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Posts Tagged ‘Dia Mundial do Doente’

Conselhos práticos para lidar com a dor crónica

Cerca de 37% da população portuguesa sofre de dor crónica.

14% dos portugueses têm dor crónica recorrente com intensidade moderada ou intensa.

A dor crónica atinge 1 em cada 3 portugueses, sendo a 2ª doença com maior prevalência em Portugal.

A dor é uma experiência individual e subjetiva que quando persiste após o período estimado para a recuperação normal de uma lesão passa a ser considerada crónica. A dor crónica afeta a qualidade de vida do doente e das famílias, não apenas devido à dificuldade ou incapacidade física, funcional e motora, mas também ao ter um grande impacto a nível pessoal e emocional, causando morbilidade, absenteísmo, dependência, ansiedade, afastamento social, fadiga, alterações do sono e apetite.

Segundo Ana Pedro, Presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), “retomar as atividades diárias, tanto pessoais como laborais, e realizar tarefas quotidianas para quem sofre de dor crónica pode ser bastante complicado e muitas vezes os doentes sentem-se frustrados por não conseguirem realizar tarefas simples (pelo menos, sem sentir dor) que em outrora realizavam quase inconscientemente”. 

Contudo, existem algumas dicas e conselhos práticos que os doentes podem seguir para atenuar os efeitos e condições da dor crónica em diversas situações do dia-a-dia:

Atividade física – o exercício físico ligeiro ou moderado é fundamental no dia-a-dia para aumentar a mobilidade e contrariar o sedentarismo, para além de ajudar o doente a sentir-se ativo e útil, diminuindo o tempo em que pensa na dor. Fazer exercício regularmente, como um passeio diário ou exercícios em casa, é uma boa solução, desde que o médico esteja informado e que aprove.

Levantar – ao sair da cama ou do sofá, deve-se virar de lado, baixar as pernas devagar para fora da cama/sofá, ao mesmo tempo que, com os braços apoiados, se impulsiona para cima. Depois, deve-se permanecer sentado durante alguns segundos e só depois levantar lentamente, ajudando com as mãos de ambos os lados do corpo. 

Dormir – muitas vezes, adormecer é a parte mais difícil para estes doentes, apesar do nosso corpo ter a tendência para se colocar na postura que nos é mais cómoda para aliviar a dor. Para ajudar neste processo, especialistas recomendam a utilização de almofadas cervicais e a mudança do colchão, no máximo, de 8 em 8 anos.

No trabalho – tendo em conta que passamos a maior parte do nosso tempo acordados a trabalhar, é fundamental adotar alguns hábitos no contexto de trabalho. Sentar numa cadeira ajustável com um bom apoio lombar para manter uma postura correta, colocar ao alcance da mão tudo aquilo que seja necessário para evitar levantar desnecessariamente, e levantar da cadeira de hora a hora e andar um pouco, são algumas medidas a tomar para evitar que a vida profissional seja afetada.

Acessórios – o uso de pentes de cabo longo para pentear o cabelo, de peças de roupa folgada e calçado cómodo, de calçadeiras compridas para o calçado e de acessórios que permitem calçar meias, é, também, essencial para facilitar estas tarefas. 

Para mais informações, contacte: ATREVIA Lisboa

Tel. 21 324 02 27 | M. 914 027 251; 914 027 407

Carina Monteiro, cmonteiro@atreia.com 

Marta Ribeiro, mribeiro@atrevia.com

Editorial Voz de Lamego: Relação de confiança no cuidado dos doentes

Tema escolhido pelo Papa Francisco para o XXIX Dia Mundial do Doente, que celebramos, cada ano, a 11 de fevereiro, na memória de Nossa Senhora de Lurdes: «‘Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos’ (Mt 23, 8). A relação de confiança, na base do cuidado dos doentes».

