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Posts Tagged ‘Evangelização’

Iraque: As Irmãs Dominicanas sonham com o regresso a casa 

Anjos-da-guarda 

Desde que foram obrigadas a abandonar o convento de Teleskuf onde viviam, no Verão de 2014, face à conquista da região pelos jihadistas do auto-proclamado “Estado Islâmico”, que as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty sonham com o dia de regresso a casa. Mas durante estes três longos anos não ficaram um dia sequer de braços cruzados. E criaram conventos de emergência…

Por muitos anos que vivam, dificilmente as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty esquecerão os dias de tumulto que ocorreram na Planície de Nínive, no Iraque, em Julho e Agosto de 2014, faz agora precisamente três anos. Nesses dias, perante o ensurdecedor silêncio do mundo, grupos jihadistas foram conquistando todos os palmos de terra da região, subjugando aldeias, vilas e cidades, obrigando milhares de cristãos a abandonarem tudo o que tinham para salvarem as próprias vidas. Num espaço de dias, às vezes até em poucas horas, muitas dessas aldeias e vilas ficaram vazias, sem ninguém para testemunhar o saque das casas, a destruição das capelas e igrejas, a profanação de todos os lugares sagrados. Fugiram quase todos para o Curdistão. Luma Khuder e Nazek Matty, irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena, assim como outras 70 religiosas, fizeram-se também à estrada. Não tinham alternativa. Quando partiram, quando olharam pela última vez para o convento de Nossa Senhora do Rosário, em Teleskuf, não conseguiram esconder as lágrimas. Quando chegaram a Erbil, ao Curdistão iraquiano, as Irmãs Luma e Matty eram refugiadas entre refugiados. Mas eram também verdadeiros anjos-da-guarda. Muitas vezes, Luma e Matty nada mais podiam oferecer do que o conforto dos seus abraços ou palavras de simpatia embrulhadas em sorrisos. Era quase nada mas ali, no meio daquele desespero humano, valia como um verdadeiro tesouro. Todos os dias havia alguém para consolar, havia alguém em lágrimas. Ler mais…

Missão jovem nas Paróquias de São Tomás de Aquino e Salzedas

Missão Jovem da Juventude Mariana Vicentina em São Tomás de Aquino e Salzedas

Este ano, pela segunda vez, a Juventude Mariana Vicentinarealizou a Missão Jovem JMV. As paróquias escolhidas para esta atividade missionária foram a Paróquia de São Tomás de Aquino, no Patriarcado de Lisboa, e a Paróquia de Salzedas, na Diocese de Lamego.

Durante uma semana, cerca de 30 jovens da Juventude Mariana Vicentina, divididos em dois grupos, acompanhados por dois Padres da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) e por duas religiosas da Companhia das Filhas da Caridade, desenvolveram atividades missionárias em cada uma destas paróquias.

A primeira valência de missão, definida num projeto de evangelização, relembra o papel dos primeiros discípulos, que num ato de coragem e convicção partiram na partilha da Boa Nova. O objetivo desta missão é despertar a Comunidades para a Fé, aproveitando a alegria e a ousadia da juventude para atrair crianças, jovens, adultos e idosos para o caminho do Pai.

As Missões Jovem JMV em São Tomás de Aquino e Salzedas decorreram entre os dias 8 e 16 de julho e são compostas por várias atividades de diversa índole, sempre com o escopo de despertar nos irmãos a chama da Fé e proporcionar uma experiência de encontro com Jesus Cristo. Durante esta semana, os jovens realizaram vigílias de oração, celebrações marianas, rezam o rosário, animaram as Eucaristias, organizaram atividades e catequeses com crianças e jovens, proporcionaram aos idosos momentos de animação, encontro e escuta, visitaram as casas das famílias das paróquias, em especial, onde habitam pessoas idosas e doentes, … Tudo para que esta semana fosse marcante, não só para a Comunidade que acolhe, mas também para os jovens que, “saindo do sofá” e “rumando às periferias” fizeram deste período de férias um tempo de partilha e de testemunho missionário. Ler mais…

Vigília Missionária – Vila da Ponte – 29 de outubro de 2016

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“Com Maria, Missionários na Misericórdia”, foi o tema escolhido para a vigília missionária que se realizou no passado dia 29 se Outubro em Vila da Ponte.
Esta vigília dividiu-se em duas grandes partes: a primeira, foi um belíssimo momento de oração, que se desenvolveu a partir do tema “Missão”; e a segunda foi a Adoração ao Santíssimo.

