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Posts Tagged ‘Coronavírus’

Utente recuperada no Lar de Idosos da Misericórdia de Lamego 


A Santa Casa da Misericórdia de Lamego registou esta quinta-feira, dia 30, o primeiro caso de recuperação de COVID-19 num utente do Lar de Idosos de Arneirós. Após ter testado positivo ao novo coronavírus, a mulher, de 88 anos, permaneceu em isolamento numa ala desta estrutura residencial reservada às pessoas infetadas, período durante o qual a sua situação clínica manteve-se estável.
“É uma notícia que nos deixa muito animados, enquanto aguardamos que nos próximos dias os restantes casos efetuem novos testes de despistagem. Quero mais uma vez reafirmar que a Misericórdia de Lamego está a envidar todos os esforços para salvaguardar a saúde dos nossos idosos e dos nossos colaboradores”, afirma o Provedor António Marques Luís.
Na fase inicial do processo de contaminação do Lar de Idosos de Arneirós, treze utentes e dois profissionais testaram positivo à COVID-19.

RICARDO PEREIRA

Assessor de Imprensa, Santa Casa da Misericórdia de Lamego

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A casa, a descoberta de um novo Mundo

Fica em casa! Foi a expressão mais ouvida e lida desde o primeiro momento em que se percebeu que havia um inimigo invisível. As primeiras horas geraram ansiedade, nos portugueses, mas aos poucos, vamos percebendo que, afinal, há muito para descobrir e fazer entre quatro paredes.

Alexandra Teixeira vive em Valdigem e trabalha num lar. Até dia 7 de abril está por casa e fará parte da próxima equipa de trabalho para substituir a equipa que há muito faz de tudo para assegurar o bem-estar dos idosos. Alexandra conta-nos: “estou tão habituada a trabalhar, que me senti muito mal nos primeiros dias. Fui mesmo às lágrimas, pela ansiedade e o tédio de estar em casa. Mas tive que dar a volta à situação e programei algo de diferente, diariamente, com o meu neto. Estou a gostar porque há muito que não tinha tempo para nada e agora até experimento receitas novas, cuido das minhas plantas e brinco imenso com o meu netinho” diz a jovem avó. Ainda ressalva que “são momentos únicos com mais afetos, mais amor… uma união maior porque estamos obrigados a estar juntos e temos tempo para estarmos juntos à mesa”.

Paula Teixeira é educadora de infância e natural de Moimenta da Beira. Diz estar “tranquila a passar tempo com a família”. Aproveita para fazer o que muitos portugueses fazem, por estes dias, arrumar tudo aquilo na correria do dia-a-dia não dava tempo. Sendo educadora, mãe de três filhos e dedicada ao trabalho que desenvolve com paixão e dedicação. Paula acrescenta “ainda aproveito para orientar as minhas atividades para os próximos tempos. E peço aos pais para deixarem as crianças serem elas mesmas e felizes com muitas brincadeiras”.

Esmeraldina Correia vive numa aldeia pertencente ao concelho da Meda e mostra o que sente: “Tenho que encarar a minha quarentena, porque estar em casa é o melhor para mim e para os meus. Apesar da preocupação com tudo isto tudo que se está a passar… estar em casa é uma missão que todos devemos cumprir para o nosso bem”. Quanto ao que faz dentro de casa, Esmeraldina, que é apaixonada por música, diz que divide o tempo entre as limpezas, o exercício físico e a televisão.

Leandro Sarmento é de Tarouca e estudante de comunicação em Viseu. “Estar em casa nesta quarentena não custa nada, visto que é para o bem da saúde pública. O pior mesmo são as questões a nível profissional como a nível escolar. No meu caso, o Covid-19 está a dificultar um pouco. Sou finalista do ensino superior, está a ser difícil conseguir gerir a situação a nível de estágio e mesmo de findar o curso. Com as aulas online conseguimos acompanhar a matéria, mas ao mesmo tempo não conseguimos ser avaliados da mesma forma como se a pandemia não existisse, o que pode dificultar o término do curso”. Mas há outra questão que se levanta porque o Leandro também se dedica à música: “Estamos a ver o verão em risco devido a esta situação. No meu grupo, o Varosa, já não se ensaia há um mês e este tempo poderia fazer a diferença, mas com esta situação toda também assistimos ao cancelamento de espetáculos, ou seja, todos os esforços que vínhamos a fazer já desde outubro de 2019 como o deslocamento para ensaios e todo o trabalho feito para esta nova época está a ir pelo ‘cano a baixo’. Mas a quarentena não é o pior, de todo. O pior é o que acarreta tudo isto daqui para a frente”.

