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FRAGILIDADE HUMANA | Editorial Voz de Lamego | 5 de julho de 2016

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A edição desta semana da Voz de Lamego abre, a partir da primeira página, com a apresentação do novo livro do Pe. João António, Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, precisamente sobre este Santuário. Muitos outros temas podem ser encontrados na Voz de Lamego, notícias da diocese e da região, artigos de opinião, textos-reflexões. O Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio lembra que o Evangelho nos remete para o dia-a-dia, no compromisso com a pessoa concreta que irrompe na minha e na tua vida.

FRAGILIDADE HUMANA

Trazemos connosco a ideia de que deveríamos ser diferentes, mais puros e mais santos. Mas a verdade é que estamos marcados pelo limite. E é importante compreender e aceitar a presença dos limites, das feridas, das zonas de sombra e promover uma certa reconciliação, porque só existimos enquanto limitados: no tempo, pelo corpo, no amor, pelos outros, pelo medo ou pelos vícios.

Às vezes pensamos que se fossemos diferentes, se tivéssemos outra inteligência, outro poder físico, si tivéssemos tido outra história, talvez outros pais, então sim, poderíamos…

Deus, ao contrário, joga com o que somos agora, neste momento. Intervém sempre na nossa situação concreta: onde reinam a desolação, os medos, as dúvidas paralisantes, as divisões de coração e as divisões entre as pessoas.

O Evangelho é uma escola de realismo que nos diz para nos aceitarmos nos nossos limites. Nós somos, também, as nossas imperfeições. E somos objecto do amor louco e único de Deus que, por sermos assim, vem visitar-nos e habitar-nos. A nossa imperfeição, a fragilidade do nosso carácter e da nossa história não são um impeditivo à acção de Deus em nós que se coloca na nossa história, caminha connosco, e volta a erguer a história a partir de dentro. Não como um mago que tudo conserta, mas um Pai que ama.

A religião tende a alcançar Deus com uma vida irrepreensível (fariseu); a fé é aperceber-se de um Deus que opera e se revela na nossa história ferida (publicano). No fundo, a fé é isto: crer que Deus está em nós.

E percebemos, então, que a nossa dignidade e a nossa grandeza não residem naquilo que fazemos ou naquilo que produzimos, dos aplausos ou do sucesso, mas exclusivamente do facto de que somos amados.

Se não nos sentirmos amados não iremos longe.

in Voz de Lamego, ano 86/34, n.º 4370, 5 de julho de 2016

VIVER A FRAGILIDADE | Editorial Voz de Lamego | 10 de fevereiro

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O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, na ambiência da edição desta semana, propõe-nos a reflexão sobre a fragilidade mormente da doença. O dia 11 de fevereiro é o Dia Mundial do Doente. Na edição anterior, a publicação da Mensagem do Papa Francisco, esta semana, o Editorial remete-nos para a fragilidade da doença e, fazendo eco da Mensagem papal, para aqueles e aquelas que cuidam das pessoas mais frágeis, que prestam cuidados, por vocação ou por profissão, para que verdadeiramente sejam “os olhos do cego e os pés do coxo”.

Cada edição do Jornal Diocesano é preenchida com reflexões, notícias, eventos a realizar, propostas. Entre outras informações: Conselho Diocesano de Pastoral; formação do clero de Lamego; função dos tribunais eclesiásticos; entrevista à Ir. Joaquina Vazão, sobre o Centro de Escuta e Aconselhamento; abertura do Ano da Vida Consagrada, em Lamego; a Pastoral Vocacional e a presença do Seminário Menor em mais uma comunidade.

VIVER A FRAGILIDADE

O homem transporta em si o desejo de permanecer vivo, sentindo-se mal diante da possibilidade de deixar de ser, de estar, de sentir ou de fazer. Também o crente, na sua humanidade e apesar de se saber a caminho da eternidade, enfrenta e combate a morte.

E se, diante do sucesso, o homem esquece, momentaneamente, que é mortal, a verdade é que a doença, fácil e rapidamente, lhe recorda a sua fragilidade.

E este é um dos desafios que o ser humano enfrenta e que se prende, precisamente, com o acolher da vida na sua fragilidade no seio de uma sociedade marcada pelo culto da performance, da rentabilidade, do prazer… O que fazer quando o corpo já não corresponde ou é diferente ou não conforme ao padrão publicitado?

Apesar das debilidades e da falta de autonomia, saber-se e sentir-se amado pode proporcionar ao doente a aceitação diante das limitações, trazendo-lhe serenidade e razões para prosseguir. E sentir-se amado é fruto de uma presença e de um contínuo cuidado que se experimentam e que estão muito para lá das palavras ou de uma proximidade ocasional.

Na mensagem para o XXIII Dia Mundial do Doente, o Papa Francisco valorizou o carinho dos que tratam dos doentes. A este sair de si para cuidar do mais frágil e carenciado, o Papa chama “sabedoria do coração”, que não se aprende nos livros nem se paga por transferência bancária, mas que brota da vontade de servir e seguir o exemplo do Senhor.

A dor física pode ser grande, mas o sofrimento provindo do sentir-se abandonado poderá ser ainda maior! Daí que o Papa tenha valorizado todos quantos são “os olhos do cego e os pés do coxo”. E são muitos os que incarnam esta missão. Bem hajam!

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015