Durante a primeira parte da vigília, podemos ver algumas encenações realizadas pelo grupo JSF de Vila da Ponte, e escutar diversas orações e pensamentos sempre acompanhados de belíssimos cânticos Marianos. É também importante salientar, todo o trabalho que os JSF tiveram a nível de decoração da igreja, pois estava um espaço muito bonito e acolhedor, o que nos fazia entrar logo no espírito de vigília.

Tivemos ainda a oportunidade, de escutar o testemunho de dois jovens que realizaram uma “ponte” no mês de Agosto em Angola. (Para quem não tem conhecimento do termo, ponte é o nome dado à missão de ir para outro país, durante um determinado tempo, para poder ajudar quem mais precisa, seja a nível de saúde, educação, cidadania, etc). Pessoalmente acho que foi o momento que mais nos tocou no coração. Posso dizer que ao ouvir aqueles dois jovens fiquei com vontade de um dia fazer uma missão do género, pois acho que todos temos o dever de ajudar o próximo, nem que seja apenas ao levar uma palavra de esperança e de fé.

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No final da vigília, houve um momento de descontração e convívio, onde todos os grupos presentes, bem como a comunidade da paróquia, puderam partilhar um pequeno lanche.

Que tenhamos sempre presente no nosso dia-a-dia, o espírito de Missão, para que assim possamos com a ajuda de Deus, ajudar o próximo.

Márcia Ribeiro, Grupo de Jovens de Tabuaço

in Voz de Lamego, ano 86/49, n.º 4385, 1 de novembro de 2016

LEIGOS DA BOA NOVA – Testemunho

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I.M. – Ao falar da experiência missionária que teve este verão no Chibuto, Moçambique, é inevitável que o Pedro fale dos Leigos da Boa Nova.

Um retiro de Advento em que o Grupo de Jovens da Sé participou em 2013, um testemunho missionário dado por um jovem, outros jovens que o ouvem … há um que fica curioso, quer saber mais, quer alargar as suas vivências religiosas, quer conhecer outros modos de viver a Fé; daí a contactar os L.B.N. foi um instantinho, certo Pedro?

PEDRO – Sim, logo que voltei para casa contactei-os para saber como poderia juntar-me a eles porque achei muito interessante o seu trabalho; de repente o que fazia pareceu-me muito limitado; quer dizer, cresci numa família cristã e sempre frequentei a catequese e o Grupo de Jovens da Sé (o que não é pouco, porque são muito activos!), fiz vários retiros e já passei uma Páscoa em Taizé com a minha família (foi fenomenal!); tento ser um bom cristão, mas faltava-me sair deste meio protegido, crescer interiormente e fortalecer a minha própria Fé ao ir ter com os outros que estão em condições diferentes e tentar que a minha presença e acções lhes levasse Deus, que eu próprio fosse um veículo da Palavra de Deus.

I.M. Foi difícil a integração?

PEDRO – Foi muito fácil! Colheram-me e integraram-me logo nas suas actividades e fui participando em tudo o que podia, porque algumas vezes era complicado uma vez que a sede é em Cucujães e havia actividades em Braga, Fátima, etc, mas também nisso foram compreensivos. É uma equipa muito simpática e coesa, senti-me em família.

I.M. – Tiveste a tua primeira missão em Portugal?…

PEDRO – Sim, no verão de 2014. Foi uma preparação para a missão deste ano, porque apesar dos destinatários e o trabalho serem diferentes, me preparou para lidar melhor com as pessoas e vê-las como filhos de Deus, seja qual for a sua proveniência, e a fazer tudo com alegria porque sei que Jesus está comigo.

