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Brasão Episcopal de D. António Couto

É este o brasão de D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego.

Armas episcopais de  D. COUTO

       Predomina o verde, com besante de ouro no ponto de honra, carregado de uma flor de amendoeira, à cor branca natural. Filactéria inferior de prata, debruada a verde com a legenda em vermelho: Vejo um ramo de amendoeira.

O ornato superior feito com a cruz a rematar a elipse e o chapéu preto de seda de copa redonda e abas direitas, forrado de ver, com cordões de seis nós de cada lado.

As armas procuravam mostrar a nobreza e a ascendência de quem as possuía. Aqui trata-se sobretudo de um programa de vida e um grito de esperança.

O verde exprime a esperança, dirigida aos humildes e oprimidos, num mundo muito instável, em que os mais débeis são os mais sacrificados e/ou esquecidos.

O besante de ouro, cuja simbologia aponta para a fidelidade ao rei até à morte, aqui fidelidade a Deus e ao seu povo.

O círculo central pode ainda ser interpretado como referência à divindade, mas também ao cosmos e ao mundo.

A flor de amendoeira exprime esperança, mesmo em situações adversas e desfavoráveis. Em pleno inverno, brota a flor de amendoeira, num misto de cor, alegria e festa.

Terceiro aniversário de Tomada de Posse de D. António Couto

Nomeado pelo Papa Bento XVI, no dia 19 de novembro de 2011, D. António José da Rocha Couto assumiu  no dia 29 de janeiro, a cátedra de Lamego, sucedendo a D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, que esteve à frente da diocese durante 12 anos. D. Jacinto tomou ao seu encargo a diocese em 19 de março de 2000. Tendo completado 75 anos de idade em 11 de setembro de 2010, pediu a resignação, que foi aceite pelo Papa, mantendo-se, depois da aceitação da resignação, como Administrador Apostólico da diocese.

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         A cidade de Lamego encheu-se de cor e sobretudo de cristãos para acolher o seu novo Bispo.

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       Pelas 15h30, D. António, recebido pelo Administrador Apostólico, pelo Mons. Vigário-Geral e pelo Presidente  da Câmara Municipal de Lamego, no Seminário Maior de Lamego, segue no carro da Diocese até à Sé Catedral. Aqui é recebido por uma multidão em festa. À entrada para a Sé é saudado pelo Deão do Cabido e pelo Sr. Presidente da Câmara de Lamego.

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       Pelas 16h00 o início da celebração eucarística. D. Jacinto presidiu à Procissão de entrada. Depois da saudação inicial, a Bula de Nomeação foi lida pelo Núncio Apostólico em Portugal e o Sr. D. Jacinto cedeu o lugar da presidência ao Sr. D. António, dirigindo-lhe algumas palavras de passagem de testemunho, como Bispo cessante e como diocesano (lembremos que D. Jacinto é natural da Diocese de Lamego e pertence ao presbitério desta diocese). A partir do momento em que assume a presidência da celebração, D. António passa também a presidir como Pastor à Diocese de Lamego.

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        Presentes na tomada de posse, os Bispos de Portugal, muitos sacerdotes de Lamego, do Porto, de onde D. António é natural (Marco de Canaveses), de Braga, onde esteve nos últimos 4 anos como Bispo Auxiliar, dos Missionários da Boa Nova, autoridades civis da cidade e da diocese, muitos cristãos. A Sé Catedral foi pequena para acolher tanta gente. Muitas pessoas acompanharam a celebração em frente à Sé através dos plasmas aí colocados para este efeito.

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        Na Homilia, partindo do Evangelho e da manifestação de Jesus em Cafarnaum, D. António deixou claro que o mensageiro, o enviado, mais que a mensagem comunica Aquele que O envia…

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       Quase a terminar a celebração, a leitura da ATA de tomada de posse, pelo Chanceler da Cúria, Mons. Germano José Lopes.

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       Como cristãos, pedimos a Deus que esteja com o D. António e com as Suas preocupações pastorais. O Bispo é e referência de comunhão com Jesus Cristo, com as outras dioceses e seus bispos e com o Papa, sucessor de Pedro.

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Fotos: KYMAGEM. Poderá ver mais fotos AQUI (também da Kymagem)

Aniversário da Tomada de Posse de D. António Couto

D. António José da Rocha Couto, assumiu a Diocese de Lamego há três anos, no dia 29 de janeiro de 2012, sucedendo a D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho. Vale a pena rever algumas imagens deste dia festivo para a nossa mui nobre Diocese de Lamego, sob o padroado de São Sebastião:

 

Solenidade de São Sebastião | 20 de janeiro | Sé Catedral

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Na próxima terça-feira, 20 de janeiro de 2015, a Igreja assinala a memória litúrgica de São Sebastião, Mártir dos primeiros tempos do cristianismo.

Descendente de uma família nobre, terá nascido em Narbona, sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma. Mas também há quem defenda que o pai era natural de Narbona e Sebastião tenha nascido em Milão.
Em nome da religião enveredou por uma carreira militar, para desse modo defender os cristãos que sofriam uma terrível perseguição. As suas qualidades são amplamente elogiadas: figura imponente, prudência, bondade, bravura, era estimado pela nobreza e respeitado por todos. O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo.
Cada mártir que surgia era um alento para Sebastião. Foi denunciado por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. Santa Irene encontrou-o e tratou-o. Depois de restabelecido voltou junto do imperador. Este mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado à Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288, ou 300.

É o Padroeiro Principal da Diocese de Lamego, pelo que neste dia, pelas 18h30, o senhor Bispo, D. António José da Rocha Couto, presidirá, na Sé Catedral de Lamego, ao solene Pontifical para o qual todos os diocesanos estão convidados.

