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RELEVÂNCIA E PRESENÇA | Editorial Voz de Lamego | 5 de junho de 2018

RELEVÂNCIA E PRESENÇA

A recente votação parlamentar “adiou” a legalização da eutanásia, já que os seus promotores não descansarão enquanto não puderem inscrever mais esse “avanço” na legislação portuguesa. Tal como na questão do aborto, o tema voltará à ordem do dia e os “arautos do progresso” inscreverão mais essa página na história lusa.

A este propósito, e a par dos defensores de tal prática, muitas foram os portugueses que se fizeram ouvir apelando ao “não”. E se noutros tempos caberia, maioritariamente, aos bispos e padres tal apelo, a verdade é que se ouviram outras vozes e se viram outros rostos nas manifestações concretizadas. O facto mostra que a Igreja cresceu, dando vez e voz a quem não é ministro ordenado, proporcionando aos fiéis leigos afirmarem-se como sujeitos.

Num tempo marcado pelo fim da cristandade e consequente perda de relevância da Igreja no debate público, saúda-se e sublinha-se a aparição de vozes formadas e informadas que enriquecem o debate e, de alguma forma, podem colmatar a ausência da hierarquia, tantas vezes ignorada pelos grandes meios de comunicação.

A Igreja sabe e assume que a perda de relevância no debate, a ausência do convite ou a invisibilidade a que, involuntariamente, é muitas vezes votada em nada diminuem a sua determinação em permanecer fiel ao Senhor, cumprindo a missão de anunciar o Evangelho, servir a humanidade e ser “sacramento de salvação”.

Porque enquanto a Igreja estiver disponível para servir, acolher, escutar, ocupar-se dos mais frágeis, marcar presença nos lugares não cobiçados… a Igreja permanecerá.

É verdade que a Igreja pode ter perdido a relevância de outros tempos, mas para ser fiel Àquele que a fez nascer será sempre mais importante estar presente, promovendo e defendendo a dignidade de todos.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/27, n.º 4464, 5 de junho de 2018

Ainda a propósito da eutanásia: Direito a morrer?

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Ninguém pode negar aos outros o direito a morrer. Não aprovar a eutanásia é tirar às pessoas a liberdade de serem elas a decidir sobre a sua própria vida.

Quem não quiser pedir a eutanásia, por motivos religiosos, não o faça. Mas, por favor, não tire a liberdade aos outros. A lei não pode continuar a negar às pessoas o direito a uma morte digna.

Será que isto é mesmo assim?

É uma visão muito simplista de tudo aquilo que está em jogo.

E também o é o argumento tantas vezes esgrimido de que somente aqueles que acreditam em Deus são contra a eutanásia. Os argumentos contra a legalização do suicídio assistido não são religiosos — são profundamente humanos!

Pensemos com calma: que consequências trará a legalização da eutanásia ao modo de tratar os idosos, os doentes terminais, os pobres, os deficientes e, em geral, os frágeis da sociedade?

Com a aprovação de uma lei deste tipo, aqueles que são frágeis e optem pela vida correm o grande risco de serem considerados uns egoístas. Podem ser vistos como um fardo que rouba a felicidade àqueles que têm de cuidar deles.

Porque não nos enganemos: uma lei que permita a eutanásia de algum modo incentiva os idosos a tirarem a própria vida. Fá-los pensar, num momento em que mais necessitam do apoio dos seus familiares, que estão a mais e que são somente um peso inútil.

Manter a ilegalidade da eutanásia é o melhor modo de proteger os vulneráveis da sociedade. A lei, se o é de verdade, deve sempre proteger a vida e amparar os mais vulneráveis, porque são eles que necessitam de protecção.