I.M. O facto de esta missão em Portugal ter corrido bem foi decisivo para a missão em Moçambique?

PEDRO – Claro! Eu fiquei com mais vontade de participar, e também permitiu aos L.B.N. conhecerem-se melhor e verem se eu tinha perfil para participar lá fora, porque se vou para uma missão no exterior a ideia é ajudar, não atrapalhar!

I.M. – Como surgiu a Missão do Chibuto como opção para o teu trabalho?

PEDRO – Os L.B.N. têm Missões em Angola, Moçambique, Brasil, Guiné-Bissau. Cada uma delas (alguns países têm mais do que uma) tem um grupo específico de destinatários e projectos bem estruturados de ajuda relacionados com o desenvolvimento pessoal, social e económico, além de levar, claro, a Palavra de Deus e apoiar a Igreja local e a população em geral em tudo o que for necessário.

Os conhecimentos que os dirigentes dos L.B.N. tinham sobre mim foram importantes para decidirem aonde poderia ajudar mais. Adorei quando soube que iria para Moçambique.

Tenho ainda muito para contar, mas para terminar por agora quero apelar aos jovens que têm vontade de fazer trabalho humanitário que não hesitem, vão em frente, não é tão complicado como parece e vale mesmo a pena.

in Voz de Lamego, ano 85/46, n.º 4333, 13 de outubro

Formação do Clero de Lamego no programa Ecclesia

EVANGELIZAÇÃO E LITURGIA |> Jornadas de Formação do Clero | 2015

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O clero da Diocese de Lamego viveu dois dias de formação, 3 e 4 de fevereiro. O encontro realizou-se na Casa de Retiros de São José, em Lamego, e contou com cerca de 40 sacerdotes, oscilando em conformidade com os dias, as horas e a disponibilidade. 

Depois da oração, nos dois dias, o reverendo Pró Vigário Geral, Pe. João Carlos, apresentou os conferentes: Pe. Jorge Santos, da Diocese de Coimbra, pároco de São João Batista, paróquia criada em 2010, e Vigário Episcopal para a Pastoral, e que veio falar-nos das Células Paroquiais de Evangelização (CPE); Frei Bernardino da Costa, OSB, Abade de Singeverga, convidado para continuar o trabalho do ano anterior, prosseguindo com a temática litúrgica.

Dinâmica missionária do Plano Pastoral

Ide e construí com mais amor a família de Deus. D. António Couto propôs que a Diocese de Lamego vivesse em dinâmica missionária.

Ao Clero de Aveiro, em formação também nestes dias, D. António Couto, um dos oradores, partindo da Evangelii Gaudium, apontou a necessidade da Igreja, toda a Igreja ser missionária, Igreja em saída, em que «o primeiro anúncio é o elemento fundamental de toda a pastoral» e em que «a dimensão missionária tem que ser o horizonte permanente da ação da Igreja». As paróquias hão de ser «casas de portas abertas», «santuários onde os sedentos vão beber» a fim de que «quem encontra a paróquia encontre Cristo, sem glosas e sem filtros»… O Bispo de Lamego elencou mais três chaves de leitura da Evangelii Gaudium: «a evangelização ‘non stop’», «o primado da graça, sem estratégias» e ainda «o Espírito Santo não condicionado». E finalizou, afirmando: «Não podemos deixar transformar a tempestade do Pentecostes em ar condicionado».

Fundamentação bíblica da Evangelização

O primeiro dia de formação esteve a cargo do Pe. Jorge Santos, que nos trouxe a sua experiência como cristão e como sacerdote. “Deus era alguma coisa, mas não era Alguém”. Até aos 20 anos. Num encontro de jovens, do Renovamento Carismático, fez a experiência de encontro com Deus. “Agora Deus passou a ser Alguém”. Sem este primeiro encontro, pessoal, fundante, de primeiro anúncio, “não seria o que sou como crente”.

