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Posts Tagged ‘Coronavírus’

Editorial da Voz de Lamego: A vida em suspenso?

O momento ainda não é tanto de reflexão mas de luta, de compromisso com todos os que estão no terreno a ajudar a manter a vida da cidade, a salvar vidas, a cuidar dos mais frágeis. É tempo de todos facilitarmos a vida às autoridades sanitárias, aos que tomam medidas para proteger a população, aos profissionais de saúde e todos os que velam pela segurança pública, e a todos os que produzem e transportam bens essenciais.

O nosso compromisso como cidadãos e, por maioria de razão, como cristãos, é fazermos o melhor, não desistir dos outros, não deixar ninguém para trás, não excluir, gastar-nos uns pelos outros como fez Jesus. A quarentena de que tanto se fala remete-nos para a quaresma. A raiz das duas palavras é a mesma e ambas sugerem luta, caminho, esforço e sacrifício, na esperança de chegarmos à meta, à vida saudável, nova, salva, à Páscoa.

Antes da Páscoa, o deserto, o caminho, a montanha, o poço de Jacob! Antes da Páscoa, a Paixão, a oração e o sofrimento, a perseguição e o julgamento, a CRUZ. A Cruz não é ainda o final, mas já nos fala de amor, de entrega, de vida, de esperança, de futuro.

A partir da China, o COVID 19 propagou-se rapidamente pelo mundo. Portugal, de dia para dia, vê aumentar o número de infetados, não se sabendo quando será o pico de doentes e se o Serviço Nacional de Saúde, com a cooperação dos privados, terá capacidade para atender a todos os doentes. Isto vai piorar, importa não o esconder, mas há um rasto de esperança a anunciar: os primeiros contaminados estão curados e outros em casa a recuperar.

A Quaresma de 2020 tornou-se um caminho árduo, longo, duro! Olhando para a Cruz, no contexto desta pandemia, foquemo-nos nas duas dimensões, a vertical, a oração, pedindo a Deus que nos dê ânimo e sabedoria para o melhor caminho a percorrer, e assim também pelas autoridades e profissionais de saúde; a horizontal, cumprindo com conselhos e orientações que nos são dadas para minimizar a propagação do vírus, respeitando tempos e espaços, mas cuidando para que ninguém fique esquecido.

Com o avançar da pandemia, todos começamos a aguçar mais a consciência de que estamos no mesmo barco. Há momentos em que somos mais egoístas. Tantas vezes nos perdemos no provisório, acentuámos as diferenças e as conveniências, mas agora há algo mais importante, essencial, a promoção e a defesa da vida humana. Ainda há dias estávamos a falar de eutanásia e suicídio assistido, e agora é a vida que precisamos, todos, de cuidar, de proteger e de salvar. A pandemia faz-nos perceber melhor como temos de respeitar os outros e o seu espaço, mas sobretudo que somos parte de um todo, pertencemo-nos.

Eu e tu somos responsáveis. Responderemos uns pelos outros. Responderemos a Deus pelos irmãos que não ajudarmos.

A Páscoa há de estar mais à frente. Caminhemos!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/16, n.º 4551, 17 de março de 2020

COVID-19 – Nota sobre velórios e funerais

Informação complementar enviada pela Vigararia Geral da Diocese de Lamego aos sacerdotes:

Recordamos uma vez mais aos sacerdotes que devem seguir as determinações da Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), nomeadamente na suspensão das Eucaristias com a participação (física) do Povo.

Quanto aos funerais:

  • devem realizar-se sem a celebração da missa;
  • a celebração deve restringir-se aos familiares;
  • evitar contacto físico na apresentação de condolências;
  • evite-se o velório nas casas particulares e nas capelas mortuárias pouco arejadas;
  • a título excecional podem usar-se as igrejas para os velórios, permitindo assim manter as distâncias de segurança entre as pessoas;
  • as urnas devem manter-se sempre fechadas.

Os Sacerdotes, na celebração privada da Eucaristia, não deixem de rezar pelos vivos e defuntos, implorando a Esperança Divina para esta Quaresma particularmente dolorosa.

 

Vigararia Geral da Diocese de Lamego

Canceladas as celebrações da Semana Santa de Lamego

Em conformidade com as medidas determinadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS) para a contenção do surto Coronavírus COVID-19, o Município de Lamego informa que estão suspensas, até ao dia 31 de março, todas as realizações previstas no âmbito das celebrações da Semana Santa de Lamego,  um momento profundo e imponente da Fé religiosa desta cidade, por decisão da Diocese de Lamego e demais entidades organizadoras.
Recomendamos novamente a todos os munícipes que utilizem preferencialmente os contactos telefónicos (254 609 600) e de email (camara@cm-lamego.pt), caso tenham a necessidade de recorrer aos serviços municipais, evitando assim deslocações desnecessárias.  
Apelamos à serenidade e sentido de responsabilidade de todos os Lamecenses. Até ao momento, não foi sinalizado nenhum caso de infeção por COVID-19 neste território.
Estamos em contacto permanente com todas as entidades competentes no sentido de prevenir e controlar a propagação do vírus, o que pode levar à adoção de novas medidas a divulgar oportunamente.  

