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Posts Tagged ‘Comunicações Sociais’

UM REPARO: talvez

A conhecida e muito divulgada cimeira tecnológica voltou a Lisboa, arrastando multidões, enchendo bares e hotéis e divulgando a cidade anfitriã. Em ambiente festivo e descontraído, ali se juntam especialistas, individualmente ou em grupo, que querem mostrar e vender produtos, bem como os empreendedores em busca de bons investimentos. Eis um evento mundial que arrasta muita gente e com repercussões na vida de milhões.

Não restam dúvidas sobre a sua oportunidade, nem se negam os benefícios que as novas realidades tecnológicas conferem à vida da humanidade que deles pode usufruir. Contudo, tal desenvolvimento, trazendo conforto e proveito, também apresenta riscos, nomeadamente para o mundo laboral.

O aparecimento de novas soluções tecnológicas vai tomando conta de muitos postos de trabalho e assim vai continuar. Há lugares extintos e profissões que, embora muito conceituadas nestes dias e segundo os estudiosos, correm sérios riscos de virem a desaparecer nos próximos anos, já que as máquinas poderão substituir os humanos nessas tarefas.

Talvez o futuro traga, também, novas profissões que permitam criar novos postos de trabalho.

Talvez reste ao homem mais tempo para contemplar e usufruir, em vez de transformar e produzir.

Talvez avance definitivamente a ideia de um rendimento de subsistência garantido que liberte do trabalho e garanta meios para consumir o que as máquinas produzem.

Talvez venhamos a contemplar um ser humano mais desocupado, o que pode não ser sinónimo de mais realizado.

Talvez se testemunhe mais solidão e mais depressões provocadas pela perda de sentido e pela ausência de razões para continuar.

Talvez se acentuem as desigualdades entre uns poucos que dominam e a maioria que luta para sobreviver.

Talvez as novidades tecnológicas permitam sonhar com um progresso contínuo, sem que tal signifique sempre um real avanço para a realização humana…

JD, in Voz de Lamego, ano 87/50, n.º 4436, 14 de novembro de 2017

Dia Mundial das Comunicações Sociais: Esperança e confiança

“Num sistema comunicador onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção, e, por conseguinte, não é uma notícia, onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculo, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”

Na mensagem publicada para este dia, “Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo”, o Papa Francisco desafiou os media e os jornalistas de todo o mundo a passar de uma lógica de “notícias más” para uma da “boa notícia”, rejeitando o sensacionalismo e a exploração dos dramas humanos.

“Creio que há necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e travar a espiral do medo, resultante do hábito de fixar a atenção nas ‘notícias más’ (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de falhanço nas vicissitudes humanas)”, referiu, na mensagem para o 51.º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

O Papa sublinha que, graças ao progresso tecnológico, o acesso aos meios de comunicação possibilita a muitas pessoas ter conhecimento “quase instantâneo” das notícias, divulgando-as de várias maneiras. “Estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas”, observa.

Francisco pede, por isso, que todos se empenhem na promoção de uma “comunicação construtiva” que rejeite os preconceitos e promova uma “cultura do encontro”.

“Num sistema comunicador onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção, e, por conseguinte, não é uma notícia, onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espectáculo, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”, alertou. Ler mais…

COMUNICAR e PARTILHAR | Editorial Voz de Lamego | 23 de maio

COMUNICAR e PARTILHAR

No próximo domingo celebramos a Ascensão do Senhor, data proposta pela Igreja para assinalar mais um Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social, para o qual o Papa Francisco escreveu a mensagem “Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo”.

Em virtude do progresso tecnológico, a sociedade lança o individuo numa rede de comunicação alargada e exigente que lhe permite relacionar-se, dizer-se e informar-se, determinando a qualidade das relações humanas, já que comunicar é, também, partilhar.

E é sobre a partilha que se faz das notícias que surgem que a mensagem papal trata, alertando para a superficialidade e negatividade que tendem em impor-se quando se deixa de lado a exigência de uma comunicação sadia que, sem cair no optimismo ingénuo, não esconde o mal nem perde a oportunidade de promover o bem.

Daí o apelo papal aos que usam a comunicação social para informar: é preciso quebrar o “círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo” e não ficar apenas no drama e no sofrimento. Numa abordagem “propositiva e responsável” e num estilo comunicador aberto e criativo.

O cristão deve ler a realidade à luz do Evangelho, a Boa Notícia que traz e oferece um sentido à vida, que recorda a cada um o quanto é amado e como todos se podem realizar através do bem que podem fazer na passagem pelo mundo.

A esperança e a confiança, tão arredados de certos ambientes, são realidades que urge assumir e divulgar. Ao seu lado, há protagonistas e factos que não merecem tanta atenção e assuntos tão pouco relevantes e efémeros que não deveriam propagar-se, apesar da curiosidade e atracção que despertam.

A jornada que se anuncia pode ajudar-nos a fixar critérios e opções sobre o que lemos e ouvimos, o que partilhamos e ajudamos a difundir, os meios que utilizamos e os assuntos que tratamos. E, já agora, a maneira como nos expomos.

in Voz de Lamego, ano 87/28, n.º 4413, 23 de maio de 2017

Dia das Comunicações Sociais 2017 | Mensagem do Papa Francisco

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«Não temas, porque Eu estou contigo» (Is 43, 5).

Comunicar esperança e confiança no nosso tempo

O acesso aos meios de comunicação, graças ao desenvolvimento tecnológico, é tal que muitas pessoas têm a possibilidade de partilhar quase instantaneamente as notícias e de as divulgar de forma capilar. Estas notícias podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas. Já os nossos antigos pais na fé falavam da mente humana como de uma mó de moinho que, movida pela água, não se pode parar. Mas o moleiro tem a possibilidade de decidir se quer moer trigo ou joio. A mente do homem está sempre em ação e não pode parar de «moer» o que recebe, mas cabe a nós decidir o material que lhe fornecemos (cf. Cassiano o Romano, Carta a Leôncio Igumeno).