O primeiro anúncio é essencial, porque é o mandato de Jesus Cristo (1); porque o mundo precisa urgentemente de Cristo e do Seu Evangelho de amor (2); porque quem encontrou Jesus tem necessidade de O comunicar a toda a gente (3). O Evangelho, com os 4 evangelistas, coloca a evangelização como paradigma da vida cristã. Cada um deles faz acentuações diferentes. São Marcos (16, 15): Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho (K –Kerigma); São Mateus (28, 19-20): Ide por todo o mundo e (F) Fazei discípulos; São João (20, 21): como o Pai me enviou, também Eu vos envio, C – Comunhão missionária; São Lucas (24, 48): Vós sois (T) Testemunhas destas coisas.

A Igreja existe para evangelizar. “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unigénito” (Jo 3, 16). O mundo de hoje, como o de ontem, precisa de evangelizadores, de quem leve esperança, de quem dê mais, dê Deus. Evangelizar é amar.

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Cursos Alpha

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Mensagem de FRANCISCO para o 88º Dia Mundial das MISSÕES 2014

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Queridos irmãos e irmãs,

Hoje ainda existe muita gente que não conhece Jesus Cristo. Permanece, portanto, de grande urgência, a missão ad gentes, da qual todos os membros da Igreja são chamados a participar, pois a Igreja é missionária por natureza: a Igreja nasceu “em saída”. O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado no qual os fiéis dos diferentes continentes se manifestam com orações e gestos concretos de solidariedade em prol das jovens Igrejas nos territórios de missão. Trata-se de uma celebração de graça e de alegria. Graça porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, oferece sabedoria e fortaleza àqueles que são dóceis à sua ação. Alegria porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado para evangelizar o mundo, apoia e acompanha a nossa obra missionária.

Justamente sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários, gostaria de propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cfr 10,21-23).

1. O evangelista narra que o Senhor enviou os setenta e dois discípulos, dois a dois, a cidades e aldeias, para anunciar que o Reino de Deus se havia aproximado a fim de  preparar as pessoas para o encontro com Jesus. Completada a missão de anúncio, os discípulos voltaram repletos de alegria: a alegria é um tema dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária. O divino Mestre disse-lhes: “não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos céus. Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: “Graças te dou, ó Pai”. (…). E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes”. (Lc 10,20-21.23).

Lucas apresenta três cenas. Antes de tudo, Jesus falou aos discípulos, depois dirigiu-se ao Pai, e voltou a falar com eles. Jesus quis que os discípulos participassem de sua alegria, que era diferente e maior da que antes experimentaram.

2. Os discípulos estavam repletos de alegria, entusiasmados pelo poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, todavia, advertiu-os para que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, mas pelo amor recebido: “por estarem seus nomes escritos nos céus” (Lc 10,20). A eles foi oferecida a experiência do amor de Deus, além da possibilidade de partilhá-lo. E esta experiência dos discípulos é razão de uma alegre gratidão para o coração de Jesus. Lucas colheu este júbilo na perspectiva de comunhão trinitária: “Jesus alegrou-se no Espírito Santo”, dirigindo-se ao Pai  e louvando-o. Este momento íntimo de alegria brota do profundo amor de Jesus como Filho pelo Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeu estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelou aos pequeninos (cfr Lc 10,21). Deus escondeu e revelou, e nesta oração de louvor, ressalta principalmente o ‘revelar’. O que Deus revelou e escondeu? Os mistérios de seu Reino, a afirmação da senhoria divina de Jesus e sua vitória sobre satanás.

Deus escondeu tudo isso daqueles que são cheios de si e pretendem saber tudo. São cegados pela própria presunção e não deixam espaço a Deus. Pode-se facilmente pensar em alguns contemporâneos de Jesus, por ele várias vezes advertidos, mas trata-se de um perigo que existe sempre e que também nos diz respeito. Ao contrário, os “pequenos” são os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os que não têm voz, os fadigados e oprimidos, definidos “bem-aventurados” por Jesus. Pode-se facilmente pensar em Maria, em José, nos pescadores da Galileia e nos discípulos chamados ao longo do caminho, durante sua pregação.

