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Posts Tagged ‘Esperança’

Editorial da Voz de Lamego: Que a tua vida seja uma mensagem

Desafio proposto, na apresentação do Plano Pastoral Diocesano, no sábado passado, pelo nosso Bispo, D. António Couto, a toda a Diocese de Lamego. Quem teve a oportunidade de acompanhar a sua intervenção, ou quem posteriormente a visualizou, pôde constatar diversos sublinhados feitos pelo nosso Bispo, fazendo-nos ver um pouco do que é a sua Carta Pastoral para este ano de 2020-2021. Ficou-me na retina esta expressão: “A nossa vida tem de ser transformada em mensagem”, em mensagem de esperança. Todos somos mensageiros da esperança.

O lema escolhido para o novo ano pastoral, e que dá título à Carta Pastoral, é: Abrir e semear sulcos de paz e de esperança. Antes dos frutos, a sementeira. E para que as sementes possam “morrer”, caindo à terra, abrem-se os sulcos, para depois os cobrir de terra, protegendo a semente e permitindo-lhe enraizar-se e desabrochar. A sementeira exige trabalho e cansaço e, quantas vezes, suor e lágrimas, um certo grau de receio pelo que sucederá, mas simultaneamente a esperança que, a seu tempo, os frutos possam despontar.

A pandemia surpreendeu-nos a todos. Estamos a aprender a viver com a expansão do novo coronavírus, adaptando-nos, recriando momentos e encontros, salvaguardando, tanto quanto possível, o contágio, salvaguardando a saúde das pessoas. É o tempo de abrir sulcos e semear a paz e a esperança. Têm sido tempos duros e vão continuar a ser, sobretudo para aqueles que antes já viviam em grande dificuldade. Estamos no mesmo barco. Dependemos uns dos outros. Estamos comprometidos com todos. Como tem reforçado o Papa, nas suas intervenções, não esqueçamos os mais desfavorecidos, não os deixemos para trás. É tempo dos governos passarem das palavras e das promessas a atos concretos, na opção por minorar a pobreza, promovendo a inclusão, aplanando a desigualdade social. Para tal, é necessário, por exemplo, na questão da produção de uma vacina anti-covid, começar pelos mais pobres, pessoas e países.

Serve de referência à esperança, na adversidade, neste contexto pandémico, um belíssimo texto de Jeremias: “Que cesse o teu pranto, e cessem também as lágrimas dos teus olhos, pois há consolação para a tua dor: os teus filhos regressam do país do inimigo. Eis que os faço vir do país da meia-noite, reúno-os dos confins da terra, o cego e o aleijado, a mulher grávida e a que dá à luz, todos juntos, uma grande multidão que regressa. Regressam com as suas lágrimas, com os seus lamentos. Conduzi-los-ei às torrentes de água, por um caminho reto sem qualquer obstáculo…”» (Jr 31,15-16.8-9).

Regressam os teus filhos. Com lágrimas, mas regressam. Esperança. A aurora há de vir. Estamos para cá da meia-noite. Já estamos do lado de cá. Somos habitantes de uma esperança grande. Somos todos mensageiros da esperança. Transformemos as nossas vidas em mensagens. Façamos vincos, depois de escrevermos alguma coisa na folha em branco. Vincos porque escrevemos alguma coisa, vinco para enviar a outros a mensagem de esperança. Semeemos sulcos de paz e de esperança.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/42, n.º 4577, 29 de setembro de 2020

ESPERANÇA E SENTIDO | Editorial Voz de Lamego | 14 de março

O Jornal Diocesano é a Voz da Diocese de Lamego e da região, com notícias, reflexões, eventos. Nesta edição destaque para a figura de São José e para o Dia do Pai, lembrando que liturgicamente este ano a solenidade ocorre no dia 20, pois no dia 19 de março celebra-se o 3.º Domingo da Quaresma, para o Centenário das Aparições, com a presença da Irmã Ângela Coelho em Moimenta da Beira e na cidade de Lamego, Caminhada da Quaresma, Semana Nacional Cáritas…

O Pe. Joaquim Dionísio, no Editorial desta semana desafia à esperança que nos renova, abrindo-nos ao futuro…

ESPERANÇA E SENTIDO

Na passada semana, aqui se escrevia sobre a necessidade de acolher e conceder o perdão para libertar do passado menos conseguido, mas também como ocasião para fortalecer a esperança, a tal virtude teologal que o apóstolo Pedro dizia ser importante testemunhar (1 Pd 3, 15)

Pode ser angustiante assumir a irrevogabilidade do passado e a imprevisibilidade do futuro, a experiência do envelhecimento e a perspectiva da morte. Contudo, apesar das circunstâncias, contratempos, provocações, derrotas, pecados… a esperança renova, afastando o cenário sombrio e ajudando a interpretar os acontecimentos à luz da eternidade que os transcende.

