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54.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

 

Entre 30 de abril e 07 de maio decorre mais uma Semana de Oração pelas Vocações, com o tema “Queres dar-te a Deus?”.

Na sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a assinalar no próximo domingo, a 7 de maio, dia do Bom Pastor, o Papa Francisco destaca a importância da Igreja Católica “voltar a encontrar o ardor do anúncio e propor” o seguimento de Cristo, sobretudo aos jovens.

O Papa observa que o povo de Deus “precisa de ser guiado” por pastores que “gastam a sua vida ao serviço do Evangelho” e pede às comunidades paroquiais, associações e grupos de oração que peçam “ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho”. Porque todos os cristãos” são chamados a estar envolvidos na dinamização das vocações no mundo, algo que “vale de forma particular” para as pessoas chamadas a uma “especial consagração e também para os sacerdotes”.

Semana de Oração pelas Vocações

Vamos iniciar mais uma Semana de Oração pelas Vocações, que decorrerá até ao próximo dia 7 de maio, Domingo do Bom Pastor e este ano, inserida no Centenário das Aparições de Fátima, tem como tema: Queres dar-te a Deus?”.

Na sua Mensagem para esta 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o Santo Padre remeteu a sua reflexão para a dimensão missionária da vocação cristã. Lembra o Papa Francisco que “…todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho”. Por isso, e continua o Papa, “Cada discípulo missionário sente, no seu coração, esta voz divina que o convida a «andar de lugar em lugar» no meio do povo, como Jesus, «fazendo o bem e curando» a todos”.

«Sair de si mesmo» para pôr-se à escuta da voz do Senhor, é portanto, essencial. Todos somos chamados a “… sair dos recintos sagrados do templo…” e a levar a ternura de Deus a todos os homens.

Desta forma, todos podemos e devemos colaborar com a missão da Igreja: porque todos fomos ungidos pelo Espírito Santo tal como Jesus na Sinagoga de Nazaré; porque Jesus vem colocar-se ao nosso lado de modo que nenhum cristão carrega sozinho o encargo da missão; porque é Jesus quem faz germinar a semente que é lançada. Deus supera sempre o nosso trabalho. É Ele quem faz germinar os frutos do nosso trabalho.

Assim, para vivermos esta Semana de Oração pelas Vocações, podemos rezar a oração sugerida:

Maria Santíssima,

Mãe do nosso Salvador,

Tu que tiveste a coragem

de abraçar o sonho de Deus,

pondo a Tua juventude

e o Teu entusiasmo nas mãos d’Ele;

intercede por nós ao Pai,

por Teu Filho Jesus Cristo,

para que sejamos

impelidos pelo Espírito Santo para a missão,

com a mesma abertura do Teu coração,

e a prontidão em dizer o nosso «eis-me aqui»,

ao chamamento e à alegria

de nos pormos a caminho como Tu,

para O anunciar ao mundo inteiro.

Ámen.

Podemos ainda tomar parte na Vigília de Oração pelas Vocações que este ano decorrerá na Igreja Paroquial de Santa Marinha, Paróquia de Nespereira, Zona Pastoral de Cinfães, pelas 21h do dia 6 de maio.

Pe. José Miguel

Departamento Diocesano da Pastoral Vocaional

 

Da MENSAGEM do PAPA FRANCISCO

“Agora, no 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de me deter na dimensão missionária da vocação cristã. Quem se deixou atrair pela voz de Deus e começou a seguir Jesus, rapidamente descobre dentro de si mesmo o desejo irreprimível de levar a Boa Nova aos irmãos, através da evangelização e do serviço na caridade. Todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho. Com efeito, o discípulo não recebe o dom do amor de Deus para sua consolação privada; não é chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses duma empresa; simplesmente é tocado e transformado pela alegria de se sen􀆟r amado por Deus e não pode guardar esta experiência apenas para si mesmo. (…)

Perante as interrogações que surgem do coração humano e os desafios que se levantam da realidade, podemos sentir-nos perdidos e notar um défice de energia e esperança. Há o risco de que a missão cristã apareça como uma mera utopia irrealizável ou, em todo o caso, uma realidade que supera as nossas forças. Mas, se contemplarmos Jesus Ressuscitado, que caminha ao lado dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-15), é possível reavivar a nossa confiança; nesta cena evangélica, temos uma autêntica e real «liturgia da estrada», que precede a da Palavra e da fração do Pão e nos faz saber que, em cada passo nosso, Jesus está junto de nós. Os dois discípulos, feridos pelo escândalo da cruz, estão de regresso a casa percorrendo o caminho da derrota: levam no coração uma esperança despedaçada e um sonho que não se realizou. Neles, a tristeza tomou o lugar da alegria do Evangelho. Que faz Jesus? Não os julga, percorre a própria estrada deles e, em vez de erguer um muro, abre uma nova brecha. Pouco a pouco transforma o seu desânimo, inflama o seu coração e abre os seus olhos, anunciando a Palavra e partindo o Pão. Da mesma forma, o cristão não carrega sozinho o encargo da missão, mas experimenta – mesmo nas fadigas e incompreensões – que «Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária».