A referência fundamental é Jesus e a Sua postura de vida. Com Ele deveremos sincronizar a nossa conduta na relação com os outros, na opção preferencial pelos mais pobres, os que se encontram em situação mais frágil e desfavorecida, como são, por exemplo os doentes. Jesus alertava para a hipocrisia daqueles que exigem aos outros comportamentos, mas que eles próprios não mexem uma palha para o cumprirem. Jesus tem a consciência que as palavras se enraízam no coração, se enraízam na vida e nos comprometem, no concreto, no serviço ao nosso semelhante. Como lembrava o Papa, no último domingo, só há uma situação em que é lícito olharmos as pessoas de cima para baixo, quando nos debruçamos para as ajudar a levantar-se. É o que Jesus faz em relação à sogra de Pedro, doente e com febre, toma-a pela mão e levanta-a. O mesmo faz com os outros doentes que se aproximam d’Ele (cf. Mc 1, 29-39).

Ao longo da Sua vida, Jesus estabelece uma relação de proximidade afetiva com todos os que encontra, sejam as multidões, os apóstolos e discípulos, sejam as pessoas mais frágeis marcadas pela doença, pela pobreza, pela exclusão motivada pela condição social/moral, pecadores e publicanos. Ele não olha para ti em conformidade com o teu cartão de cidadão, a tua origem, a tua pertença a um partido, a tua nacionalidade ou, mesmo religião, Ele olha para ti como irmão. É a dinâmica do Bom Samaritano, que vê, se aproxima para ver melhor, desce da sua montada, debruça-se para cuidar das feridas, levanta o a pessoa caída, coloca-a na sua montada, condu-la a um lugar de repouso e recuperação, assume as despesas do seu tratamento e mantém-se vigilante pelo seu estado de saúde (cf. Lc 10, 25-37).

Mais tarde ou mais cedo, tu e eu, todos passaremos, se ainda não estivemos nessa condição, pela situação de doentes. Ou tivemos/teremos algum familiar próximo a necessitar de cuidados de saúde, internamento, ou mesmo cuidados mais intensivos e/ou continuados. Como gostaríamos de ser tratados? Como gostaríamos que os nossos familiares fossem tratados? Certamente que responderíamos: com todo o respeito, atenção, cuidado.

A terapia da pessoa doente deve ter um carácter holístico, não se trata de intervir numa parte do corpo, mas na pessoa como um todo. Não há doenças, há pessoas doentes, o corpo, alma e espírito. Entre os que são tratados e aqueles que cuidam deverá haver uma relação personalizada, de confiança e respeito, de sinceridade e disponibilidade, colocando no centro a dignidade da pessoa doente. A referência, não é demais repeti-lo, é Jesus. “Assim o atesta muitas vezes o Evangelho quando mostra que as curas realizadas por Jesus nunca são gestos mágicos, mas fruto de um encontro, uma relação interpessoal, em que ao dom de Deus, oferecido por Jesus, corresponde a fé de quem o acolhe, como se resume nesta frase que Jesus repete com frequência: «A tua fé te salvou»”.

A atual pandemia acentuou vulnerabilidades e insuficiências dos sistemas de saúde, com descriminação negativa do acesso aos cuidados médicos por parte das pessoas mais frágeis e pobres. É tempo de refletir e de agir em prol da fraternidade inclusiva.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/13, n.º 4595, 9 de fevereiro de 2021

Editorial Voz de Lamego: a centralidade da compaixão

No próximo dia 11 de fevereiro celebramos o Dia Mundial do Doente, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes. A medicina está muito evoluída, mas isso não significa que haja menos doentes ou que os doentes sofram menos. Os passos dados em Medicina permitem aliviar o sofrimento (sobretudo) físico, sabendo que o ser humano é muito mais que biologia. Hoje há outras ciências humanas que contribuem para o conforto e alívio do sofrimento. Em muitos hospitais há equipas multidisciplinares, com médicos, enfermeiros, psicólogos, sacerdotes, voluntários.

