Arquivo

Posts Tagged ‘Comissão Diocesana Vocações e Ministérios’

Pré Seminário | Seminário de Resende | 19-20 de novembro

14569106_1223941957628082_75747173_n4

O Seminário Menor de Resende, vai promover no fim de semana de 19 e 20, um tempo de Pré-Seminário para todos aqueles que queriam ingressar no Seminário Menor no próximo ano letivo ou futuramente.
Este é um tempo de descoberta do Seminário. Um contacto mais direto com a realidade do Seminário e os seminaristas.
Assim, proporcionamos um tempo de convívio, de oração e de formação.
Recebemos os pré-seminaristas no sábado durante a manhã (início: 10h00) e regressam a suas casas no domingo após o almoço (final: 14h00).
Para se inscreverem, basta que entrem em contato com o Pároco e através dele chegará até nós a inscrição.
Lançamos este desafio e este convite em plena Semana de Oração pelos Seminários para a todos sensibilizar e para se deixarem tocar por Deus que chama continuamente “operários para a Sua Messe”.

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios

in Voz de Lamego, ano 86/50, n.º 4386, 8 de novembro de 2016

Tarouca: Vigília Diocesana de Oração pelas Vocações

DSCN0059

Vivemos a 53.ª Semana de Oração pelas Vocações que terminou no passado Domingo, Dia do Bom Pastor. Certamente que ao longo da semana, muitos foram os cristãos que se uniram em torno desta intenção e fizeram chegar até Deus, o dono da Messe, a oração e o louvor por todas as vocações.

Foi precisamente com este espírito de louvor e de oração que nos juntamos no Sábado pelas 21h na Igreja Paroquial de S. Pedro de Tarouca, na companhia do Sr. Bispo, D. António de vários sacerdotes, seminaristas, religiosas e muitos jovens e leigos que a nós se uniram para celebrarmos com fé e gratidão a Vigília de Oração pelas Vocações.

As palavras do Papa Francisco na sua mensagem para esta semana, serviram-nos de caminho para que todos déssemos conta que a Igreja é Mãe de Vocações. Com esta Vigília e “no decurso deste Jubileu Extraordinário da Misericórdia, quisemos experimentar a alegria de pertencer à Igreja, redescobrindo nela a vocação cristã e as formas particulares de a viver que nascem no Povo de Deus e são dons da misericórdia divina”, diz o Papa.

Assim durante cerca de uma hora e meia, permanecemos em oração diante de Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, exposto no altar.

Desde os cânticos, às diversas leituras, às palavras do Sr, Bispo, tudo nos encaminhou para este sentimento do Papa Francisco de percebermos que a “…Igreja é Casa de Misericórdia e também «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto…”.

Assim, uma das dinâmicas desta Vigília foi a plantação num vaso com terra, previamente preparado, três bolbos de plantas para nos recordar que a vocação é uma semente que é lançada e que precisa de criar raízes e ser amparada para dar fruto ou flor. Neste sentido, o Papa Francisco salientava que  “… a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação”.

Para que tal aconteça é necessário que os candidatos às diversas vocações conheçam melhor a comunidade eclesial sendo oportuno que façam alguma experiência apostólica junto da comunidade a quem pertencem, ao lado de um bom catequista; numa comunidade religiosa, nas mais diversas Congregações; que descubram o valor da contemplação, partilhando a clausura; que conheçam a missão ad gentes por exemplo junto dos missionários; a vida diocesana junto dos sacerdotes e párocos, ou na experiência de um Seminário e ainda no aprofundamento da experiência da pastoral na paróquia ou diocese a quem pertencem.

Estes são os caminhos propostos, o campo, a terra, onde se pode lançar a semente da vocação. Amparada por todos e regada com a água vida da oração, ela dá fruto.

Os dois testemunhos que foram dados na Vigília, bastante eloquentes, tinham este pano de fundo. É preciso seguir sem medo a voz Daquele que chama.

A Vigília de Oração terminou com a Bênção do Santíssimo Sacramento e a Oração do Papa Francisco para esta Semana, acompanhada do convite do Sr. Bispo de irmos e tal como Maria, tal como Paulo e Barnabé, seguirmos o Caminho e o Caminho é Jesus Cristo. Só Ele é o Caminho a que nos propusemos seguir. O cântico final enviava-nos com alegria de falar Dele, a dar a Boa Nova e a dizer a todos que Jesus é Amor.

Um agradecimento final a todos os que ajudaram a preparar este momento de oração e a todos os que participaram.

