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Posts Tagged ‘Eutanásia’

EUTANÁSIA – VIDA | Editorial Voz de Lamego | 8 de maio de 2018

EUTANÁSIA – VIDA

Entre os dias 13 e 20, ligando as solenidades da Ascensão e do Pentecostes, viveremos a Semana da Vida. O tema escolhido, “Eutanásia… o que está em jogo?”, não é alheio ao debate já iniciado por quem anseia aprovar legislação favorável.

Eutanásia poderá traduzir-se por “boa morte” e ser compreendida como um acto médico que provoca intencionalmente a morte de um paciente com a finalidade de lhe aliviar o sofrimento, seja agindo com esse fim (eutanásia activa), seja abstendo-se de agir (eutanásia passiva).

Os seus defensores dirão sempre que a possibilidade legal não obriga a quem pensa de maneira contrária e não deixarão de sublinhar a liberdade individual.

Os que pensam de maneira contrária rejeitarão tais medidas legislativas e condenarão tais práticas, referindo-se-lhe como um homicídio e propondo a existência de cuidados paliativos acessíveis a todos.

Trata-se de evitar o “dever de matar” quando alguém propõe o “direito de morrer”, valorizando todas as vidas, também as que estão marcadas pela doença, pela deficiência ou pela idade. Porque a dignidade do ser humano se assegura com a vida e não com a morte. Por isso, enveredar por esta via pode apenas significar que a sociedade se demite de tratar os seus.

E se o médico se enganar no diagnóstico? A eutanásia poderá ou não fragilizar o doente e abalar a sua confiança nos hospitais? Um doente, um idoso ou limitado físico tenderá a ver-se como um fardo para alguém? Haverá tentações economicistas? Irão os cuidados paliativos ser incrementados ou deixarão de ser a primeira opção? Que consequências para a sociedade?

Há uns anos, “morrer com dignidade” seria ter acesso aos cuidados paliativos; hoje será um pedido de morte. Ao mesmo tempo que se cultiva a beleza, a festa, o corpo ou a eterna juventude, temos dificuldade em aceitar a fraqueza e a fragilidade.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/23, n.º 44589, 8 de maio de 2018

Eutanásia: Que Estado desejamos? Que sociedade queremos construir?

Doctor harms a patient with cutting tube in the hospital

O tema da eutanásia, que tem vindo a ser cada vez mais debatido em Portugal, chegou à Assembleia da República. Neste momento encontram-se no Parlamento duas petições, uma a favor e outra contra (esta com quase o dobro das assinaturas da primeira). Para além disso o Bloco de Esquerda e o PAN já anunciaram a sua intenção de apresentar propostas de lei sobre o tema.

Por isso, queiramos ou não, é hora de reflectirmos sobre que Sociedade e que Estado desejamos. É talvez a única vantagem deste debate é obrigar-nos a ajuizar claramente sobre a posição que nós, enquanto país, enquanto sociedade, temos diante da Vida Humana.

Porque, ao contrário do que tem vindo a ser afirmado, não se está a discutir a autonomia pessoal, não estamos a debater a possibilidade de as pessoas decidirem o que fazer com a sua vida. Na eutanásia é a pessoa que pede para morrer mas sãos os médicos que decidem se ela pode ou não. Não há autonomia pessoal quando são precisos três médicos (como é proposto pelo PAN) para decidir se uma pessoa pode ou não ser morta. Ler mais…

Desumanização e comodidade | Editorial Voz de Lamego | 7.02.2017

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Na ordem do dia, a temática da Eutanásia. A Voz de Lamego destaca o tema na primeira página, mas também no interior. No Editorial, o Pe. Joaquim Dionísio reflete sobre esta temática, com os riscos envolvidos, com o seguidismo de alguns face a outros países, introduzindo um assunto para eventualmente ter mais um tempo de antena, acentuando-se a perda de valores e de referências, numa sociedade capaz de matar crianças por nascer e anciãos, muitas vezes por mera questão de comodidade.

DESUMANIZAÇÃO E COMODIDADE

O debate sobre a eutanásia estava prometido e era esperado, atendendo à movimentação dos promotores e à disponibilidade dos políticos para o concretizar. Poderá não avançar tão rapidamente como alguns o desejam, mas o tema vai fazer caminho e, mais tarde ou mais cedo, lá se vai conseguir legislar nesse sentido, com o argumento decisivo de que tal disposição legal não obriga quem pensa de outra forma e defende a opção de quem deseja antecipar a morte.