A esperança pode ser entendida como um “olhar aberto sobre o futuro”, apesar da ignorância que nos acompanha, um impulso, uma boa disposição… A sua presença exprime confiança de quem a protagoniza e dá alento a quem a testemunha. Não se trata, pois, de uma espécie de distracção sobre o presente doloroso para “aliviar” a pesada carga, uma ilusão ou falta de bom senso.

A Bíblia não cessa de referir a esperança, de sublinhar a alegria e a confiança de quem a mantém viva, com perseverança e paciência, e de recordar o seu fundamento: Deus. A verdadeira esperança tem em Deus e nas Suas promessas o seu fundamento e n´Ele se sustenta.

A esperança em Deus não dispensa a participação de cada um, o compromisso e o pôr a render dos talentos, como recorda o último Concílio: “a Igreja ensina que a importância das tarefas terrenas não é diminuída pela esperança escatológica, mas que esta antes reforça com novos motivos a sua execução” (GS 21).

A esperança não aliena nem se apresenta como um “seguro contra todos os riscos”, mas como um dom que nos concede a certeza de que a vida tem sentido, independentemente das quedas ou contratempos.

in Voz de Lamego, ano 87/18, n.º 4403, 14 de março de 2017

(Reposição de notícia): Tomada de Posse do Pe. Manuel João

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No dia em que FALECEU o Pe. Manuel João repomos, em jeito de comunhão com as paróquias que lhe foram confiadas, o dia em que com alegria e esperança entrada nas paróquias que lhe foram então confiadas:

“O dia 18 de Setembro vai ficar na memória das comunidades de Vale de Figueira a Velha, Valongo dos Azeites e Vilarouco, pois hoje acolheram um novo Pároco: o P. Manuel João Nogueira Amaral.

Na parte da manhã, seja Vale de Figueira, seja Valongo dos Azeites acolheram com muita alegria o recém ordenado sacerdote, apresentado pelo Mons. Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral da Diocese.

Na parte da tarde, foi a vez de Vilarouco receber o novo Pároco. Na sua homilia, o Mons. Joaquim Dias Rebelo recordou o P. Samuel Teixeira da Silva, a quem Deus chamou para Si, no passado mês de Janeiro, de modo repentino e inesperado. Incentivou também a que todos recebessem com alegria o novo Pároco, procurando colaborar com ele nas actividades paroquiais.

Mereceu uma especial palavra de reconhecimento o Mons. Henrique Paulo, bem como os outros sacerdotes do Arciprestado de S. João da Pesqueira que, nos últimos meses, com generosidade e abnegação, asseguraram a assistência religiosa naquelas Paróquias.

Na tomada de posse, marcaram presença os Arciprestes de S. João da Pesqueira, Mêda e Penedono, para além de outros sacerdotes vizinhos e amigos do P. Manuel João. Também os seus pais e irmão estavam presentes.

Ao terminar a Eucaristia, o P. Manuel João agradeceu a todos as boas vindas com que o receberam e pediu que todos estivessem disponíveis para colaborar na propagaçãoo do Evangelho.

Já depois da Eucaristia, a Associação Cultural, Deportiva e Recreativa Flor d’Amendoeira quiseram brindar o novo Pároco e todos os presentes com algumas danças típicas daquela zona, bem como com uma mensagem de Boas vindas.”

in (antigo blogue) da Diocese de Lamego

FUNERAL e celebrações:

dia 24 de setembro | quinta-feira

17h00 – Missa na Paróquia do Vilarouco

Depois, o VELÓRIO FICARÁ NO QUARTEL DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS

19h00 – Celebração de Santa Missa, presidida pelo Pároco

dia 25 de setembro | sexta-feira

10h00 – Levantamento do corpo no Quartel dos Bombeiros

– Missa exequial na Igreja de Penedono, presidida pelo Sr. Bispo de Lamego

ARCA E TITANIC | Editorial da Voz de Lamego | 14 de julho de 2015

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A Viagem Apostólica do Papa Francisco dá o tom à edição da Voz de Lamego desta semana, mas também a Missa Nova do Padre Fabrício, e também as Visitas Pastorais de D. António Couto às Paróquias de Várzea de Abrunhais e de Meijinhos, no Arciprestado de Lamego. Muitos outros temas, reflexões, notícias, eventos preenchem a Voz de Lamego que procura refletir a região e a diocese, a Igreja e o mundo.

