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Posts Tagged ‘Conversão’

PERDÃO E ESPERANÇA | Editorial Voz de Lamego | 7 de março de 2017

Mais uma edição da Voz de Lamego com diferentes propostas de reflexão, inclusiva e desafiadora, para melhor viver como cidadãos, como cristãos, como pessoas, notícias da região e da diocese, do mundo e da Igreja. A Quaresma, o Conselho de Presbíteros, Visita Pastoral de D. António Couto a Moura Morta, Centenário das Aparições, Retiro para Agentes Pastorais, Convívio Fraterno, 125 anos das Filhas de São Camilo, são alguns dos temas em destaque, mas muitos outros assuntos podem ser lidos e refletidos.

Iniciamos, como habitualmente, no Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, que nesta semana nos fala do itinerário para a Páscoa, a Quaresma como tempo de conversão, de perdão, de esperança e de compromisso…

PERDÃO E ESPERANÇA

Rumo à Páscoa, numa caminhada quaresmal em que nos esforçamos por conjugar vivências habituais com opções pessoais, familiares ou comunitárias que circunstâncias e sensibilidades proporcionam, somos convidados a seguir Jesus no combate às tentações que afastam do Pai, da vida, dos irmãos…

Neste itinerário de conversão aberto a todos, assume particular destaque o acolhimento do perdão do Senhor, oferecido no sacramento da Reconciliação. Como tantas vezes já ouvimos e com tanto ênfase o recente Jubileu da Misericórdia recordou, este sacramento testemunha, a toda a comunidade e a todos os homens marcados pelo pecado, que o nosso Deus distribui largamente o seu perdão a todo o homem de boa vontade, que não existe derrota definitiva e que o Seu coração misericordioso é infinitamente maior que o nosso.

Por outro lado, o pedido/compromisso “perdoai-nos, assim como nós perdoamos” recorda-nos que o encontro com a misericórdia divina, propiciador da graça do perdão, deverá ter repercussões na vida comunitária.

Nos relacionamentos humanos, e tal como a vida ensina, o perdão liberta quem o oferece e quem o recebe. Porque, se é verdade que há “remorsos” que privam a consciência da tranquilidade merecida, também é uma evidência que “azedumes e promessas de vingança” sem termo impedem de saborear plenamente a vida. Desta forma, o perdão (recebido ou oferecido) surge como uma oportunidade para que o homem liberte o seu presente da hipoteca do passado e se lance, com esperança, rumo ao futuro.

E tudo se passa neste “hoje” que vivemos e onde se cruzam o perdão e a esperança, em que somos convidados a seguir Jesus, em que não podemos esquecer as marcas do passado que reclamam e esperam pela reconciliação (exercício de pacificação), mas em que se começa, também, a olhar para diante e a querer chegar.

in Voz de Lamego, ano 87/17, n.º 4402, 7 de março de 2017

CONVERSÃO . QUARESMA | Editorial Voz de Lamego | 28 de fevereiro

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A edição desta semana da Voz de Lamego introduz-nos na Quaresma e, por conseguinte, alguns dos textos, por certo, ajudar-nos-ão a viver melhor este tempo santo que nos preparara para a celebração solene da Páscoa, o mistério maior da nossa, o dom de Amor de Deus para connosco. O Editorial, do reverendo Pe. Joaquim Dionísio, nosso Diretor, fala-nos de conversão, como se pode ler de seguida. E se a primeira página destaca a a formação dos Acólitos do Arciprestado de Lamego, logo nos põe em contacto com a Mensagem do nosso Bispo, D. António Couto, para a Quaresma. No interior desta edição poderemos também encontrar o enquadramento da Caminhada para a Quaresma-Páscoa, com os objetivos delineados e com a dinâmica para o 1.º Domingo da Quaresma. De realçar, entre outras notícias, a Visita Pastoral de D. António Couto à Paróquia das Monteiras. Mas comecemos a leitura…

CONVERSÃO . QUARESMA

Amanhã, primeiro dia de março e quarta-feira de cinzas, iniciamos a vivência do tempo quaresmal, caminho para a Páscoa e apelo à conversão, para o qual o Papa nos dirigiu uma mensagem, “A Palavra é um dom, o outro é um dom”, já aqui publicada.