Ao aprovar uma lei destas, o direito à morte acaba por converter-se, para muitas pessoas frágeis, no dever de morrer.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Matar… ou deixar morrer… ou ajudar a morrer

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DE VEZ EM QUANDO… 

No passado dia 06 do mês corrente de Fevereiro, o Movimento “Direito a morrer com dignidade” apresentou no Porto um manifesto a defender a eutanásia e o suicídio medicamente assistido, assinado por 110 cidadãos. Nesse manifesto, o Movimento defende a despenalização e regulamentação da morte medicamente assistida em Portugal e o direito de as pessoas, em pleno uso das suas faculdades mentais, mas perante um sofrimento profundo ou uma doença incurável, terem a liberdade de escolha, ou seja, a liberdade de decidirem morrer e de pedirem que as matem.

O referido manifesto veio trazer de novo para a ribalta da comunicação e para o campo da discussão, o problema da eutanásia.

Logo a seguir, no dia 15, a jornalista Fátima Campos Ferreira trouxe o tema para debate no programa “Prós e Contras”, programa que eu acompanhei com todo o interesse e atenção.

No dia 15 deste mês, reunido em Fátima, o “Conselho Permanente do Episcopado Português” (desta vez apareceu e funcionou) veio tornar claro que a Igreja defende e afirma que a vida humana é algo sagrado e inviolável que “tem sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases, independentemente das circunstâncias, quer externas quer internas”. O cardeal patriarca de Lisboa dissera uns tempos antes que “entrar por aí (pela despenalização da eutanásia, tornando-a legal e livre),é entrar numa porta perigosa, de futuro imprevisível”. De facto, depois de se legalizar a matança de crianças inocentes, pretende-se agora legalizar a matança dos doentes terminais, e depois, podem seguir-se mais coisas…e assim se conseguir a “pureza e a sanidade total” da raça, ao jeito da limpeza de Hitler, da purga de Estaline e de outros semelhantes a eles.

O “Código Deontológico dos Médicos”, publicado em Diário da República a 13 de Janeiro de 2009, proíbe a todos os membros da Ordem “a ajuda ao suicídio, à eutanásia e à distanásia”. Ler mais…

EUTANÁSIA : ERRO DELES… ou meu.

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Um grupo de pessoas que dizem ser importantes (???) da nossa sociedade reuniu-se para apresentar um manifesto a favor da eutanásia.

Ao ouvir a notícia pelos meios de Comunicação Social, confesso que fiquei indignado. Não imaginava que pessoas “importantes” – há quem diga que são intelectuais – viessem apresentar ao País que o que os move é o favorecimento da morte. País miserável este se se deixar arrastar por personalidades com semelhante “ importância” e semelhante “ intelectualidade”.

Gostaria de ver personalidades a pugnar pelo direito `a vida (não pelo direito à morte), a promover reuniões e congressos acerca de como viver dignamente e quanto mais tempo melhor! Que houvesse cientistas e que fossem incentivados por mais pessoas cultas (que não estas, obviamente) no sentido de tentarem descobrir a eliminação de mais doenças e de mais anos de vida! Isso sim. Agora, aparecerem-nos “ pessoas cultas”, cuja cultura que nos apresentam é a defesa para que as pessoas se matem ou deixem matar …, que passem bem, muito obrigado. Tais pessoas só podem caminhar para a derrota definitiva, mesmo que neste tempo histórico haja quem lhe bata palmas, satisfazendo o seu ego.

Reduzir o ser humano a um simples objecto, ou seja, coisificar o ser humano, não ter uma visão de transcendência, é tudo, menos cultura digna desse nome, ou então é cultura nivelada por baixo, ao sabor de consensos. Pior, perder a vergonha de considerarem o ser humano submetido a leis de grupo e negando-se o Direito e os direitos da pessoa humana, em geral, é alarmante. Ler mais…

RADICALIDADE E VIDA | Editorial Voz de Lamego | 24 de novembro

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A edição desta semana da Voz de Lamego dá destaque, a partir da primeira página, ao compromisso com os mais pobres, com a intervenção da Cáritas Portuguesa, que se reuniu em Conselho Geral, e à campanha do Banco Alimentar contra a Fome.