Como cristãos, a nossa referência é Jesus Cristo, sempre. D’Ele partimos, n’Ele vivemos, para Ele caminhamos. Se olharmos para Jesus, ao longo da Sua vida, vemos como Ele Se aproxima, antes de mais, dos pecadores, dos pobres, dos doentes, dos excluídos. N’Ele transparece ternura, compaixão. É uma postura dócil e delicada. Não passa ao lado, não Se afasta quando O chamam ou quando vê alguém a precisar de ajuda.

Num dos seus primeiros discursos, na Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, ao dirigir-se aos Bispos, o Papa Francisco sanciona, mais uma vez, a centralidade da compaixão, dos Bispos em relação aos sacerdotes das suas dioceses, mas percebe-se bem que as palavras dirigem-se também para mim e para ti, para toda a Igreja: “O resultado do trabalho pastoral, da evangelização na Igreja e da missão não se baseiam na riqueza dos meios e recursos materiais, nem na quantidade de eventos ou atividades que realizamos, mas na centralidade da compaixão: um dos grandes distintivos que podemos, como Igreja, oferecer aos nossos irmãos. A kenosis de Cristo é a expressão máxima da compaixão do Pai. A Igreja de Cristo é a Igreja da compaixão; e isto começa em casa”.

Por outro lado, na mensagem para esta comemoração, o Papa lembra-nos a gravidade de esquecermos a compaixão para com os mais frágeis. Com efeito, “contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas… Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/10, n.º 4496, 5 de fevereiro de 2019

Dia Mundial do Doente na Paróquia de Almacave

Ao cuidar dos doentes, a Igreja serve o próprio Cristo presente nos irmãos que sofrem, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que “passou fazendo o bem e curando a todos” (Act 10, 30) e cumpre o mandato do Senhor deixado aos seus discípulos na Última Ceia (Jo 13, 34-35). A parábola do Bom Samaritano, que suporta o lema do nosso Plano Pastoral, é o ícone atraente do Amor de Deus que cada um de nós deve testemunhar junto dos irmãos que mais sofrem e que impõe a cada cristão, também, respostas operativas capazes de rasgarem tanta indiferença e insensibilidade perante o sofrimento dos outros.

Esta solicitude pastoral torna-se também visível, não só visitando os doentes, mas igualmente confortando-os com os sacramentos da Santa Unção e da Eucaristia.

O Conselho Pastoral Paroquial, através das Conferências Vicentinas, propôs à comunidade paroquial celebrar o Dia Mundial do Doente, no próprio dia 11 de fevereiro, numa celebração eucarística comunitária na Igreja da Graça, com a administração do Sacramento da Santa Unção a todos os doentes que não se encontram acamados e às pessoas de idade, cuja fragilidade física se vai acentuando. A celebração deste Sacramento da Unção dos Enfermos foi preparada nas homilias que antecederam o dia desta celebração e em encontros de reflexão, aprofundando junto dos paroquianos a eficácia da graça deste sacramento instituído por Cristo e confiado à igreja, destinado especialmente a reconfortar não apenas os que estão no fim da vida, mas também os que se encontram sob a provação de uma doença e do peso da idade. Não foram celebradas todas as eucaristias dominicais, para que a comunidade pudesse participar e acompanhar, como Família Paroquial, os irmãos doentes, na celebração destes sacramentos, a Eucaristia e a Santa Unção. Ler mais…

VOCAÇÃO MATERNA | Editorial Voz de Lamego | 6 de fevereiro de 2018

VOCAÇÃO MATERNA

Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente que viveremos no próximo domingo, o Papa Francisco recorda que a Igreja foi cumprindo, ao longo dos séculos, a sua vocação materna para com as pessoas necessitadas e doentes. E convida a não esquecer essa história e essa dedicação, apelando à sua continuidade.

Falar em “vocação materna” é referir uma presença que faz bem, um agir que protege e eleva. Porque a mãe é sempre sinónimo de amor, dedicação, sacrifício, vida…

É verdade que não basta contemplar, extasiados, um tempo que já foi ou deixar de estar atento e actuar, aqui e agora, desculpando-se com o muito que se fez. A fidelidade à missão exige continuidade.

