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Posts Tagged ‘Comemorações’

DIA DOS NAMORADOS – 14 de fevereiro de 2019

MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DO LAICADO E FAMÍLIA PARA O DIA DOS NAMORADOS

Há encontros que marcam a vida. O namoro pode proporcionar um conjunto de momentos fundadores de uma relação para toda a vida e pela qual se dá a vida. A relação entre namorados é, por si mesma, dinâmica, pois trata-se desde o princípio, de uma tríplice descoberta: Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós?

Conhecermo-nos é muito mais do que apreender as características de cada um, pois a vida é muito mais do que a nossa psicologia e a nossa biologia. A relação acontece com beleza e profundidade, quando partilhamos escolhas, sonhos e projetos. Só poderemos caminhar, se seguirmos pelo mesmo caminho e resolvermos juntos as dificuldades das encruzilhadas que vamos encontrando na vida.

O tempo do namoro é decisivo, porque leva à descoberta da beleza do amor pela dádiva da vida, por isso, requer tempo, delicadeza e seriedade, que geram confiança, estima e respeito. É, por isso, que o Papa Francisco nos lembra que “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa”. 

Neste sentido, preocupa-nos a crescente violência no namoro porque compromete um projeto familiar alicerçado no verdadeiro amor.

Neste “Dia dos Namorados”, festejado sob a invocação de São Valentim, um santo da península itálica, do século III, que, segundo a tradição, teria apoiado os jovens com vocação ao matrimónio a casarem-se, contra as ordens imperiais, que os queria livres para funções militares, a Igreja saúda-vos e acompanha-vos com esperança, pois conta convosco para a constituição de novas famílias fortes na fé, na alegria e no amor fecundo, na certeza que é assim que Deus vos sonha e deseja contar convosco, pois “não há maior amor do que dar a vida pelo amigo”.

Editorial Voz de Lamego: a centralidade da compaixão

No próximo dia 11 de fevereiro celebramos o Dia Mundial do Doente, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes. A medicina está muito evoluída, mas isso não significa que haja menos doentes ou que os doentes sofram menos. Os passos dados em Medicina permitem aliviar o sofrimento (sobretudo) físico, sabendo que o ser humano é muito mais que biologia. Hoje há outras ciências humanas que contribuem para o conforto e alívio do sofrimento. Em muitos hospitais há equipas multidisciplinares, com médicos, enfermeiros, psicólogos, sacerdotes, voluntários.

Como cristãos, a nossa referência é Jesus Cristo, sempre. D’Ele partimos, n’Ele vivemos, para Ele caminhamos. Se olharmos para Jesus, ao longo da Sua vida, vemos como Ele Se aproxima, antes de mais, dos pecadores, dos pobres, dos doentes, dos excluídos. N’Ele transparece ternura, compaixão. É uma postura dócil e delicada. Não passa ao lado, não Se afasta quando O chamam ou quando vê alguém a precisar de ajuda.

Num dos seus primeiros discursos, na Jornada Mundial da Juventude, no Panamá, ao dirigir-se aos Bispos, o Papa Francisco sanciona, mais uma vez, a centralidade da compaixão, dos Bispos em relação aos sacerdotes das suas dioceses, mas percebe-se bem que as palavras dirigem-se também para mim e para ti, para toda a Igreja: “O resultado do trabalho pastoral, da evangelização na Igreja e da missão não se baseiam na riqueza dos meios e recursos materiais, nem na quantidade de eventos ou atividades que realizamos, mas na centralidade da compaixão: um dos grandes distintivos que podemos, como Igreja, oferecer aos nossos irmãos. A kenosis de Cristo é a expressão máxima da compaixão do Pai. A Igreja de Cristo é a Igreja da compaixão; e isto começa em casa”.