Pe. José Miguel, Departamento Diocesano das Vocações

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

Vigília de Oração pelas Vocações | Moimenta da Beira

vocações-moimenta da beira1

Vigília de Oração pelas Vocações

«Cada vocação requer um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho” (Mensagem para o 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações n. 2). Portanto, a chamada a seguir Jesus é entusiasmante e ao mesmo tempo comprometida. Para que se realize, é necessário entrar sempre em profunda amizade com o Senhor para poder viver d’Ele e por Ele. Rezemos para que também neste tempo, muitos jovens ouçam a voz do Senhor, que corre sempre o risco de ser sufocada por tantas outras vozes. Peçamos pelos jovens: talvez aqui nesta praça haja algum que ouve a voz do Senhor que o chama ao sacerdócio; rezemos por ele e por todos os jovens que são chamados.» (Papa Francisco, Regina Coeli 11 de Maio 2014).

Deste modo se iniciou a Vigília de Oração pelas Vocações, no passado sábado dia 25 de abril, na paróquia de Moimenta da Beira. Cada vocação é um chamamento para a vida. Deus chama-nos para a sua messe, pois quer fazer de todos nós (batizados) operários da sua seara. A vocação, como referia o nosso bispo, recebe-se para se dar, dar aos outros, dar pelos outros, por todos aqueles que precisam.

Deus ama-nos e faz desejar viver o amor de uma forma concreta em diferentes caminhos vocacionais. Foi neste sentido que muitos se juntaram para rezar, para interceder, para pedir santas vocações para a Igreja diante de Cristo. A vigília com Exposição do Santíssimo Sacramento foi presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto, tendo também parte nela o Sr Vigário Geral, alguns sacerdotes e os dois diáconos, consagrados e consagradas e bastantes leigos que pertencem a esta família que é a Diocese de Lamego.

No final da oração agradeceu-se ao pároco de Moimenta da Beira, Rev. Pe. Manuel Adelino Abrunhosa, bem como a toda a comunidade de Moimenta da Beira e a todos quantos participaram deste momento.

Que nunca faltem os evangelizadores, os servidores, os pastores santos que fazem parte desta nossa Igreja para que de forma alegre possam mostrar, verdadeiramente, a alegria do Evangelho a toda a criatura.

Diác. Fabrício Pinheiro

vocações-lamego - Copia

Ano da Vida Consagrada

“Um consagrado é como o Santo Sudário, envolvido por Cristo, revela a Sua Imagem para o Mundo”

Nesta última sexta-feira e sábado em Lamego e Moimenta da Beira foram realizadas duas vigílias em torno do grande dom da Vida Consagrada.

Onde podemos reunir as diversas congregações que auxiliam esta diocese , na vivência do seu carisma próprio, a evangelização e o cuidado com os mais carenciados seja física, humana ou espiritualmente.

Rezando e meditando a Palavra de Deus e textos muito bem colocados, diante da presença Eucarística de Jesus, elevamos uma grande acção de graças, por continuar chamando almas para segui-Lo mais de perto e assim contribuir activamente como canais para onde e a quem o Senhor nos enviar.

Partilhamos nossos carismas e missões, alegrando-nos com o “Belo Jardim” tão variado mas tão unido que é a Vida Consagrada à Deus.

Rezamos para que mais jovem decidam-se a ouvir e atender prontamente com um sim generoso a este Deus que continua a dizer no mais profundo de algumas almas “ Vem e segui-me”.

Comunidade Servos de Maria do Coração de Jesus

in Voz de Lamego, n.º 4311, ano 85/24, de 28 de abril de 2015

PASTORAL VOCACIONAL | Ardor apostólico contagioso

DSC00824

Nas últimas semanas, aqui foram publicados uns alguns textos sobre a importância e necessidade de uma pastoral ocupada e preocupada com a vertente vocacional. Porque, no fundo, toda a pastoral tem esta missão de anunciar aos homens e mulheres que são chamados e amados por Deus e que, por isso, não há vidas inúteis ou menos importantes. E se todos são igualmente chamados, a verdade é que também todos são igualmente responsáveis no anúncio desse chamamento.

Neste anúncio e neste recordar das responsabilidades de cada um, ocupam lugar importante os párocos, em virtude do acompanhamento pessoal e de grupo que podem protagonizar na comunidade cristã, tornando-se os primeiros promotores vocacionais. Uma missão que exige empenhamento na escuta dos fiéis, jovens ou adultos, para os ajudar no discernimento, mas também disponibilidade para o acompanhamento. Nesse sentido, nunca é demais formar e atualizar competências no campo da pastoral familiar, no voluntariado e na participação de fiéis leigos na promoção de uma cultura de vocações.