Celebra-se também hoje o aniversário de Ordenação Episcopal de D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego, ordenado a 20 de janeiro de 1996 e nomeado Bispo de Lamego a 20 de janeiro de 2000.

Homilia de D. António Couto | Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

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(FOTO: Entrada solene de D. António na Diocese de Lamego, 29 de janeiro de 2012)

SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 

  1. Depois de ontem (Domingo II do Advento) termos avistado e ouvido a lição magistral de um homem sólido e firme como um tronco, de antes quebrar que torcer, que não tem nada a ver com as canas ocas (Mateus 11,7), João Baptista, contemplamos hoje, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, a grácil e terna figura de Maria, no seu ser inteiro, obra de Deus. João Baptista é como um tronco, plantado no deserto. Plantação de Deus, portanto, pois mais ninguém planta o deserto. João Baptista é como um tronco plantado no deserto. Vendo bem, já lá estão outros troncos, igualmente sólidos, igualmente firmes. Ajustando um pouco melhor o olhar, veem-se uns fios que vão de tronco em tronco, de poste em poste. Estes troncos sólidos, estes postes firmes, estes finos fios sãos semelhantes aos postes e aos fios do telefone, das comunicações, da comunicação.

  1. João Baptista é como um poste telefónico, uma antena de comunicação. Vendo melhor, vê-se que está em linha com Isaías e com Deus. Aí está o fio de sentido, a Palavra que não é nem de João nem de Isaías, mas de Deus. É essa Palavra que grita no deserto, ou no nosso desertificado, árido, endurecido coração. Mas Deus sabe fazer correr rios de água no deserto (Isaías 35,7; 41,18; 43,20). Deus sabe fazer florir o deserto, fazer frutificar o deserto (Isaías 35,1-2).

  1. É assim que Nazaré é literalmente a cidade florida (de natsar = florescer). E é assim que Maria é a cidade fruticada, e não fortificada. Também Maria está em linha com a Palavra de Deus. Não a perturbeis, porque ela não se cansa de escutar com o coração. Nós aproximamo-nos, e vemos um anjo. Mas os anjos não são para se verem. São para se ouvirem. Maria ao telefone com Deus. Mas este telefone não foi instalado pela PT. Tão-pouco é um telemóvel que se possa trazer no bolso. Vendo mais de perto, este telefone toca no coração.

  1. Memorial desta beleza incandescente é a Basílica da Anunciação, em Nazaré. Esta grandiosa Basílica, em três planos, foi inaugurada em 25 de Março de 1969, e foi visitada, ainda as obras estavam em curso, em 1964, pelo Beato Papa Paulo VI. Escavações feitas antes desta grandiosa construção puseram a descoberto, e podem ver-se ainda hoje, os majestosos pilares de uma Catedral levantada em 1099, pelo príncipe cruzado Tancredo, bem como o pavimento em mosaico de uma igreja bizantina, que pode ser datada do ano 450. Mas, descendo mais fundo, até às entranhas da atual Basílica, acede-se à Gruta da Anunciação, sob cujo altar se lê a inscrição Verbum caro hic factum est [«Aqui o Verbo se fez carne»], e a outros lugares de culto antigos, talvez já do século II. Numa grafite antiga foi encontrada a gravação XE MAPIA, abreviação de Chaîre Maria, a primeira Ave-Maria da história.

  1. São Paulo adverte-nos, na Carta aos Efésios, também de que a instalação deste telefone, deste fio de sentido, desta Palavra de graça é obra, não da PT, mas de Deus, que nos escolheu antes da criação do mundo (Efésios 1,4), e antes da criação do mundo nos fez filhos no seu Filho (Efésios 1,5).

  1. É esta comunicação de Graça, que de Deus chega a Maria, que a Igreja inteira, Ocidente e Oriente, hoje celebra. Sim, hoje todos os filhos e irmãos estamos unidos na mesma alegria, que de Deus chega a Maria, e de Maria a todos nós. Por isso, ela, a Mãe do Amor e da Graça, a Cheia de Graça, é a nossa Mãe e Padroeira, Padroeira também de Portugal e desta nossa Catedral.

  1. Por isso também nos reunimos hoje, aqui, em linha contigo, Maria, nossa Mãe e Padroeira e Protetora. Em linha com Deus, que olhou para nós, para mim e para ti, meu irmão e minha irmã, desde toda a eternidade. Sim, olhou para nós, com o seu olhar de Graça, e assim continua ainda hoje. Bendita Tu, Maria, e Bendito Deus.

  1. Esta celebração da Mãe de Deus e nossa Mãe e Padroeira Principal de Portugal é um desafio imenso para o homem «em fuga» deste tempo, que se esconde de si mesmo, que continua a esconder-se de Deus, e que pretende esconder Deus, retirando-o da via pública e da vida pública. Atravessamos verdadeiramente a «noite do mundo» (Weltnacht), diz Martin Heidegger, onde «Cada um está sozinho no coração da terra/ atravessado por um raio de sol:/ e é logo noite», como bem escreve o escritor italiano Salvatore Quasimodo. Homem deste tempo às escuras, engessado, triste, exilado, escondido, anestesiado, volta para a Luz, reentra em tua casa, no teu coração despedaçado. Há de seguramente por lá haver ainda, caída no fundo da alma, uma lágrima dorida e uma mão de Mãe à tua espera!

Senhora de dezembro,

Maria, minha Mãe,

Passa hoje o dia da tua Imaculada Conceição.

Senhora de dezembro,

Dos dias frios e frágeis,

Dos passos firmes e ágeis,

Do coração que velava

À espera de quem te amava.

Assim te entregaste a Deus,

De coração inteiro,

Como um tinteiro

Todo derramado numa página.

