. O quadro retoma uma frase de Irineu de Lyon. O doador da obra enfrentava dificuldades com a esposa. Ele procurou o conselho de um sacerdote jesuíta. Esse padre pegou numa fita longa e branca que foi usada para a cerimónia do matrimónio e pediu a Nossa Senhora, porque tinha lido a frase de Irineu, que o nó de Eva foi desatado pela obediência de Maria. Então, pediu a Nossa Senhora para desatar esses nós”.

O jornalista prossegue: Os nós representam os problemas não resolvidos? “Sim”, responde o Papa. “O quadro foi pintado como ação de graças, porque no final, Nossa Senhora concedeu a graça ao casal”. Ler mais…

antonio_couto_mg_5598A família, a baixa taxa de natalidade e o futuro da Igreja estão entre as preocupações do bispo de Lamego. Para António Couto, aos domingos, os horários de trabalho poderiam ser mais flexíveis para que as pessoas tivessem mais tempo livre.

«A Igreja pode e deve chamar a atenção para certas leis que escravizam as pessoas, como por exemplo trabalhar aos domingos», afirmou António Couto, bispo de Lamego, em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA, à margem do Curso de Missiologia, que está a decorrer em Fátima.

Para o prelado, se por um lado os hipermercados estão «abertos a toda a hora» e «facilitam a vida às pessoas», por outro lado «escravizam-nas». «Escravizam porque as pessoas ficam a ser escravas daquilo. Têm que fazer aqueles horários: ao domingo, à segunda, seja em que dia for. E ficam quase sem liberdade para ter um dia como tínhamos antigamente. Um dia em que as pessoas podiam estar à vontade. Hoje não temos esse dia», lamentou.

Segundo D. António Couto, as «leis podiam ser mais flexíveis» e os horários de trabalhos poderiam ser «diferentes». «Aos domingos, em vez dos funcionários trabalharem oito horas, podiam ter um horário mais reduzido e flexível» que deixasse algum «tempo livre mesmo àqueles que ao domingo têm de fazer algum trabalho», afirmou.

Aludindo às famílias e à oração, António Couto lamentou a fraca participação destas na Eucaristia. «Estamos num tempo em que é raro encontrar uma família na missa. É muito raro ver uma família a rezar», referiu. Referindo-se à baixa taxa de natalidade em Portugal, o prelado disse que o aumento do número de nascimentos é «profundamente importante». «Quem leva o mundo para a frente são as crianças e os jovens porque têm uma mudança de hábitos. O motor da sociedade é a juventude», frisou.

FONTE: Fátima Missionária.

Autoreferência: SOL e LUA | Editorial Voz de Lamego | 15 de julho | 2014

sol_e_luaEdição do Jornal da Diocese de Lamego, edição de 15 de julho, já disponível. Esta semana, e partindo da primeira página, o destaque vai para a celebração do Sacramento do Crisma / CONFIRMAÇÃO em várias paróquias: São Pedro de Penude, São Pedro de Castro Daire, São Bento da Mêda. Mas outros motivos de interesse para folhear e para ler, reflexões, notícias, reflexão dominical, a Missa Nova do Pe. José Fonseca Soares, a Clericus Cup, a Jornada Pastoral, de que aqui já republicamos a notícia, acontecimentos da região, ténis de mesa, novenas e festas, de Santa Helena da Cruz, de Nossa Senhora da Ouvida, agenda episcopal.

O texto do Diretor será uma forma de entrarmos dentro das preocupações do Jornal e da Igreja, ambientando para uma leitura refrescante e desafiadora, refrescante pela variedade, provocadora pelos desafios que lança, ajudando a refletir, a aproximar pessoas e comunidades, dando a conhecer realidades, promovendo a região.

AUTOREFERÊNCIA: SOL E LUA

Uma das possíveis chaves de leitura/compreensão para o muito que nos chega do Papa Francisco será a noção de “autoreferência”. Nas suas intervenções, orais ou escritas, continuamente convida a colocar Cristo no centro, denunciando estruturas e comportamento que dificultam, escondem ou ignoram tal centralidade.

Longe da Igreja a pretensão de não ver para lá de si mesma ou de encarar a sua organização como um fim perfeito, tudo fazendo para manter o existente sem se confrontar com a sua fonte e a sua meta que é Cristo. Da mesma forma, nenhuma diocese, paróquia, grupo ou movimento pode olhar-se como referência última ou viver como se de uma ilha se tratasse, sem buscar uma participação alargada. Avançando ainda mais, nenhum baptizado pode pretender viver isoladamente, no seu mundo ou espaço de conforto, sendo autoreferencial, sem a preocupação de ouvir e de aprender com os outros.

Uma das imagens utilizadas pelo Papa para ilustrar tal realidade, quando fala da relação de Cristo e da Igreja, é a do sol e da lua. A lua (Igreja) não tem luz própria; vem-lhe do sol (Cristo). Pretender ocupar o centro (ser autoreferência) é sinónimo de escuridão e imobilismo, porque se perde a luz e se fica sem caminho.

