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Apontamento Social: Dar a vida pelo próximo

coronel castro, cap saramago,sarg novais.

Qualquer cristão, pouco, muito ou até nada praticante, conhece este mandamento : AMAI-VOS COMO EU VOS AMEI. E Jesus amou-nos ao ponto de dar a vida por nós. Mas, achamos nós , não temos que chegar a esse ponto… a mãe dará a vida pelo seu filho, um filho pelo pai, enfim… mas por um desconhecido , um amigo, um colega… não pensamos ter que chegar a tanto, basta amar q.b., mas sem exageros, pensamos cá dentro !

A cultura militar é, neste ponto, semelhante ao cristianismo – nunca se deixa um camarada para trás, nunca se nega auxílio, seja qual for a situação.

Mas perante o pânico, o medo da morte, quantos seriam realmente capazes de enfrentar o perigo e tentar ajudar o outro pondo em perigo a própria vida ?

O Saramago e o Novais foram-no. E por isso perderam a vida.

A anestesia coletiva causada pelo brilhante desempenho da nossa seleção fez com que o grave acidente ocorrido com o C 130 da Força Aérea não tivesse tanto impacto como teria noutra altura qualquer; pouco se sabia e os pormenores iam chegando aos bocadinhos. Os 3 mortos e dois feridos ( um dos quais já faleceu entretanto) chocaram toda a gente. Ler mais…

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HERÓIS DO CAMPO

Football Soccer - Portugal v France - EURO 2016 - Final - Stade de France, Saint-Denis near Paris, France - 10/7/16Portugal's Cristiano Ronaldo celebrates with team mates and the trophy after winning Euro 2016 REUTERS/Kai PfaffenbachLivepic

Seleção Portuguesa de Futebol – Campeã da Europa 2016

Nunca liguei a futebol e irrita-me a febre que toma conta de todos à minha volta sempre que se inicia qualquer evento nessa área (e parece que está sempre algum a decorrer…).

Mesmo agora via com indiferença a nossa seleção a avançar, jogo após jogo, pensando como era mais importante saber como iria decorrer o “brexit”, se a seca em Moçambique estava a ser monitorizada e o povo auxiliado, como estava a situação dos refugiados sírios e os combates no Curdistão, se as eleições espanholas nos iriam afetar, etc, etc.

Mas ontem, domingo, foi diferente. Conheço muitos povos, graus diferentes de simpatia e acolhimento, mas devo dizer que os franceses são, de longe, os menos agradáveis; carrancudos perante os turistas, pouco disponíveis, não deixam saudades, apesar de terem um país onde se volta pela beleza natural e monumental que detém; ó encontrei simpatia genuína num logista duma pequena vila bretã, muito culto, que me contou tudo o que sabia sobre os portugueses, “grandes marinheiros, como nós, os bretões”, um povo muito valente e corajoso que enfrentou os mares desconhecidos e descobriu novas terras”; chamou-nos “povo irmão” pela história e personalidade, que entendia ser mais semelhante entre nós que entre bretões e franceses (há também histórias de anexação forçada da Bretanha pelo meio); também são simpáticos os funcionários hoteleiros, mas com a simpatia artificial de quem está a ser pago para o ser.

Não estranhei que os franceses e a sua comunicação social tenham sido desagradáveis e até racistas para com o nosso povo antes do jogo; os nossos emigrantes têm muitas histórias que mostram como a “integração” é feita a “olhar de cima”; quando os meus cunhados compraram casa de férias perto de Taizé e necessitaram de ajuda doméstica o que se passou tornou-se anedota familiar – havia candidatas, mas não ficavam quando viam que a patroa era portuguesa; lá, as portuguesas são empregadas e não patroas; discriminação “soft”, mas gostamos de vocês á mesma…

Calculo que este tipo de situação não dará vontade nenhuma de rir a quem tem em França o seu ganha-pão e tem de aguentar a sobranceria francesa engolindo em seco (como em tudo, haverá excepções, claro).

Foi pensando neles que vi com muito agrado o fantástico golo português e as “trombas”dos franceses. Foi merecido! Mostramos o que valemos, mostramos que somos unidos, não desanimamos, trabalhamos arduamente, somos competentes e seguimos sempre em frente, mesmo se nos tiram cobardemente o líder! Porque temos VALOR, somos PORTUGUESES!

Por todos os portugueses que em França vão hoje trabalhar de queixo erguido, por todos os franceses que necessitavam duma lição assim para aprender a respeitar-nos, OBRIGADA RAPAZES!

I.M., in Voz de Lamego, ano 86/35, n.º 4371, 12 de julho de 2016

PORTUGAL CAMPEÃO | Editorial Voz de Lamego | 12 de julho de 2016

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A Equipa das Quinas colocou novamente Portugal no centro da Europa e do mundo, ao sagrar-se campeã europeia 2016. A Voz de Lamego desta semana faz eco desta importante vitória. O Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, parte também desta conquista…

PORTUGAL CAMPEÃO

O caminho não foi fácil nem isento de dúvidas, mas a vitória final veio coroar o esforço dos protagonistas e dar alegria a todos os portugueses. Pela primeira vez, a selecção principal do nosso país impôs-se num grande torneio, conquistando o título europeu de futebol. Mais do que as exibições individuais ou colectivas, os resultados mais ou menos merecidos, as críticas ou os elogios, ficará para a história a taça entregue ao país vencedor: Portugal.

Aqui felicitamos todos os que contribuíram para este resultado e louvamos, de forma especial, o esforço dos jogadores.

E a propósito da competição agora concluída, três breves notas.

Os apreciadores de futebol gostam que as suas equipas conciliem vitória com espectacularidade. Porque não chega vencer. Mas, na impossibilidade de conseguir ambas, cedo o treinador deu a entender que abdicava do espectáculo, das palmas ou dos elogios para conseguir os resultados desejados. E venceu!

Depois, sublinhar o facto da equipa lusa se ter visto privada, logo nos minutos iniciais da final, do seu jogador mais famoso. A verdade é que a sua ausência não impediu a vitória, conseguida com gente menos mediática, mas igualmente eficiente. Porque uma equipa vale pelo todo, mesmo que algumas das suas partes se destaquem. O anúncio do que parecia ser uma tragédia (saída prematura), foi exagerado! Também no futebol não há indispensáveis.

Por último, a prova de que isto ainda continua a ser um jogo: apesar de meticulosas análises, apostas e prognósticos convictos, maior ou menor número de adeptos… há factos que não são controlados. A lesão de um proporciona mudanças e faz aparecer o herói improvável, aquele cujo golo decisivo o imortalizará, mesmo se a sua chamada à selecção tenha sido questionada.

Parabéns Portugal!

in Voz de Lamego, ano 86/35, n.º 4371, 12 de julho de 2016