Tu és a mais bela página de Deus,

A Deus doada, apresentada, dedicada,

Mãe da vida consagrada,

Imaculada,

Ensina-me a tua tabuada,

A tua nova alegria,

A luz do Evangelho que te aquece e alumia.

Eu te saúdo, Maria,

Neste dia da tua Imaculada Conceição.

Ave-Maria.

Lamego, 08 de dezembro de 2014, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

+ António, vosso bispo e irmão

ELEITO E ELITE | Editorial Voz de Lamego | 25 de dezembro

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Com a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, chegou o DIA da IGREJA CATEDRAL, que este ano contou com a ordenação do Fabrício Pinheiro e do Valentim Fonseca. Como não poderia deixar de ser, a edição da Voz de Lamego desta semana dedica especial atenção a esta jornada do Dia da Igreja Catedral, nos vários momentos de encontro, formação, celebração, festa.

No Editorial, o Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, salienta as Ordenações Diaconais, que dão seguimento à vocação batismal:

ELEITO E ELITE 

No passado domingo, em ambiente de festa e de acção de graças, a nossa diocese testemunhou a livre decisão de dois jovens que, chamados por Deus através da Igreja, D. António Couto ordenou de Diáconos. E alegramo-nos já com a perspectiva da sua ordenação sacerdotal, no próximo verão.

O baptizado que recebe o sacramento da Ordem (diácono, sacerdote, bispo) é apresentado como “ministro”, traduzindo-se este termo por “servidor”; à missão que assume e cumpre chamamos “ministério”, sinónimo de “serviço”.

Assim, falar de “ministro ordenado” é referir aquele que, pelo sacramento da Ordem, recebeu e assumiu a missão de servir o Povo de Deus. Muito longe, portanto, da concepção de tal ministério em termos de poder. Porque na Igreja de Cristo há apenas o “poder de servir”.

Ser ordenado pressupõe um chamamento, exige uma resposta e é fruto de uma eleição. Deus chama através da Sua Igreja, mas ninguém avança sem uma livre decisão pessoal e sem a necessária escolha feita pela Igreja. Dito de outra forma, os ministros ordenados são previamente eleitos, escolhidos, não porque sejam imaculados, mas por causa da disponibilidade demonstrada e reconhecida capacidade para servir.

É verdade que, como seres livres e limitados, tais ministros podem falhar, ficar aquém do exemplo que se espera ou esquecerem o testemunho que se exige. Mas, em consciência, têm o dever de se esforçar por cumprir a missão para que foram chamados e ordenados.

Mas não são uma elite, no sentido habitual em que esta se compreende como uma minoria prestigiada e formada pelo que de melhor existe na sociedade, a fina flor ou nata que detém algum poder e influência. A tentação de confundir eleito com elite pode surgir, mas não é cristã.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4290, ano 84/52, de 25 de novembro de 2014

Festa da Dedicação da Igreja Catedral de Lamego

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Em anos anteriores, na Solenidade de Cristo Rei do Universo, Lamego vivia o Dia da Igreja Diocesana, comemorando a dedicação da igreja catedral e assinalando a abertura do novo ano pastoral. Na mesma data, testemunhava, com alegria, a ordenação diaconal dos seminaristas que tinham concluído a sua formação. Este ano houve alterações: a abertura do novo ano pastoral teve lugar no último sábado de Setembro e o dia da família diocesana (festa) será no último sábado de Junho. Mas, neste dia de Cristo Rei, a diocese continua a celebrar o Dia da Igreja Catedral e a acolher os novos diáconos.

Um espaço

Tal como no-lo recorda o livro dos Atos dos Apóstolos, Deus “não habita em santuários construídos pela mão do homem” (Act 17, 24), mas nós precisamos de um espaço para as nossas celebrações litúrgicas. Por isso, à nossa volta, há imóveis construídos para o efeito, com interiores devidamente organizados para acolher a comunidade que se encontra como assembleia reunida para louvar Aquele que a todos convoca. As igrejas e capelas, maiores ou mais pequenas, sumptuosamente adornadas ou singelas… foram edificadas para serem espaço de encontro entre irmãos e com a divindade. Ali se escuta a Palavra, se celebra a Eucaristia e os demais sacramentos; ali se reza e se apresentam súplicas ao Pai…

Desde os primórdios do Cristianismo, que os fiéis se reúnem em assembleia (ecclesiæ) para celebrar a Eucaristia, ministrar os sacramentos e ouvir a pregação da Palavra de Deus. Nos primeiros tempos, os lugares de reunião eram habitualmente as próprias casas, onde utilizavam a sala mais espaçosa para esse fim. Alguns desses locais de culto são mencionados no Novo Testamento.

Nos Atos dos Apóstolos (20, 7-11), conta-se que São Paulo o fez num terceiro andar, adornado com muitas lâmpadas, onde se haviam reunido os fiéis, aos quais, depois de bem instruídos, distribuiu o Pão Eucarístico. Também é tradição certa que o Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, se hospedava em Roma em casa do senador Pudente. Ali se congregavam os cristãos para ouvir suas instruções, assistir aos santos Mistérios e receber a Sagrada Eucaristia.

Com o tempo, as casas nas quais se reunia a assembleia passaram a ter espaços específicos reservados para o culto divino. E, a partir do fim do século II, esses prédios começam a ser chamados de “Domus Ecclesiæ”. Ao longo do século III, esses aposentos foram crescendo em importância e as outras partes do edifício, destinadas a finalidades profanas, vão sendo separadas dele. A “Domus Ecclesiæ” transforma-se em “Domus Dei”.