Assumindo a importância dos sacerdotes na missão eclesial de anunciar Deus que a todos ama e chama, aqui se sublinha e enaltece a vocação ao sacerdócio.

Neste particular, constatamos a sua diminuição na nossa diocese, onde os Seminários se esvaziam: as famílias não apoiam como antes, a baixa natalidade reduz os potenciais candidatos, uma identidade espiritual frágil e individualista, excessiva comunicação virtual, influências culturais que não favorecem esta opção, a radicalidade do compromisso assusta, alguma hostilidade e valores propagandeados… Diante das possibilidades que se oferecem aos jovens, o sacerdócio apresenta-se “pouco atraente”.

O Papa Francisco, comentando a escassez de vocações ao sacerdócio e à vida consagrada, afirma que, frequentemente, isso se fica a “dever à falta de ardor apostólico contagioso nas comunidades, pelo que estas não entusiasmam nem fascinam” (EG 107).

Acreditando na Providência divina, também nos devemos comprometer a protagonizar um sacerdócio alegre, empenhado e cumpridor, preocupado em escutar e conhecer para melhor acolher e acompanhar, possibilitando um convite pessoal a outros para seguir o Mestre.

Os nomeados com responsabilidades de animação vocacional também devem diversificar a sua acção e presença, procurando o contacto com os grupos juvenis, estando presentes nas diversas iniciativas que congregam os mais novos, mantendo contactos regulares que aproximem e motivem, propondo percursos, organizando encontros, tempos de oração, mostras vocacionais, acampamentos, retiros vocacionais, jornadas…

Nesta missão compartilhada, a tarefa pode ser modesta, vivida como um contínuo semear que desconhece a colheita, mas concretizando o mandamento de lançar as redes, procurando passar de um recrutamento de voluntários para uma promoção de vocações.

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015

PASTORAL VOCACIONAL | Pastor, o cultivador de todas as vocações

IMGP8723

Todos os homens e mulheres são chamados (vocacionados) para a vida, para o amor, para a Igreja, para Deus. Por isso, toda a vocação acontece como experiência de encontro com o Senhor que chama, directamente (Gn 12, 1-9; Jr 1, 4-19; Mt 9,9; Mc 1, 17) ou através de outros (1 Sm 3, 7-10; Jo 1, 35-39).

A animação vocacional é um ministério de mediação nesse encontro interpelante com Jesus Cristo, ajudando os outros a darem-se conta do Senhor que passa pelas suas vidas, elegendo e chamando. Ajudar o irmão a encontrar-se vocacionalmente e a encontrar o Outro é um serviço da pastoral, na medida em que ajuda a descobrir e a percorrer caminho.

A pastoral vocacional é comunitária e o discernimento vocacional pode dar-se ao longo de caminhos comunitários: a liturgia e a oração, a comunhão eclesial, o serviço da caridade… O “acompanhamento”, após o anúncio e o convite pode concretizar-se na direção espiritual, no diálogo pastoral, na relação de ajuda… Colocar-se ao lado, acompanhando, respeitando o ritmo e mostrando caminho, na proximidade e na escuta.

Por isso, “é urgente passar de uma pastoral vocacionalmente administrada por um agente isolado, a uma pastoral cada vez mais entendida como ação comunitária, de toda a comunidade nas suas diversas expressões: grupos, movimentos, paróquias, dioceses, institutos religiosos e seculares…” (NVNE 26f).

Neste particular e nesta acção singular de anunciar e acompanhar, apesar de ser acção de toda a comunidade, assume particular destaque o “pastor, sobretudo o presbítero, responsável por uma comunidade cristã, o ‘cultivador directo de todas as vocações” (NVNE 29), com particular destaque para as vocações religiosas e ordenadas.

Sublinhando a presença e acção de tantas pessoas ao longo da caminhada: família, catequistas, professores, formadores, fiéis, bispos… não se pode esquecer o singular papel dos párocos e sacerdotes: deles se recebem incentivos e apoio, neles se pode ver o exemplo a seguir e o testemunho a continuar e a eles se agradece o convite, a presença e a oração que dedicam à missão.

