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Posts Tagged ‘Eucaristia’

PRIMEIRA COMUNHÃO NA PARÓQUIA DA SÉ

As crianças do 3.º ano celebraram este domingo a sua Primeira Comunhão; ocasião especialmente festiva porque, para além da já habitual celebração do Dia da Mãe e do Mês de Maria, que na nossa paróquia fazemos sempre coincidir com este marcante momento da vida cristã, estas crianças receberam Jesus pela primeira vez a apenas uma semana do Centenário da primeira aparição da Senhora de Fátima, da chegada do Papa Francisco na sua primeira visita a Portugal, e da Canonização dos Pastorinhos, crianças como eles, que são o grande exemplo de amor a Jesus e a Sua Mãe.

O clima era, claro, de festa.

Famílias alargadas partilharam da alegria e emoção das crianças e seus pais; as crianças da catequese vibraram com os seus colegas, umas revivendo o seu “dia especial”, outras antecipando-o; irmãos , primos e amigos mais novos encheram a Sé de palreios e gorjeios, cumprindo o pedido de Jesus – “Deixai vir a Mim as criancinhas”; toda a comunidade se sentiu unida e feliz, apesar de muitos terem assistido em pé e um bocadinho mais desconfortavelmente, tão numerosa era a assembleia.

Depois, na catequese do 4º ano, tivemos oportunidade de meditar sobre o que significou para cada um de nós o facto de recebermos Jesus, e o que mudou na nossa vida:

Somos mais amigos uns dos outros ?

Somos mais cumpridores da vontade de Deus?

Vamos á Missa com mais vontade? Estamos mais atentos?

Respeitamos mais pais e professores?

Trabalhamos com mais afinco?

Confiamos em Deus?

Esta é uma oportunidade de rever o que temos que melhorar na nossa vida.

O Espirito Santo  tocou o nosso coração e o de todos os presentes, não O ignoremos.

IM, in Voz de Lamego, ano 87/26, n.º 4411, 9 de maio de 2017

CAMINHADA QUARESMA-PÁSCOA | 2.º Domingo da Quaresma

O segundo domingo da Quaresma traz-nos à reflexão a saída de Abraão da sua terra, por vontade expressa de Deus, que o manda partir. Daí que a nossa caminhada proponha a colocação de um par de sandálias e um globo terrestre, junto à cruz.

A palavra solidão, por sua vez, remete-nos para aquele que é um dos dramas do nosso tempo, que torna a cruz de muitas vidas mais pesada, mas que o Evangelho deste domingo nos ajuda a resolver. A afirmação de Pedro: “Senhor, como é bom estarmos aqui” (Mt 17, 4), demonstra bem que a solidão não é uma questão de lugar ou de ausência de gente, mas falta de reconhecimento da presença de Deus no meio de nós.

2.º DOMINGO DA QUARESMA

Preparação: Arranjar um par de sandálias e um globo terrestre ou um mapa mundo
Momentos da Eucaristia: – No final da primeira leitura

– Após a leitura do Evangelho

Gesto: Imediatamente a seguir à primeira leitura colocar o globo terrestre no chão (por debaixo da cruz) ou colar na cruz o mapa mundo (a significar a saída de Abraão da sua terra) e as sandálias em frente ao globo.

Após a leitura do Evangelho, antes da homilia, colar na cruz a palavra: SOLIDÃO

in Voz de Lamego, ano 87/17, n.º 4402, 7 de março de 2017

DIOCESE DE LAMEGO EM CAMINHADA – QUARESMA 2017

caminhada-quaresma-pascoa_2016-2017

PREPARAÇÃO: Construir uma cruz de madeira. A cruz deve permanecer inclinada (apoiada num dos braços), num local visível da Igreja. Tanto quanto possível deve ser pintada ou revestida de preto de um dos lados e de branco do outro. Deve estar segura e de fácil acesso, por forma a poderem ser coladas algumas palavras ao longo dos domingos. Pode ser colocada logo na Quarta-feira de cinzas, ou então no início da Eucaristia do Primeiro Domingo da Quaresma, com a parte preta virada para a frente.