No interior, entre notícias, reflexões, eventos, espaço para a Visita Pastoral de D. António Couto à Paróquia de Santo Adrião de Cabaços, na Zona Pastoral de Moimenta da Beira, entrevista com o Padre Marcos Alvim, que no sábado apresenta um novo álbum musical,  intitulado “Tu Senhor” e muitos outros motivos de interesse, com o propósito de aproximar pessoas e comunidades.

Para início de leitura, o Editorial com a referência aos atentados de Paris feitas em nome da religião ou de uma suposta vida radical. O Pe. Joaquim Dionísio contrapõe a vida radical de Jesus Cristo que não mata nem destrói mas que dá a vida para que tenhamos vida em abundância:

RADICALIDADE E VIDA

Os recentes atentados de Paris, os relatos e imagens que da cidade-luz nos chegam e os consequentes comentários têm marcado os últimos dias. E pelo mundo fora, exceptuando quem apoia tal prática (terroristas), todos são unânimes na condenação do acto e defensores de medidas que impossibilitem novos atentados.

Os jovens autores da barbárie são descritos como “radicais”, no sentido em que alteraram drasticamente o seu comportamento, adoptando atitudes bruscas que os tornaram intransigentes e extremistas. Neste cenário, “radical” é o que protagoniza actos violentos contra o seu semelhante em nome do Islão.

Mas o islamismo apreendido, assumido e defendido por estes terroristas é, sobretudo, um movimento radical que recusa a modernidade e a liberdade e se identifica mais com um totalitarismo que anseia e se bate por regular a sociedade em nome de uma religião que se apresenta como via única de redenção.

Em oposição a esta forma de ser e de estar aparecem referências aos “muçulmanos moderados”, compreendidos como seguidores pacíficos do Islão, integrados na sociedade ocidental, que cumprem os seus deveres e respeitam a ordem social vigente.

Mas talvez não chegue ser moderado. Será preciso também, por exemplo, denunciar certos pregadores violentos que, nas mesquitas onde orientam o culto, fomentam ódios e desrespeitam valores e princípios ou denunciar o aliciamento e recrutamento de jovens que se tornam vítimas e potenciais terroristas. É preciso fazer mais para travar esta deriva totalitarista e fundamentalista.

No Evangelho encontramos apelos à radicalidade, entendida como conversão feita pela raiz, sem cálculos e hesitações. Nesse sentido, para Jesus Cristo, discípulo radical é aquele que, livre e conscientemente, opta sem reservas por Deus e avança, decidida e responsavelmente, pelo caminho do bem até à doação de si mesmo pela vida do outro.

in Voz de Lamego, ano 85/52, n.º 4339, 24 de novembro

À conversa com o Diácono Fabrício Pinheiro

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No próximo dia 05 de julho, primeiro domingo do mês, às 16h00, o nosso bispo ordenará sacerdotes os diáconos Fabrício e Valentim. Para os conhecermos melhor, aqui ficam algumas palavras dos que se preparam para integrar o presbitério diocesano.

1- Para os nossos leitores, quem é o Diác. Fabrício Pinheiro?

O Diácono Fabrício Pinheiro sou eu mesmo (sorrindo). Um rapaz feliz e cheio de energia, que cresceu numa família cristã onde aprendeu valores humanos e de fé. Foi isso que me ajudou a crescer na vida e na vocação.

Sou um jovem de apenas 24 anos de idade, mas com um desejo constante de anunciar a Palavra e a pessoa de Jesus Cristo sem qualquer medo.

Para alguns que já me conhecem, durante as férias sempre tive um trabalho um pouco “invulgar”. Trabalhei alguns anos numa fábrica de pirotecnia e por todos os lados que passei, e foram muitos, nunca tive vergonha de assumir aquilo que era. Sempre me identificava como seminarista. Com isto comecei a ficar conhecido como o “padre fogueteiro”. Isto apenas para dizer que nunca tive vergonha de me identificar com Aquele em quem acredito.