A catedral

A palavra “catedral” vem do grego “kátedra” e pode ser traduzida por “cadeira”. Embora pensemos de imediato no objecto que serve para sentar e repousar, falar desta “cadeira” é referir o lugar onde se senta aquele que ensina. O título de catedral concedido a uma igreja não lhe vem da sua grandeza ou antiguidade, mas do facto do bispo diocesano ter ali a sua “cadeira”, ou seja, a sua cátedra onde prega, ensina, preside, celebra…

A expressão “ecclesia cathedralis” é utilizada para designar a igreja que contém a cátedra oficial do bispo diocesano. Esta designação foi utilizada, pela primeira vez, nas actas do concílio de Tarragona, em 516. Outra designação utilizada era “ecclesia mater”, ou “igreja-mãe”. Também utilizamos a palavra “sé” para nos referirmos a este mesmo espaço, do latim “sedis” e se traduz por “cadeira”. Por isso, dizer “Sé Catedral” é uma redundância, já que as duas palavras significam a mesma coisa.

Nos primeiros séculos da Igreja, a cátedra foi objecto de veneração, o que levou a dedicar festas especiais para honrar algumas delas, como em Roma, por exemplo.

Em todas as dioceses do mundo, a catedral é lugar de referência da fé, um lugar sagrado onde os fiéis de uma igreja particular se reúnem para exprimir e proclamar a própria fé e a unidade em Cristo. A catedral é o centro eclesial e espiritual da diocese, o símbolo visível da unidade de toda a comunidade cristã, onde se reúnem todos os fiéis, sacerdotes, religiosos e religiosas de diferentes congregações, fiéis de todas as paróquias, de todas as comunidades, com diferentes sensibilidades, numa só assembleia visível, presidida e unificada pelo bispo que é garantia da comunhão e, por isso, garantia da autenticidade da fé e da vida cristã, a ligação real, histórica e mística com o Cristo histórico e com o Cristo ressuscitado e glorioso.

Consagração ao culto

Já a partir do século IV, a dedicação da “Domus Dei” (Casa de Deus) era considerada uma das festas mais solenes da Liturgia, a fim de ressaltar o carácter sagrado do edifício, que não poderia ser usado para fins profanos.

No ritual litúrgico da dedicação de uma igreja destacam-se quatro elementos essenciais: a aspersão com a água benta, a deposição das relíquias dos santos, a unção sagrada do altar e da igreja, a incensação, a iluminação e, por fim, o principal, a Celebração Eucarística.

Por ser o edifício visível um sinal peculiar da Igreja peregrina na terra e imagem da Igreja que habita nos céus, a Jerusalém Celeste, esses ritos manifestam simbolicamente algo das obras invisíveis que o Senhor realiza por meio dos divinos mistérios da Igreja, ou seja, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia.

Festa da Dedicação

Dedicação é o rito litúrgico solene, reservado em princípio ao bispo, pelo qual uma igreja ou um altar ficam consagrados e destinados ao culto divino. Quando, a partir do século IV, os cristãos passaram a construir as suas igrejas, foram-nas consagrando solenemente, com ritos e textos que se foram desenvolvendo, ao longo dos séculos.

Recomenda-se que as igrejas sejam sempre dedicadas, sobretudo, as catedrais e paroquiais. As outras devem ser, pelo menos, benzidas. O mais indicado é que a dedicação ou bênção seja feita pelo bispo da própria diocese.  O novo livro litúrgico, Ritual da Dedicação da Igreja e do Altar é o usado para estas celebrações cheias de simbolismo: a igreja/edifício é um símbolo expressivo da igreja/comunidade e também da «igreja» do Céu.

Ao longo do tempo foram surgindo também festas anuais, em recordação das dedicações mais significativas: a de Santa Maria Maior, em 5 de Agosto; a da Basílica de Latrão, em 9 de Novembro; e a de S. Pedro e S. Paulo, em 18 do mesmo mês.

Também é costume celebrar-se o aniversário da dedicação da própria igreja e, em cada diocese, da própria catedral, tal como fazemos em Lamego, no dia de Cristo Rei, domingo próximo da data da Dedicação (20 de Novembro).

in VOZ DE LAMEGO,  n.º 4289, ano 84/51, de 18 de novembro de 2014.

1 de outubro > DIA MUNDIAL DO IDOSO

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CUIDAR PARA AGRADECER

No primeiro dia de outubro, lembramos os nossos mais velhos, no Dia dos Idosos. Uma data que vale a pena assinalar, sobretudo porque nos chama a atenção sobre uma realidade que podemos e devemos ter em conta. E, às vezes, isso não acontece, levando a que os mais avançados na idade se considerem um estorvo, um peso ou empecilho.

Sobre este assunto, as notícias de abandono, de maus tratos, de solidão ou insegurança são mais ruidosas do que as notícias que poderiam destacar o carinho e o cuidado no acompanhamento da grande maioria. Mas sabemos que, felizmente, há muitos idosos com sorriso, respeitados na sua dignidade e amparados na sua fragilidade. Para isso, muito concorre a solicitude e permanente atenção de familiares, vizinhos e amigos, mas também a acção profissional e próxima de tantas instituições particulares de solidariedade social (IPSS).

Na nossa diocese, em muitas paróquias, a existência de um Centro Social, é sinónimo de acção em favor dos mais carenciados. E dizer “carenciados” não significa referir os que são materialmente pobres; falamos dos que são vítimas de solidão, dos acamados, os doentes…

Estas instituições nasceram para servir e cumprem um papel único que nunca é demais apontar e louvar. É verdade que os Utentes comparticipam com alguma verba, fruto das suas reformas, e que a Segurança Social assume grande parte do financiamento destas organizações. Mas também é verdade que há muito voluntariado, muito rigor nas contas, muita solidariedade e sacrifício para não desistir diante de tantas exigências e burocracias ou sofrendo por causa dos escassos apoios.