OBJETIVO DA CAMINHADA:

– Dar realce aos textos litúrgicos que são propostos para cada domingo da Quaresma e da Páscoa, já que cada gesto, símbolo e palavra tem a ver sempre com as leituras do dia;

– Procurar que, durante este tempo, as pessoas levem consigo uma mensagem visual ou um símbolo material que as faça recordar a celebração dominical;

– Acentuar, através dos pequenos gestos da liturgia, a importância destes dois tempos litúrgicos e a sua diferença em relação ao tempo comum;

– Envolver o maior número de pessoas, grupos e estruturas da paróquia na preparação dos gestos, das palavras a colar, dos símbolos a distribuir ao longo dos vários domingos;

– Sem alterar a o fundamental da estrutura da celebração, nem a tornar mais demorada, fazer com que esta se torne mais participativa e envolvente.

RAZÕES PARA A CAMINHADA:

– Realizar as propostas do plano pastoral diocesano, no seguimento do que já vem sendo feito ao longo do ano;

– Dar cumprimento ao lema pastoral deste ano, proposto pelo nosso bispo, relevando a urgência de ir a toda a criatura levar o Evangelho.

 

1.º DOMINGO DA QUARESMA

Momentos da Eucaristia: Admonição inicial e profissão de fé

Gesto: Após a saudação inicial da Eucaristia deve ser lida a admonição.

– No fim da homilia, antes do Credo, colar na cruz a palavra: TENTAÇÕES

Admonição inicial:

Estamos no início de um tempo litúrgico, particularmente importante para a vivência da fé do povo cristão. São quarenta dias de uma caminhada intensa e profunda de significado, que nos conduzirão à Páscoa da Ressurreição.

Para podermos mergulhar mais seriamente neste mistério salvífico da paixão, morte e ressurreição de Jesus, vamos este ano prolongar a nossa caminhada não só pela Quaresma, mas também pelo Tempo Pascal.

O destaque será dado à Cruz. A cruz que nos fala do sofrimento atroz de Cristo, da sua dolorosa caminhada até ao Clavário e da sua arrepiante morte, entre dois malfeitores. A cruz que nos fala do sofrimento de tantos irmãos e irmãs, nas escaladas íngremes das suas vidas. A cruz que nos fala das nossas próprias angústias e dores. Refletiremos, durante a Quaresma, sobre aquilo que a torna mais pesada e mais penosa.

Mas a cruz não é derrota, é essencialmente vitória! Por isso, ao longo do Tempo da Páscoa, teremos oportunidade de nos deixar envolver pelas consequências gloriosas da Cruz redentora de Cristo. Vamos ornamentá-la, de domingo a domingo, para que se nos afigure uma verdadeira árvore de Vida.

in Voz de Lamego, ano 87/16, n.º 4401, 28 de fevereiro de 2017

IV Congresso Eucarístico | Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia

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Iniciou-se em Fátima, no passado dia 10 de junho, com a celebração da Missa da Peregrinação das Crianças, o IV Congresso Eucarístico Nacional, prolongando-se até ao dia 12. Este é o primeiro a realizar-se neste santuário mariano, no âmbito da celebração do centenário das aparições do Anjo e de Nossa Senhora em Fátima, bem como da mensagem eucarística presente nelas (assim como nas aparições de Tui e Pontevedra). Os três Congressos Eucarísticos anteriores realizaram-se em Braga em 1924, 1974 e 1999.