Entrei na aventura de Cristo em 2005 no Seminário Menor de Resende e, hoje, permaneço nessa aventura, depois de 10 anos de estudos, com o desejo de servir cada vez mais e melhor este Senhor que me deu a vida e o dom da vocação.

Sou de Cristo sou feliz!

2- Como tem sido o teu estágio pastoral?

É difícil responder. Todo o serviço pastoral destes quatro anos foi diferente. Mas, não minto, que o deste ano, no Seminário Menor de Resende, marcou essa diferença.

Quando fui para o Seminário, em setembro passado, pensava para comigo: “Ah valha-me Deus e Nossa Senhora onde é que estes ‘senhores’ me foram meter!”. Porém, o tempo foi passando e a amizade entre a comunidade ia crescendo. Tanto da equipa formadora (excelentes amigos) como dos “meus meninos” (é deste modo que eu os vejo, pois penso que de algum modo me sinto responsável pela orientação de vida que, independentemente, cada um tome) trago um exemplo de vida, de família, com os seus momentos menos bons, como em todas as famílias, mas que não deixa nunca de ser família. É, também, nesta capacidade de ser família, de fazer família que eu quero viver de forma total e feliz o dom da Vocação que Deus me deu.

3- A partir da experiência entretanto conseguida, como vês a formação recebida no Seminário e na Faculdade de Teologia?

A formação é, sem dúvida, muito importante. Os valores como a educação, o bem-fazer das coisas, o respeito mútuo, o saber construir comunidade/família, são valores que nos ajudam a crescer, a sabermos olhar a vida de um modo diferente.

Se hoje sou o que sou devo-o ao Seminário, pois foi uma casa que me ajudou a ser um jovem que gosta de viver e de ser feliz, fazendo os outros felizes.

Quanto à Faculdade de Teologia muito teria para dizer mas o espaço do jornal é curto demais (sorrindo). Mas posso dizer que foram anos muito bem passados, onde através dos livros e da oração feita sobre os mesmos, foi um tempo no qual aprofundei o meu conhecimento teológico (estudo sobre Deus) de uma forma, desculpem a expressão, fantástica, com as suas dificuldades e exigências, mas que com empenho e interesse tudo se consegue alcançar. Na Faculdade fiz muitos e bons amigos que conservarei para toda a vida. Formarem-nos faz-nos ser as pessoas felizes que somos. Estudar faz-nos crescer. Ambos ajudam-nos a viver e a olhar para o mundo de uma forma diferente.

4- Uma palavra para os nossos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no seminário?

Apenas dizer-lhes que não tenham medo. Cristo ama-vos. Ama-nos a todos pois todos somos filhos. É certo que pelo caminho aparecem muitas “pedras”, contudo cada pedra deve ser um degrau para subirmos em direção à meta.

Recordo aquele cântico “Te amarei Senhor! Te amarei Senhor! Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti”. Não tenho a menor dúvida deste amor cheio de paz e de alegria que o Senhor tem por cada um de nós. Por isso, a ti que O segues ou queres seguir não tenhas medo porque Ele está contigo. Entra na aventura de Cristo! O dom da Vocação não é teu nem meu, mas é d’Ele. Por isso deixa que seja Ele a guiar os teus passos.

in Voz de Lamego, n.º 4320, ano 85/33, de 30 de junho de 2015

OUSAR RESPONDER | Editorial Voz de Lamego | 21 de abril de 2015

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A edição desta semana da Voz de Lamego abre com destaque para os trágicos acontecimentos do Mediterrâneo, com centenas de pessoas a tentar chegar à Europa, à procura de uma vida melhor, também vítimas do tráfico e da ganância, daqueles que com promessas fáceis colocam estas centenas pessoas na rota dos naufrágios, que já matarem milhares de pessoas.

Destaque nas páginas centrais para a Visita Pastoral de D. António Couto à Paróquia de Vila Nova de Souto d’ El Rei (Arneirós), no Arciprestado de Lamego, nesta semana de Oração pelas Vocações, de que o Editorial faz eco. Muitos outros temas, reflexões, notícias, acontecimentos próximos.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 52.º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES: Aqui.