Os bispos portugueses, defendendo o sim à vida e alertando para a crescente desumanização, têm pedido um debate alargado e sereno com vista à necessária e desejada (in)formação.

A discussão agora iniciada não é uma total surpresa, se atendermos ao seguidismo de alguns face a outros países, à perda de valores e da perspectiva da eternidade, à comodidade observada e à solidão imposta, ao declínio da família e à ausência do apoio familiar, ao medo diante da fragilidade e da perda de atributos físicos, à descida da natalidade e ao abandono dos anciãos…

A eutanásia tende a impor-se disfarçada da veste humanista e apregoa o “morrer com dignidade”. O que agora é olhado como um mal (suspensão dos cuidados médicos, injecção letal, suicídio assistido, ajudar a morrer “com dignidade” doentes incuráveis e anciãos “inúteis”), vai parecer, daqui a algum tempo, algo natural e, até, louvável!

Na introdução ao livro “Contra a eutanásia” (Multinova, 2016), recorda-se que em certos grupos esquimós, quando chegava a fome, os idosos se afastavam voluntariamente e aceitavam morrer de frio, na neve e na solidão, para proporcionar a sobrevivência às crianças. Mas a nossa sociedade, conclui autor, “é capaz de fazer morrer, ao mesmo tempo, as crianças ainda por nascer e os anciãos por razões de comodidade”.

in Voz de Lamego, ano 87/13, n.º 4398, 7 de fevereiro de 2017

Ainda a propósito da eutanásia: Direito a morrer?

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Ninguém pode negar aos outros o direito a morrer. Não aprovar a eutanásia é tirar às pessoas a liberdade de serem elas a decidir sobre a sua própria vida.

Quem não quiser pedir a eutanásia, por motivos religiosos, não o faça. Mas, por favor, não tire a liberdade aos outros. A lei não pode continuar a negar às pessoas o direito a uma morte digna.

Será que isto é mesmo assim?

É uma visão muito simplista de tudo aquilo que está em jogo.

E também o é o argumento tantas vezes esgrimido de que somente aqueles que acreditam em Deus são contra a eutanásia. Os argumentos contra a legalização do suicídio assistido não são religiosos — são profundamente humanos!

Pensemos com calma: que consequências trará a legalização da eutanásia ao modo de tratar os idosos, os doentes terminais, os pobres, os deficientes e, em geral, os frágeis da sociedade?

Com a aprovação de uma lei deste tipo, aqueles que são frágeis e optem pela vida correm o grande risco de serem considerados uns egoístas. Podem ser vistos como um fardo que rouba a felicidade àqueles que têm de cuidar deles.

Porque não nos enganemos: uma lei que permita a eutanásia de algum modo incentiva os idosos a tirarem a própria vida. Fá-los pensar, num momento em que mais necessitam do apoio dos seus familiares, que estão a mais e que são somente um peso inútil.

Manter a ilegalidade da eutanásia é o melhor modo de proteger os vulneráveis da sociedade. A lei, se o é de verdade, deve sempre proteger a vida e amparar os mais vulneráveis, porque são eles que necessitam de protecção.

Ao aprovar uma lei destas, o direito à morte acaba por converter-se, para muitas pessoas frágeis, no dever de morrer.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Sugestão de Leitura: Contra a Eutanásia

untitled_34235de44Sobre o livro Contra a Eutanásia, Luís Paulino Pereira, médico e autor do prefácio, disse que a obra «é um verdadeiro apelo à vida de um indivíduo que se diz agnóstico. E de que forma faz um apelo à vida? Primeiro, citando as verdadeiras maravilhas da medicina. Depois, tudo aquilo que é preciso fazer para preservar a vida.» Luís Paulino Pereira refere que o livro tem uma linguagem acessível, «que toda a gente entende» e deixou um incentivo a que todos leiam o livro para que cada um tire as suas conclusões.

O livro Contra a Eutanásia é escrito em estilo de entrevista com Lucien Isräel, um não-crente e homem da ciência. Este francês foi médico e professor universitário de Pneumologia e Oncologia. Deu aulas em França, Estados Unidos da América, Canadá e Japão. Fez parte também de várias organizações da área da oncologia e da investigação, chegando mesmo a fundar o Laboratório de Oncologia Celular e Molecular Humana, em Paris. Foi membro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

Pronunciamento da CEP sobre a Eutanásia

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Bispos portugueses reforçam rejeição

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A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reforçou, no final da semana passada, a sua posição de “total rejeição” de uma eventual legalização da eutanásia no país. “A Assembleia reafirmou a total rejeição da eutanásia, que elimina a vida de uma pessoa, matando-a. A Igreja nunca deixará de defender a vida como bem absoluto para o homem, rejeitando todas as formas de cultura de morte”, refere o comunicado final da reunião, que decorreu desde segunda-feira.