Seja qual for a realidade eclesial onde nos inserimos, vivendo pessoal e comunitariamente a fé, importa assumir um espírito e um estilo cristãos, que se conseguem quando se evita ser autoreferencial, se busca uma maior participação e há vontade de ouvir e de aprender (EG 26).

Isto é fundamental para nos compreendermos eclesialmente como um “nós”, nos assumirmos como discípulos e progredirmos na santidade. Porque, cultivar a autoreferência, será sinónimo de não ver muito mais do que o seu umbigo.

Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, n.º 4372, ano 84/35

Convocado Conselho Pastoral Diocesano – 26 de julho

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Com a redefinição dos Arciprestados, que passarem a ser 6, com o novo organograma da Diocese de Lamego, que se traduz em Comissões, Departamentos e Serviços, similar ao da Conferência Episcopal Portuguesa e que se vai adaptando nos Arciprestados, é agora tempo de agilizar esforços, iniciativas, coordenando todas as estruturas para que estas sirvam as pessoas e as comunidades desta porção do Povo de Deus, a Diocese, anunciando o Evangelho, testemunhando a pertença a Cristo, amadurecendo a vivência da fé, promovendo uma maior participação e uma melhor formação humana e cristã. Para o efeito, está agendada a primeira reunião do CONSELHO PASTORAL DIOCESANO, para o dia 26 de julho, a partir das 9h30, na Casa de São José, em Lamego.

Será um importante instrumento para uma participação mais alargada das pessoas e das comunidades na elaboração de um Plano Pastoral Diocesano que responda aos desafios do tempo e mundo atuais, para que a fé seja luz, sentido e sal para os mais novos e para os mais velhos, para que o Evangelho de Jesus Cristo continue vivo e atuante, contando com todos, despertando novos métodos, novo ardor, para uma nova (ou primeira) evangelização.

D. António Couto presidirá ao Conselho Pastoral Diocesano, onde estarão representados os Arciprestados, as Comissões, Departamentos, Serviços, as Instituições e realidade eclesiais, de forma que as iniciativas pastorais encontrem uma terreno fértil, preparado ou em preparação.

A preocupação não é aumentar os organismos pastorais, mas agilizar ferramentas, serviços, departamentos, coordenar, para ser vir o Evangelho em pessoas concretas, indo ao encontro dos seus anseios, para lhes testemunhar esta BOA NOTÍCIA: Jesus vive em mim, vive em ti, vive em nós. O alegre júbilo do amor de Deus que nos irmana e nos compromete na transformação do mundo.

A NÃO ESQUECER: 26 de julho de 2014 | 9h30 | Casa de São José | Lamego

Conselhos Pastorais

In Voz de Lamego, 2014.01.14

A Igreja não existe para si mesma, para realizar um projecto por si elaborado. A sua missão primeira é ser “sacramento de Cristo” no mundo e, por isso, sinal e servidora do desejo de amor de Deus pelos homens. A noção de Igreja-sacramento representa um dos eixos maiores do ensinamento do II Concílio do Vaticano.

A Igreja toda, colectivamente e em cada um dos seus membros, é “sinal” do que Deus cumpre no mundo. Sacramento de Cristo, sinal e instrumento de salvação, a Igreja é-o através do seu ser e de toda a sua vida, em tudo o que faz aparecer a originalidade cristã: as instituições, mas também, e sobretudo, as pessoas. Só Cristo é fonte de salvação; a Igreja é apenas o “sacramento”.

Todos os baptizados são testemunhas e servidores do amor de Deus. Isto significa que todos os baptizados são chamados a ser e a tornarem-se sempre mais “testemunhas e servidores” do desejo de amor de Deus pelos homens. Todo o serviço eclesial é, à sua maneira, manifestação e revelação da presença de Deus no coração do mundo.

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Assembleia de hoje por graça reunida

Por D. António Couto, in Mesa de Palavras

1. S. Lucas é o Evangelista do corrente Ano Litúrgico. E embora já tenha sido proclamado e já tenhamos escutado diversos episódios do Evangelho de S. Lucas nos quatro Domingos do Advento, Natal (1.ª e 2.ª missas), Festa da Sagrada Família, Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Festa do Baptismo do Senhor, é só agora que vamos começar a proclamá-lo e a escutá-lo em leitura contínua. Importa, por isso, inserir neste momento um esquema deste Evangelho, para podermos compreender melhor o ritmo da sua leitura:

 1,1-4 = Prólogo histórico (A)
         1,5-2,52 = Ev da Infância (B)
                     3,1-9,50 = Ministério na Galileia (C)
                                 9,51-19,27 = Partida/subida para Jerusalém (D)
                     19,28-21,36 = Ministério em Jerusalém (C’)
         22,1-23,56 = Paixão – Morte – Sepultura (B’)
24,1-53 = Epílogo: Ressurreição – Aparições – Promessa do Espírito (A’)

 2. O Evangelho deste Domingo III faz a acostagem do «prólogo» (1,1-4) ao «discurso programático» de Jesus na sinagoga de Nazaré (4,14-21), saltando a pregação e prisão de João Baptista (3,1-20), o Baptismo de Jesus e genealogia (3,21-38), e a sua tentação no deserto, de que sai vitorioso (4,1-13).

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