Para ambientar a leitura desta edição, o Editorial do seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio.

OUSAR RESPONDER

A 52.ª Semana de Oração pelas Vocações, sob o tema “Seguir Jesus, Caminho de Beleza, Vocação & Santidade”, começou antes de ontem. Uma iniciativa anual que data de 1964 e que, desde 1971, termina no IV Domingo de Páscoa, também conhecido como Domingo do Bom Pastor.

Uma iniciativa que convida à reflexão: quando falamos de “vocação” falamos dessa realidade que toca todo o ser humano no mais íntimo da sua liberdade. A vocação, no quadro da vida cristã, é um apelo único e pessoal de Deus, inscrito em cada homem por Ele criado. E todos são convidados a responder-lhe na liberdade do amor, em vista da própria felicidade.

Mas uma iniciativa que apela, também, à oração: para que a liberdade humana, esclarecida e estimulada pela ação do Espírito Santo, descubra o seu caminho.

Por outro lado, e neste contexto, falar de vocações é fazer referência a todos quantos se consagraram de forma particular ao serviço da Igreja que peregrina no mundo, aos religiosos e ministros ordenados que, ao longo dos séculos, foram chamados e enviados. Contemplando a missão protagonizada e o serviço prestado, como não louvar e agradecer, ontem como hoje, tais vidas?

E mesmo se a grande maioria não consta da lista eclesial dos santos, não é tema de livros biográficos ou não está retratada em monumentos humanos, como não agradecer os inumeráveis dons e frutos de santidade?

Apesar dos limites e fragilidades, das dificuldades e do sofrimento na diversidade de vocações assumidas, como não sublinhar tantas vidas doadas de forma discreta e eficiente? Quantos testemunhos protagonizados com alegria e serenidade, em plena disponibilidade e gratuidade?

Por isso, Senhor, aos que chamas para continuar a aventura, concede-lhes discernimento e confiança, para que ousem responder ao Teu apelo e avancem firmemente, servindo todos os que encontram no caminho.

in Voz de Lamego, n.º 4310, ano 85/23, de 21 de abril de 2015

A pastoral vocacional é a vocação da pastoral | Igreja que chama

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A evangelização é a razão de ser da Igreja. Eis uma afirmação sempre repetida e uma prática sempre assumida. No nosso contexto, em virtude de fenómenos como o do indiferentismo religioso, do ateísmo e do secularismo sublinha-se, sem cessar, a necessidade de uma nova evangelização capaz de assegurar uma fé límpida e profunda, dando sentido ao nascer, ao viver, ao sofrer e ao morrer.

A partir de textos e documentos publicados, a Comissão Diocesana das Vocações e Ministérios procurará contribuir para a missão evangelizadora comum, nomeadamente através do ângulo da pastoral vocacional. Porque uma evangelização que se reclama de “nova” não pode dispensar uma “pastoral vocacional nova”, atendendo ao contexto onde se insere e desenvolve.

Neste particular, facilmente nos apercebemos de que o contexto sócio-cultural em que nos inserimos é diversificado, causando alguma confusão e dificuldades nas opções, já que as solicitações são muitas. Vivemos numa cultura pluralista, ambivalente, “politeísta” e neutra, onde o modelo antropológico parece ser o do “homem sem vocação”.

Por outro lado, a pastoral vocacional é a própria acção pastoral de toda a Igreja (Pastores dabo vobis 34), já que a vocação é o coração da nova evangelização, um objectivo primário da acção eclesial: evidencia o chamamento universal de Deus. Porque o fundamento da pastoral vocacional será ajudar todos a descobrir o significado da existência humana. Daí o título desta contribuição, emprestado do documento final do Congresso sobre as Vocações para o Sacerdócio e a Vida Consagrada, realizado em Roma, em 1997, intitulado “Novas Vocações para uma Nova Europa”, onde afirma que “ a pastoral vocacional é a vocação da pastoral hoje” (n.º 26), convidando a Igreja a “vocacionalizar toda a pastoral”.