Escolhendo e comentando a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31), o Santo Padre denuncia o apego ao dinheiro e convida a acolher o outro, dois temas recorrentes no seu magistério.

No texto, Francisco convida a abrir o coração ao outro, porque toda a pessoa é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido por Deus, mesmo quando a fraqueza e o limite o atingem.

Diante dos milhões que têm apenas a rua por casa e sofrem com a fome, um prato quente será sempre uma dádiva, mas também o acompanhamento deve ser cuidado. Daí a urgência em redescobrir a força da solidariedade e da cooperação.

A história da humanidade, marcada pelo veneno do consumismo que polui as relações humanas, apresenta páginas de rejeição ao estrangeiro e medo do outro. Ora, ensina o Papa, a relação justa para com os outros consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. Por outro lado, o amor ao dinheiro é, no dizer do Santo Padre, a raiz de todos os males (corrupção e inveja, discussões e desconfianças), um ídolo tirânico que leva o mundo a uma lógica egoísta.

Para poder testemunhar plenamente a alegria pascal, é preciso abrir as portas aos mais fracos e carenciados. Mas não basta acolher assim o outro; o Papa convida a ouvir a Palavra de Deus.

Por último, e para promover o reencontro no seio da única família humana, Francisco convida os fiéis a participarem nas campanhas quaresmais promovidas nas dioceses e paróquias.

O pobre não é um obstáculo que incomoda, mas um apelo à conversão.

in Voz de Lamego, ano 87/16, n.º 4401, 28 de fevereiro de 2017

PEREGRINAÇÃO – CONVERSÃO | Editorial Voz de Lamego | 10 de maio

Editorial Voz de Lamego

A edição da Voz de Lamego apresenta, como habitualmente, uma riqueza de temas, nomeadamente nas variadas reflexões e artigos de opinião, e no desenvolvimento de algumas notícias. Alguns destaques: entrevista com o Pe. Ildo de Jesus, Pároco de Chavães e de Arcos, na Zona Pastoral de Tabuaço e a visita dos seminaristas do 6.º Ano em terras de Tabuaço, o encontro do pré seminário, as obras no Santuário de Fátima, o Fátima Jovem, e as peregrinações, a Visita Pastoral de D. António na Paróquia de Granjal.

O Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor do nosso jornal diocesano, centra-nos na peregrinação como caminho de conversão:

PEREGRINAÇÃO – CONVERSÃO

A peregrinação é entendida como uma iniciativa, pessoal ou colectiva, que os crentes vivem em direcção a um lugar santo por causa de motivações religiosas e dentro de um espírito de fé.

Desde os primeiros séculos, os cristãos colocaram-se em marcha, a caminho, em direcção a lugares de referência para a sua fé: a Terra Santa da Bíblia e de Jesus, os túmulos dos Apóstolos (Roma, Compostela…), os santuários marianos e os lugares onde viveram grandes santos. A sós ou em grupo, o peregrino simboliza a marcha do Povo de Deus para o Pai. Porque “o peregrino tem sempre um objectivo, mesmo se às vezes dele não tem explicitamente consciência. E esse objectivo não é outro senão o encontro com Deus através de Cristo” (Bento XVI).

Por estes dias, muitos se dirigem até à Cova da Iria. As motivações variam (cumprir promessas, acompanhar alguém próximo, experimentar, vencer o desafio, fortalecer a fé, encontrar-se…), mas todas se apoiam na disponibilidade para partir e na vontade de chegar.

No Ano Jubilar em curso está explicito o convite para peregrinar, para encontrar Deus e o próximo, para sair de si e da sua zona de conforto, para abandonar certas práticas e adoptar novos hábitos, para fixar objectivos e avançar segundo as suas forças (MV 14).

Numa palavra, a verdadeira peregrinação rima com conversão. Eis o mais importante e, também, o mais difícil. Porque se não há mudança, apenas ficará o esforço físico.

As famílias, os amigos e as comunidades são testemunhas da mudança protagonizada por muitos peregrinos e dela beneficiam também. E se muitos o conseguem, todos a ela devem aspirar.