Por outro lado, na mensagem para esta comemoração, o Papa lembra-nos a gravidade de esquecermos a compaixão para com os mais frágeis. Com efeito, “contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-me afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas… Todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. Também esta é uma condição que carateriza o nosso ser de «criaturas». O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/10, n.º 4496, 5 de fevereiro de 2019

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO

Mensagem conjunto do Papa Francisco e do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I

A narração da criação oferece-nos uma visão panorâmica do mundo. A Sagrada Escritura revela que, «no princípio», Deus designou a humanidade como cooperadora na guarda e proteção do ambiente natural. Ao início, como lemos no Génesis (2, 5), «ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar». A terra foi-nos confiada como dom sublime e como herança, cuja responsabilidade todos compartilhamos até que, «no fim», todas as coisas no céu e na terra sejam restauradas em Cristo (cf. Ef 1, 10). A dignidade e a prosperidade humanas estão profundamente interligadas com a solicitude por toda a criação.

«No período intermédio», porém, a história do mundo apresenta uma situação muito diferente. Revela-nos um cenário moralmente decadente, onde as nossas atitudes e comportamentos para com a criação ofuscam a vocação de ser cooperadores de Deus. A nossa tendência a romper os delicados e equilibrados ecossistemas do mundo, o desejo insaciável de manipular e controlar os limitados recursos do planeta, a avidez de retirar do mercado lucros ilimitados: tudo isto nos alienou do desígnio original da criação. Deixamos de respeitar a natureza como um dom compartilhado, considerando-a, ao invés, como posse privada. O nosso relacionamento com a natureza já não é para a sustentar, mas para a subjugar a fim de alimentar as nossas estruturas.

As consequências desta visão alternativa do mundo são trágicas e duradouras. O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral.

Por isso, unidos pela mesma preocupação com a criação de Deus e reconhecendo que a terra é um bem dado em comum, convidamos ardorosamente todas as pessoas de boa vontade a dedicar, no dia 1 de setembro, um tempo de oração pelo ambiente. Nesta ocasião, desejamos elevar uma ação de graças ao benévolo Criador pelo magnífico dom da criação e comprometer-nos a cuidar dele e preservá-lo para o bem das gerações futuras. Sabemos que, no fim de contas, é em vão que nos afadigamos, se o Senhor não estiver ao nosso lado (cf. Sal 126/127), se a oração não estiver no centro das nossas reflexões e celebrações. Na verdade, um dos objetivos da nossa oração é mudar o modo como percebemos o mundo, para mudar a forma como nos relacionamos com o mundo. O fim que nos propomos é ser audazes em abraçar, nos nossos estilos de vida, uma maior simplicidade e solidariedade.

A quantos ocupam uma posição de relevo em âmbito social, económico, político e cultural, dirigimos um apelo urgente a prestar responsavelmente ouvidos ao grito da terra e a cuidar das necessidades de quem está marginalizado, mas sobretudo a responder à súplica de tanta gente e apoiar o consenso global para que seja sanada a criação ferida. Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço.

 

Do Vaticano e do Fanar, 1 de setembro de 2017.

Papa Francisco e Patriarca Ecuménico Bartolomeu

Dia Internacional da Caridade

No próximo dia 5 de Setembro de 2017, vai celebrar-se o Dia Internacional da Caridade, data que assinala o aniversário da morte de Madre Teresa de Calcutá,  uma mulher simples que dedicou a sua vida aos pobres e que representava alguns dos valores que dignificam o ser humano ”compaixão, generosidade, solidariedade, alegria e esperança.”

Foi a ONU(Organização das Nações Unidas) que instituiu a data como forma de lembrar a todo mundo o trabalho que é realizado pelas instituições de cariz social, governos e demais pessoas que procuram ajudar os outros, quer monetariamente, quer através do diálogo ou qualquer outra atitude que vise o alívio da sua dor.