Dentro do contexto do Ano Jubilar da Misericórdia, as reflexões desenvolveram-se à volta do tema: “Viver a Eucaristia, fonte de misericórdia”. Estiveram presentes vários oradores, entre os quais, o nosso Bispo, que desenvolveu o tema: “Maria, Mãe de Misericórdia, mulher eucarística”. Estiveram ainda presentes: D. Piero Marini, antigo mestre das cerimónias pontifícias dos papas São João Paulo II e Bento XVI e presidente do Pontifício Comité para os Congressos Eucarísticos Internacionais, com uma conferência sobre “a Eucaristia, experiência de misericórdia e conversão”; a irmã Ângela Coelho, Postuladora da Causa da Canonização dos Pastorinhos de Fátima com o tema “a Eucaristia na Mensagem de Fátima”; o Prof. José Eduardo Borges de Pinho, falou da “Mensagem de Fátima, Profecia de Misericórdia” e ainda o enviado especial do Papa Francisco o Cardeal D. João Braz de Avis, Prefeito da Congregação da Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica que se dirigiu aos participantes sobre “a misericórdia na missão da Igreja”. Foi importante ainda o momento dos testemunhos sobre a vivência eucarística, que nos desafiaram a vivermos verdadeiramente uma vida eucarística, ou seja, focarmo-nos no momento da adoração como encontro pessoal com Deus, mas também levá-l’O aos nossos irmãos. E nisto também é exemplo Nossa Senhora e os Pastorinhos, adoradores do Senhor, mas que se preocupam em levá-l’O aos irmãos.

Um Congresso Eucarístico, não é, porém apenas um ciclo de conferências. A celebração da Missa é o primeiro ato de adoração no dizer do Papa Bento XVI, e o lugar onde melhor se experimenta, a par com o Sacramento da reconciliação, a misericórdia de Deus. As celebrações da Eucaristia, bem como a experiência de adoração ao Santíssimo Sacramento na Basílica de Nossa Senhora do Rosário foram verdadeiros encontros com o Senhor.

Com o encerramento, ficou o desafio de vivermos melhor uma vida eucarística, lembrando-nos que a Eucaristia faz a Igreja e é a vida da Igreja.

João Pereira, II Ano | Diogo Rodrigues, VI Ano

in Voz de Lamego, ano 86/31, n.º 4367, 14 de junho de 2016

CAPELA DO SENHOR DOS ENFERMOS: OBRAS DE RESTAURO

Fornelos-restauro

No segundo domingo de Páscoa, dia três de abril, a paróquia de São Martinho de Fornelos, no concelho de Cinfães, vivenciou momentos de grande alegria com a reabertura da capela do Senhor dos Enfermos, no lugar de Macieira, após as obras de conservação e restauro a que foi sujeita. A capela foi pequena para acolher todos os fiéis que quiseram estar presentes, sinal de grande fé no Senhor dos Enfermos.

A cerimónia foi presidida pelo Senhor Vigário Geral, Monsenhor Joaquim Dias Rebelo, em representação do Senhor Bispo da Diocese de Lamego, Dom António Couto. O evangelho do dia falava em São Tomé, apóstolo que, perante a notícia da ressurreição de Jesus, negou-se a acreditar. “Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma acreditarei.” Perante a presença de Jesus, vivo, diante dos seus olhos, Tomé rendeu-se e, movido pela poderosa fé que sentia no coração, disse o que até aí não tinha descoberto: “Meu Senhor e meu Deus.” Jesus responde-lhe:Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” E foi esta mesma fé, este acreditar sem ter visto, que encheu a capela do Senhor dos Enfermos, num desejo de partilhar aquele momento com toda a comunidade e, acima de tudo, partilhá-lo com Deus, naquela que é a sua casa agora renovada.

Já quase no final da cerimónia, a presidente da Irmandade do Senhor dos Enfermos, professora Cristina Miranda, leu um discurso de agradecimento a todos aqueles que deram o seu contributo, tornando esta obra uma realidade. As entidades políticas locais, designadamente os presidentes da Câmara Municipal de Cinfães e da Junta de Freguesia de Fornelos, não deixaram de estar presentes, tendo ambas as entidades subsidiado a obra. A presidente fez também uma breve alusão a todo o processo percorrido e o que há ainda a percorrer, mencionando a preciosa colaboração dos Senhores Padres Vítor Pinto e José Augusto Cardoso enquanto anteriores párocos da freguesia, e do Senhor Padre Fabrício Pinheiro, atual pároco.

