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Secretariados Diocesanos do Ensino Religioso reúnem-se em Fátima

O Secretariado Nacional da Educação Cristã convidou os Secretariados Diocesanos a refletir sobre a atualidade da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica e a sua transversalidade e operacionalização na escola (a nova flexibilidade curricular); as aprendizagens essenciais, desafio lançado pelo Ministério da Educação; e as atividades para os alunos de EMRC. Além disso, foi recordada a memória de D. António Francisco dos Santos, que tanto se esforçou por defender e promover a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.

Num momento de acolhimento em Fátima, o responsável do Secretariado Nacional da Educação Cristã, professor Fernando Moita, teceu algumas considerações sobre a realidade e os desafios da disciplina tendo em consideração a flexibilidade do currículo nas escolas. Para abordar este tema foram convidadas duas diretoras de escolas do Ribatejo que ajudaram os professores de EMRC a refletir sobre esta nova realidade.

Num primeiro momento fez-se uma abordagem à (re)organização da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica tendo em consideração as aprendizagens essenciais.

A flexibilidade do currículo é uma nova realidade que obriga a mudar a mentalidade, olhando para a escola como um todo, com o objetivo de mudar uma mentalidade onde o projeto de aprender e o projeto de ensinar são o mesmo projeto na sua conceção, reorganização operacionalização e avaliação. Na sua conceção importa olhar para o essencial e deixar de lado o que não é essencial. Na operacionalização, importa saber como vamos fazer, valorizando, na sua avaliação, quais os conteúdos adquiridos e os conteúdos não adquiridos. Com este feedback do que está correto e incorreto, faz-se uma avaliação positiva onde as aprendizagens que não estão tão assimiladas são reformuladas até que todas as aprendizagens sejam absorvidas e aprendidas pelo aluno.

Este novo projeto de flexibilidade do currículo é um desafio para os professores de EMRC onde a presença ativa na escola é fundamental. Este desafio não é difícil para o professor de EMRC porque sempre foi uma presença ativa em articulação com os outros professores. Mas, nesta flexibilidade do currículo, exige-se mais ao professor. Para isso, o professor de EMRC tem de saber mais em pormenor os conteúdos de outras áreas disciplinares para que possa ir à aula de outra disciplina para dar uma aula, por exemplo, ir a uma aula de Filosofia falar sobre ética. Esta realidade vai estar presente nas escolas.

Nesta flexibilidade, o professor não é o detentor do saber mas um orientador que ajuda o aluno a aprofundar as suas aprendizagens. É a mudança para um novo paradigma, onde o professor não ensina sempre os mesmos conteúdos mas novos conteúdos e muito mais diferenciados, onde o professor não ensina mas orienta o aluno a aprofundar os novos conteúdos. A realidade de ser professor vai alterar-se onde a transversalidade e a operacionalidade vai ser uma grande aposta. A escola vai mudar as dimensões do currículo onde o perfil do aluno tem de ser conhecido, onde o aluno tem de se perceber a si próprio, entender a escola e conhecer a comunidade onde está inserido. Neste novo paradigma urge mudar mentalidades.

O professor de EMRC tem um papel importantíssimo nesta nova flexibilidade do currículo porque o professor de Educação Moral e Religiosa Católica está habituado a trabalhar em articulação com outros grupos disciplinares.

Mário Rodrigues, SDER Lamego,

in Voz de Lamego, ano 87/49, n.º 4435, 7 de novembro de 2017