A peregrinação pode não ser sempre sinónimo de deslocação no espaço, mas quando Deus é a meta sempre produzirá mudanças na forma de estar e de viver.

Ousemos peregrinar.

in Voz de Lamego, ano 86/23, n.º 4362, 10 de maio de 2016

MISERICÓRDIA e CAPACIDADE | Editorial Voz de Lamego | 2.fevereiro

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A Quaresma é um tempo significativo de preparação próxima para a celebração festiva da Páscoa, Ressurreição do Senhor Jesus. A vivência quaresmal tem uma enorme relevância nas comunidades cristãs, acentuando-se, por vezes, melhor o tempo da Quaresma que o tempo da Páscoa. Porém, quando melhor se viver a Quaresma, como preparação, como antecipação, como conversão para ACOLHER Jesus ressuscitado, mais sentido terá a Páscoa que renova e nos abre as portas para uma vida nova.

A edição desta semana do nosso Jornal diocesano já nos coloca a refletir sobre a Quaresma, com a Mensagem do papa Francisco, com a insistência a viver as obras de Misericórdia, corporais e espirituais, sublinhando também o envio, para todo o mundo, dos missionários da Misericórdia, as 24 Horas para o Senhor, a 4 e 5 de março. O Editorial, proposta de reflexão do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, versa sobre este tempo que se inicia no próximo dia 10 de fevereiro, com a Quarta-feira de Cinzas, tempo de oração, de conversão, de partilha, para nos tornarmos capazes de misericórdia:

MISERICÓRDIA E CAPACIDADE

No próximo dia 10, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma, oportunidade de preparação da festa da Páscoa, coração da fé cristã, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.

Nesse sentido, a Quaresma é entendida como tempo de conversão que assenta na oração, na penitência e na partilha, fruto de uma renúncia consciente e assumida. E porque se fala muito de penitência, importa lembrar que esta não tem o fim em si mesma, mas a procura de uma maior disponibilidade interior. Podemos passar horas de joelhos sem escutar Deus ou dar esmolas sem experimentar proximidade com o próximo…

Na mensagem quaresmal, o Papa faz referência, como seria de esperar, ao jubileu em curso, convidando cada um a experimentar o “amor fiel” de Deus que habilita o homem para protagonizar a misericórdia.

O Ano da Misericórdia não se destina a ser uma oportunidade para coleccionar iniciativas e vivências, individuais ou comunitárias; o grande objectivo é levar cada um a descobrir-se amado por Deus e a agir em conformidade, tornando-se imagem da misericórdia divina, aqui e agora. No fundo, tudo se orienta para que o homem se descubra “capaz de misericórdia”, que testemunhará com naturalidade após a conversão de coração.

Por isso, se apresenta a Quaresma como um “tempo favorável à conversão”, propício para cada um reconhecer a situação em que se encontra, já que “o pobre mais miserável é aquele que não aceita reconhecer-se como tal”. E Francisco acrescenta que este libertar-se da “própria alienação existencial”, acontece graças “à escuta da Palavra e às obras de misericórdia”.

Os quarenta dias quaresmais simbolizam o tempo de preparação para novos começos.

O Ano da Misericórdia pode ser ocasião singular para preparar um novo começo… Porque não há conversão sem caminhada e esta exige sempre um primeiro passo.

in Voz de Lamego, ano 86/11, n.º 4348, 2 de fevereiro de 2016

MEMÓRIA E LIBERTAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 3 de março

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A edição desta semana dá grande destaque à Visita Pastoral de D. António Couto à cidade de Lamego, com as duas paróquias, Sé e Almacave. Destaque importante também para a SEMANA NACIONAL DA CÁRITAS, 2 a 8 de março, com entrevista à Presidente da Cáritas Diocesana de Lamego. Como nos tem habituado, a Voz de Lamego traz uma diversidade imensa de reflexão e notícias, com o comentário à liturgia de domingo, as intervenções do papa Francisco. Para já o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor do nosso Jornal Diocesano:

MEMÓRIA E LIBERTAÇÃO 

A história é simples. Uma senhora doente, internada no hospital, queixava-se em alta voz dizendo estar cheia de sede: “Ai que sede que eu tenho, que sede que eu tenho”. Alguém se disponibilizou para ir buscar água. Bebeu e ficou saciada. Quando os outros pensaram que agora iria sossegar e deixar descansar os demais, começou novamente: “Ai que sede que eu tinha, que sede que eu tinha”!