No entanto, nem sempre nos livramos da tentativa de afastar a Igreja de determinados espaços ou serviços, resultado de uma memória curta e selectiva ou, então, em nome de uma laicidade que, tantas vezes, descamba em laicismo.

À nossa volta, em instituições ligadas à Igreja, quanto bem não é concretizado, todos os dias, em favor de doentes, idosos, crianças, jovens, necessitados? Quantas obras não nasceram e quantos postos de trabalho não foram criados, graças ao entusiasmo e perseverança de gente inspirada no Evangelho e apoiada pela Igreja? Quanta não continuam a ter o seu lugar, a sua dignidade e a sua vez graças à acção eclesial?

A Igreja, através dos seus membros, continua a testemunhar essa “vocação materna” para com os mais necessitados e doentes, mesmo quando a sua acção é pouco divulgada ou quando alguns pretendem remete-la ao silêncio ou controlar a sua presença em favor do bem comum.

A memória é fundamental à Igreja para se manter fiel.

Mas a memória da sociedade que beneficia daquela presença e acção também não deve ser apagada, sob pena de cair na ingratidão.

Pe. Joaquim Dionísio,

in Voz de Lamego, ano 88/10, n.º 4447, 6 de fevereiro de 2018

Mensagem do Papa Francisco para o XXV Dia Mundial do Doente 2017

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE FRANCISCO PARA A XXV JORNADA MUNDIAL DO DOENTE 2017
Lourdes, 11 de fevereiro de 2017

Tema: «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)»

Queridos irmãos e irmãs,

No próximo dia 11 de fevereiro, celebrar-se-á em toda a Igreja, e de forma particular em Lourdes, a XXV Jornada Mundial do Doente, sob o tema: «Admiração pelo que Deus faz: “o Todo-Poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49)». Instituída pelo meu predecessor São João Paulo II em 1992 e celebrada a primeira vez precisamente em Lourdes no dia 11 de fevereiro de 1993, tal Jornada dá ocasião para se prestar especial atenção à condição dos doentes e, mais em geral, a todos os atribulados; ao mesmo tempo convida quem se prodigaliza em seu favor, a começar pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, a dar graças pela vocação recebida do Senhor para acompanhar os irmãos doentes. Além disso, esta recorrência renova, na Igreja, o vigor espiritual para desempenhar sempre da melhor forma a parte fundamental da sua missão que engloba o serviço aos últimos, aos enfermos, aos atribulados, aos excluídos e aos marginalizados (cf. João Paulo II, Motu proprio Dolentium hominum, 11 de fevereiro de 1985, 1). Com certeza, os momentos de oração, as Liturgias Eucarísticas e da Unção dos Enfermos, a interajuda aos doentes e os aprofundamentos bioéticos e teológico-pastorais que se realizarão em Lourdes, naqueles dias, prestarão uma nova e importante contribuição para tal serviço.

Sentindo-me desde agora presente espiritualmente na Gruta de Massabiel, diante da imagem da Virgem Imaculada, em quem o Todo-Poderoso fez maravilhas em prol da redenção da humanidade, desejo manifestar a minha proximidade a todos vós, irmãos e irmãs que viveis a experiência do sofrimento, e às vossas famílias, bem como o meu apreço a quantos, nas mais variadas tarefas de todas as estruturas sanitárias espalhadas pelo mundo, com competência, responsabilidade e dedicação se ocupam das melhoras, cuidados e bem-estar diário de todos vós. Desejo encorajar-vos a todos – doentes, atribulados, médicos, enfermeiros, familiares, voluntários – a olhar Maria, Saúde dos Enfermos, como a garante da ternura de Deus por todo o ser humano e o modelo de abandono à vontade divina; e encorajar-vos também a encontrar sempre na fé, alimentada pela Palavra e os Sacramentos, a força para amar a Deus e aos irmãos mesmo na experiência da doença.

