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Posts Tagged ‘Compromisso’

COMUNHÃO E SERVIÇO | Editorial Voz de Lamego | 30 de maio

Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, no editorial desta semana convida-nos a olhar para o próximo ano pastoral acolhendo as vivências do ano pastoral ainda em curso mas que se encaminha para o final. O desafio, para lá de todas as iniciativas, é “verdadeiro espírito de comunhão no serviço da missão e do Evangelho”.

COMUNHÃO E SERVIÇO

O ano pastoral caminha para o fim e já se começa a olhar para o próximo, assumindo o desejo de preparar atempadamente uma nova etapa e de agrupar iniciativas e propostas diversas em torno de um tema comum.

Numa altura em que as festas, os convívios, os passeios e as férias marcam o ritmo das famílias, das comunidades paroquiais, dos grupos e movimentos, não será de excluir a oportunidade para se reflectir, a sós e em grupo, sobre o caminho percorrido e as vivências conseguidas. Sempre com vontade de perceber, sem saudosismo ou euforias, a situação em que se está e sem perder de vista o Senhor que convoca e provoca para diante.

Tais momentos proporcionarão a escuta do Espírito, o diálogo e a partilha de ideias e visões assentes em diferentes sensibilidades, bem como a possibilidade para se sublinharem forças e fraquezas da vida comunitária. Porque a Igreja é um corpo com muitos membros, um “nós” que estará sempre acima de um qualquer “eu”, por mais lúcido, culto ou santo que seja.

Ao olharmos para as realidades que dão corpo à nossa diocese, não podemos deixar de sublinhar o dinamismo das suas comunidades, uma riqueza para a Igreja, apesar do envelhecimento dos protagonistas e do esvaziamento dos lugares. A generosidade e a fé que animam o compromisso de tantos baptizados mais empenhados revelam a vontade de servir a missão.

Mas encontramos também desafios. Por exemplo, o individualismo que se tornou norma na sociedade, onde a emergência de expectativas e de reivindicações pessoais originam situações e dificuldades, sobretudo aos párocos.

Ainda dentro desta linha, enquanto diocese, talvez o grande desafio seja o de passar da adição de iniciativas e de expectativas para um verdadeiro espírito de comunhão no serviço da missão e do Evangelho. Como conseguir?

in Voz de Lamego, ano 87/29, n.º 4414, 30 de maio de 2017

COMPROMISSO E INDIFERENÇA | Editorial Voz de Lamego

Traditional Christian Christmas Nativity scene with the three wise men

Início de novo ano civil e de volta o Jornal Diocesano, Voz de Lamego, recuperando algumas notícias sobre o Natal, celebrações, momentos, desafios. Também o seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, nos deixa o desafio do compromisso contra a indiferença, ousadia, vontade e envolvimento…

COMPROMISSO E INDIFERENÇA

No início de um novo ano civil e de uma nova etapa que desejamos cumprir com alegria e serenidade, vemo-nos solidariamente a caminho e formulamos votos para que cada um alcance a meta e se sinta amparado pela graça divina.

Como sempre, o novo ano afigura-se pleno de oportunidades e fazem-se promessas para ser, viver, estar, ir… Porque há vontade em conseguir, disponibilidade para começar e continuar, sonhos para concretizar. Se o conseguimos ou não, isso serão contas que ficam para depois.

Por agora, importante e urgente é querer e ousar, para não desperdiçar oportunidades e dons recebidos. Porque a vida não se vive, verdadeiramente, sem envolvimento. Neste caso, o pior que poderia acontecer-nos seria a indiferença, presente numa vida nem quente nem fria, sem protagonismo, desperdiçando o que se é e adiando o que se poderia ser e conseguir.

Um novo ano ou um novo dia exigem-nos disponibilidade atenta e contínua para não se tornarem oportunidades menos conseguidas. E assumir-se disponível pressupõe vontade de arriscar, abertura à novidade e compromisso.

É verdade que não conseguimos controlar tudo e que a surpresa e o inesperado podem surgir, entrar porta dentro e transtornar sonhos e metas, desviando do caminho e incutindo desânimo. Mas nunca serão momentos perdidos aqueles em que se ousou iniciar uma caminhada ponderada e desejada, o bem que se fez, os gestos e as palavras que ajudaram, a fé assumida e testemunhada…

No início de um novo ano civil, incapazes de dizer já como serão os seus dias, resta-nos a vontade de arriscar e de querer preencher, de maneira consciente e responsável, o tempo que nos é dado e o desejo de fazer bem todas as coisas. Isso será cumprir a vida e tornará 2017 uma etapa conseguida.

