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AMNÉSIA E CULTURA | Editorial Voz de Lamego | 7 de novembro

AMNÉSIA E CULTURA

O teólogo W. Kasper fala da “tradição” como a possibilidade do homem se alavancar nos ombros da geração anterior que o acolhe, protege, acompanha, apoia e lhe proporciona conhecimentos, técnicas e experiências. Dito de outra maneira, cada geração beneficia das vivências, descobertas e avanços das gerações anteriores.

No entanto, ao olharmos para a sociedade actual, somos capazes de a perceber como uma sociedade que se caracteriza como “pós-tradicional” (D. Hervieu-Leger), marcada pela “cultura da amnésia” (J. B. Metz) que a leva a esquecer-se de que o homem não é apenas a sua própria experiência, mas também a sua memória.

Numa época marcada pela diversidade, pelos desenvolvimentos tecnológicos e pelo ambiente urbano, as tradições perdem relevância, tal como as instituições que as defendem e promovem (família, Igreja…). Importa o momento presente, a ânsia de esgotar todas as possibilidades, a diversão constante, o gozo individual e a possibilidade de esquecer rapidamente (factos e pessoas).

Mas se a amnésia se impõe face ao acontecido, também se pode vislumbrar uma certa desresponsabilização diante das gerações futuras, a quem caberá “desenrascar-se” a seu tempo. E esta postura de quem vive como se não existisse um antes e um depois, leva a falar do “homo clausus”, ou seja, “de homem que vive para si mesmo, isolado, como mónada separado do mundo exterior” (L. Manicardi).

O mês de novembro (também) pode ajudar a contemplar as gerações passadas, a admirar os seus feitos e a valorizar o seu legado, ao mesmo tempo que convidará a sair de si e a olhar para diante, a descobrir-se limitado, mas capaz de contribuir para a geração futura. Uma rápida visita ao cemitério aviva a memória e convida a ultrapassar algum individualismo.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 87/49, n.º 4435, 7 de novembro de 2017

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Pe. António Vieira na Igreja Catedral de Lamego

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SI VIS, POTES

Si vis, potes (Se quereis podeis).

Assim se iniciou, no passado dia 20 de junho, com mais de uma centena de assistentes, na Catedral de Lamego, a encenação do Sermão da Terceira Dominga Post Epiphaniam do Padre António Vieira. Todo o sermão reflete e faz-nos refletir sobre todas as relações existentes entre o querer e o poder.

A intemporalidade do tema foi o que motivou para esta leitura encenada, pontuada por momentos musicais ao vivo, luz e técnicas da oratória.

Esta ideia surge no âmbito da Rota das Catedrais no Norte de Portugal, havendo uma parceria entre a Direção Regional de Cultura do Norte e os Cabidos e Fábricas da Igreja.

A encenação deste projeto está ao cargo e interpretação de José Alonso. Toda a dramaturgia segue o conceito existente na oratória do barroco que aponta para uma maior eloquência e exuberância da palavra dita, muito diferente da formalidade discursiva renascentista.

É bom que muitas outras atividades deste género possam surgir, de forma a que possa haver e se possa valorizar a nossa História, os nossos espaços e as nossas gentes. Mais que um momento recreativo, esta encenação foi um momento de profunda meditação. Bem-haja a todos quantos estiveram e estão envolvidos na propagação de tais atividades.

Termino com um texto do Sermão da Terceira Dominga Post Epiphaniam, “Se buscamos com verdadeira consideração a causa de todas as ruínas e males do mundo, acharemos, que não só a principal, senão a total e única, é não acabarem os homens de concordar o seu querer com o seu poder: si vis potes. A raiz deste veneno mortal, nascida não só na terra, senão também no Céu, é a inclinação natural com que toda a criatura, dotada de vontade livre, não só apetece sempre ser mais do que é, senão também querer mais do que pode”, pregado na Sé de Lisboa na data provável de 1662.

Diác. Fabrício Pinheiro, in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

Património religioso

In Voz de Lamego, 2014.01.14

Tal como anunciado, o Departamento para os Bens Culturais, Patrimoniais e Arte Sacra da nossa diocese, dia 20 deste mês, com início marcado para as 15h30, uma acção de formação sobre «Os cuidados a ter com a salvaguarda do património religioso». A iniciativa, a realizar no Museu Diocesano de Lamego, é orientada por Maria de Fátima Eusébio, coordenadora do Departamento para os Bens Culturais da Diocese de Viseu.

O património religioso é um dos tesouros “mais importantes” que os antepassados, “movidos por amor a Deus e às almas”, legaram, nesse sentido, “torna-se necessário promover acções de formação que ajudem a redescobrir o valor, a beleza e o cuidado que merece o património religioso”.

Esta acção de formação dirige-se de aos sacerdotes, mas também aos membros dos Conselhos Económicos e Pastorais Paroquiais, bem como a todos aqueles que lidam, com o desafio de conservar, restaurar e promover o património religioso.

Na mesma ocasião, será apresentado o catálogo da exposição, patente no Museu diocesano, sob o tema «Igreja de Lamego, a dimensão da fé», pelo padre Joaquim Correia Duarte, recentemente publicou a História da Igreja de Lamego.

A tarde será encerrada com a celebração da Eucaristia, às 18h30, na Sé, louvando também a intercessão, o exemplo e o testemunho do Mártir S. Sebastião, Padroeiro principal da diocese.