Como Santa Bernadete, estamos sob o olhar de Maria. A jovem humilde de Lourdes conta que a Virgem, por ela designada «a Bela Senhora», a fixava como se olha para uma pessoa. Estas palavras simples descrevem a plenitude dum relacionamento. Bernadete, pobre, analfabeta e doente, sente-se olhada por Maria como pessoa. A Bela Senhora fala-lhe com grande respeito, sem Se pôr a lastimar a sorte dela. Isto lembra-nos que cada doente é e permanece sempre um ser humano, e deve ser tratado como tal. Os doentes, tal como as pessoas com deficiências mesmo muito graves, têm a sua dignidade inalienável e a sua missão própria na vida, não se tornando jamais meros objetos, ainda que às vezes pareçam de todo passivos, mas, na realidade, nunca o são.

Bernardete, depois de estar na Gruta, graças à oração, transforma a sua fragilidade em apoio para os outros; graças ao amor, torna-se capaz de enriquecer o próximo e sobretudo oferece a sua vida pela salvação da humanidade. O facto de a Bela Senhora lhe pedir para rezar pelos pecadores lembra-nos que os doentes, os atribulados não abrigam em si mesmos apenas o desejo de curar, mas também o de viver cristãmente a sua existência, chegando a doá-la como autênticos discípulos missionários de Cristo. A Bernadete, Maria dá a vocação de servir os doentes e chama-a para ser Irmã da Caridade, uma missão que ela traduz numa medida tão elevada que se torna modelo que todo o profissional de saúde pode tomar como referência. Por isso, peçamos à Imaculada Conceição a graça de saber sempre relacionar-nos com o doente como uma pessoa que certamente precisa de ajuda – e, por vezes, até para as coisas mais elementares – mas também é portadora do seu próprio dom que deve partilhar com os outros.

O olhar de Maria, Consoladora dos aflitos, ilumina o rosto da Igreja no seu compromisso diário a favor dos necessitados e dos doentes. Os preciosos frutos desta solicitude da Igreja pelo mundo dos atribulados e doentes são motivo de agradecimento ao Senhor Jesus, que Se fez solidário connosco, obedecendo à vontade do Pai até à morte na cruz, para que a humanidade fosse redimida. A solidariedade de Cristo, Filho de Deus nascido de Maria, é a expressão da omnipotência misericordiosa de Deus que se manifesta na nossa vida – sobretudo quando é frágil, está ferida, humilhada, marginalizada, atribulada –, infundindo nela a força da esperança que nos faz levantar e sustenta.

Uma riqueza tão grande de humanidade e de fé não deve ficar perdida, mas sim ajudar-nos a enfrentar as nossas fraquezas humanas e, ao mesmo tempo, os desafios presentes em âmbito sanitário e tecnológico. Por ocasião da Jornada Mundial do Doente, podemos encontrar novo impulso a fim de contribuir para a difusão duma cultura respeitadora da vida, da saúde e do meio ambiente; encontrar um renovado impulso a fim de lutar pelo respeito da integridade e dignidade das pessoas, inclusive mediante uma abordagem correta das questões bioéticas, a tutela dos mais fracos e o cuidado pelo meio ambiente.

Por ocasião da XXV Jornada Mundial do Doente, reitero a minha proximidade feita de oração e encorajamento aos médicos, enfermeiros, voluntários e a todos os homens e mulheres consagrados comprometidos no serviço dos doentes e necessitados; às instituições eclesiais e civis que trabalham nesta área; e às famílias que cuidam amorosamente dos seus membros doentes. A todos, desejo que possam ser sempre sinais jubilosos da presença e do amor de Deus, imitando o testemunho luminoso de tantos amigos e amigas de Deus, dentre os quais recordo São João de Deus e São Camilo de Lélis, Padroeiros dos hospitais e dos profissionais de saúde, e Santa Teresa de Calcutá, missionária da ternura de Deus.