A Igreja, pela acção das suas paróquias, com a presença de párocos empenhados e de tantos fiéis disponíveis, desenvolve um trabalho meritório que muitos reconhecem e que tantos outros dele beneficiam. E não apenas os idosos, mas também as famílias, que sossegam com o acompanhamento proporcionado; os funcionários, que assim conseguem locais de trabalho; a sociedade, que beneficia com a fixação de famílias; a economia local, com o movimento que tais serviços acarretam, etc.

Por isso, uma palavra de gratidão aos nossos idosos por tudo quanto fizeram e nos legaram com esforço e perseverança, mas uma palavra de estímulo a todos quantos, sem serem notícia, contribuem para a qualidade de vida dos mais velhos, através dos apoios que prestam.

Materializando a nossa homenagem à dedicação de tantos, aqui deixamos o nome das IPSS da nossa diocese que constam no anuário diocesano (certamente que haverá outras que ainda não estão registadas):

Centro Diocesano de Promoção Social, Centro Social e Cultural da Paróquia de Ferreirim, Centro Social e Paroquial de Cambres, Centro Social e Paroquial de Mondim da Beira, Centro Social e Paroquial de Prova, Centro Social e Paroquial de Vila Chã do Monte, Centro Social e Paroquial de Vila Nova de Foz Côa, Centro Social Filhas de S. Camilo (As Lareiras), Centro Social Paroquial Casa de S. José, Centro Social Paroquial de Ferreirim, Centro Social Paroquial de Fonte de Arcada, Centro Social Paroquial de Fontelo, Centro Social Paroquial de Fornelos, Centro Social Paroquial de Freixo de Numão, Centro Social Paroquial de Lamosa, Centro Social Paroquial de Muxagata, Centro Social Paroquial de Tendais, Centro Social Paroquial de Touro, Centro Social Paroquial de Trevões, Centro Social Paroquial de Várzea da Serra, Centro Social Paroquial do Aveloso, Centro Social Paroquial de Caria, Centro Social Paroquial da Beselga, Lar de Chãs, Lar de Lamosa, Lar de Santo António, Lar de Trevões, Lar de Várzea da Serra, Lar Nossa Senhora da Lapa.

in VOZ DE LAMEGO, 30 de setembro de 2014, n.º 4282, ano 84/44

Carta Pastoral de D. António Couto | 2014-15 | Ide com mais amor…

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IDE E CONSTRUÍ COM MAIS AMOR A FAMÍLIA DE DEUS

«Os filhos são um dom de Deus»

(Salmo 127,3)

«Toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

«Sois membros da família de Deus»

(Efésios 2,19)

O amor fontal de Deus-Pai

  1. «Deus é amor» (1 João 4,8 e 16) e «amou-nos primeiro» (1 João 4,19), e «nós amamos, porque Deus nos amou primeiro» (1 João 4,19). Então, o amor que está aqui, o amor que está aí, o amor que está em mim, o amor que está em ti, o amor que está em nós, «vem de Deus» (1 João 4,7), e «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7). Deus amou-nos primeiro, ama-nos e continua a amar-nos sempre primeiro com amor-perfeito (êgapêménos: part. perf. pass. de agapáô), isto é, amor preveniente, fiel, consequente, permanente (1 Tessalonicenses 1,4; Colossenses 3,12). Ama-nos a nós, que estamos aqui, e foi assim que nós começámos a amar. Se não tivéssemos sido amados primeiro, e não tivéssemos recebido o testemunho do amor, não teríamos começado a amar, e nem sequer estaríamos aqui, porque «quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14), sendo então a morte, não o termo da vida, mas aquilo que impede de amar, e, portanto, de nascer!
  1. Portanto, se «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7), o amor que há em nós é remissivo, remete para outrem, remete para a origem. O que é a origem? A origem é o que está antes do começo, a quem a Bíblia e uma parte da humanidade chamam Deus, e nós, cristãos, por imagem, chamamos «Pai». Nova genealogia do amor: o Pai ama o Filho (João 3,35; 5,20), e ama também o mundo (João 3,16), a ponto de enviar o seu Filho ao mundo para lhe manifestar esse amor (João 3,16; 1 João 4,9-10). Só o semelhante conhece o semelhante, e lhe pode comunicar o seu amor. O Pai ama e conhece o Filho Unigénito, e comunica-lhe o seu amor. Como o Pai ama e conhece o Filho Unigénito, também o Filho Unigénito ama e conhece o Pai (Mateus 11,27), e o pode revelar os seus discípulos fiéis (João 15,9), tendo, para tanto, de descer ao nosso nível, fazendo-se homem verdadeiro, semelhante a nós (Filipenses 2,7; Hebreus 2,17). Na verdade, comunica-nos o amor do Pai, e dá-nos a conhecer tudo o que ouviu do Pai (João 15,15). E nós somos convidados a entrar nesse divino colóquio, a acolher esse amor desmesurado, e a passar a amar dessa maneira, como fomos e somos amados (João 13,34; 15,12).
  1. Assim, o amor que está em nós, ou em que estamos nós, o amor entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre amigos, entre nós, não provém nem de uns nem de outros. Nem sequer de si mesmo. O amor não é meu nem é teu. O amor não é nosso. O amor é dado. Claro. Se «quem ama nasceu de Deus», não é nossa a patente do amor, e temos mesmo de ser extremamente cuidadosos quando pretendemos ajuizar acerca do amor que há nos outros. A antiga equação nivelada: «Ama o próximo como a ti mesmo» (Levítico 19,18), é plenificada e subvertida pela equação paradoxal: «como Eu vos amei» (João 13,34; 15,12). Mesmo aqueles que desconhecem a fonte do amor, é dela que o recebem. Neste sentido, em que a fé se une à razão, não é o casal que faz o amor; é o amor que faz o casal. Do mesmo modo que não é o casal que faz os filhos; é o amor que os faz. São um dom de Deus (Salmo 127,3). Atravessa-nos um calafrio quando nos apercebemos que a humanidade transmite, de idade em idade, de pais para filhos, algo de eterno. Amor eterno, tão terrivelmente ameaçado de idade em idade!
  1. É esse amor eterno, primeiro e derradeiro, verdadeiro, que nos faz nascer como irmãos. O lugar que, de forma mais imediata, nos mostra a fraternidade, é a família. E é verdade que, numa família, os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais. E são iguais, não obstante as suas acentuadas diferenças. São iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito. Em função do amor que os precede, o amor dos seus pais, e, em primeira ou última instância, o amor fontal de «Deus-Pai» (Ad gentes, n.º 2), pois nós somos também, diz o Apóstolo, filhos de Deus (1 João 3,2), filhos no Filho (Romanos 8,17.29), membros da família de Deus (Efésios 2,19). É esse amor primeiro que nos torna livres e iguais, logo irmãos. A fraternidade é o lugar em que cada um vale, não por aquilo que é, por aquilo que tem ou por aquilo que faz, mas por aquilo que lhe é feito, antes e independentemente daquilo que deseja, pensa, projeta e realiza, e em que o seu ser é ser numa relação de amor incondicionada, que não é posta por ele, mas em que ele é posto. A verdadeira fraternidade ensina-nos que a nossa consciência não é a autoconsciência daquilo que fazemos, mas a hétero-consciência daquilo que nos é feito e que nós somos sempre chamados a reconhecer e a cantar com renovada alegria, como Maria: «O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas» (Lucas 1,49).