O jovem termina com uma simples frase dita por Rodrigo Guedes de Carvalho: “Aos nossos avós foi-lhes pedido para irem para a guerra, a nós pedem-nos para estar em casa no sofá”. Apelo que as pessoas não saiam de casa, pois não custa nada. Mesmo que saiam, que tomem as devidas precauções, pois o que se está a passar não é brincadeira nenhuma. Saúde para todos” desejou.

Andreia Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/18, n.º 4553, 31 de março de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Uma Igreja em cada casa

Entrámos na Semana Maior da nossa fé. Estes eram dias de movimento, tempos de oração, de procissões, de encontro e de alegria interior. As igrejas compunham-se de gente devota. Mais ou menos expressivas, as celebrações apelavam e apelam ao recolhimento espiritual, à contemplação das últimas horas de Jesus, para culminar na Páscoa, com a Visita Pascal, anunciando a ressurreição de Cristo, de casa em casa, em todas as casas.

Como pároco, já ouvi, em forma de pergunta ou de lamentação: este ano não há Páscoa?! Sim, há Páscoa, pois não se deixa de celebrar a ressurreição de Jesus. Mas de um jeito muito diferente do habitual. Antes lamentávamos as igrejas vazias, mesmo quando tinham pessoas, agora efetivamente estão vazias. Todavia, também a Igreja procurou adaptar-se a estes tempos de confinamento caseiro, procurando que não se perca a ligação, a comunhão à comunidade, contando com a criatividade de muitos. Se antes, cada casa era chamada a ser Igreja doméstica, hoje, por maioria de razão, a Igreja é em cada casa, em cada família, pois é em cada casa que se reúne a família para rezar e aprofundar a fé e a esperança, vivendo a caridade.

Antes de chegarmos à Páscoa, à alegria da Ressurreição, há caminho a percorrer, há uma cruz a transportar, há um calvário a acolher, e tantas contrariedades a experimentar, especialmente neste tempo. A realidade pandémica do coronavírus paira como ameaça sobre todos, desafiando-nos, sempre, mas agora mais ainda, a cuidar uns dos outros, atendendo sobretudo às pessoas e famílias mais vulneráveis.

Vai ficar tudo bem!

A vida é um dom e uma bênção. Sempre! Mas, porque somos limitados e finitos, a vida pode complicar-se!

Vai ficar tudo bem!

O Filho do Homem vai ser entregue às autoridades dos judeus… vai ser morto… VAI FICAR TUDO BEM… três dias depois ressuscitará. A última palavra será da vida, do amor, da ressurreição, a última palavra será de Deus. Mas, porquanto, vivemos na penúltima palavra, estando sujeitos às coordenadas espácio-temporais e a lidar com as fragilidades, limitações e egoísmos uns dos outros.

Ao longo da Sua vida, Jesus não Se desvia do amor do Pai, traduzido em proximidade, cuidado e serviço a todos, preferencialmente aos últimos da sociedade. Instala-se uma revolução “silenciosa” de delicadeza, de ternura e de compaixão, de amor e perdão, de serviço e bondade. A luz, que é Jesus, ilumina e ofusca, desafia e provoca, clarifica o caminho e põe a descoberto a soberba, o egoísmo e a indiferença, expõe a maldade, as trevas e as maquinações. Se uns se sentem desafiados e envolvidos, outros sentem-se acossados e expostos! Olhamos para Jesus e olhamos para autoridades judaicas e não precisamos que nos deem explicações, são percetíveis as opções e a coerência de vida. E tal coerência gera irritação, ódio, e a necessidade urgente de apagar a chama que incendeia corações e vidas!