Irmãs e irmãos todos – doentes, profissionais de saúde e voluntários –, elevemos juntos a nossa oração a Maria, para que a sua materna intercessão sustente e acompanhe a nossa fé e nos obtenha de Cristo seu Filho a esperança no caminho da cura e da saúde, o sentido da fraternidade e da responsabilidade, o compromisso pelo desenvolvimento humano integral e a alegria da gratidão sempre que Ele nos maravilha com a sua fidelidade e a sua misericórdia:

Ó Maria, nossa Mãe,
que, em Cristo, acolheis a cada um de nós como filho,
sustentai a expectativa confiante do nosso coração,
socorrei-nos nas nossas enfermidades e tribulações,
guiai-nos para Cristo, vosso filho e nosso irmão,
e ajudai a confiarmo-nos ao Pai que faz maravilhas.

A todos vós, asseguro a minha recordação constante na oração e, de coração, concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 8 de dezembro – Festa da Imaculada Conceição – de 2016.

Francisco

ORAÇÃO PARA O XXIV DIA MUNDIAL DO DOENTE 2016

Diapositivo 1

Santa Maria, Mãe de Misericórdia
no vosso ventre o Verbo de Deus fez-se carne:
dai-nos a graça de acolher Jesus
e confiarmo-nos a Ele, Palavra da Vida.
Virgem da Consolação
na vossa solicitude para com a humanidade
espelhais a ternura de Deus:
ensinai-nos a consolar quem sofre
com a consolação que d’Ele vem.
Mãe de Deus e nossa Mãe
intercedei por nós com misericórdia e compaixão
para sermos mãos, braços e corações
que ajudam o Senhor
a realizar os seus prodígios, tantas vezes escondidos.
Mãe da Vida
como a água das Bodas de Caná foi transformada em vinho bom,
assim o Espírito do vosso Filho
dê dimensão divina a todos os esforços humanos
ao serviço dos irmãos.
Santa Maria, Saúde dos Enfermos
ao vosso coração de Mãe confiamos a nossa vida:
iluminados pela fé,
possamos sentir a proximidade de Cristo
que caminha ao nosso lado, carregando a nossa cruz,
e que nos ajuda a descobrir o sentido da nossa vida marcada pelo sofrimento.
Amen.

in Voz de Lamego, ano 86/12, n.º 4349, 9 de fevereiro de 2016

MISSÃO CURATIVA | Editorial Voz de Lamego | 9 de fevereiro

Editorial_Voz_Lamego

A edição desta semana entra na Quaresma, mas em vésperas do Dia Mundial do Doente, acontecimentos celebrados no decorrer do Ano Santo da Misericórdia, pelo que são estes três pilares que estruturam e envolvem o Jornal Diocesano: Mensagem de D. António Couto para a Quaresma 2016, definindo o destino da renúncia quaresmal; Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Doente; algumas iniciativas específicas do Jubileu da Misericórdia nos diferentes Arciprestados que constituem a Diocese.

Muitos outros textos de reflexão e notícias, da Diocese e da Região, podem encontrar-se na edição impressa da Voz de Lamego. O Editorial, proposto pelo nosso Diretor, é o pórtico de entrada para a leitura do jornal, partindo da Mensagem papal e passando pelo livro de Jose António Pagola.

MISSÃO CURATIVA 

Na próxima quinta-feira, 11 de fevereiro, a Igreja vive a XXIV Jornada Mundial do Doente e, pela voz do Papa, convida todos a “Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2, 5)”.

Um dia que procura demonstrar a solicitude eclesial pelo mundo dos doentes e desamparados, convidando a ultrapassar a apatia ou a indiferença que tende a instalar-se nesta sociedade onde a competição e o bem-estar parecem não ter tempo nem lugar para os que perdem as forças. O mal alheio incomoda e é desagradável; o sofrimento interpela e pode estorvar numa sociedade sem misericórdia.

A doença – física, psíquica ou moral – é sinónimo de sofrimento que, não raras vezes, põe à prova a fé do crente. Porque, tal como escreve o Papa, a doença pode levar a “pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido”.