A abrir a leitura, a ambientação do Editorial, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, que nos fala da Arca de Noé e do Titatic, mas também da vida e da esperança e da proximidade.

ARCA E TITANIC

Nos primeiros anos do século passado, com o auxílio de novas técnicas e tecnologias, apoiados por novos materiais e habitados por grandes expectativas, os homens empenharam-se em construir um luxuoso e eficiente barco que ligasse a Europa à América em menos tempo e com maior segurança. Entre os muitos atributos divulgados, o epíteto de “inafundável” parecia o mais chamativo. Quem é que não sonha entrar num meio de transporte sem defeitos e com garantias de chegar “são e salvo”?

Mas, para tristeza de todos, o barco que fora construído com tanto cuidado e mestria para ser cómodo, seguro e rápido afundou-se na viagem inaugural sem nunca ter chegado ao destino.

Muitos séculos antes, sem a técnica e o saber que as gerações acumularam, com meios rudimentares e escassos materiais, a Bíblia diz-nos que Noé construiu uma Arca que lhe permitiu enfrentar o dilúvio.

Talvez a frágil barca não tenha servido para mais nada ou tenha sido desmantelada para edificar nova habitação, mas a verdade é que cumpriu a missão para que fora construída, permitindo salvar a vida e a esperança.

Quando o ser humano é descartável, a técnica monopoliza, o clique (distância) substitui o toque (proximidade), os mercados dominam, os números substituem as pessoas, a eficácia é exaltada, a misericórdia é esquecida, o espiritual perde visibilidade, o efémero e o exterior são endeusados… podemos dizer que a mensagem da Arca se perdeu.

Porque as cómodas instalações não fazem uma paróquia viva, os mais recentes electrodomésticos não fazem uma família feliz, muitas viagens podem não satisfazer os protagonistas, o conhecimento acumulado pode não ser sinónimo de sabedoria…

Só a paixão pode valorizar o simples e discreto, o frágil e aparentemente ultrapassado, a singularidade de cada um e a importância de todos para o cuidar de tudo.

in Voz de Lamego, n.º 4321, ano 85/35, de 14 de julho de 2015

Ano da Vida Consagrada |> Gratidão, paixão e esperança

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Na Carta endereçada ao mundo, a propósito do Ano da Vida Consagrada que já decorre, o Papa Francisco apontou três objectivos gerais: olhar com gratidão o passado, viver com paixão o presente e abraçar com esperança o futuro.

A este propósito, importa recordar palavras de João Paulo II, na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Vita consecrata, n.º 110, de 1996: “Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir! Olhai o futuro, para o qual vos projeta o Espírito a fim de realizar convosco grandes coisas”.

  • “Olhar com gratidão” o tempo que passou é oportunidade para contemplar a acção de Deus que chama em vista do bem comum. Ao mesmo tempo, torna-se ocasião para recordar o início e o desenvolvimento histórico da cada família carismática, agradecendo a Deus os dons recebidos e que tudo tornaram possível. Mas é também tempo para avivar a identidade e robustecer a unidade e o sentido de pertença. E, como sempre, neste repercorrer do caminho feito, haverá sempre oportunidade para descobrir incoerências, confessar fraquezas e manifestar confiança no Senhor da Vida.
  • “Viver com paixão” os dias que correm implica escutar atentamente o que o Espírito diz hoje à Igreja, esforçando-se por implementar os aspectos da vida consagrada. Para isso, não basta ler ou meditar o Evangelho, mas pô-lo em prática, tal como Jesus Cristo pede. Nesse sentido, será oportuno um questionamento sobre a fidelidade à missão confiada, destacando e fomentando a comunhão, da qual todos são chamados a tornarem-se peritos. Uma comunhão que se concretiza quando há capacidade para ouvir e coragem para ultrapassar disparidades e tensões.
  • “Abraçar com esperança” o futuro é confiar no Senhor da história que caminha connosco, nos põe à prova, mas que não falha. As dificuldades estão à mostra (diminuição de vocações, envelhecimento, problemas económicos, desafios da internacionalidade e da globalização, o relativismo, a marginalização, a irrelevância social…), mas todos são convidados a manter viva a esperança, fundada numa confiança n’Aquele que não falha. E todos são convidados à vigilância, perscrutando os horizontes da vida e do mundo actual.

JD, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4296, ano 85/09, de 13 de janeiro de 2015