3. “Assim é, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Lc 10,21). Esta expressão de Jesus deve ser entendida à luz da sua alegria interior, onde a benevolência indica um plano salvífico e benévolo do Pai pelas pessoas. No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que Ele tem pelo Filho. Lucas também nos traz à lembrança o júbilo semelhante de Maria, “minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1,47). É a boa Notícia que conduz à salvação. Levando em seu ventre Jesus o Evangelizador por excelência, Maria encontrou Isabel e exultou de alegria no Espírito Santo, cantando o Magnificat. Ao ver o bom êxito da missão de seus discípulos e a sua alegria, Jesus exultou no Espírito Santo e se dirigiu a seu Pai em oração. Em ambos os casos, trata-se de uma alegria pela salvação em ato, porque o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós, e por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária.

O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo é o animador. Logo após louvar o Pai, como diz o evangelista Mateus, Jesus nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (11,28-30). A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”. (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

Deste encontro com Jesus, a Virgem Maria teve uma experiência totalmente singular e se tornou “causa da nossa alegria” (causa nostrae laetitiae). Os discípulos, por sua vez, receberam o chamamento para estarem com Jesus e foram convidados por Ele a evangelizar (cfr Mc 3,14), e assim, foram inundados pela alegria. Por que também nós não entramos neste rio de alegria?

4. “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada”. (Exort. ap. Evangelii gaudium, 2). Portanto, a humanidade tem grande necessidade de alcançar a salvação proporcionada por Cristo. Os discípulos são aqueles que se deixam conquistar sempre mais pelo amor de Jesus e envolver pelo fogo da paixão pelo Reino de Deus, para serem portadores da alegria do Evangelho. Todos os discípulos do Senhor são chamados a alimentar a alegria da evangelização. Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de favorecer a unidade da Igreja local no compromisso missionário, levando em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se expressa seja na preocupação de anunciá-lo nos lugares mais remotos, seja na constante saída às periferias de seu território, onde há mais pobres que o aguardam.

Em muitas regiões, escasseiam vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Muitas vezes, isto se deve à ausência, nas comunidades, de um fervor apostólico contagioso, e por isso, são pobres de entusiasmo e não suscitam atração. A alegria do Evangelho brota do encontro com Cristo e da partilha com os pobres. Encorajo, portanto, as comunidades paroquiais, associações e grupos a viver uma vida fraterna intensa, baseada no amor a Jesus e atenta às necessidades dos mais desfavorecidos. Onde há alegria, fervor, desejo de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas. Dentre estas, as vocações laicais à missão não devem ser esquecidas. Aumentou a consciência da identidade e da missão dos fiéis leigos na Igreja, assim como a percepção de que eles são chamados a assumir um papel cada vez mais relevante na difusão do Evangelho. Por isso, é importante a sua adequada formação, em vista de uma ação apostólica eficaz.

5. “Deus ama ao que dá com alegria” (2 Cor 9,7). O Dia Mundial das Missões é também um momento para reacender o desejo e o dever moral da alegre participação na missão ad gentes. A contribuição económica pessoal é sinal de uma oblação de si mesmos, primeiramente ao Senhor, e depois aos irmãos, para que as ofertas materiais sejam instrumento de evangelização de uma humanidade que se constrói alicerçada no amor.

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial das Missões, o meu pensamento dirige-se a todas as Igrejas locais. Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização! Convido-vos a envolverem-se na alegria do Evangelho e alimentar um amor capaz de iluminar a vossa vocação e missão. Exorto-vos a recordarem-se, como numa peregrinação interior, do “primeiro amor” com o qual o Senhor Jesus Cristo aqueceu o coração de cada um, não por sentimento de nostalgia, mas para perseverar na alegria. O discípulo do Senhor persevera na alegria quando está com Ele, quando faz a sua vontade, quando partilha a fé, a esperança e a caridade evangélica.

A Maria, modelo de evangelização humilde e alegre, dirigimos a nossa oração para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos e possibilite o nascimento de um novo mundo.

FRANCISCO

Vaticano, 8 de junho de 2014, Solenidade de Pentecostes