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Andreia Gonçalves entrevista a professora Mónica Silva

“Os nossos alunos e o seu profissionalismo são a bandeira que nos representa e deixa orgulhosos”

A escola de Hotelaria e Turismo do Douro, situada em Lamego, está a comemorar duas décadas de existência. Tem capacidade para 300 alunos e um campus moderno e atual que pode visitar virtualmente em: https://bit.ly/2W4NzYA. Respondendo às necessidades de quem decide estudar neste espaço há um conjunto de potencial humano composto por formadores das mais diversas áreas e projetos nos âmbitos da sustentabilidade, responsabilidade social, voluntariado e saúde.

Neste sentido, faremos uma abordagem relativamente ao papel deste estabelecimento de ensino, ao longo dos últimos anos, com a professora Mónica Silva, da área de Cultura Geral, Diretora de Turma, Coordenadora dos projetos: Eco-Escolas, Educação para a Saúde e Biblioteca Escola, Embaixadora da Sustentabilidade, Mentora do Projeto Técnico Pedagógico da Escola, representante da Escola no Projeto Escola Inclusiva, Responsável pelo Grupo de Voluntariado e Representante da Escola na Rede de Bibliotecas do Concelho de Lamego.

Como tem sido a experiência de lecionar nesta instituição?

Em primeiro lugar pretendo agradecer o convite e a vossa valorização ao trabalho realizado na escola que represento com muito orgulho. Depois referir que têm sido 9 anos de grande orgulho, satisfação e realização pessoal e profissional. A Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego tem desenvolvido desde a sua criação um papel fundamental na história da região. Com cursos das áreas técnicas de Cozinha, Pastelaria, Restaurante, Bar e Alojamento tem permitido a formação de um potencial humano para a região, para o país e para o mundo. Os nossos alunos e o seu profissionalismo são a bandeira que nos representa e deixa orgulhosos. Como professora tem sido uma experiência maravilhosa contactar, já com algumas dezenas de alunos, formar para os valores humanos e soft skills e depois vê-los realizados profissionalmente é, para mim, uma grande alegria e até sensação de dever cumprido para com a sociedade.

A escola tem um lema de fazer “coisas simples, extraordinariamente bem”.  Como se consegue por esta ideia em prática?

Este lema é fantástico e para por em prática eu utilizaria um cocktail: uma dose de profissionalismo, uma dose de orgulho, uma dose de vontade e empenho, duas ou três doses de amor , paixão, humildade e empenho pelo que se faz, mistura-se tudo e através de realizações simples focadas no objetivo principal que é a profissionalização dos nossos alunos, conseguimos fazer nascer “coisas” extraordinárias. E o resultado são os muitos prémios e certificações que os nossos alunos conseguem atingir. Acrescento ainda o papel dos projetos que desenvolvemos pois incutem e desenvolvem as soft skills para temas como por exemplo a sustentabilidade e a responsabilidade social que hoje nos nossos dias são essenciais para transformar as nossas atitudes e fazermos um mundo melhor. Creio que temos conseguido, temos levado muitos sorrisos a quem precisa com o nosso Clube de Voluntariado quando nos deslocamos às IPSS´s, Hospitais /Centros de Saúde, quando recolhemos alimentos para as campanhas do Banco Alimentar ou quando recolhemos roupa ou outro tipo de bens e depois entregamos a crianças, famílias e até ao canil de Lamego e mesmo quando participamos e nos unimos para campanhas a nível mundial de ajuda humanitária. Nesses momentos a nossa alma vem cheia de coisas boas e maravilhosas, pois recebemos muitos sorrisos, algumas lágrimas também, mas e principalmente damos e recebemos AMOR para conseguirmos continuar a nossa jornada.

Nos últimos tempos assistimos à necessidade da tele-escola. As aulas na vossa escola terminarão no final de julho, que balanço faz?

Como sempre, na nossa escola, toda a comunidade escolar que vai desde as funcionárias da limpeza até aos nossos alunos, está habituada a adaptar-se às situações. Somos empreendedores e arranjarmos soluções, nada pode parar, somos resilientes e muito persistentes. Portanto este período foi de grande esforço para todos, professores e alunos e encarregados de educação. Todas as dificuldades iniciais de acesso à internet, computador, etc… foram mitigadas com o grande apoio do Turismo de Portugal que atribuiu uma bolsa para despesas a todos os alunos subsidiados, emprestou computadores aos alunos que não tinham esses equipamentos, atribuiu um subsídio de refeição a todos os alunos pelo facto de estarem em aulas online e portanto logo no início todas as dificuldades foram sendo dissipadas.  A nossa escola teve aulas online desde o início do confinamento até final de julho para as aulas teóricas e nos meses de junho/julho realizaram-se as aulas técnicas em regime presencial com todas as regras e recomendações da DGS e que estão todas a decorrer dentro da normalidade.

A necessidade de cursos profissionais impera no nosso país. E a área de turismo é um dos maiores valores desta região e não só. Quais são os cursos que despertam maior interesse aos alunos e porque acha que isso acontece?

O nosso país é um país direcionado para o Turismo o que implica que haja uma estratégia nacional de formação profissional. A escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego faz parte do Ministério da Economia, tutelada pelo Turismo de Portugal e foca a sua ação nos cursos de Cozinha/Pastelaria, Restaurante/Bar e Alojamento. Temos cursos de nível IV que atribuem a certificação de 12º ano e de Técnico de Cozinha e Pastelaria e Restaurante e Bar e cursos de nível V com formação pós-secundário nas áreas da Gestão e Produção de Cozinha, Gestão de Produção e Pastelaria, Gestão de Restauração e Bebidas e Gestão Hoteleira Alojamento. Deixe-me destacar e desmistificar a ideia que a população no geral tem relativamente aos cursos de Restaurante e Bar. A ideia tradicional é que vão tornar-se empregados de mesa e na maioria das pessoas desvalorizam esses cursos relativamente aos de cozinha/pastelaria porque os programas de televisão lhes dão muto destaque. Mas os cursos de Restante e Bar formam futuros profissionais para assumir cargos de chefes de sala, chefes de bar, soumelier, escanção, diretor de F&B, assessor de direção de hotel, entre outras. Convido a todos a visitarem as nossas instalações, a pedirem informações acerca dos curos de Restaurante e Bar e não ter medo de arriscar e ir em frente na escola de um curso que tem 90% de empregabilidade a nível nacional e internacional. São os trabalhadores das áreas da restauração que são o postal de visita do nosso país e por isso é importante ter um potencial humano com formação e só com esse profissionalismo, a nossa simpatia e a nossa dedicação que contribuímos para o desenvolvimento da economia do nosso país. “Fazemos coisas simples, extraordinariamente bem”.

Viagens e experiências únicas que gostaria de destacar destes últimos anos?

Eu adoro viajar e gostava de conseguir nos próximos 10 anos correr pelo menos metade de todos os países do mundo!! Destaco uma viagem que fiz à costa alentejana à praia de Odeceixe onde assisti a um magnífico por do sol e com a companhia certa me senti parte de um mundo maravilhoso e apreciei a beleza do nosso país. Respirei amor e alegria e voltarei para escrever o meu nome na enseada que é tradição e que não o fiz por vergonha na altura!! Adoro o nosso país, sempre que posso conheço locais novos, mas uma viagem de sonho é a Índia.

Obrigada pelo vosso convite e parabéns pelo vosso trabalho.

in Voz de Lamego, ano 90/32, n.º 4567, 7 de julho de 2020