De entre todos os agradecimentos, o mais marcante foi, certamente, a menção aos antepassados que ergueram a capela e cujos nomes foram agora postos a descoberto com o restauro do teto. “Foram eles os primeiros e principais responsáveis por tudo isto que agora vemos, sendo que, se hoje esta capela é uma realidade, acolhendo anualmente milhares de fiéis, é a eles que o devemos. Estejam onde estiverem, as suas almas estarão certamente em paz, e aqui fica o nosso sincero agradecimento e um grande bem hajam por todo o legado que nos deixaram.”

Terminada a cerimónia, os participantes partilharam um lanche, fruto da colaboração de todos, ficando o desejo de que o santuário do Senhor dos Enfermos seja, e continue a ser, um local de muita fé, de oração e de encontro com Deus.

A Presidente da Irmandade:

Cristina Miranda, in Voz de Lamego, ano 86/21, n.º 4358, 12 de abril de 2016

Comunhão Pascal no Estabelecimento Prisional de Lamego

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ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

UMA PORTA SANTA

NO ESTABELECIMENTO PRISIONAL REGIONAL  DE LAMEGO

 

“Esta é a porta do Senhor: por ela entramos para alcançar a misericórdia do Senhor”

Foi com esta aclamação que o Senhor D. António Couto, Bispo de Lamego, abriu a Porta Santa  da Misericórdia no Estabelecimento Prisional Regional de Lamego, no dia 9 de Abril, na Festa da Comunhão Pascal dos seus reclusos.

A cerimónia iniciou-se num espaço exterior do Estabelecimento com os ritos iniciais propostos para o Jubileu Extraordinário. Depois de ter sido lido por uma recluso o início da Bula de promulgação do Jubileu, todos se incorporaram na Procissão solene em direção a uma porta, já no interior de edifício, devidamente ornamentada, que, a partir de agora, se tornará para todos os que ali residem e trabalham a Porta Santa, o ícone do coração misericordioso de Deus, revelado em Cristo. Era indizível a grande emoção e a alegria expressas, no momento em que cada um atravessava o limiar desta Porta, cantando o Salmo 89.

Na Homilia festiva da comunhão Pascal, o Senhor Bispo saudou todos os reclusos, a Senhora Diretora, os Senhores Guardas prisionais, O Capelão, os sacerdotes presentes, e o grupo de Jovens da Paróquia de Santa Maria Maior de Almacave que solenizou liturgicamente esta celebração. No decorrer da homilia, o Senhor D. António lembrou que, a partir de agora, entrar por aquela Porta significa descobrir e saborear a profundidade da misericórdia do nosso Deus que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um no seu pecado. Que o cruzamento desta Porta Santa nos faça sentir participantes deste mistério de Amor profundo e visceral do nosso Deus. Apelou para que nos soltemos, sim, das verdadeiras prisões que enclaustram o homem dentro de si próprio, afastando-o de Deus e dos outros: as injustiças, os medos, a mentira, a indiferentismo, as rixas, as vinganças, os preconceitos… tudo o que gera morte e trevas à nossa volta. São essas as prisões que, sem grades visíveis, privam o homem da verdadeira liberdade que nos vem de Deus. Apropriando para aquele momento as palavras do Papa Francisco nas orientações dadas para a celebração do Jubileu, o Senhor Bispo pediu aos reclusos que experimentem também esse amor do Pai, revelado e concretizado em Cristo, todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai e, que neste gesto, sintam que a misericórdia de Deus muda os corações mesmo merecedores de punição e consegue transformar as grades da prisão em experiências de liberdade, ajudando-os a inserirem-se de novo na sociedade e a contribuir honestamente para que ela seja melhor.

Antes da Eucaristia, os reclusos tiveram a oportunidade de celebrar o Sacramento da Penitência junto dos sacerdotes presentes. Não podemos deixar de reconhecer e agradecer tanta dedicação e entrega da Irmã Fernanda Antunes SNS, ajudada pela D. Alcina Ferraz, a todos estes homens que refazem a sua vida neste Estabelecimento Prisional. Ao mesmo tempo, agradecer também à Senhora Diretora, Drª Maria José Ferreira, Chefe José Coelho e todos os Guardas Prisionais o acolhimento que dão à presença da Igreja e da Paróquia de Almacave, em particular, nesta casa que a partir de agora é também um local jubilar.