Vou partir… a vossa tristeza é inconsolável… mas vai ficar tudo bem… Eu voltarei e, então, a vossa alegria será completa!

Vai ficar tudo bem! É a certeza da Páscoa e de todas as páscoas que vamos experimentando, ainda que falte fazer caminho!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/19, n.º 4554, 7 de abril de 2020

Editorial Voz de Lamego: Cruz, uma âncora, um leme, uma esperança

A última sexta-feira de março, dia 27, ficará, por certo, na nossa memória por muito tempo. Acompanhamos, à distância, o momento extraordinário de oração promovido pelo Papa Francisco. O céu uniu-se à iniciativa papal, sério, sublime e cinzento, nuvens densas e chuva copiosa, quais lágrimas em sintonia com tantas vítimas do coronavírus, mas também por aqueles que, esgotados, continuam a oferecer o seu trabalho e as suas vidas para salvar outras vidas.

Colados ao ecrã da televisão, do computador ou do telemóvel, pudemos subir, com o Papa Francisco, a colunata de São Pedro, inspirados pela sua fé, firme e confiante, em passos lentos e dolentes, com um semblante compenetrado, comovente e interpelante.

Uma praça vazia, onde todos os dias circulavam, até há pouco tempo, centenas de pessoas, transformando-se em milhares nas audiências gerais e nas celebrações públicas. O homem vestido de branco – como não lembrar aqui o segredo de Fátima – caminhava entre os escombros, os sofrimentos, as mortes, os desamparados, os desistentes; carregou-nos consigo, ao jeito de Jesus, o Bom Pastor, e aos nossos anseios e receios, incertezas e inseguranças.

Ao entardecer… (Mc 4, 35)! Assim começava o Evangelho e assim iniciava o Papa a sua meditação sobre a hora que passa. “Desde há semanas que parece entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderam-se das nossas vidas… revemo-nos temerosos e perdidos”, tal como os apóstolos, em alto mar, em meio de uma tempestade que ameaça destruí-los e, agora a nós, assolados por esta pandemia, qual tempestade, que pesa sobre a humanidade inteira! Jesus vai na popa, onde o barco afunda primeiro, a dormir, confiando no Pai. Procuremos, incentiva o Papa, compreender a pergunta dos discípulos: “Mestre, não Te importas que pereçamos?” (3, 38). Como se Jesus não se importasse com a sorte dos discípulos! Como se Deus estivesse alheado das tormentas dos homens, Ele que em Cristo Se faz peregrino connosco.

No meio da praça, deserta… lá ao fundo, somente os agentes de segurança pública… soa a interpelação inelutável do Papa: “Ninguém se salva sozinho… Sozinhos afundamos”. E prossegue: “Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar a estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos”.

Com efeito, “o Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e a ativar a solidariedade e a esperança… É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida”. Temos um leme, uma âncora, uma esperança, a Cruz que nos salva. E da Sua Cruz, “o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3) e deixemos que reacenda a esperança”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/18, n.º 4553, 31 de março de 2020

Editorial da Voz de Lamego: A vida em suspenso?

O momento ainda não é tanto de reflexão mas de luta, de compromisso com todos os que estão no terreno a ajudar a manter a vida da cidade, a salvar vidas, a cuidar dos mais frágeis. É tempo de todos facilitarmos a vida às autoridades sanitárias, aos que tomam medidas para proteger a população, aos profissionais de saúde e todos os que velam pela segurança pública, e a todos os que produzem e transportam bens essenciais.

O nosso compromisso como cidadãos e, por maioria de razão, como cristãos, é fazermos o melhor, não desistir dos outros, não deixar ninguém para trás, não excluir, gastar-nos uns pelos outros como fez Jesus. A quarentena de que tanto se fala remete-nos para a quaresma. A raiz das duas palavras é a mesma e ambas sugerem luta, caminho, esforço e sacrifício, na esperança de chegarmos à meta, à vida saudável, nova, salva, à Páscoa.