Assim, a pastoral vocacional não se entende nem plenamente se concretiza sem a presença e ação dos sacerdotes que, localmente, melhor conhecem e mais rapidamente chamam, convidam e motivam a avançar. E zelar pela pastoral, vocacionalizando-a, é ato de semear para um futuro que já começou.

Acreditando na Providência divina e confiando na Sua ação, também se sabe o quanto a ação da Igreja (oração, convite, discernimento, grupos, retiros, diálogo, acolhimento…) é importante para que o plano de Deus se concretize. A solicitude pastoral dos presbíteros é fundamental para que todos os homens e mulheres se reconheçam vocacionados (chamados).

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4303, ano 85/16, de 3 de março de 2015

Pastoral Vocacional: A Igreja tem uma função mediadora e pedagógica

DSCF5061

Para a maior parte dos nossos leitores, falar de “vocação” será sinónimo de percursos de vida enquanto consagrados (religiosos) ou ministros da Igreja (padres e bispos). Durante muitos anos, a pastoral vocacional procurou anunciar tal chamamento e recrutar candidatos que se enquadrassem no perfil aceite.

Mas o assunto é mais vasto e diz respeito a todo o ser humano. Afinal, Deus chama todos: para cada um há o chamamento à vida, à realização e à santificação. Nenhuma vida é um acaso ou um incidente, nem nenhuma vida pode ser considerada uma perda de tempo ou algo de insignificante. Apesar das circunstâncias em que é vivida, do grande ou do pequeno percurso feito, etc, cada vida é algo de único e cada um é responsável pela vida que recebeu como dom.

Neste contexto, de que falamos quando referimos “vocação”? Aqui fica uma definição possível: “A vocação é uma realidade constitutiva do ser humano, fruto do diálogo entre a palavra ‘eficaz’ do Criador, que escolhe-chama-envia-assiste, e a resposta ‘humilde’ do crente, que constrói a sua identidade em relação vital com os demais, em continuidade projetiva e em evolução dinâmica, até se converter em imagem de Cristo, membro ativo da Igreja, sinal vivente do Reino de Deus” (Mario Oscar Llanos, Pastoral vocacional na nova evangelização, p. 24).

Perante este conceito de vocação, facilmente percebemos que Deus espera correspondência, com ações, da parte da pessoa chamada, que deve entender-se como eleito-responder-cumprir a missão-ser fiel. Nesse sentido, “toda a vocação cristã é ‘particular’ porque interpela a liberdade de cada homem e gera uma resposta personalíssima numa história original e irrepetível” (NVNE, 19).

A mediação pastoral procurará ajudar cada um a acolher e a discernir a sua identidade, cumprindo a sua vida. Por causa desta mediação, a Igreja é chamada “mãe de vocações” porque “as faz nascer, com a força do Espírito, protege-as, nutre-as e sustenta-as. De modo especial, é mãe porque exerce uma preciosa função mediadora e pedagógica” (NVNE, 19d).

A Igreja cumpre tal missão de mediação quando ajuda e estimula cada crente a tomar consciência do dom recebido (vida) e da responsabilidade que o dom traz consigo. Mas também forma e provê a que cada um tenha a necessária e adequada formação. A oração, a pregação, a catequese, os diferentes grupos e movimentos, a formação permanente… tudo está ao serviço desta mediação e pode ser visto como cumprimento da eclesial missão pedagógica.

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4302, ano 85/15, de 24 de fevereiro de 2015

PASTORAL VOCACIONAL: entrar e sair sem compromisso

IMG_6305

Muitos são os textos que tentam caracterizar a nossa sociedade, analisando e descrevendo a atualidade, ao mesmo tempo que fornecem pistas para nos ajudar a perceber como chegámos aqui. Mas, no fim de contas, a nossa época não é melhor ou pior que outras; há características que a singularizam e marcam a geração que lhe dá corpo. Aqui ficam algumas notas repescadas no que se vai vendo e lendo, possível ajuda para ler a realidade e comunicar com os nossos contemporâneos.

Apesar dos grandes avanços e das inúmeras possibilidades, afinal o progresso não é infinito e as ideologias têm pés de barro. Diante de semelhante constatação, o pessimismo pode instalar-se, desalojando perspectivas de futuro. A isso se soma a grave crise económica que a todos afeta e deixa marcas. Por isso, alguém chamou ao nosso tempo a “época das paixões tristes”. Contudo, talvez a presente crise permita enfrentar a irracionalidade do consumismo e a colocar mais razão na tarefa educativa.