O organismo máximo do episcopado católico em Portugal debateu o tema “a partir da recente nota pastoral do Conselho Permanente” da CEP, com o contributo de “alguns peritos na área do direito e da medicina”.

Para o episcopado português, é necessário promover uma “cada vez mais uma efetiva proximidade junto dos que mais sofrem” e intensificar “a rede de cuidados paliativos como direito para todos, os quais servem para ajudar a viver e fomentar a esperança”.

D. Manuel Clemente, presidente da CEP, lamentou a resposta “muito minoritária” em termos de cuidados paliativos, face às necessidades do país, sublinhando aos jornalistas que esta deve ser a “verdadeira frente de combate”.

“Isso implica investimento de recursos e de pessoas, mas há muita gente disponível para ir neste sentido”, observou.

Para o cardeal-patriarca, importa recordar que o direito à vida é “inviolável”, também do ponto de vista constitucional, lamentando que se elimine do “horizonte” a dimensão de sofrimento.

“Nós podemos usar muitos eufemismos, mas [a eutanásia] trata-se sempre de matar, de eliminar uma vida, mesmo que seja a pedido”, referiu.

“Cuidar, não descartar, cuidar”, acrescentou.

D. Manuel Clemente recusou que, em matéria de vida e morte, existam “zonas de sombra” ou de esquecimento, que possam levar à “eliminação” e a situações “muito complexas”.

“A vida é um bloco: ou se leva todo ou não se leva”, assinalou.

O presidente da CEP assumiu que, mesmo face a uma eventual legalização, a Igreja e a sociedade devem “retomar a questão e resolvê-la melhor, a seguir”.

Nenhuma decisão, por via parlamentar ou referendo, poderia “fechar a questão”, prosseguiu.

Neste contexto, o cardeal sustentou que o Estado Português deve canalizar recursos “no sentido mais alargado e capaz possível” para as áreas dos cuidados paliativos.

A 14 de março, o Conselho Permanente da CEP publicou a Nota Pastoral intitulada ‘”utanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador”.

Na mesma altura, divulgou também um conjunto de 26 questões sobre temas ligados à eutanásia e ao fim da vida, acompanhando a Nota Pastoral, em que se questiona o “absurdo” de um “direito” a morrer.

in Voz de Lamego, ano 86/21, n.º 4358, 12 de abril de 2016

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Matar… ou deixar morrer… ou ajudar a morrer

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DE VEZ EM QUANDO… 

No passado dia 06 do mês corrente de Fevereiro, o Movimento “Direito a morrer com dignidade” apresentou no Porto um manifesto a defender a eutanásia e o suicídio medicamente assistido, assinado por 110 cidadãos. Nesse manifesto, o Movimento defende a despenalização e regulamentação da morte medicamente assistida em Portugal e o direito de as pessoas, em pleno uso das suas faculdades mentais, mas perante um sofrimento profundo ou uma doença incurável, terem a liberdade de escolha, ou seja, a liberdade de decidirem morrer e de pedirem que as matem.

O referido manifesto veio trazer de novo para a ribalta da comunicação e para o campo da discussão, o problema da eutanásia.

Logo a seguir, no dia 15, a jornalista Fátima Campos Ferreira trouxe o tema para debate no programa “Prós e Contras”, programa que eu acompanhei com todo o interesse e atenção.

No dia 15 deste mês, reunido em Fátima, o “Conselho Permanente do Episcopado Português” (desta vez apareceu e funcionou) veio tornar claro que a Igreja defende e afirma que a vida humana é algo sagrado e inviolável que “tem sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases, independentemente das circunstâncias, quer externas quer internas”. O cardeal patriarca de Lisboa dissera uns tempos antes que “entrar por aí (pela despenalização da eutanásia, tornando-a legal e livre),é entrar numa porta perigosa, de futuro imprevisível”. De facto, depois de se legalizar a matança de crianças inocentes, pretende-se agora legalizar a matança dos doentes terminais, e depois, podem seguir-se mais coisas…e assim se conseguir a “pureza e a sanidade total” da raça, ao jeito da limpeza de Hitler, da purga de Estaline e de outros semelhantes a eles.

O “Código Deontológico dos Médicos”, publicado em Diário da República a 13 de Janeiro de 2009, proíbe a todos os membros da Ordem “a ajuda ao suicídio, à eutanásia e à distanásia”. Ler mais…