O limiar do mistério em cada nascimento

  1. Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! (Romanos 11,33). Ó abismo do amor de Deus! Caríssimos pais e mães, os filhos que gerais e que vedes nascer, são, antes de mais, vossos ou são de Deus? Dir-me-eis: este filho é nosso, fomos nós que o geramos, fui eu que o dei à luz, nasceu neste dia, tenho aqui a cédula de nascimento. E eu pergunto ainda: sim, mas porquê esse, e não outro? É aqui, amigos, que entra o para além da química e da biologia, entenda-se, o para além de nós. É aqui, amigos, que entramos no limiar do mistério, na beleza incandescente do santuário, onde o fogo arde por dentro e não por fora. É aqui que paramos ajoelhados e comovidos à beira do inefável e caímos nos braços da ternura de um amor maior, novo, paternal, maternal, que nenhuma pesquisa biológica ou química explicará jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mistério. Sim, porquê este filho, e não outro? Porquê este, com esta maneira de ser, este boletim de saúde, este grau de inteligência, estas aptidões, esta sensibilidade própria? Sim, outra vez, porquê este filho, e não outro, com outra maneira de ser, outro boletim de saúde, outro grau de inteligência, outras aptidões? Fica patente e latente, evidente, que, para nascer um bebé, não basta gerá-lo e dá-lo à luz. Quando nasce um filho, é também Deus que bate à nossa porta, é também Deus que entra em nossa casa, é também Deus que se senta à nossa mesa, é também Deus que nos visita. Há outra paternidade, a de Deus, por detrás da nossa vulgar paternidade, participação da verdadeira paternidade de Deus. Na verdade, «toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

Membros de uma nova família

  1. Há, portanto, também uma nova familiaridade. A partir de Deus. Na verdade, no comportamento Misericordioso de Jesus transparece uma nova familiaridade, que assenta a sua fundação muito para além dos meros laços biológicos e anagráficos das nossas famílias. Prestemos atenção ao luminoso dizer de Jesus no caixilho literário de Marcos:

 «E vem a mãe dele e os irmãos dele, e, ficando fora, enviaram quem o chamasse. E estava sentada à volta dele a multidão, quando lhe dizem: “Eis que a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs estão lá fora e procuram-te”. E respondendo-lhes, diz: “Quem é a minha mãe e os meus irmãos?”. E tendo olhado à volta, para os que estavam sentados em círculo ao seu redor, diz: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. Na verdade, aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe”» (Marcos 3,31-35).

Ensinamento espantoso de Jesus que põe em causa a validade de uma maternidade e fraternidade meramente biológicas, fundadas sobre os direitos do sangue [«a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs… procuram-te»], para afirmar uma nova familiaridade aberta pelo horizonte novo do éschaton, do último, do primeiro e último, do novíssimo: «aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe». No novo horizonte da vontade do Pai, não se deixa de ser mãe, irmão ou irmã. Não são, porém, esses laços familiares que nos dão direito a amar e a ser amados, mas o termos sido encontrados pelo Amor, que agora somos chamados a testemunhar. «Vós sois testemunhas (mártyres) destas coisas», diz Jesus (Lucas 24,49). Sermos designados por Jesus testemunhas das coisas de Jesus é sermos chamados a envolver-nos de tal modo na história e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, não com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela história e aquela vida são a nossa história e a nossa vida. Sentir cada criança como filho, cada mulher como mãe e todo o semelhante como irmão ou irmã não é simples retórica, mas a transcrição verbal do novo real compreensível à luz do projeto Criador, Primeiro e Último, em que o mundo aparece como uma única casa e os seus habitantes como uma só família. Nascerá então o mais belo relato. Sim, o relato re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça. E re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça duplamente: primeiro, porque faz uma re-lação dos acontecimentos, unindo-os para formar um belo colar; segundo, porque põe em relação o narrador e o narratário. Sim, quando eu e tu e ele e ela, nós todos, relatarmos a mesma história, e não histórias diferentes, nesse dia luminoso e bendito começamos a nascer como irmãos, não pelo sangue, mas pela liberdade. Sim, só o relato nos pode aproximar tanto, fazendo-nos, não apenas estar juntos, mas nascer juntos, como irmãos. Portanto, irmãos e amigos, deixai que grite bem alto aos vossos ouvidos: mais amor, mais família, mais oração, mais missão, mais formação. Mais. Mais. Mais.