Gostaria que esta mensagem pudesse atingir e todos aqueles que diariamente, seja no âmbito profissional seja nas relações pessoais, «moem» tantas informações para oferecer um pão fresco e bom a quantos se alimentam dos frutos da sua comunicação. A todos quero exortar a uma comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, favoreça uma cultura do encontro graças à qual se possa aprender a olhar a realidade com convicta confiança.

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Jornadas Nacionais de Comunicação Social | 2016

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Pensar a comunicação na Igreja Católica em Portugal

A Igreja Católica em Portugal quis pensar na comunicação que está a realizar no contexto português. Para isso reuniu os Secretários Diocesanos em Fátima, para «pensar a comunicação», ouvindo-os sobre o que pensam sobre o tema e a vida dos Secretariados, Gabinetes de Comunicação e órgãos de Comunicação Social nas Dioceses, tema que ocupou a tarde do primeiro dia de trabalhos.

Presentes quase todas as Dioceses que viram os seus trabalhos presididos pelos Bispos D. Pio Alves, Presidente da Comissão Episcopal do sector, D. Amândio Tomás e D. João Lavrador; acompanhou todos os trabalhos o P.e Américo Aguiar, Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais. D. Pio Alves saudou os presentes e pediu que falássemos uns com os outros sobre a realidade de cada Diocese e o que de melhor podemos construir. Alvitrou que «não tropeçássemos nas dificuldades», mas víssemos o que somos, o que temos e o que podemos. Também o P.e Américo Aguiar saudou os presentes, agradeceu o esforço feito até este momento e convidou-os a «potenciar as coisas boas», nos locais do trabalho, que vai das paróquias até ao nível diocesano. E os trabalhos da tarde de 22 de Setembro ocuparam o tempo destinado a este tema, que permitiu dizer e ouvir o que se pensa e faz nas diversas Dioceses. Ler mais…

50.º Dia Mundial das Comunicações Sociais: Comunicar é escutar

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A mensagem do Papa Francisco para o 50.º Dia Mundial das Comunicações Sociais tem uma palavra central: escuta. O texto relaciona comunicação e misericórdia, porque se insere na celebração do Ano Jubilar em curso, e tem uma secção nuclear para expressar o parecer do Papa para o setor dos media, sobre este tema da misericórdia. Sintetiza-se em dois parágrafos onde, em menos de dez linhas, Francisco se refere dez vezes à escuta.

Na primeira mensagem que Francisco escreveu para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2014, o Papa disse que os media podem ter um papel fundamental na promoção de uma “autêntica cultura do encontro”. E em que consiste essa cultura? A resposta surge a partir da parábola bíblica do Filho Pródigo e também pelo exemplo do próprio Papa. De facto, a atitude de ir ao encontro do outro, a decisão de o atender, a disponibilidade cuidar e dar carinho e tempo a todos, nomeadamente os mais frágeis, é uma marca deste pontificado. E é também o maior poder de comunicação do Papa Argentino.

Tive a oportunidade de estar na Praça de São Pedro quando o Papa Francisco percorre os corredores abertos no meio da multidão que o espera para as audiências gerais ou as grandes celebrações. Nestas, sobretudo, o aparente distanciamento em relação ao que acontece e impossibilidade de perceber tudo o que se ouve faz com que o ambiente entre as colunatas de Bernini nem sempre corresponda ao de um templo em céu aberto. Mas, quando o Papa se aproxima, acontece a comunicação, também a comunicação do mistério que se celebra e que é sinal e símbolo da transcendência. Para o testar, não chegam argumentos, é necessário participar, estar por lá pelo menos uma vez para comprovar a determinação de Francisco em se encontrar com todos e verificar a força comunicativa destes gestos, para além das palavras.

Na Praça de São Pedro ou em Lesbos, na sede das Nações Unidas ou nas Favelas do Rio de Janeiro, no Parlamento Europeu ou em Lampedusa, na Casa Branca ou na prisão mexicana do Estado de Chihuahua, Francisco torna relevante a sua presença pela promoção do encontro e interessante a sua comunicação pela permanente atitude de escuta.

Em termos meramente técnicos e burocráticos, a escuta emerge como metodologia necessária para o exercício de determinada função ou o cumprimento de uma qualquer obrigação. Por exemplo, no domínio do aconselhamento, da psicologia, da pedagogia e também na gestão de recursos humanos ou no desenvolvimento de estratégias comerciais. Agora, a escuta desafia metodologias de comunicação que, por tradição, assentavam em vias unidirecionais, expositivas. Diante do insucesso destas, procura-se a eficácia pela atenção ao outro, à rede. E, por isso, se afirma a necessidade da escuta.

A escuta proposta pelo Papa Francisco não é resultado de uma estratégia de comunicação, mas da autenticidade de vida, da transparência de um pontificado e da determinação em colocar todas as estruturas e mediações ao serviço de um único objetivo: a vida no seguimento de Cristo.

A exemplo do Bom Samaritano, a escuta proposta pelo Papa Francisco não se preocupa em “reconhecer o outro como um meu semelhante”, mas passa pela angústia constante de tudo fazer para ser “semelhante ao outro”. E esta diferença tem repercussões enormes. Também na definição de estratégias de comunicação! A primeira diz-se com três verbos: Comunicar é escutar.

Paulo Rocha, in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4361, 3 de maio de 2016

Mensagem do Papa Francisco: Dia Mundial das Comunicações Sociais

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»

[8 de Maio de 2016]

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a reflectir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das acções da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direcção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (…) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objectivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.

Papa Francisco