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Editorial Voz de Lamego: os cristãos e as redes sociais

Ide e anunciai o Evangelho a toda criatura. As últimas palavras de Jesus têm de ser, inevitavelmente, comprometedoras. Para mim e para ti. Para cada um de nós que se assume cristão, seguidor, imitador de Jesus Cristo. Em toda a parte, em todas as circunstâncias, somos cristãos, trazemos a marca de Cristo que nos habita pelo Seu Espírito de Amor e de Verdade.

A Diocese, sob o impulso do nosso Bispo e a insistência do Papa Francisco, tem procurado tomar consciência deste dever em transparecer Jesus. Nas diferentes esferas da vida pessoal, familiar e profissional, na política, na cultura e no desporto, com o grupo de amigos ou em tempo de férias, o cristão terá que confrontar a sua vida, a sua postura, as suas palavras, os seus gestos, com a postura e a vida de Jesus.

Não deixo de ser cristão quanto enveredo pela vida político-partidária. Não deixo de ser cristão quando inicio um trabalho ou abro uma empresa. Não deixo de ser cristão por me tornar músico ou artista de televisão. Não deixo de ser cristão por ser patrão ou por ser empregado.

Pela mesma razão, não deixo de ser quem sou porque tenho presenças nas redes sociais, nos meios de comunicação social. Quando “assistimos” a um casamento ou batizado, vemos muitos que entram mudos e saem calados. Corrijo, entram a falar e saem a falar, mas durante a celebração estão a assistir como a um jogo de futebol. Alguns não estão familiarizados com as celebrações, outros, e essa é a admiração maior, optam por não responder por vergonha, acanhamento, por “respeitos” humanos.

O mesmo acontece nas redes sociais. Muitos perdem a noção de que são cristãos-católicos. O mundo digital há de ser oportunidade para aproximar pessoas e comunidades e não espaço para a fofoca, para a crítica destrutiva, para as calúnias, as suspeições. Os meios de comunicação social trazem-nos notícias de toda a espécie. As redes sociais multiplicam as notícias, através das partilhas, dos gostos, dos comentários. Como cristãos (e como cidadãos) deveríamos primeiramente verificar a fonte e a veracidade do que partilhamos.

Temos assistido às chamadas “fake news” (notícias falsas) acerca do Papa e da Igreja. E muitos de nós fazem o papel de sacristãos (sem ofensa para os verdadeiros) e rapidamente multiplicamos as insinuações, os boatos, as injúrias! O mal deve ser denunciado. Mas os profetas não se ficam pelo lodo e propõem a cura pelo bem, pela verdade e pela justiça, projetando caminhos de esperança nas pessoas e no mundo a que Deus nos envia. Há tantas coisas positivas para divulgar, anunciar e partilhar! Na paróquia, na diocese, na Igreja, na aldeia e na cidade! Para quê contribuirmos para semear o caos?!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 88/39, n.º 4476, 11 de setembro de 2018

UM REPARO: talvez

A conhecida e muito divulgada cimeira tecnológica voltou a Lisboa, arrastando multidões, enchendo bares e hotéis e divulgando a cidade anfitriã. Em ambiente festivo e descontraído, ali se juntam especialistas, individualmente ou em grupo, que querem mostrar e vender produtos, bem como os empreendedores em busca de bons investimentos. Eis um evento mundial que arrasta muita gente e com repercussões na vida de milhões.

Não restam dúvidas sobre a sua oportunidade, nem se negam os benefícios que as novas realidades tecnológicas conferem à vida da humanidade que deles pode usufruir. Contudo, tal desenvolvimento, trazendo conforto e proveito, também apresenta riscos, nomeadamente para o mundo laboral.

O aparecimento de novas soluções tecnológicas vai tomando conta de muitos postos de trabalho e assim vai continuar. Há lugares extintos e profissões que, embora muito conceituadas nestes dias e segundo os estudiosos, correm sérios riscos de virem a desaparecer nos próximos anos, já que as máquinas poderão substituir os humanos nessas tarefas.

Talvez o futuro traga, também, novas profissões que permitam criar novos postos de trabalho.

Talvez reste ao homem mais tempo para contemplar e usufruir, em vez de transformar e produzir.

Talvez avance definitivamente a ideia de um rendimento de subsistência garantido que liberte do trabalho e garanta meios para consumir o que as máquinas produzem.

Talvez venhamos a contemplar um ser humano mais desocupado, o que pode não ser sinónimo de mais realizado.

Talvez se testemunhe mais solidão e mais depressões provocadas pela perda de sentido e pela ausência de razões para continuar.

Talvez se acentuem as desigualdades entre uns poucos que dominam e a maioria que luta para sobreviver.

