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Comemoração dos FIÉIS DEFUNTOS – 2 de novembro

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No santoral ocupa lugar de relevo a celebração do dia 2 de Novembro como recordação de todos os defuntos. A proximidade com a solenidade de Todos os Santos contribui a iluminar o final da existência cristã com a luz da esperança que brota da Páscoa do Senhor.

As orações pelos mortos pertence à mais antiga tradição cristã, como atestam os documentos, já desde o Séc. II. Todos os dias a Igreja, na oração eucarística e na Liturgia das Horas, recorda os irmãos defuntos com expressões muito ricas de significado: os que partiram, marcados com o sinal da fé; os que descansam em Cristo; os que Deus chamou para junto de Si, os que foram configurados com Cristo na morte, os que adormeceram na paz de Cristo.

Celebramos a liturgia dos defuntos na esperança de que os nossos irmãos são associados a Cristo Ressuscitado, e esperando também nós encontramo-nos com eles na felicidade eterna. Esta atitude radica na certeza de que se realizam em nós as palavras do Senhor:” Aque­le que acredita no Filho há-de ter a vida eterna. Eu ressuscitá-lo-ei no último dia” (Jo. 6, 40);”quem crê em Mim, ainda que venha a morrer, viverá (11-25).

Ao rezarmos a Deus pelos nossos mortos, apelamos para a sua qualidade de baptizados: “concedei o perdão aos que regenerastes pela água do Baptismo”. Os cristãos que neste dia rezam pelos defuntos ou que vão ao cemitério em romagem piedosa não o fazem apenas para cumprir uma tradição. Esta oração e estes gestos são expressões de fé na vida imortal que Cristo nos comunica.

São Paulo afirma: Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Que é Cristo, senão, morte do corpo e espírito de vida? Morramos pois com Ele, para vivermos com Ele. Seja nosso exercício diário o amor da morte, a fim de que a nossa alma, pelo afastamento dos desejos corpóreos… ” (Santo Ambrósio)

O ser Humano procura a vida permanentemente. Só que esta vida que agora tem desfaz- se facilmente nas garras da morte. E Deus concede-lhe uma outra vida. E uma vida total, plena, sem qualquer limitação. Por isso mesmo também se chama “eterna”; vida total, inteira. É vida e só vida.

A partir do momento em que Cristo ressuscitou, o mundo vive em permanente mudança e transformação. Agora. Hoje. Parar nas nossas ideias, conceção de vida, modos de fazer isto ou aquilo, é acreditar na morte e não na vida. A ressurreição é o facto revolucionário por excelência, já se preconiza a mudança total, absoluta do homem e das estruturas. É interessante ver que, na medida em que nós, os cristãos, deixarmos de colocar a Ressurreição do Senhor no centro da nossa fé deixamos de ser também os promotores da mudança.

Se o pecado e a morte provocaram a rotura do homem com os seus semelhantes e com Deus, a ressurreição reconstitui a comunhão de maneira plena e definitiva. Integra os que estavam dispersos, reúne os que vivem sós. Se alguma coisa podemos dizer desta vida nova, é que o amor brilhará, nela, como o sol inextinguível.

Quando se fala do Corpo de Cristo, deste Corpo Novo, Paulo refere-se a todos os homens reunidos pelo amor e pela sua entrega. É por isso também que na reunião eucarísti­ca, imagem e símbolo antecipado e ainda impreciso do Reino de Deus, integração num só corpo de toda a humanidade liberta que Jesus mais e melhor se manifesta como ressuscitado.

Desse corpo se pode dizer sem sombra de dúvida: tem um mesmo coração e um mesmo espírito. Se o nosso corpo nos limita, se nos separa dos outros – muito embora seja sinal e instrumento de aproximação e amor – o novo corpo não tem outro objetivo senão unir- nos a todos. Será um corpo de comunhão. A expressão duma relação nova, plena, total.

O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que não perdemos, porque simplesmente os mandamos à frente” (São Cipriano), É dia de esperança porque sabemos, que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração que se revestirá da maior eficácia ,se a unirmos ao sacrifício de reconciliação, a Missa.

 

in Voz de Lamego, 28 de outubro de 2014, n.º 4286, ano 84/48