SA, in Voz de Lamego, ano 86/21, n.º 4358, 12 de abril de 2016

HOMILIA DE D. ANTÓNIO COUTO NA MISSA CRISMAL

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O ÓLEO DA ALEGRIA QUE DEVEMOS DERRAMAR COM ABUNDÂNCIA

1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», assim se diz a si mesmo o profeta de Isaías 61,1. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres», repete Jesus na sinagoga de Nazaré (Lucas 4,18), acrescentando um «Hoje» que ainda hoje retine nos nossos ouvidos: «Hoje foi plenificada (peplêrôtai: perf. pass. de plêróô) (passivo divino ou teológico!) esta Escritura nos vossos ouvidos» (Lucas 4,21). Escritura plenificada por Deus, por Deus enchida até ao cimo da letra, até ao Espírito. Escritura a transbordar e a inundar como uma enchurrada a nossa vida! Jesus Cristo não vem depois da Escritura. Rebenta como um bolhão do meio da Escritura. Transborda da Escritura. Banho de água batismal, caudal de óleo crismal a escorrer pela cabeça, pelo rosto, pelas vestes deste povo todo sacerdotal e santo (Êxodo 19,6; Apocalipse 1,4-6).

2. Povo Santo de Deus, aí está a tua bela e funda identidade: povo batizado, crismado, cristificado. Encharcado em Cristo, de Cristo. Por isso, diz bem São Paulo aos Coríntios: «Vós sois de Cristo (tu és de Cristo), e Cristo é de Deus» (1 Coríntios 3,23). «Porque o Senhor me ungiu», diz o profeta. «Porque o Senhor me ungiu», diz Jesus Cristo. «Porque o Senhor nos ungiu», digamos nós também. Significa isto, antes de mais, que, para nos ungir com o seu óleo perfumado, Deus se aproxima tanto de nós, que toca em nós com a sua mão carinhosa! Exatamente como fazemos nós, ou como Deus faz por nós, quando ungimos com o óleo do crisma os recém-batizados, os crismados, os sacerdotes, os bispos, o corpo da igreja e os altares no dia da sua dedicação; com o óleo dos catecúmenos, aqueles que se preparam e dispõem para o batismo; com o óleo dos enfermos, aqueles que procuram alívio para as suas dores.

3. O Salmo articula bem a comunidade viva com o fruto da oliveira: «Como é bom, como é belo, viverem unidos os irmãos. É como azeite sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão, descendo sobre as suas vestes» (Salmo 133,1-2). Comunidade bela e forte, unida, oleada, perfumada. Trata-se de azeite de oliveira, perfumado com mirra, cinamomo, cálamo e cássia (Êxodo 30,22-33), a encharcar a cabeça e o cabelo de Aarão, a descer pela barba, e sobre as suas vestes sacerdotais, encharcando o humeral (ʼephod), uma espécie de roquete ou sobrepeliz que desce sobre os ombros, e, descendo sempre, encharca depois o peitoral (hoshen), bolsa quadrada, com 25 cm de lado, aplicada sobre o humeral, cobrindo o peito. O azeite encharca o tecido que está sobre os ombros e sobre o peito do sacerdote. Sobre os ombros, nas duas alças do humeral, traz o sacerdote incrustradas duas pedras de ónix, uma sobre cada ombro, cada uma gravada com seis nomes das doze tribos de Israel (Êxodo 28,1-14). E, sobre o peito, no peitoral, traz o sacerdote doze pedras preciosas diferentes, e em cada uma delas está gravado o nome de uma das doze tribos de Israel (Êxodo 28,15-30), irmanadas, como se fosse uma jóia em unidade harmónica. Extraordinária simbologia! O sacerdote carrega aos ombros (Êxodo 28,12) e leva sobre o coração (Êxodo 28,29) todos e cada um dos filhos de Israel! A releitura por excelência do Livro da Sabedoria diz admiravelmente que «sobre as vestes sacerdotais é transportado o mundo inteiro» (18,24). É assim que se vê bem a missão do sacerdote. Mas vê-se igualmente bem que se trata de um povo todo ungido, todo sacerdotal e aromático. Portanto, todo empenhado no serviço da evangelização, de modo a mudar verdadeiramente a vida e a vivência eclesial como sonhou São João Paulo II (Redemptoris missio, n.º 2).

