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Posts Tagged ‘Ecumenismo’

CONTINUAR A REFORMA | Editorial Voz de Lamego | 24 de outubro

CONTINUAR A REFORMA

No último dia deste mês assinalam-se os 500 anos das famosas “95 teses” do monge Martinho Lutero, as tais que, habitualmente, são apresentadas como causa para a Reforma que se seguiu.

Contudo, tal afixação, na porta da igreja do castelo de Vitemberga, não tinha como objectivo a desestabilização social que se seguiu nem indiciava, da parte do autor, qualquer vontade de ruptura eclesial. O propósito era convidar para uma disputa académica, comum naquele tempo. O professor universitário de Sagrada Escritura queria contribuir para a renovação da Igreja, a começar pelas cúpulas romanas, bem como afrontar a acomodação e denunciar certas práticas.

Nessa altura, e como noutros momentos da história da Igreja, Lutero começou por querer imitar o protagonismo de tantos que, pelo ensino proferido e pelo testemunho vivido, motivaram mudanças na vivência da radicalidade evangélica.

Desenvolvimentos posteriores e circunstâncias diversas levaram a que tal vontade se diluísse e fosse orientada para outras direcções, a que o próprio autor não conseguiu resistir. A ruptura impôs-se, com as consequências que todos conhecemos.

Ao assinalarmos tal data, duas notas.

Em primeiro lugar, o convite para alguma leitura que permita conhecer melhor o que se passou e favoreça a compreensão da realidade. Por aqui passa, também, a disponibilidade para participar no diálogo ecuménico e na oração pela unidade dos cristãos.

Depois, e bem longe de enaltecer as divisões que se seguiram, importa sublinhar a disponibilidade inicial de Lutero para denunciar determinadas práticas, participar no debate e apelar à conversão.

O confronto vivido no diálogo e preocupado com a verdade ajuda à clarificação de posturas e ensinamentos, corrigindo desvios ou aprofundando caminhos. Porque a fé e a sua vivência inscrevem-se no tempo e não são imunes ao desenrolar histórico da sociedade. Uma missão reformadora que continua.

 

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 87/47, n.º 4433, 24 de outubro 2017

FEJ 2016: Jovens protagonistas no ecumenismo

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No passado dia 12 de novembro, decorreu no Seminário Santa Joana Princesa, em Aveio, o XVIII Fórum Ecuménico Jovem e o Grupo de Jovens da Sé e o de Almacave estiveram presentes, a representar o nosso Departamento Diocesano da Pastoral dos Jovens.

O Espírito ecuménico já vem de longe, remonta a Áustria em 1997 aquando a realização da Assembleia Ecuménica Europeia. Desde então, em Portugal, foi criada uma equipa Ecuménica Jovem que sempre reuniu com regularidade e preparou encontros ecuménicos com a Pastoral Juvenil. A organização é das Igrejas Católica Apostólica Romana, Lusitana Católica Apostólica Evangélica, Evangélica Metodista Portuguesa e Evangélica Presbiteriana de Portugal. O tema deste ano foi “Dai-lhes Vós mesmos de comer” em que se fez uma analogia ao Evangelho de São Mateus onde Jesus realiza o milagre dos pães e dos peixes.

O acolhimento aos diversos grupos participantes no FEJ, chegados de diversas partes do país, aconteceu pelas 10h30. Meia hora depois procedeu-se à Oração de Louvor em que todos os cristãos presentes (católicos, Lusitanos, Metodistas, Presbiterianos, Evangélicos), partilharam um profundo sentimento de união, pois o importante nestes encontros é encontrar o que nos une e não o que nos separa. Ler mais…

A simplicidade na oração em Taizé

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Em Taizé, três vezes por dia interrompem-se as diferentes atividades que ocupam os jovens: o trabalho, as reflexões bíblicas, as partilhas em pequenos grupos, o convívio. Os sinos chamam para a oração. Centenas, por vezes milhares de jovens dos mais diversos países dirigem-se à igreja e juntam-se aos irmãos da nossa Comunidade para rezar juntos.

Cânticos curtos, várias vezes repetidos, que procuram dizer em poucas palavras uma realidade fundamental facilmente assimilável. Depois, a leitura bíblica é feita em várias línguas. No centro de cada oração, o silêncio de alguns minutos é um momento único de encontro pessoal com Deus

Entre irmãos, ficamos frequentemente surpreendidos ao ver como os jovens participam nestas orações e depois as prologam ao serão, por vezes durante várias horas, em silêncio ou apoiados pelos cânticos meditativos. E os próprios jovens dizem-se muitas vezes espantados ao constatar o tempo que passam em oração em Taizé! Quando perguntamos aos grupos que encontramos no final de uma semana em Taizé o que mais os marcou, é raro a resposta não mencionar a oração.