Boa caminhada!

in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017

PARTILHAR PROTAGONISMO | Editorial Voz de Lamego | 13.09.2016

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A cidade de Lamego viveu um momento de extraordinária beleza, de fé, de religiosidade, de romaria, de turismo, a Festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios. A edição da Voz de Lamego faz eco das festas dos Remédios, desde a novena ao encerramento.

Mas outros temas, notícias e reflexões, e eventos, preenchem o Jornal Diocesano desta semana. No Editorial, o nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio balança-nos para o início do novo ano pastoral que se aproxima, desafiando-nos a partilhar compromissos para caminha e viver em Igreja.

PROTAGONISMO . PARTILHAR

Com o verão a chegar ao fim, recomeçam algumas das actividades interrompidas pela pausa estival, ao mesmo tempo que terminam as festas populares.

A par das famílias que voltam ao seu ritmo, do aproximar do tempo das colheitas e das escolas que iniciam novo ano lectivo, também as comunidades cristãs recuperam o ritmo de vida abrandado nas últimas semanas.

Por essas paróquias fora testemunhamos encontros diversos que congregam os mais responsáveis pela animação pastoral, os conselhos pastorais e económicos, as crianças e adolescentes que frequentam a catequese, acompanhados dos pais, os catequistas, os jovens, os colaboradores da liturgia, os membros dos diversos Grupos e Movimentos… Apesar de pouco populosas ou até envelhecidas, há muita vida nas nossas comunidades, onde se continua a anunciar e a celebrar a fé, bem como a testemunhar a caridade. Quanto mais não seja através da piedade popular, onde a idade não estorva e a prática se herdou.

A caminhar com este povo estão os párocos, a quem sempre se pede uma presença próxima e de quem se espera uma dedicação atenta. E são muitos os exemplos de sacerdotes que assim vivem a sua missão por esta diocese fora. O seu exemplo edifica e o seu testemunho motiva.

No início de mais um ano pastoral, nunca é demais louvar o exemplo de tantos fiéis e de tantos sacerdotes que se doam à missão confiada pelo Senhor da Messe. E nunca será demais sublinhar a importância de caminharem juntos. Porque um povo sem pastor corre o risco de se perder, mas um pastor que ignore o povo perde identidade e questiona a missão.

Caminhar como Igreja é não perder de vista o Salvador; caminhar em Igreja é assumir a partilha de protagonismos, independentemente da tarefa assumida ou dos dons recebidos.

in Voz de Lamego, ano 86/42, n.º 4378, 13 de setembro de 2016

OLHAR AS PEREGRINAÇÕES | Editorial Voz de Lamego | 2 de setembro

vl_2_setembro_2014O acontecimento que neste momento marca a cidade e a Diocese de Lamego é a Festa de Nossa Senhora dos Remédios, de que o Jornal Diocesano tem feito eco e continuará a fazer. No entanto, outros temas e acontecimentos nos liga à vida da Igreja e da sociedade nesta porção do povo de Deus. Partindo das palavras do Diretor, este tempo de verão é atravessado por diversas peregrinações, Lapa e Remédios, Procissões, Romarias, Festas populares. Com a chegada dos emigrantes, há mais pessoas, mais vida, mais encontro.

A Voz de Lamego tem como principal tema de capa o Retiro de Lamego 2014, desenvolvendo a notícia, com alguns testemunhos. Outro acontecimento de relevo: as Bodas de Prata Sacerdotais, do Pe. Leonel Claro, na Paróquia de São Pedro de Penude, no dia 24 de agosto, cuja Eucaristia foi presidida por D. António Couto.

Para estarmos mais ligados uns aos outros, as diversas notícias em várias comunidades. Se queremos aprofundar a nossa vida e o sentido das nossas escolhas, diversas reflexões em temas variados.

OLHAR AS PEREGRINAÇÕES

Do peregrino temos a habitual imagem de alguém que, vindo de algum lado, passa sem se deter porque tem uma meta para alcançar. Sem deixar de olhar quem o rodeia e aceitando partilhar as razões da sua caminhada, avança sem parar.