in Voz de Lamego, ano 87/25, n.º 4410, 2 de maio de 2017

Tarouca: Vigília Diocesana de Oração pelas Vocações

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Vivemos a 53.ª Semana de Oração pelas Vocações que terminou no passado Domingo, Dia do Bom Pastor. Certamente que ao longo da semana, muitos foram os cristãos que se uniram em torno desta intenção e fizeram chegar até Deus, o dono da Messe, a oração e o louvor por todas as vocações.

Foi precisamente com este espírito de louvor e de oração que nos juntamos no Sábado pelas 21h na Igreja Paroquial de S. Pedro de Tarouca, na companhia do Sr. Bispo, D. António de vários sacerdotes, seminaristas, religiosas e muitos jovens e leigos que a nós se uniram para celebrarmos com fé e gratidão a Vigília de Oração pelas Vocações.

As palavras do Papa Francisco na sua mensagem para esta semana, serviram-nos de caminho para que todos déssemos conta que a Igreja é Mãe de Vocações. Com esta Vigília e “no decurso deste Jubileu Extraordinário da Misericórdia, quisemos experimentar a alegria de pertencer à Igreja, redescobrindo nela a vocação cristã e as formas particulares de a viver que nascem no Povo de Deus e são dons da misericórdia divina”, diz o Papa.

Assim durante cerca de uma hora e meia, permanecemos em oração diante de Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, exposto no altar.

Desde os cânticos, às diversas leituras, às palavras do Sr, Bispo, tudo nos encaminhou para este sentimento do Papa Francisco de percebermos que a “…Igreja é Casa de Misericórdia e também «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto…”.

Assim, uma das dinâmicas desta Vigília foi a plantação num vaso com terra, previamente preparado, três bolbos de plantas para nos recordar que a vocação é uma semente que é lançada e que precisa de criar raízes e ser amparada para dar fruto ou flor. Neste sentido, o Papa Francisco salientava que  “… a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação”.

Para que tal aconteça é necessário que os candidatos às diversas vocações conheçam melhor a comunidade eclesial sendo oportuno que façam alguma experiência apostólica junto da comunidade a quem pertencem, ao lado de um bom catequista; numa comunidade religiosa, nas mais diversas Congregações; que descubram o valor da contemplação, partilhando a clausura; que conheçam a missão ad gentes por exemplo junto dos missionários; a vida diocesana junto dos sacerdotes e párocos, ou na experiência de um Seminário e ainda no aprofundamento da experiência da pastoral na paróquia ou diocese a quem pertencem.

Estes são os caminhos propostos, o campo, a terra, onde se pode lançar a semente da vocação. Amparada por todos e regada com a água vida da oração, ela dá fruto.

Os dois testemunhos que foram dados na Vigília, bastante eloquentes, tinham este pano de fundo. É preciso seguir sem medo a voz Daquele que chama.

A Vigília de Oração terminou com a Bênção do Santíssimo Sacramento e a Oração do Papa Francisco para esta Semana, acompanhada do convite do Sr. Bispo de irmos e tal como Maria, tal como Paulo e Barnabé, seguirmos o Caminho e o Caminho é Jesus Cristo. Só Ele é o Caminho a que nos propusemos seguir. O cântico final enviava-nos com alegria de falar Dele, a dar a Boa Nova e a dizer a todos que Jesus é Amor.

Um agradecimento final a todos os que ajudaram a preparar este momento de oração e a todos os que participaram.

Pe. José Miguel, Departamento Diocesano das Vocações

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

SEMANA DAS VOCAÇÕES | Editorial Voz de Lamego | 5 de abril

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A edição desta semana da Voz de Lamego abre, em destaque, com a Semana de Orações pelas Vocações, com o Editorial do seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio a situar-nos nesta semana e na Mensagem do Papa Francisco para o 53.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Assim iniciamos a leitura do Jornal Diocesano:

SEMANA DAS VOCAÇÕES

A semana das vocações começa no dia 10 e culmina no domingo seguinte, com o 53.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, sob o tema “Igreja, mãe de vocações”.

Vocação, no dizer de todos os dias, é sinónimo de atracção, disposição, gosto por uma profissão ou estado de vida. No fundo, trata-se de aspirar a um bem, a algo que se deseja. E todo o homem é um vocacionado, na medida em que é um ser chamado à vida e à realização pessoal (felicidade).

Mas compete a cada um assumir conscientemente a resposta e esforçar-se por atingir a meta, já que a escolha não pode ser deixada ao acaso e o caminho não se faz sem gosto, dedicação e disponibilidade. Pode ter ajudas, pedir conselhos, mas há uma decisão pessoal que não pode ser hipotecada e um esforço de que não pode dispensar-se. E nenhuma vida é inútil, apesar das dificuldades que encontra, da brevidade com que passa ou das limitações a que está sujeita. Neste sentido, será descabido pensar ou sentir que se ficou esquecido e só os outros foram escolhidos.

Numa linguagem mais eclesial, e assumindo o que atrás se disse, entende-se a vocação como dom da misericórdia divina para a edificação da Igreja, uma forma pessoal de viver a vida ao serviço da humanidade e da comunidade cristã, onde as vocações nascem, crescem e são sustentadas, tal como escreve o Papa na sua mensagem.

Esta “mediação comunitária”, que faz do caminho vocacional uma “con-vocação”, não pode ser descurada, em particular pelos sacerdotes, para quem “o cuidado pastoral das vocações é parte fundamental do seu ministério”.

Viver a Semana das Vocações é assumir como sua a missão de ajudar outros (oração, escuta, convite, partilha, acompanhamento…) a encontrar o caminho, nomeadamente, em Igreja.

in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

Vigília de Oração pelas Vocações | Moimenta da Beira

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Vigília de Oração pelas Vocações

«Cada vocação requer um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho” (Mensagem para o 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações n. 2). Portanto, a chamada a seguir Jesus é entusiasmante e ao mesmo tempo comprometida. Para que se realize, é necessário entrar sempre em profunda amizade com o Senhor para poder viver d’Ele e por Ele. Rezemos para que também neste tempo, muitos jovens ouçam a voz do Senhor, que corre sempre o risco de ser sufocada por tantas outras vozes. Peçamos pelos jovens: talvez aqui nesta praça haja algum que ouve a voz do Senhor que o chama ao sacerdócio; rezemos por ele e por todos os jovens que são chamados.» (Papa Francisco, Regina Coeli 11 de Maio 2014).

Deste modo se iniciou a Vigília de Oração pelas Vocações, no passado sábado dia 25 de abril, na paróquia de Moimenta da Beira. Cada vocação é um chamamento para a vida. Deus chama-nos para a sua messe, pois quer fazer de todos nós (batizados) operários da sua seara. A vocação, como referia o nosso bispo, recebe-se para se dar, dar aos outros, dar pelos outros, por todos aqueles que precisam.

Deus ama-nos e faz desejar viver o amor de uma forma concreta em diferentes caminhos vocacionais. Foi neste sentido que muitos se juntaram para rezar, para interceder, para pedir santas vocações para a Igreja diante de Cristo. A vigília com Exposição do Santíssimo Sacramento foi presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto, tendo também parte nela o Sr Vigário Geral, alguns sacerdotes e os dois diáconos, consagrados e consagradas e bastantes leigos que pertencem a esta família que é a Diocese de Lamego.

No final da oração agradeceu-se ao pároco de Moimenta da Beira, Rev. Pe. Manuel Adelino Abrunhosa, bem como a toda a comunidade de Moimenta da Beira e a todos quantos participaram deste momento.

Que nunca faltem os evangelizadores, os servidores, os pastores santos que fazem parte desta nossa Igreja para que de forma alegre possam mostrar, verdadeiramente, a alegria do Evangelho a toda a criatura.

Diác. Fabrício Pinheiro

vocações-lamego - Copia

Ano da Vida Consagrada

“Um consagrado é como o Santo Sudário, envolvido por Cristo, revela a Sua Imagem para o Mundo”

Nesta última sexta-feira e sábado em Lamego e Moimenta da Beira foram realizadas duas vigílias em torno do grande dom da Vida Consagrada.

Onde podemos reunir as diversas congregações que auxiliam esta diocese , na vivência do seu carisma próprio, a evangelização e o cuidado com os mais carenciados seja física, humana ou espiritualmente.

Rezando e meditando a Palavra de Deus e textos muito bem colocados, diante da presença Eucarística de Jesus, elevamos uma grande acção de graças, por continuar chamando almas para segui-Lo mais de perto e assim contribuir activamente como canais para onde e a quem o Senhor nos enviar.

Partilhamos nossos carismas e missões, alegrando-nos com o “Belo Jardim” tão variado mas tão unido que é a Vida Consagrada à Deus.

Rezamos para que mais jovem decidam-se a ouvir e atender prontamente com um sim generoso a este Deus que continua a dizer no mais profundo de algumas almas “ Vem e segui-me”.

Comunidade Servos de Maria do Coração de Jesus

in Voz de Lamego, n.º 4311, ano 85/24, de 28 de abril de 2015

Mensagem do Papa para o 52.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

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MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 52.º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

26 de Abril de 2015 – IV Domingo de Páscoa

Tema: O ÊXODO, EXPERIÊNCIA DA VOCAÇÃO

Amados irmãos e irmãs!

O IV Domingo de Páscoa apresenta-nos o ícone do Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, chama-as, alimenta-as e condu-las. Há mais de 50 anos que, neste domingo, vivemos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Este dia sempre nos lembra a importância de rezar para que o «dono da messe – como disse Jesus aos seus discípulos – mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). Jesus dá esta ordem no contexto dum envio missionário: além dos doze apóstolos, Ele chamou mais setenta e dois discípulos, enviando-os em missão dois a dois (cf. Lc 10,1-16). Com efeito, se a Igreja «é, por sua natureza, missionária» (Conc. Ecum. Vat. II., Decr. Ad gentes, 2), a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-Lhe a própria vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.

A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Por isso, neste 52.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de refletir precisamente sobre um «êxodo» muito particular que é a vocação ou, melhor, a nossa resposta à vocação que Deus nos dá. Quando ouvimos a palavra «êxodo», ao nosso pensamento acodem imediatamente os inícios da maravilhosa história de amor entre Deus e o povo dos seus filhos, uma história que passa através dos dias dramáticos da escravidão no Egipto, a vocação de Moisés, a libertação e o caminho para a Terra Prometida. O segundo livro da Bíblia – o Êxodo – que narra esta história constitui uma parábola de toda a história da salvação e também da dinâmica fundamental da fé cristã. Na verdade, passar da escravidão do homem velho à vida nova em Cristo é a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé (Ef 4, 22-24). Esta passagem é um real e verdadeiro «êxodo», é o caminho da alma cristã e da Igreja inteira, a orientação decisiva da existência para o Pai.

Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6).

A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã, particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do Evangelho. Consiste numa atitude sempre renovada de conversão e transformação, em permanecer sempre em caminho, em passar da morte à vida, como celebramos em toda a liturgia: é o dinamismo pascal. Fundamentalmente, desde a chamada de Abraão até à de Moisés, desde o caminho de Israel peregrino no deserto até à conversão pregada pelos profetas, até à viagem missionária de Jesus que culmina na sua morte e ressurreição, a vocação é sempre aquela ação de Deus que nos faz sair da nossa situação inicial, nos liberta de todas as formas de escravidão, nos arranca da rotina e da indiferença e nos projeta para a alegria da comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, responder à chamada de Deus é deixar que Ele nos faça sair da nossa falsa estabilidade para nos pormos a caminho rumo a Jesus Cristo, meta primeira e última da nossa vida e da nossa felicidade.

Esta dinâmica do êxodo diz respeito não só à pessoa chamada, mas também à atividade missionária e evangelizadora da Igreja inteira. Esta é verdadeiramente fiel ao seu Mestre na medida em que é uma Igreja «em saída», não preocupada consigo mesma, com as suas próprias estruturas e conquistas, mas sim capaz de ir, de se mover, de encontrar os filhos de Deus na sua situação real e compadecer-se das suas feridas. Deus sai de Si mesmo numa dinâmica trinitária de amor, dá-Se conta da miséria do seu povo e intervém para o libertar (Ex 3, 7). A este modo de ser e de agir, é chamada também a Igreja: a Igreja que evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta os pobres e os necessitados.

Amados irmãos e irmãs, este êxodo libertador rumo a Cristo e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa existência e a põe ao serviço da construção do Reino de Deus na terra. Por isso, a vocação cristã, radicada na contemplação do coração do Pai, impele simultaneamente para o compromisso solidário a favor da libertação dos irmãos, sobretudo dos mais pobres. O discípulo de Jesus tem o coração aberto ao seu horizonte sem fim, e a sua intimidade com o Senhor nunca é uma fuga da vida e do mundo, mas, pelo contrário, «reveste essencialmente a forma de comunhão missionária» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 23).

Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida de alegria e significado. Gostaria de o dizer sobretudo aos mais jovens que, inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos, sabem ser disponíveis e generosos. Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo futuro e a incerteza que afecta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade. Ao invés, queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á cada dia mais rica e feliz.

A Virgem Maria, modelo de toda a vocação, não teve medo de pronunciar o seu «fiat» à chamada do Senhor. Ela acompanha-nos e guia-nos. Com a generosa coragem da fé, Maria cantou a alegria de sair de Si mesma e confiar a Deus os seus planos de vida. A Ela nos dirigimos pedindo para estarmos plenamente disponíveis ao desígnio que Deus tem para cada um de nós; para crescer em nós o desejo de sair e caminhar, com solicitude, ao encontro dos outros (cf. Lc 1, 39). A Virgem Mãe nos proteja e interceda por todos nós.

Vaticano, 29 de Março – Domingo de Ramos – de 2015.

Franciscus PP.