Marcados por um quotidiano precário, facilmente se observa o crescimento de uma “geração incrédula” e onde a “visão vocacional da vida” se dilui numa imediatez que é dominada pelo episódico e com carácter provisório. Fazemos parte de uma geração que tem medo de ficar de fora, de não saber as coisas, de não estar atualizada e, por isso, aumenta a dependência da internet, da violência e da falta de respeito pela privacidade.

As relações humanas também são marcadas por uma “visão utilitarista do leasing”, em objecto de uso enquanto serve para mudar logo que possível. O que leva a uma crise das relações baseadas na reciprocidade e no dom de si. Observa-se muita emoção, mas sem interação, passando-se facilmente da proibição à tolerância permissiva, enfrentando com dificuldade o quotidiano e caindo numa fácil tendência para escolher atalhos evasivos do “tudo e rápido” marcado por um narcisismo e dependência.

O individualismo observável, subjectivo e consumista, não permite ou favorece a descoberta dos outros e do Outro. A família deixou de ser uma realidade que exige posturas éticas e impõe comportamentos, passando a ser alguém que escuta e consente, não transmitindo ou ousando valores, ficando bloqueada diante de filhos belos, mas frágeis. Uma infância “passada entre algodões”, hiperestimulada, com poucos reflexos com o Outro, sem guia nem regra, faz aparecer nos mais novos um “sentido de omnipotência”.

Há uma falta de definição pessoal que se visualiza no sentir ético da consciência, onde se vive uma espécie de ecletismo hedonista, sem ideais absolutos. Numa linguagem informática, corre-se o risco de encarar a vida como realidade onde se pode entrar e sair sem compromisso.

 

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015

A pastoral vocacional é a vocação da pastoral

IMG_2923

Mais provocadora do que consoladora

Tal como referido no jornal anterior, ao olharmos para a sociedade em que nos inserimos, facilmente nos apercebermos da “necessidade de dar à pastoral um claro timbre vocacional”, no sentido de ajudar cada um a “descobrir o caminho para a realização de um projeto de vida como Deus quer” (NVNE 26). E sublinhar a necessidade de uma pastoral marcada pela dimensão vocacional é contribuir para anunciar que o homem é um ser chamado por Deus, favorecendo uma nova mentalidade e destronando uma certa “antropologia antivocacional” vigente.

O conceito de “vocação” deixou de ser entendido por muitos, numa época caracterizada por um centralismo antropológico que dificulta a linguagem vocacional, própria de quem se coloca numa atitude de escuta diante de Alguém que chama. Como aceitar ser chamado se não se coloca a hipótese de existir alguém que chama?

A vida não é um acaso e toda a vida humana tem valor sublime e único. Todo o ser humano, desde o nascimento, tem a sua própria vocação e o princípio ou fundamento comum desta pastoral deveria ser a descoberta do significado da existência humana, ajudando a pessoa a crescer e a conceber-se como dom de Deus, porque “a existência de cada um é fruto do amor criativo do Pai, do seu desejo eficaz, da sua palavra geradora” (NVNE 16).

Nesse sentido, “vocacionalizar a pastoral” é ultrapassar o tradicional apelo à vida religiosa ou sacerdotal, procurando combater uma certa “cultura da distração”, libertando o homem do risco de perder de vista as questões fundamentais e ajudando-o a assumir-se como um ser amado pelo Criador.

Nesta missão, que é de todos e destinada a todos, toda a comunidade cristã é sujeito e protagonista, assumindo uma função mediadora entre Deus que chama e a pessoa que escuta e é convidada a responder. E se, durante algum tempo, se promoveram algumas vocações, importa hoje promover e valorizar todas, porque “na Igreja do Senhor, ou se cresce junto ou ninguém cresce” (NVNE 13).

Animadas pelo Pai que chama para a vida, pelo Filho que chama para o seguimento e pelo Espírito que chama para o testemunho, as comunidades cristãs crescem, evangelizam e frutificam com a diversidade vocacional que reconhecem e promovem em todos os seus membros. O tempo do ministro ordenado que tudo faz já passou; este é o tempo em que todos, devidamente integrados e articulados, contribuem para o todo. Porque, numa Igreja que se afirma e apresenta como um corpo formado por muitos membros, é importante que cada um se reconheça chamado para poder aceitar ser enviado.

Nesse sentido, talvez a pastoral deva ser “mais provocadora do que consoladora, capaz de transmitir o sentido dramático da vida do homem, chamado a fazer alguma coisa que ninguém pode fazer em lugar dele” (NVNE 26).

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015