No tempo do “homem sem vocação”, importa anunciar a certeza de que não somos um acaso nem seres sem uma meta final a atingir. E desenvolver uma cultura da vocação é oportunidade para concretizar a gratidão, acolher o mistério, assumir a incompletude do homem, abrir-se ao transcendente, disponibilizar-se para se deixar chamar por um outro, confiar em si e no próximo, ser livre diante do dom recebido e ter capacidade para sonhar e desejar (NVNE, 13).

A Igreja é uma comunidade vocacional (chamados), tal como deixa a entender o próprio nome (assembleia convocada) onde, por sua vez, todos são capazes de anunciar e convidar. Todos são chamados e todos chamam.

Por isso, falar de pastoral vocacional é falar da vida de todos os baptizados: chamados que chamam.

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4299, ano 85/12, de 3 de fevereiro de 2015

Comentário | A gravidez condiciona a vida profissional?!

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Ainda que seja natural a pergunta quando se pensa nos interesses empresariais, sobretudo ao nível da visão e missão, nomeadamente na perspetiva do lucro, a questão não deve colocar-se naqueles termos. A empresa, só pelo facto de o ser, não pode esquecer-se de que ela é servida e gerida pelas pessoas e, nestes termos, será ignóbil, mesquinho e desumano ignorar ou subestimar outros valores.

Demais, outros fatores condicionam a vida profissional, como, entre outros, doença, acidentes de trabalho ou de instalações e equipamentos, catástrofes naturais e vicissitudes do progresso, erros de gestão… Isto, para não falarmos dos incidentes de produção, circulação, distribuição e consumo ou dos desfalques, descalabros e desvios e erros de previsão e avaliação.

Há uns meses a esta parte (mais propriamente em junho passado), as vozes (de deputados, governantes e outras entidades) eram praticamente unânimes em assentir positivamente à denúncia pública da parte do Professor Doutor Joaquim Azevedo, Presidente do grupo de trabalho para estudo das medidas a tomar em prol da promoção da natalidade sobre empresários que exigiam um compromisso oral e/ou escrito da parte das candidatas a postos de trabalho nas respetivas empresas (que não identificou), de que não engravidariam num horizonte temporal de durante uns cinco ou seis anos. Também era referido que alguns empresários arranjavam formas relativamente fáceis de fazer cessar contratos de trabalho, uma vez verificada a situação de gravidez ou a de nascimento de criança, contra a linha defendida pela entidade patronal.

E parece que ficamos de boa consciência por termos apontado o dedo indicador justiceiro aos empresários do setor privado, porque supostamente o Estado assume, protege e promove os valores constantes das leis que elabora, promulga e publica. Porém, a história é bem outra.

O Público do dia 21 oferece um logo texto de denúncia do que se passa a este respeito num setor bem sensível da esfera pública. O texto jornalístico é de Catarina Gomes e a sua síntese enuncia-se deste modo: “Ordem [dos Médicos] denunciou o caso de várias médicas a quem, nos concursos de seleção para unidades do Serviço Nacional de Saúde, foi perguntado se pretendiam engravidar, algo que o bastonário veio condenar”.

É óbvio que tal género de interrogatório não se circunscreve aos serviços de saúde nem tão pouco ao setor público. A presidente da CITE, Sandra Ribeiro, revela que diariamente chegam à Linha Verde do serviço de informação gratuito da comissão (800 204 684), cerca de cinco queixas informais de mulheres a quem, no processo de recrutamento para trabalho, é perguntado algo como: ‘Então e bebés’?”. Aquela responsável diz que este tipo de práticas discriminatórias é transversal a todos os setores, não constituindo exceção a saúde.

Um e-mail enviado à CITE por uma anónima com a epígrafe “Desabafo” refere questões e advertências do inquérito de recrutamento, algumas das quais altamente provocatórias e as respetivas respostas: “É casada há quanto tempo?’ ‘Há cerca de três meses.’ ‘E bebés?”.