Não é salutar continuar a “sofrer as dores de ontem”. Como escreveu alguém, “a infelicidade alimenta-se das memórias” e “as frustrações do passado assassinam as esperanças”. Há feridas que se mantêm porque não há disponibilidade para deixar sarar e cicatrizar…

Apesar do olhar se voltar para avaliar o percurso e da consciência assumir que poderia ter sido melhor, a Quaresma é, para o crente, um convite para se voltar para diante, para a meta, para a vida. Porque a misericórdia do Senhor fundamenta e alimenta-lhe a esperança, apesar dos limites e imperfeições de ontem e de viver num hoje nem sempre cómodo ou isento de riscos.

A caminhada quaresmal surge como oportunidade, também, para a libertação do que estorva o ritmo, desvia o rumo e ensombrece a esperança. Daí o insistente apelo à Reconciliação. Porque a confissão dos pecados, acompanhada do arrependimento e da conversão, é fonte de libertação. Viver em função de sentimentos menos bons, de recordações menos alegres ou de acontecimentos e decisões menos simpáticas é perturbador e diminui a alegria.

Quanta serenidade e harmonia no rosto, nas palavras e nos gestos de quem sabe, todos os dias, compreender-se como peregrino, encarando a vida, com o bom e o menos bom, como viagem transitiva que conduz ao definitivo, Deus!

 in Voz de Lamego, n.º 4303, ano 85/16, de 3 de março de 2015

RUMO CERTO | Editorial Voz de Lamego | 2 de dezembro

RUMO_CERTO

A chegar às mãos, a edição do jornal diocesano, Voz de Lamego, a primeira deste mês de dezembro, deste mês que nos conduz à celebração festiva do Natal, nascimento de Jesus Cristo, Deus connosco.

O destaque de primeira página vai para a presença do Papa Francisco em Estrasburgo, o Parlamento Europeu, notícia desenvolvida nas páginas centrais, e para a CAMPANHA CÁRITAS, 10 Milhões de Estrelas, um Gesto pela Paz.

Mas o jornal faz-se de muitas outras notícias, com alguns movimentos eclesiais em ação, o Apostolado de Oração, o SDPJ, o Pré-Seminário, o MMF; bem assim como as atividades das paróquias e da Diocese, eventos da região, e os artigos de opinião/reflexão.

Ambientando esta edição, o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego:

RUMO CERTO

Um automobilista entrou na auto-estrada em contramão sem se aperceber do facto e seguiu viagem, sem dar importância às luzes e buzinadelas dos que com ele se cruzavam. Minutos depois, pela rádio, o locutor avisa que em determinada estrada – a mesma onde, impávido e sereno, seguia o nosso condutor – um carro seguia em contramão. E logo o nosso amigo desabafava: “se fosse só um!”

Apesar de ser o único a circular assim, não é capaz de equacionar uma eventual falha pessoal e reconhecer o erro. Pelo contrário, cheio de presunção, não tem dúvidas do rumo que segue e ainda ousa denunciar os outros. Nem se dá conta que, naquela direcção, se afasta cada vez mais da meta pretendida.

Às vezes comportamo-nos como este condutor incauto e teimamos em ser os únicos a avançar na direcção certa, não reconhecendo sinais, avisos ou conselhos que nos enviam e mostrando, até, desagrado quando nos contrariam.

O advento, sendo tempo de espera atenta e activa, é também oportunidade para avançar, na certeza de que a vida está sempre adiante. E nem sempre o ceder, o inverter ou o alterar da marcha e do ritmo é prova de fraqueza ou sinónimo de perda de tempo.

Por isso se repete o apelo “vigiai”. Não para apurar o olhar denunciador sobre os outros, mas para acertar o próprio rumo, caso seja necessário.

E reconhecer que se pode melhorar ou confessar que não se está no melhor caminho, é próprio de quem não se julga o maior ou se tem como ponto de referência. Custa, mas consegue-se!

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014