Talvez as novidades tecnológicas permitam sonhar com um progresso contínuo, sem que tal signifique sempre um real avanço para a realização humana…

JD, in Voz de Lamego, ano 87/50, n.º 4436, 14 de novembro de 2017

49.º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS: comunicar a família

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A partir do II Concílio do Vaticano (1962-1965), cujo cinquentenário do encerramento se assinala este ano, os católicos foram convidados a participar numa jornada dedicada às comunicações que, entre nós, acontece no domingo da Ascensão. Para este acontecimento, no dia 24 de Janeiro, festa litúrgica de S. Francisco de Sales (patrono dos jornalistas), a Santa Sé publica uma mensagem para esse dia.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais assinala-se no Domingo da Ascenção e tem por objectivo divulgar os meios de comunicação ao nível das paróquias, das dioceses e dos serviços da Igreja católica. No decorrer desta jornada, os católicos são convidados a descobrir tais meios, a rezar por aqueles que se ocupam dos mesmos e a contribuir para a sua preservação.

Em cada época, a Igreja soube utilizar os meios disponíveis para responder aos desafios sempre novos de comunicar o Evangelho. Por isso, a Igreja utiliza os meios atuais: sítios internet, blogues, mensagens, boletins e jornais diocesanos e paroquiais, revistas de congregações e movimentos, cartazes, rádio, televisão, editoras. E para adaptar a comunicação às mudanças originadas pelas novas tecnologias, a Igreja também tem necessidade de formar os seus responsáveis. Neste particular, a nossa diocese deveria investir em tal formação, atendendo a que o que vai fazendo é fruto de muito amadorismo e muita boa vontade. Mas talvez não chegue!

Mensagem para 2015

Para este 49.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa dirigiu-nos uma mensagem, intitulada “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. O tema recorda e aponta para a próxima Assembleia sinodal, dedicada à realidade familiar, reafirmando que “a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista”.

Uma nota do Conselho pontifício para as comunicações sociais explica que se a informação diária narra as dificuldades da família, o contexto cultural não ajuda a compreender o quanto a família é um bem. “As relações no seio da comunidade familiar desenvolvem-se ensinando a gratuidade e a dignidade pessoal. Esta fonte única traduz-se no acolhimento, no encontro e diálogo, na disponibilidade generosa e serviço desinteressado, na profunda solidariedade. Como comunicar hoje, a uma humanidade ferida e decepcionada, que o amor entre um homem e uma mulher é algo de bom? Como fazer compreender às crianças que elas são o dom mais precioso? Como aquecer o coração de uma sociedade provada por tantas decepções e encorajá-la a recomeçar? Como afirmar que a família é o primeiro lugar onde se experimenta a beleza da vida, a alegria do amor, a gratuidade do dom, a consolação do perdão oferecido e recebido, meio onde se começa a encontrar o outro?”.

Por isso, continua aquele Conselho, “A Igreja deve explicar, novamente, como a família é um grande dom, bom e belo, onde a gratuidade do amor entre os esposos se vive, abrindo as portas para o futuro, para a vida”.

O Papa Francisco, que assina a Mensagem, lembra-nos que “A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.”

O nosso jornal

O plano pastoral da nossa diocese tem por lema Ide e construi com mais amor a Família de Deus, endereçando um convite a todos e propondo uma missão para a qual ninguém está dispensado. Também aqui os meios de comunicação nos podem ajudar, na medida em que nos permitem “compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível”.

Apesar de limitados, os meios de comunicação da nossa diocese são uma realidade a preservar, atendendo a que contribuem para a edificação de uma “rede” que aproxima, corresponsabiliza, convoca, motiva e ajuda a avançar. Uma vasta missão que se mantém graças à colaboração de muitos e que se pode aperfeiçoar com a participação de todos.

A nossa homenagem a todos quantos, por esta diocese fora, se esforçam por bem utilizar os meios disponíveis para transmitirem o Evangelho e contribuírem para a formação e informação de todos.

Há algumas semanas decidimos enviar um exemplar do nosso jornal para todas as paróquias da diocese que ainda não eram assinantes. O objectivo seria conseguir concretizar tal assinatura e possibilitando a sua leitura a um maior número de fiéis das nossas paróquias. Aqui fica o apelo e o convite aos nossos sacerdotes e demais responsáveis paroquiais, para que divulguem o nosso jornal e participem na sua continuidade, quer enviando notícias, quer lendo e apelando à existência de novas assinaturas. Passa por aqui, também, a ajuda para preservar o que é nosso e o contributo para, divulgando factos de hoje, assegurarmos a memória de amanhã.

JD, in Voz de Lamego, n.º 4313, ano 85/26, de 12 de maio de 2015