Tendo confessado que, de momento, não tencionava ter filhos, ter-se-á seguido a observação: “Já tem 34 anos, não pode atrasar muito mais!”. Perante a reiteração de que não tencionava ter filhos, uma vez que pretendia trabalhar por já estar desempregada há algum tempo, foi de novo confrontada com a advertência: “Sabe que a gravidez pode condicionar a vida profissional!”

Como refere – e muito bem – a responsável da CITE, este comportamento viola o princípio constitucional da igualdade e as normas do Código de Trabalho: “Temos noção de que é prática corrente perguntar às mulheres na fase de recrutamento se estão a pensar engravidar.” E não são apresentadas queixas formais por dois motivos: não haver forma como provar, dado que a entrevista se passa a sós com o entrevistador; e medo de retaliações por parte da empresa.

Por outro lado, a responsabilidade da aplicação de penalizações relativamente ao setor privado cabe à ACT, que pode aplicar coimas, que variam de acordo com o volume de negócio da empresa. Já, no setor público, compete às inspeções dos respetivos ministérios agir em conformidade, mas não está previsto qualquer sistema de contraordenações. Quando muito, pode haver lugar a procedimento disciplinar. Porém, se não há a queixa formal, com base em prova existente e apresentável e se passa o prazo para desencadear o procedimento, nada feito.

E passamos a vida a lamentar situações de escravização noutros países, sobretudo os pobres!

Louro de Carvalho, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014

RUMO CERTO | Editorial Voz de Lamego | 2 de dezembro

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A chegar às mãos, a edição do jornal diocesano, Voz de Lamego, a primeira deste mês de dezembro, deste mês que nos conduz à celebração festiva do Natal, nascimento de Jesus Cristo, Deus connosco.

O destaque de primeira página vai para a presença do Papa Francisco em Estrasburgo, o Parlamento Europeu, notícia desenvolvida nas páginas centrais, e para a CAMPANHA CÁRITAS, 10 Milhões de Estrelas, um Gesto pela Paz.

Mas o jornal faz-se de muitas outras notícias, com alguns movimentos eclesiais em ação, o Apostolado de Oração, o SDPJ, o Pré-Seminário, o MMF; bem assim como as atividades das paróquias e da Diocese, eventos da região, e os artigos de opinião/reflexão.

Ambientando esta edição, o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego:

RUMO CERTO

Um automobilista entrou na auto-estrada em contramão sem se aperceber do facto e seguiu viagem, sem dar importância às luzes e buzinadelas dos que com ele se cruzavam. Minutos depois, pela rádio, o locutor avisa que em determinada estrada – a mesma onde, impávido e sereno, seguia o nosso condutor – um carro seguia em contramão. E logo o nosso amigo desabafava: “se fosse só um!”

Apesar de ser o único a circular assim, não é capaz de equacionar uma eventual falha pessoal e reconhecer o erro. Pelo contrário, cheio de presunção, não tem dúvidas do rumo que segue e ainda ousa denunciar os outros. Nem se dá conta que, naquela direcção, se afasta cada vez mais da meta pretendida.

Às vezes comportamo-nos como este condutor incauto e teimamos em ser os únicos a avançar na direcção certa, não reconhecendo sinais, avisos ou conselhos que nos enviam e mostrando, até, desagrado quando nos contrariam.

O advento, sendo tempo de espera atenta e activa, é também oportunidade para avançar, na certeza de que a vida está sempre adiante. E nem sempre o ceder, o inverter ou o alterar da marcha e do ritmo é prova de fraqueza ou sinónimo de perda de tempo.

Por isso se repete o apelo “vigiai”. Não para apurar o olhar denunciador sobre os outros, mas para acertar o próprio rumo, caso seja necessário.

E reconhecer que se pode melhorar ou confessar que não se está no melhor caminho, é próprio de quem não se julga o maior ou se tem como ponto de referência. Custa, mas consegue-se!

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014