 O sentido da vida recebida e dada

  1. Na origem dos nossos termos «matrimónio» e «património» está o «dom» como «munus», como bem sublinha e explica o famoso linguista francês Émile Benveniste, seguido por Eugenia Scabini e Ondina Greco, no domínio da psicologia social. Munus faz parte de uma rede de conceitos relacionais, que obriga a uma «restituição». Quem não entra neste jogo do munus diz-se immunus, «imune». E voltam as perguntas contundentes: quem recebe a vida, como e a quem a restitui? Salta à vista que não podemos «restituir» a vida a quem no-la deu. Há, neste domínio, uma assimetria originária nas relações familiares. Verificada esta impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu, poderíamos pensar em «restituir» em termos análogos: então, o filho poderia, por exemplo, responder ao dom da vida recebida, tomando a seu cargo e cuidado os pais enfraquecidos e velhinhos. Mas este não é o único modo de «restituição» nem o mais significativo. O equivalente simbólico mais próximo é «restituir» em termos generativos (generativo e generoso têm a mesma etimologia), dando, por sua vez, a vida e assumindo a responsabilidade de pôr no mundo uma nova geração. Dar a vida e tomar a seu cuidado uma nova geração é mesmo o modo mais apropriado de «restituir» à geração precedente. Situação paradoxal: respondemos ao débito que nos liga à geração anterior com um crédito em relação à geração seguinte. E os avós têm muito a ganhar com os netos, e estes com aqueles. Todos sabemos. Da família humana à grande família de Deus, passando pela família religiosa. Também por isso, a Bíblia é um livro de nascimentos e de transmissão: da vida e da fé e da graça. Vamo-nos hoje apercebendo de que o mundo em que estamos tem muitas dificuldades em transmitir a vida e a fé e a graça, a cháris, o carisma, que envolve a nossa vida pessoal e da nossa família humana, mas também a vida da Igreja, família de Deus, e das diferentes famílias religiosas. Talvez por isso, nos voltemos tanto para trás, e se fale tanto em voltar às origens, refundar. Mas o caminho a empreender não passará mais por gerar novos filhos na vida e na fé e no carisma? Parece-me que é esta a tarefa que todos temos pela frente, em casa, na Igreja, família de Deus, e nas famílias religiosas.

Missão: «restituição» para a frente

  1. Impõe-se, portanto, não a preservação, a conservação, a autoconservação, mas a missão, que é a verdadeira «restituição» a Deus e aos irmãos. Já atrás nos ocupámos a verificar, em termos familiares, a impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu. O Salmista também se pergunta no que a Deus diz respeito: «Como «restituirei» ao Senhor por todos os seus benefícios que Ele me deu?» (Salmo 116,12). Sim, como «restituirei» ao Senhor o amor que há em mim? Como «restituiremos» ao Senhor o amor que há em nós? O Salmista responde: «O cálice da salvação erguerei, e o Nome do Senhor invocarei. Os meus votos ao Senhor cumprirei, diante de todo o seu povo» (Salmo 116,13-14). Sim, o Salmista sabe bem que não pode «restituir» diretamente a Deus, mas sabe também que pode sempre agradecer a Deus (restituição análoga), e, passando de mão em mão, em fraterna comunhão, o cálice da salvação, anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, faz em nós grandes coisas, sendo este anúncio ação de evangelização ou generosa «restituição» generativa. É assim que, de forma empenhada, generosa e apaixonada, como testemunha S. Paulo, se vão gerando (1 Coríntios 4,15; Filémon 10) e dando à luz novos filhos (Gálatas 4,19).
  1.  Amados irmãos e irmãs, não nos é permitido, nesta encruzilhada da história, ficar quietos, desanimados, tristes e calados. Ou simplesmente entretidos, ensonados e descomprometidos, como crianças sentadas nas praças, que não ouvem, não ligam, não respondem (Mateus 11,16-17; Lucas 7,31-32). Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, todos estamos convocados. Ninguém se pode excluir, ou ficar simplesmente a assistir. São sempre necessários e bem-vindos mais corações, mais mentes, mais entranhas, mais braços, mais mãos, mais pés, mais irmãos. Uma Igreja renovada multiplica as pessoas que realizam serviços e acrescenta os ministérios. A nossa vida humana e cristã tem de permanecer ligada à alta tensão da corrente do Amor que vem de Deus. E temos de ser testemunhas fortes e credíveis de tanto e tão grande Por isso e para isso, podemos aprender a rezar a vida com o orante do Salmo 78:

«As coisas que nós ouvimos e conhecemos,

o que nos contaram os nossos pais,

não o esconderemos aos seus filhos,

contá-lo-emos à geração seguinte:

os louvores do Senhor e o seu poder,

e as suas maravilhas que Ele fez.

Ele firmou o seu testemunho em Jacob,

e a sua instrução pôs em Israel.

E ordenou aos nossos pais,

que os dessem a conhecer aos seus filhos,

para que o saibam as gerações seguintes,

os filhos que iriam nascer.

Que se levantem e os contem aos seus filhos,

para que ponham em Deus a sua confiança,

não se esqueçam das obras do Senhor,

e guardem os seus mandamentos» (Salmo 78,3-7).