Os peregrinos são notícia, porque vai aumentando o seu número, os seus relatos e sacrifícios são escutados e contemplados, as suas motivações questionam e a sua alegria contagia e motiva.

Sem falarmos aqui da vida como peregrinação ou do esforço individual para se encontrar, importa sublinhar o valor e a necessidade das peregrinações nas nossas comunidades. Porque, se é verdade que nunca deixaram de realizar-se, podem hoje ter outra visibilidade e serem mais frequentes, olhando para as possibilidades e os meios.

Uma peregrinação é uma oração e a oração do peregrino é, antes de mais, um louvor.

Uma peregrinação evangeliza, já que se destina a cristãos comprometidos, mas também, e cada vez mais, a pessoas que andam à procura, prontas a “peregrinar”.

Uma peregrinação propõe caminhos de iniciação a fim de melhor conhecer a bíblia, a oração cristã, a liturgia, mas igualmente a ajudar na conversão.

Uma peregrinação reforça a comunidade, porque é um tempo de vida fraternal, que permite a libertação da palavra e desperta para o louvor. Cada um segue o seu caminho interior, mas passa-se sempre alguma coisa de forte entre os peregrinos que caminham juntos.

Uma peregrinação é um envio (missão) em direcção às nossas comunidades, mas também para o mundo.

E porque o destino destas peregrinações é, quase sempre, um lugar sagrado, importa também cuidar do acolhimento e do encontro, bem como das celebrações e vivências que podem ajudar ao crescimento e à mudança. Por isso se fala tanto do papel singular dos santuários.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 2 de setembro de 2014, n.º 4278, ano 84/40

CRISTÃOS EFICIENTES | Editorial Voz de Lamego | 26 de agosto

vL_26_agostoCom o início das Festas dos Remédios, o destaque (de Capa) da Voz de Lamego não poderia deixar de se reportar à Romaria de Portugal, que, por estes dias, traz milhares de pessoas à cidade, vindas de Portugal inteiro, mas também muitos emigrantes e muitos turistas.

É apenas um dos muitos interesses que a VOZ DE LAMEGO nos apresenta, entre notícias, reflexões, sugestões. Aí está mais uma edição. Segue, como habitualmente o EDITORIAL do seu Diretor, ambientando-nos e convidando-nos a uma leitura mais demorada do jornal diocesano:

CRISTÃOS EFICIENTES

A palavra “eficiência” faz parte do habitual discurso que nos chega. Genericamente compreendemos que tal conceito nos recorda a importância de bem utilizar o que se tem para se obterem bons resultados a partir dos meios disponíveis.

Com efeito, um dos desejos do ser humano é ser eficiente no que faz, conseguindo resultados visíveis e satisfatórios nas tarefas assumidas. Não é por acaso que, em algumas circunstâncias, se estabelecem prémios para distinguir o cumprimento de determinados índices. E não é segredo para ninguém que a fixação de objectivos e respectivos prémios são motivadores.

No entanto, em ambiente eclesial, facilmente compreendemos que a “eficiência” seja difícil de conjugar quando falamos de evangelização. Porque, por maior que seja o entusiasmo do semeador, não sabemos qual o fruto que a semente dará. Não temos dúvidas da singular qualidade da semente, mas desconhecemos o seu desenvolvimento na seara onde cai. Porque isso é obra de Deus.

Mesmo assim, podemos manter parte do discurso sobre a eficiência na acção de evangelizar. Porque, se não podemos quantificar com objectividade o resultado de tal acção, podemos, ao menos, tê-la presente (eficiência) em tudo quanto deve acompanhar a missão evangelizadora: na forma diligente como se actua, nos meios que se utilizam, nas forças que se empenham ou no entusiasmo que se protagoniza. No fundo, trata-se de conjugar na primeira pessoa o tal “novo ardor” recomendado numa evangelização que se deseja sempre nova, vivida com fervor por todos os baptizados.

Porque este tempo precisa mais de testemunhas do que de mestres (Paulo VI), é possível ser eficiente na evangelização que se protagoniza, não só pelo que se possa ensinar ou contabilizar, mas sobretudo pela forma como se pode viver.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 26 de agosto de 2014, n.º 4277, ano 84/39