Gabinete de Comunicação CML

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Espuma dos dias: Até que enfim o primeiro infetado português

Desde que o Corona Vírus, rebatizado Covid-19, surgiu no extremo oriente com números alarmantes, a comunicação social portuguesa tem acompanhado o evoluir do surto da doença com muita atenção. O registo dos números, sempre em ritmo crescente, tem acompanhado uma certa expectativa de perceber se este vírus chega ao nosso país ou então a Espanha. No entanto, para gáudio de todas as mentes sensacionalistas e temerárias, esta semana um português a viajar num cruzeiro pelo Japão ficou infetado.

Durante várias semanas, fomos todos testemunhas de inúmeros diretos à porta de hospitais portugueses em que batalhões enormes de jornalistas deram conta de casos “suspeitos”. Era uma senhora que esteve na China, outra que veio num avião com um cidadão belga infetado, etc, etc. Para grande desilusão dessa horda de repórteres, todos os casos suspeitos em Portugal, incluindo a comitiva lusa que estava em Wuhan, deram negativo. Não quero ser adepto do “bota-abaixismo”, mas quase que se percebia a frustração de alguns desses jornalistas. Ora bolas.

Isso não impediu de as mais estapafúrdias teorias da conspiração chegarem ao nosso país. Autênticos boatos em forma de verdade-verdadinha. A que registei, em primeiro lugar, foi a de que teria sido o governo chinês a criar este vírus para controlar o aumento desenfreado da população naquele país (sensivelmente 1,4 biliões de habitantes). Xi (Jinping), o que você foi fazer, seu maroto! Outra informação que andou a circular relacionava-se com a suposta venda de carne chinesa contaminada com o vírus e que já estaria à venda nos talhos portugueses. Estas notícias só não falavam do preço do quilo desta carne infetada.

A China tem sabido estar à altura da responsabilidade. A resposta ao surto, as medidas de quarentena, a construção de hospitais em tempo recorde, tudo me parece muito acertado e dentro do espírito típico chinês de resolver as questões como deve ser. Ainda que a tragédia esteja longe, nada nos garante que não possa chegar a Portugal em breve. E nessa altura conto com o trabalho menos sensacionalista, alarmista de toda a classe jornalística portuguesa. Já alguém imaginou se este surto tivesse começado em Portugal? Como estaríamos agora? O que fariam as autoridades? Marcelo, esse comentador-presidente, o que faria ele?

Fábio Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 90/13, n.º 4548, 26 de fevereiro de 2020

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Coronavírus – o que realmente precisamos de saber

Os mass media mundiais falam, diariamente, do Corona vírus e mostram números assustadores. Os que morrem, aqui e ali, os infetados com números gordos. Até o grande Carnaval de Veneza deixou de acontecer, como forma de prevenção à não propagação do vírus e os jornais não têm mais assunto do que os casos já registados em Itália.

A Europa que já viu os primeiros casos a chegarem e têm mesmo de ter as autoridades sanitárias a trabalhar para que o surto possa ser disseminado, através dos aeroportos.

Contudo é preciso explicar aquilo que ninguém se dá ao trabalho, porque não se ganham audiências a explicar, mas sim a amedrontar e deixar o Mundo em pânico. 

Que o coronavírus infeta alguns animais, talvez já saiba, tais como: aves, morcegos, porcos e até camelos. Alguns deles só infetam aves e mamíferos. Os vírus vão sofrendo mutações e por isso chegaram aos humanos. O que talvez desconheça é que não é a primeira vez que os Coronavírus se propagam ao ser humano, já tinha surgido, em 2002 na Ásia, e em 2013 no Oriente Médio outras variações.

O que se sente quando uma pessoa está contaminada? Muitas pessoas podem ter uma infeção que não se diferencia de um resfriado, e ter sintomas como tosse, cansaço, congestão nasal, entre outros. Que com descanso e medicação para tratar os sintomas e ainda hidratação, facilmente resolve a situação.

Quadros respiratórios mais baixos, que afetem os brônquios levam então a pneumonias que vão necessitar de medicação mais forte.

Porque o número de mortos na China nos faz alarmar? Até, agora, não são conhecidos dados das condições de saúde e de vida de todos os que faleceram se encontravam. Os dados que consegui apurar através do estudo divulgado pelo Centro Chinês de Prevenção e Controlo de doenças demonstra que o índice de mortalidade é de 2, 3%, e cai abaixo do 1% quando se chega a faixa etária entre os 30 e os 40 anos.

Zhong Nanshan, especialista da Comissão Nacional de Saúde na China afirma que os pacientes podem melhorar ” se contarem com um bom apoio médico, tratamento e estando bem nutridos”. No caso do 2019-nCov, ainda não há relato de infeção sintomática em crianças ou adolescentes.

Há algum medicamento específico para eliminar este vírus? Não. Porque é uma mutação recente.

Quanto ao Português que se encontrava no navio mais falado do Mundo, neste momento, o único que sabemos contrair a doença, foi transportado, na terça feira, dia 24 de fevereiro, para o hospital para receber cuidados médicos. Daqui os votos de boa recuperação.

Quanto aos produtos que viajam da China para o todos os Países, incluindo o nosso, não apresentam segundo os especialistas em infeções, nenhum risco para a saúde pública.

Andreia Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/13, n.º 4548, 26 de fevereiro de 2020

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