Amados irmãos e irmãs, há coisas que não podemos mais dizer sentados, que é como quem diz, assim-assim, de qualquer maneira ou de uma maneira qualquer. O Amor de Deus, que enche a nossa vida, tem de ser dito com a vida levantada, com um dizer grande, transbordante, contagiante e transformante, com razão, emoção, afeto e paixão. Retomo o dizer do orante e transmissor da fé: «Que se levantem e os contem aos seus filhos» (Salmo 78,6). Ou, de outra maneira: «Uma geração enaltece à outra as tuas obras» (Salmo 145,4). Ou como Maria: «A minha alma engrandece o Senhor» (Lucas 1,47).

Todos-para-todos

10. Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor às famílias desconstruídas e a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a beleza da sua família toda reunida. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.

Santa Maria de um amor maior,

do tamanho do Menino que levas ao colo,

diante de ti me ajoelho e esmolo

a graça de um lar unido ao teu redor.

Protege, Senhora, as nossas famílias,

todos os casais, os filhos e os pais,

e enche de alegria, mais e mais e mais,

todos os seus dias, manhãs, tardes, noites e vigílias.

Vela, Senhora, por cada criança,

por cada mãe, por cada pai, por cada irmão,

a todos os velhinhos, Senhora, dá a mão,

e deixa em cada rosto um afago de esperança.

Lamego, 27 de setembro de 2014, Dia da Igreja Diocesana

+ António, vosso bispo e irmão


DOCUMENTO PARA DOWNLOAD:

Carta Pastoral de D. António Couto > AQUI.

D. António Couto faz Nomeações

nomeaçõesNOTA DA VIGARARIA GERAL

 

Diocese de Lamego

A Vigararia Geral da Diocese de Lamego informa que o Sr. D. António José da Rocha Couto, perante as necessidades pastorais da Diocese e procurando responder às suas exigências, decidiu proceder às seguintes alterações:

  • DISPENSAR o Rev. Pe. Jorge Manuel dos Santos Freitas, da Paroquialidade de Nossa Senhora da Corredoura de Alhais, Nossa Senhora das Neves do Granjal, Nossa Senhora da Conceição de Lamosa, São Martinho de Segões, e da função de Vigário Paroquial de São João Baptista de Quintela da Lapa;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. João Martins Fernandes, da Paroquialidade de São Cristóvão de Nogueira;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. José Alfredo Gonçalves Patrício, do Departamento para as Comunicações Sociais, Gabinete de Imprensa e Publicações;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. Vítor José Taveira Pinto, da Paroquialidade de São Martinho de Fornelos e de Santa Leocádia de Travanca, e NOMEÁ-LO Pároco de São Cristóvão de Nogueira e de São Tiago de Piães;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. Tiago André Bernardino Cardoso da paroquialidade de  de São Pedro de Ester e de São João Baptista de Parada de Ester, e NOMEÁ-LO Pároco de Nossa Senhora da Corredoura de Alhais, Nossa Senhora das Neves do Granjal, Nossa Senhora da Conceição de Lamosa, São Martinho de Segões, e Vigário Paroquial de São João Baptista de Quintela da Lapa;
  • NOMEAR o Rev. Pe. António de Almeida Morgado, Pároco de Santa Leocádia de Travanca;
  • NOMEAR o Rev. Pe. José Augusto Rodrigues Cardoso, Pároco de São Martinho de Fornelos;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. Jorge Henrique Gomes Saraiva, da Paroquialidade de São Martinho de Faia, de São Sebastião de Penso, de Nossa Senhora do Ameal de Vila da Ponte e de São Pelágio de Vila da Rua, e NOMEÁ-LO Pároco de São Pedro de Ester e de São João Baptista de Parada de Ester;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. André Filipe Mendes Pereira, da Paroquialidade de Santa Catarina de Barreira, de Nossa Senhora dos Prazeres de Carvalhal, de São Caetano de Chãs, de Santo António de Coriscada, de Santíssima Trindade de Gateira, de Santa Maria Madalena de Muxagata, de São Paulo de Rabaçal, de Nossa Senhora dos Prazeres de Santa Comba e de São Pedro de Valflor, e NOMEÁ-LO Pároco de São Martinho de Faia, de São Sebastião de Penso, de Nossa Senhora do Ameal de Vila da Ponte e de São Pelágio de Vila da Rua;
  • NOMEAR o Rev. Pe. José Fonseca Soares, Pároco in solidum (com o Rev. Pe. Bernardo Maria Furtado de Mendonça Gago Magalhães, mantendo este a função de Moderador) de Santa Catarina de Barreira, de Nossa Senhora dos Prazeres de Carvalhal, de São Caetano de Chãs, de Santo António de Coriscada, de Santíssima Trindade de Gateira, de Santa Maria Madalena de Muxagata, de São Paulo de Rabaçal, de Nossa Senhora dos Prazeres de Santa Comba e de São Pedro de Valflor;
  • DISPENSAR o Rev. Pe. Joaquim Proença Dionísio, das funções de Director do Centro Diocesano de Promoção Social e NOMEÁ-LO Director do Departamento das Comunicações Sociais, Gabinete de Imprensa e Publicações e, na qualidade de Presidente da Comissão Diocesana de Vocações e Ministérios, confiar-lhe a missão de acompanhar os sacerdotes mais novos;
  • NOMEAR o Rev. Cón. José Manuel Pereira de Melo, Pároco de Nossa Senhora da Piedade de Queimadela, em substituição do cargo de Administrador Paroquial;
  • NOMEAR o Rev. Cón. Manuel Jorge Leal Domingues, Director do Centro Diocesano de Promoção Social.

Nos casos em que não se mencione o contrário, os sacerdotes mantêm as funções que já exerciam.

A Diocese agradece a generosidade e a dedicação de todos os sacerdotes, bem como a sua disponibilidade para assumirem as novas funções que lhes são confiadas.

Lamego, 16 de Julho de 2014, dia de Nossa Senhora do Carmo.

Pe.  Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral