Arquivo

Posts Tagged ‘Dia da Mãe’

Editorial Voz de Lamego: Rainha da Paz, dai-nos a paz!

A paz é como um frasquinho de cheiro, frágil, preciosa e frágil. Precisa de muitos cuidados e de uma vigilância constante. Uma aragem e pode desfazer-se em instantes o que demorou anos, décadas, a construir. Desde Caim que a terra recolhe o sangue dos irmãos, são mortos pais, filhos, maridos, esposas, vizinhos, pelos mais variados motivos e sem motivos nenhum. O genocídio na Ucrânia é só mais um episódio da prepotência, dos sonhos megalómanos de um homem e/ou de uma ideologia, do egoísmo e sobranceria, prevalecendo a lei do mais forte, recorrendo à força, à violência e chantagem. Aquele adágio célebre “queres a paz prepara-te para a guerra”, infelizmente, evoca um princípio malévolo, parecendo que só estamos bem a lutar, a ver quem é o maior e assegurar-nos que na batalha seguinte sairemos vencedores. O medo e a desconfiança em relação ao outro, levam-nos a criar muros e fronteiras, a “armar-nos” para o que der e vier.

«Volta a pôr a tua espada no seu lugar, pois todos os que pegam na espada pela espada perecerão» (Mt 26, 52). No Jardim das Oliveiras, como na Cruz, Jesus sabe que a violência não resolve, só gera mais violência. A agressão contra uma pessoa, não é apenas contra uma pessoa, é contra a humanidade, é contra Deus, para quem todos somos filhos, portanto irmãos. E, porque gera ódio e violência em outros membros da família e/ou da comunidade, gera o propósito de saldar “dívidas” durante décadas. A invasão russa vai abrir feridas que levarão gerações a sarar. Amordaçar, coagir, matar, ameaçar, separar famílias, destruir-lhes as habitações, os campos, obrigá-las a fugir, gerará escravos, mas nunca a paz. Dividir para governar! A paz, preciosa e frágil, está a sangrar em abundância.

Vamos iniciar o mês de maio, dedicado a Nossa Senhora, na invocação de Nossa Senhora de Fátima. Este ano, maio começa no próximo domingo, dia em que em Portugal se comemora o Dia da Mãe. Na mensagem para este dia, a Igreja em Portugal quer prestar a sua homenagem a todas as “mães coragem de todos os dias, as que nunca desistem de cuidar, proteger e ensinar a crescer saudáveis os seus filhos”, lembrando especialmente as mães ucranianas.

A nossa referência e modelo é Maria. É a Senhora da Paz, que nos dá o Príncipe da Paz. E para cuidar desta PAZ, Maria, com São José, tem de fugir para Egito, para uma terra estrangeira, como tantas mães em fuga com os seus filhos para cidades e países distantes.

O velho Simeão, inspirado pelo Espírito Santo, tinha profetizado: “Uma espada trespassará a tua alma” (Lc 2, 34-35). Príncipe da Paz, Jesus é morto como malfeitor. Maria pouco pode fazer. Aparentemente o amor saiu derrotado, só Deus nos mostrará que o amor vence. O amor é pobre e frágil, porque se predispõe a dar a vida pelo outro, ao jeito de Jesus. Mas só o amor nos salvará. Só o amor de Jesus nos salva.

Na mensagem de Fátima é recorrente o apelo à oração pela paz, desde logo nas aparições do Anjo: Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo (primavera de 1916); «De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação… atraí, assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal» (verão de 1916). É também um pedido constante de Nossa Senhora, nomeadamente na primeira, na terceira, na quinta e sexta aparição. «Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra… Quero que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer… Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar… O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz». A construção da paz passa por todos. Por mim e por ti. Peçamo-la a Deus, para que inspire o coração de todos os homens e que Maria reze connosco a paz.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/24, n.º 4655, 27 de abril de 2022

AMAR . HONRAR | Editorial Voz de Lamego | 26 de abril de 2016

Mãe

Em pleno Jubileu da Misericórdia, diferentes iniciativas e celebrações, que visualizam o empenho das comunidades paroquiais, neste caso na nossa mui e nobre Diocese de Lamego. A edição desta semana abre com a Peregrinação da Zona Pastoral de Cinfães ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. No interior do Jornal, destaque para a Visita Pastoral de D. António Couto às paróquias da Cunha e de Arnas. De referir também, no âmbito do Jubileu da Misericórdia, a reflexão à volta das obras de misericórdia, nesta semana, “Dar bom conselho”.

No Editorial desta semana, o Pe. Joaquim Dionísio, destaca o Dia da Mãe, no próximo domingo, 1 de maio, realçando a missão da Mãe, em mais uma oportunidade de gratidão:

AMAR . HONRAR

No próximo domingo celebramos o Dia das Mães, continuando a comemoração nascida no início do século passado. Entre nós, e depois do 8 de dezembro, cumpre-se agora no primeiro domingo de maio.

Mas, deve dizer-se, este dia só será único para os que andam distraídos, pois quem vive atenta e conscientemente a vida e as suas relações humanas aproveita cada dia para mostrar os sentimentos que o animam.

Certamente que o dia merece ser devidamente assinalado e alegremente vivido, mas tristes das mães que só vêem reconhecido o seu amor nesta data e infelizes dos filhos que só aparecem neste dia.

A propósito, na recente Exortação sobre a família, o Papa Francisco escreve que “não faz bem a ninguém perder a consciência de ser filho” (AL 188), defendendo que “o vínculo virtuoso entre as gerações é garantia de futuro e de uma história verdadeiramente humana”. E conclui: “Uma sociedade de filhos que não honrem os pais é uma sociedade sem honra. É uma sociedade destinada a encher-se de jovens áridos e ávidos” (AL 189). Honremos, pois, todas as mães e não apenas neste dia!

Numa época em que a mobilidade humana impõe distâncias, em que o espírito competitivo afasta os menos ágeis e autónomos, em que o ideal de beleza esconde as rugas e os passos mais lentos, em que as relações virtuais substituem gestos de efectiva proximidade, em que o relógio parece roubar o tempo mais do que marcá-lo… importa não desperdiçar oportunidades para amar, honrar e agradecer.

A todas as mães que não cessam de amar e acompanhar o ritmo e o rumo dos seus filhos, amadas ou esquecidas, saudáveis ou fragilizadas pela doença, reconhecidas no seu esforço ou esquecidas na sua doação, activas ou já sem forças para continuar, presentes ou discretamente silenciosas… Bem hajam!

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4360, 26 de abril de 2016