Muitos dos que visitam a nossa colina dizem que em Taizé «se sentem em casa», que é como um porto seguro onde podem vir mesmo em momentos agitados. É impressionante ouvir estas mesmas expressões na boca de uma jovem professora lituana, de um jovem desempregado espanhol, de uma alemã estudante de teologia luterana, de uma estudante de enfermagem na Ucrânia ou de um informático húngaro. Ou ainda na boca de jovens africanos, latino-americanos e asiáticos que vêm a Taizé enviados pelas suas Igrejas, para passar três meses como voluntários durante o Verão

Será que podemos concluir que em Taizé nos esforçamos para nos adaptar aos jovens? Talvez, em certo sentido. Durante toda a sua vida, o irmão Roger procurou acolher e compreender aquilo que podia impedir alguém de confiar em Deus. Um dos primeiros irmãos da Comunidade, o irmão François, escreveu um artigo pouco depois da morte do irmão Roger onde dizia:

«O irmão Roger procurou sempre pôr-se no lugar dos jovens. O seu temperamento ajudava-o nesse sentido. Ele sentia e compreendia as coisas como eles. Ele pressentia facilmente o que era incompreensível para os jovens. (…) Ao ouvir o irmão Roger falar aos jovens, eu pensava muitas vezes na atitude missionária de São Paulo. Nas suas cartas, São Paulo adaptava o vocabulário aos destinatários, que eram extremamente diferentes uns dos outros, e integrava algumas expressões deles, com a única preocupação de poder ser compreendido. Uma elasticidade de espírito destas não é um sinal de fraqueza ou de temperamento versátil. Provém do facto do essencial ser mais firme do que tudo o resto.» («La Croix», 2 de Setembro de 2005.

No entanto, o irmão Roger não costumava falar em querer adaptar-se. Falava de simplificar. Muitas pessoas diziam que ele tinha uma linguagem que passava bem junto dos jovens. Mas ele não falava como eles. Nos seus textos, encontramos constantemente palavras bíblicas como «misericórdia», «compaixão», «comunhão»… Palavras que até parecem pouco acessíveis aos jovens. Apesar disso, surpreendentemente, na boca do irmão Roger, com as suas frases simples, os jovens não se assustavam com este tipo de vocabulário. No fundo, o irmão Roger conseguia dizer-lhes com simplicidade alguns aspectos exigentes da Fé cristã. Um pouco como nas parábolas do Evangelho, ele adaptava-se sem se adaptar. Falar com parábolas não é dizer tudo, mas deixar antever que há algo para aprofundar. Desta forma, sem compreenderem sempre tudo, os jovens percebem que há caminho a percorrer e algo mais a descobrir. É uma linguagem que não os desconcerta, mas que deixar espaço para avançar.

O irmão Roger procurava continuamente simplificar, tanto a forma de viver como a forma de se expressar. O melhor exemplo desse desejo de simplificação é talvez a nossa oração comunitária. Também nessa área, o irmão Roger deu um salto gigante: transformou pacientemente a oração, deixando de lado elementos que não são essenciais e que criam bloqueios inúteis. E tentou colocar nela tudo o que uma pessoa dos nossos tempos lá procura para aprofundar a confiança em Deus. Tornou contemplativa a própria oração comunitária.

A nossa forma de rezar, com cânticos simples e meditativos, teve a sua origem na vontade de tornar uma experiência interior acessível aos grandes números de jovens que nos visitam. Não que tudo tenha sido adaptado para a juventude. Os cânticos de Taizé não são propriamente feitos com músicas que se possam dizer «jovens». São cânticos profundamente enraizados na tradição contemplativa: através da letra, que vem frequentemente dos Salmos, da longa tradição de oração cantada que começou nas primeiras assembleias de Israel; e através do seu carácter meditativo e mesmo repetitivo. No fundo, no início a Comunidade cantava Salmos e hoje continua a fazer isso mesmo. Mas em vez de cantar todo o Salmo, ficamos só com um versículo, que meditamos juntos, deixando-o ecoar em nós e encontrar experiências que podem ser iluminadas.

Por isso não se trata verdadeiramente de uma adaptação, é preciso ir mais longe. O que toca os jovens em Taizé talvez seja o facto deles perceberem que nos esforçamos por tornar o mais simples possível a expressão da Fé, sem no entanto a nivelarmos ou a adocicarmos. Eles sentem, por vezes de forma emotiva e atingidos no mais profundo de si mesmos, que a oração que lhes é proposta não é a tradução na linguagem deles de uma realidade que lhes é estrangeira. É antes um convite a viver uma procura que os faz avançar e que, pondo na boca deles palavras de outros tempos, os obriga suavemente a saírem de si mesmos, libertando-os para novos horizontes.

Talvez os jovens sintam que, como Comunidade, ao termos em conta na liturgia a presença deles, procuramos alargar a nossa própria estrada, alargando a todos a intimidade que desejamos viver em Deus.

Para terminar, sublinho ainda dois aspetos da simplicidade que talvez ajudem a nossa oração a ser acessível, atraente e acolhedora para muitos jovens. Por um lado, ela não esmaga caminhos de Fé que podem ser muito tímidos e revelam até uma certa fragilidade. Por outro, centrando-se naquilo que é essencial, ela permite dar lugar à diversidade na expressão da Fé sem que cada detalhe seja motivo de discórdia. Hoje, para muitos jovens, a procura de unidade na diversidade não pode ser descuidada.

Irmão David, da Comunidade de Taizé, in Voz de Lamego, ano 85/39, n.º 4326, 25 de agosto

ORAÇÃO DE TAIZÉ PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS | Ecumenismo

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No dia 24 de janeiro de 2015, realizou-se, na Igreja paroquial de Almacave, uma Vigília de Oração pela unidade dos cristãos.

A Vigília foi coordenada pelo grupo de jovens de Almacave e foi presidida pelo Sr. Bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto.

A Paróquia de Tabuaço esteve representada por um número significativo de jovens e também de alguns adultos.

O espaço estava muito bonito, o ambiente imbuído de muito respeito e dignidade, numa envolvência perfeita para nos reencontrarmos connosco e com Deus.

Os momentos vividos foram essencialmente de canto, oração e silêncio, segundo o formato da Oração de Taizé.

Estes momentos, de encontro e comunhão com Deus e com os outros, são muito importantes e significativos na medida em que nos ajudam a retomar alento e coragem para enfrentar os desafios e as responsabilidades cristãs do dia-a-dia e a aprofundar o sentido e o valor da Oração.

Clara Castro,  (Paróquia de Tabuaço), in VOZ DE LAMEGO, n.º 4299, ano 85/12, de 3 de fevereiro de 2015

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

In Voz de Lamego, 2014.01.14

“Estará Cristo dividido?”

Desde há muitos anos que os cristãos são convidados a rezar pela sua unidade. No calendário litúrgico fixaram-se os dias: de 18 a 25 de janeiro, dia em que celebramos a Festa da Conversão de S. Paulo. Neste ano de 2014, a semana tem por tema uma citação da primeira carta de S. Paulo aos cristãos de Corinto: “Estará Cristo dividido?” (1Cor. 1, 13).

A este propósito, o nosso jornal procurou o responsável diocesano pelo diálogo ecuménico e inter-religioso, Padre André Filipe Mendes Pereira, e leva aos nossos leitores as suas respostas.

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D. António Couto: “Os jovens devem ser a aposta do diálogo ecuménico” (Rádio Renascença)

In Rádio Renascença

“Os jovens devem ser a grande aposta do diálogo ecuménico”, considera D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, a propósito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que começa esta sexta-feira.

D. António Couto recorda a vontade de Cristo em trazer unidade e deitar abaixo os muros que separam as diversas confissões religiosas.

O presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, D. António Couto fala na importância do diálogo ecuménico: “É dever de todos nós na Igreja Católica alertar as pessoas para uma particular sensibilidade para acolher todos como irmãos. Cristo veio para fazer a unidade e não a separação, não para levantar muros mas para os deitar abaixo, fazer de nós todos a família de Deus”.

D. António Couto recorda que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, não é apenas um evento nacional: “A celebração foi preparada por um grupo de estudantes indianos. Eles têm um conjunto de tonalidades próprias, como o tambor que tocam para reunir e para iniciar uma caminhada, têm um canto próprio, em vez de dizer os textos da fé, cantam-nos, também isso será feito na celebração nacional”.

Para o Bispo católico, a grande aposto do diálogo ecuménico, devem ser os jovens: “Os jovens estão muito mais sensíveis para esta vertente do ecumenismo, abraçar um irmão de outra confissão religiosa. São eles que estão a crescer e é importante apostar neles porque amanhã serão eles a guiar este processo ecuménico”.

A celebração ecuménica nacional vai decorrer em Coimbra no dia 25, na igreja de São José, o tema é um texto de Miqueias, “O que exige Deus de nós?”.

D. António Couto e Dr. Jorge Sampaio em encontro sobre ecumenismo e diálogo inter-religioso

In Agência Ecclesia

Aveiro, 08 jan 2013 (Ecclesia) – Jorge Sampaio, presidente da República entre 1996 e 2006, e D. António Couto, bispo de Lamego, participam a 23 de janeiro, em Estarreja, num debate sobre ecumenismo e diálogo inter-religioso organizado pela Diocese de Aveiro.

“A cinquenta anos do início do Concílio Ecuménico Vaticano II e em pleno Oitavário de oração pela unidade dos cristãos [18 a 25 de janeiro] tem todo o sentido alargarmos horizontes de reflexão e perspetivas de missão à urgência e ao valor da comunhão ecuménica e do diálogo inter-religioso”, sublinha o bispo de Aveiro em mensagem publicada no site da diocese.

D. António Francisco dos Santos lembra que no território da diocese há “várias comunidades cristãs não católicas”, além de “muitas pessoas com outras convicções religiosas” que mantêm um “diálogo aberto e convívio franco” com a Igreja.

“Basta lembrar mais de mil e quinhentos jovens estrangeiros, provenientes de dezenas de países do mundo, que vivem e estudam em Aveiro, possuidores de grande riqueza humana e de valioso património cultural e religioso, que urge conhecer, respeitar e acolher”, acentua.

O colóquio com D. António Couto, presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, e Jorge Sampaio, Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações, realiza-se no Cine-Teatro de Estarreja.

A iniciativa enquadra-se na programação da ‘Missão Jubilar’ da Diocese de Aveiro, que em 2013 assinala 75 anos da restauração.

RJM

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