Antes da Páscoa, o deserto, o caminho, a montanha, o poço de Jacob! Antes da Páscoa, a Paixão, a oração e o sofrimento, a perseguição e o julgamento, a CRUZ. A Cruz não é ainda o final, mas já nos fala de amor, de entrega, de vida, de esperança, de futuro.

A partir da China, o COVID 19 propagou-se rapidamente pelo mundo. Portugal, de dia para dia, vê aumentar o número de infetados, não se sabendo quando será o pico de doentes e se o Serviço Nacional de Saúde, com a cooperação dos privados, terá capacidade para atender a todos os doentes. Isto vai piorar, importa não o esconder, mas há um rasto de esperança a anunciar: os primeiros contaminados estão curados e outros em casa a recuperar.

A Quaresma de 2020 tornou-se um caminho árduo, longo, duro! Olhando para a Cruz, no contexto desta pandemia, foquemo-nos nas duas dimensões, a vertical, a oração, pedindo a Deus que nos dê ânimo e sabedoria para o melhor caminho a percorrer, e assim também pelas autoridades e profissionais de saúde; a horizontal, cumprindo com conselhos e orientações que nos são dadas para minimizar a propagação do vírus, respeitando tempos e espaços, mas cuidando para que ninguém fique esquecido.

Com o avançar da pandemia, todos começamos a aguçar mais a consciência de que estamos no mesmo barco. Há momentos em que somos mais egoístas. Tantas vezes nos perdemos no provisório, acentuámos as diferenças e as conveniências, mas agora há algo mais importante, essencial, a promoção e a defesa da vida humana. Ainda há dias estávamos a falar de eutanásia e suicídio assistido, e agora é a vida que precisamos, todos, de cuidar, de proteger e de salvar. A pandemia faz-nos perceber melhor como temos de respeitar os outros e o seu espaço, mas sobretudo que somos parte de um todo, pertencemo-nos.

Eu e tu somos responsáveis. Responderemos uns pelos outros. Responderemos a Deus pelos irmãos que não ajudarmos.

A Páscoa há de estar mais à frente. Caminhemos!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/16, n.º 4551, 17 de março de 2020

COVID-19 – Nota sobre velórios e funerais

Informação complementar enviada pela Vigararia Geral da Diocese de Lamego aos sacerdotes:

Recordamos uma vez mais aos sacerdotes que devem seguir as determinações da Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), nomeadamente na suspensão das Eucaristias com a participação (física) do Povo.

Quanto aos funerais:

  • devem realizar-se sem a celebração da missa;
  • a celebração deve restringir-se aos familiares;
  • evitar contacto físico na apresentação de condolências;
  • evite-se o velório nas casas particulares e nas capelas mortuárias pouco arejadas;
  • a título excecional podem usar-se as igrejas para os velórios, permitindo assim manter as distâncias de segurança entre as pessoas;
  • as urnas devem manter-se sempre fechadas.

Os Sacerdotes, na celebração privada da Eucaristia, não deixem de rezar pelos vivos e defuntos, implorando a Esperança Divina para esta Quaresma particularmente dolorosa.

 

Vigararia Geral da Diocese de Lamego

Canceladas as celebrações da Semana Santa de Lamego

Em conformidade com as medidas determinadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS) para a contenção do surto Coronavírus COVID-19, o Município de Lamego informa que estão suspensas, até ao dia 31 de março, todas as realizações previstas no âmbito das celebrações da Semana Santa de Lamego,  um momento profundo e imponente da Fé religiosa desta cidade, por decisão da Diocese de Lamego e demais entidades organizadoras.
Recomendamos novamente a todos os munícipes que utilizem preferencialmente os contactos telefónicos (254 609 600) e de email (camara@cm-lamego.pt), caso tenham a necessidade de recorrer aos serviços municipais, evitando assim deslocações desnecessárias.  
Apelamos à serenidade e sentido de responsabilidade de todos os Lamecenses. Até ao momento, não foi sinalizado nenhum caso de infeção por COVID-19 neste território.
Estamos em contacto permanente com todas as entidades competentes no sentido de prevenir e controlar a propagação do vírus, o que pode levar à adoção de novas medidas a divulgar oportunamente.  

Gabinete de Comunicação CML

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