A solicitude pastoral por este mundo da saúde e da doença, não pode ser assunto ou preocupação de um grupo, mas uma prioridade de toda a comunidade cristã. Daí que seja importante valorizar e multiplicar a proximidade efectiva e afectiva, capaz de combater o desespero e o anonimato e dar vez e voz aos que, socialmente, parecem já estar mortos.

E é neste âmbito que se pode falar de uma “missão curativa” e passar de uma “pastoral de doentes a uma pastoral da saúde”, tal como escreveu J. A. Pagola, no livro “Ide e curai – evangelizar o mundo da saúde e da doença” (Paulus, 2015).

Aqui fica uma palavra de louvor a quantos participam nessa missão curativa junto de doentes e limitados físicos através dos cuidados continuados que prestam, das visitas regulares que protagonizam, da partilha de bens e de tempo, do conforto que oferecem e da alegria e esperança que partilham.

in Voz de Lamego, ano 86/12, n.º 4349, 9 de fevereiro de 2016

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Doente | 2016

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MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA A XXIV JORNADA MUNDIAL DO DOENTE

11 de fevereiro de 2016

 

«Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)»

Amados irmãos e irmãs!

A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos cuidam de vós.

Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido –Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (4, 18-19).

A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido… Ler mais…

VIVER A FRAGILIDADE | Editorial Voz de Lamego | 10 de fevereiro

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O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, na ambiência da edição desta semana, propõe-nos a reflexão sobre a fragilidade mormente da doença. O dia 11 de fevereiro é o Dia Mundial do Doente. Na edição anterior, a publicação da Mensagem do Papa Francisco, esta semana, o Editorial remete-nos para a fragilidade da doença e, fazendo eco da Mensagem papal, para aqueles e aquelas que cuidam das pessoas mais frágeis, que prestam cuidados, por vocação ou por profissão, para que verdadeiramente sejam “os olhos do cego e os pés do coxo”.

Cada edição do Jornal Diocesano é preenchida com reflexões, notícias, eventos a realizar, propostas. Entre outras informações: Conselho Diocesano de Pastoral; formação do clero de Lamego; função dos tribunais eclesiásticos; entrevista à Ir. Joaquina Vazão, sobre o Centro de Escuta e Aconselhamento; abertura do Ano da Vida Consagrada, em Lamego; a Pastoral Vocacional e a presença do Seminário Menor em mais uma comunidade.

VIVER A FRAGILIDADE

O homem transporta em si o desejo de permanecer vivo, sentindo-se mal diante da possibilidade de deixar de ser, de estar, de sentir ou de fazer. Também o crente, na sua humanidade e apesar de se saber a caminho da eternidade, enfrenta e combate a morte.

E se, diante do sucesso, o homem esquece, momentaneamente, que é mortal, a verdade é que a doença, fácil e rapidamente, lhe recorda a sua fragilidade.

E este é um dos desafios que o ser humano enfrenta e que se prende, precisamente, com o acolher da vida na sua fragilidade no seio de uma sociedade marcada pelo culto da performance, da rentabilidade, do prazer… O que fazer quando o corpo já não corresponde ou é diferente ou não conforme ao padrão publicitado?

Apesar das debilidades e da falta de autonomia, saber-se e sentir-se amado pode proporcionar ao doente a aceitação diante das limitações, trazendo-lhe serenidade e razões para prosseguir. E sentir-se amado é fruto de uma presença e de um contínuo cuidado que se experimentam e que estão muito para lá das palavras ou de uma proximidade ocasional.

Na mensagem para o XXIII Dia Mundial do Doente, o Papa Francisco valorizou o carinho dos que tratam dos doentes. A este sair de si para cuidar do mais frágil e carenciado, o Papa chama “sabedoria do coração”, que não se aprende nos livros nem se paga por transferência bancária, mas que brota da vontade de servir e seguir o exemplo do Senhor.

A dor física pode ser grande, mas o sofrimento provindo do sentir-se abandonado poderá ser ainda maior! Daí que o Papa tenha valorizado todos quantos são “os olhos do cego e os pés do coxo”. E são muitos os que incarnam esta missão. Bem hajam!

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015