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Educar na sobriedade e na temperança

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«Não é nada lógico dar aos meus filhos tudo aquilo que eles me pedem. Se o fizesse, converter-me-ia num “pai fixe”, mas esta expressão parece-me sinónima de “pai cúmplice”. Estaria a ser conivente com a sua falta de sobriedade. Penso que nós, pais, necessitamos da virtude da fortaleza para não transigirmos com os caprichos dos nossos filhos».

Sábias palavras pronunciadas por um pai de uma família numerosa. Nos dias de hoje, é necessária valentia da parte dos pais para proporem aos seus filhos um estilo de vida sóbrio e temperado. Um estilo de vida que não está nada na moda!

Primeiro, devem fazê-lo com o próprio exemplo. Já diz o famoso ditado: “quem não vive o que ensina, não ensina nada!”. Além disso, somente se os pais são sóbrios é que percebem que a sobriedade é um bem de enorme valor para os seus filhos.

Depois, é necessário dar aos filhos razões válidas pelas quais vale a pena viver um estilo de vida assim. Sendo conscientes de que as mensagens que os filhos recebem todos os dias na publicidade, nos meios de comunicação, dos colegas da escola vão, habitualmente, em sentido contrário: quanto mais consumires, mais feliz serás!

Raciocinar com os filhos com paciência. Que cada filho compreenda que é amado pelo que é, não por aquilo que tem ou pela sua “imagem”. Criar uma atmosfera familiar na qual se note que o verdadeiramente importante são as pessoas e não as coisas.

Um ponto de capital importância neste esforço educativo é estimular a generosidade dos filhos com os mais necessitados. Fazê-los compreender que, geralmente, somente uma pessoa que é sóbria e temperada, consegue ter sensibilidade para as necessidades dos outros e fortaleza para os ajudar com generosidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015

Solidariedade de alguns ajuda família | Coragem das Finanças

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O nosso mundo tem os seus limites, mas continua cheio de bons exemplos.

A nossa sociedade vive agarrada às amizades virtuais, mas aparecem sempre exemplos de proximidade humana que contagiam e comovem. As notícias diárias falam, maioritariamente, de situações negativas, mas o bem nunca deixa de estar presente.

Desta vez, a notícia foi divulgada na televisão: algumas pessoas evitaram que uma casa fosse vendida pelas Finanças, graças ao pagamento de uma dívida ao Fisco. O caso aconteceu nos arredores de Aveiro e motivou a solidariedade de alguns técnicos oficiais de contas que se juntaram para evitar que uma senhora e seus familiares fossem “despejados”.

Perante uma dívida de 1900 euros, as Finanças de Ílhavo penhoraram uma habitação que foi colocada em leilão. Dentro da casa vive uma senhora com 52 anos, viúva, mãe de seis filhos, dos quais três ainda vivem com ela, juntamente com dois netos. O facto despertou a solidariedade de alguns que reuniram a verba necessária e ainda deixaram algum dinheiro àquela família.

Diante desta notícia devemos alegrar-nos com a atitude destes cidadãos anónimos e solidários que, emocionados, não deixaram de ajudar uma mãe aflita. A sociedade continua a avançar graças aos bons exemplos, apesar de discretos: “o bem não faz barulho e o barulho não faz bem”. Ainda há poucos dias um funcionário camarário dizia já ter pago a água a algumas famílias para que esta não fosse cortada.

Por outro lado, os funcionários das Finanças limitaram-se a seguir procedimentos estabelecidos, indiferentes à situação abrangida. Sempre se podem desculpar com o cumprimento da lei. E têm razão. Mas não chega. Será que é moralmente aceitável desalojar quem não pode pagar uma dívida de 1900 euros?

Quer-nos parecer que as Finanças, e outros mais, são muito céleres e corajosos quando se trata de gente simples e pobre. Mas será que são assim tão céleres perante os “grandes” que têm dívidas imensamente maiores, causam danos a muitos outros e andam “colados” ao poder?

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4287, ano 84/49, de 4 de novembro de 2014.

EDUCAÇÃO | educar em sintonia

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Educar em sintonia

Para que a educação seja eficaz é necessário que o pai e a mãe eduquem os seus filhos em sintonia um com o outro. Isto requer, em primeiro lugar, muita sensibilidade. Se não se cultiva essa delicadeza, acaba-se por retirar a autoridade ao outro cônjuge quando se vê uma situação educacional de um modo diferente.

Os filhos, para serem bem-educados, necessitam de um pai e de uma mãe que se amem e se respeitem de verdade. Quando é fácil e quando é difícil. Quando tudo corre bem e quando ficam tensos por diferentes situações da própria vida.

E como notam os filhos que os seus pais se respeitam um ao outro? No modo como dialogam entre si e como sabem ceder em assuntos que não possuem especial importância. A confiança e a proximidade não podem fazer perder nunca o respeito ― primeira manifestação de um verdadeiro amor.

Os filhos têm de ser testemunhas de que os seus pais sabem ouvir-se um ao outro, falam com delicadeza e sem levantar a voz, não se retiram a autoridade mutuamente quando pensam de um modo diferente. E, ponto de capital importância, nunca discutem entre eles diante dos filhos.

A educação é uma arte e os pais não podem esquecer que não educam nunca sozinhos: têm de saber ouvir e respeitar a sensibilidade do outro progenitor que, por ser diferente, possui uma visão complementar da educação.

Os filhos necessitam das sensibilidades paterna e materna para crescerem sãos e confiantes. Alguém dizia que, quando chegam aos sete anos, os filhos ouvem do seu pai: «Sobe mais um degrau na tua vida». E, simultaneamente, ouvem da sua mãe: «Fá-lo com cuidado e não te aleijes». Os dois conselhos são importantes e complementares.

O carinho real que os filhos recebem dos seus pais deve ser uma sobreabundância do carinho que o pai e a mãe têm entre si. É desse carinho que eles procedem. E é esse carinho, em primeiro lugar, que os faz sentir seguros.

Resumindo: os pais devem educar-se a si mesmos e educar-se entre si para poderem educar os seus filhos em sintonia e com verdadeira eficácia.

 

Pe. Rodrigo Lynce de Faria, in VOZ DE LAMEGO, 21 de outubro de 2014, n.º 4285, ano 84/47

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