4. «O Espírito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres». Guardemos connosco, Hoje, amados irmãos no sacerdócio, reunidos em unum prresbyterium, esta unção e esta missão sacerdotal. Unção e missão. Unção para a missão. Torrente que vem de Deus e que envolve, por graça, as nossas mãos, entranhas e coração. Não nos esqueçamos do óleo da alegria que nos deve inundar as entranhas, o coração e a missão (Salmo 45,8; Isaías 61,3; Hebreus 1,9). Não nos esqueçamos também que a missão deste Evangelho do óleo da alegria se destina aos pobres. Quem são os pobres? São aqueles que se sentem tão batidos e abatidos pelas desilusões da vida, que já não têm mais coração para tentar de novo; são aqueles que se sentem tão presos e incapacitados, que consideram a libertação e a liberdade uma miragem cruel; são aqueles que pensam que Deus se esqueceu deles, e que nunca mais terão um dia de alegria; são aqueles que pensam que a sua vida já não vale mais do que saco e cinza e lágrimas, e que por companhia têm o duro farnel do desespero. É a estes que Isaías e Jesus anunciam boas notícias vindas de Deus!

5. Caríssimos irmãos no sacerdócio, são estes pobres que deveis carregar aos ombros e no coração. É este mundo hostil ou apenas indiferente ou enlatado, a esvaziar-se de sentido, são estas crianças que ainda sonham, estes jovens desiludidos, estes casais preocupados, estas famílias desconstruídas, estes idosos tantas vezes sós, que devemos transportar sobre as nossas vestes sacerdotais. É a estes irmãos e irmãs concretos que nos devemos entregar ou «super-entregar» (ekdapanêthêsomai), para usar a expressão da Segunda Carta aos Coríntios e do Decreto Presbyterorum ordinis (2 Coríntios 12,15; Presbyterorum ordinis, n.º 15). A nossa vida bela não pode ser vivida assim-assim, de qualquer maneira, ou de uma maneira qualquer. Nas nossas atividades pastorais, devemos, amados irmãos, ter sempre a noção clara de que não somos e não podemos ser simples animadores ou monitores, mas transparência fiel da presença viva e operante do próprio Senhor no meio da comunidade.

6. Neste Ano Jubilar da Misericórdia, não deixemos Deus por mãos alheias e coração alheio. Empenhemo-nos no anúncio do Evangelho, que é «a primeira caridade» para este mundo (Novo millennio ineunte, n.º 50; Evangelii gaudium, n.º 199). E não nos esqueçamos nunca que só «a caridade das obras garante uma força inequívoca à caridade das palavras» (Novo millennio ineunte, n.º 50).

7. Derramemos, pois, com abundância, amados irmãos no sacerdócio e no batismo, este óleo da alegria, que Deus nos confiou.

Senhor Jesus, faz da tua Igreja uma sarça
Ardente de amor diante dos nossos olhos,
Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo sagrado que abrasa de amor a terra inteira,
Faz que aquela chama dia a dia nos incendeie e nos chame
E que nós saibamos responder sempre: “Eis-me aqui”.

Dá à tua Igreja ternura e coragem e aragem:
A coragem da ternura e a aragem que nos limpa o coração e o olhar.

Aceita, Senhor, as nossas lágrimas e sorrisos,
E torna-nos próximos e acolhedores de quem está só, triste e sem esperança.
Faz uma fogueira com as nossas maldades,
E mesmo que nos desviemos de Ti,
Quando para Ti voltarmos,
Cobertos de lama e de pó,
Lava com sabão de amor o nosso coração,
Ainda antes de Te pedirmos perdão.

Lamego, 24 de março de 2016, Quinta-Feira Santa, Homilia na Missa Crismal

+ António, vosso bispo e irmão