Este ano, a  Cáritas Diocesana de Lamego para comemorar a efeméride, irá levar a efeito as seguintes ações:

  • Dado que dentro de dias arrancará mais um ano escolar,  a CDL vai proceder a uma recolha de material para  o efeito ( cadernos, canetas de colorir, dossiers, máquinas calcular, entre outros), nos próximos dias 2 e 3 de Setembro, nas instalações do Supermercado Continente. Esta atividade resulta de uma parceria com a Associação Karingana Wa Karingana e o Instituto de Apoio à Criança, no sentido de apoiar as crianças carenciadas.
  • No dia 5 de Setembro, pelas 18h30m mandará celebrar uma Missa de Ação de Graças, na Sé Catedral de Lamego, por todos aqueles que contribuem com os seus donativos ( monetários, géneros alimentares, roupas e  outros) para permitirem que a Cáritas possa exercer a sua Missão da defesa do Bem-Comum, através da Pastoral Social, fomentando a partilha de bens e a assistência em situações de calamidade e emergência.

No Dia Internacional da Caridade, reflitamos na mensagem que nos é legada pelo Papa Bento XVI, na Carta Encíclica Deus Cáritas Est, 2005, nº25, “ Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia, mesmo, deixar aos outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência.”

Isabel Mirandela, Presidente da Cáritas Diocesana de Lamego,

in Voz de Lamego, ano 87/40, n.º 4425, 29 de agosto 2017

COMUNICAR e PARTILHAR | Editorial Voz de Lamego | 23 de maio

COMUNICAR e PARTILHAR

No próximo domingo celebramos a Ascensão do Senhor, data proposta pela Igreja para assinalar mais um Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social, para o qual o Papa Francisco escreveu a mensagem “Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo”.

Em virtude do progresso tecnológico, a sociedade lança o individuo numa rede de comunicação alargada e exigente que lhe permite relacionar-se, dizer-se e informar-se, determinando a qualidade das relações humanas, já que comunicar é, também, partilhar.

E é sobre a partilha que se faz das notícias que surgem que a mensagem papal trata, alertando para a superficialidade e negatividade que tendem em impor-se quando se deixa de lado a exigência de uma comunicação sadia que, sem cair no optimismo ingénuo, não esconde o mal nem perde a oportunidade de promover o bem.

Daí o apelo papal aos que usam a comunicação social para informar: é preciso quebrar o “círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo” e não ficar apenas no drama e no sofrimento. Numa abordagem “propositiva e responsável” e num estilo comunicador aberto e criativo.

O cristão deve ler a realidade à luz do Evangelho, a Boa Notícia que traz e oferece um sentido à vida, que recorda a cada um o quanto é amado e como todos se podem realizar através do bem que podem fazer na passagem pelo mundo.

A esperança e a confiança, tão arredados de certos ambientes, são realidades que urge assumir e divulgar. Ao seu lado, há protagonistas e factos que não merecem tanta atenção e assuntos tão pouco relevantes e efémeros que não deveriam propagar-se, apesar da curiosidade e atracção que despertam.

A jornada que se anuncia pode ajudar-nos a fixar critérios e opções sobre o que lemos e ouvimos, o que partilhamos e ajudamos a difundir, os meios que utilizamos e os assuntos que tratamos. E, já agora, a maneira como nos expomos.

in Voz de Lamego, ano 87/28, n.º 4413, 23 de maio de 2017

125.° aniversário da Congregação das Filhas de São Camilo

No último sábado do mês de Fevereiro, o Sr. Bispo D. António Couto assinalou os 125 anos de existência da Congregação Filhas de São Camilo. Presidiu a eucaristia na capela do Centro Social, acompanhado pelo Sr. Vigário Geral, Padre Joaquim Rebelo,  o capelão do Centro Social Sr. Padre Domingos Silva e o o Sr. padre mais “jovem” da Diocese Monsenhor Germano José Lopes.

A celebração deu início com a intervenção da Irmã Superiora Francisca Isabel de Mendonça, agradecendo a sua Excelência Revma Sr. Bispo D. António da Rocha Couto pela presença nesta data tão especial para a congregação, aos Senhores padres presentes, a todos os amigos da casa, funcionários, utentes e seus familiares. A missa foi animada pelo majestoso grupo coral de Queimadela (Armamar), que muito alegrou a celebração com os seus magníficos cantos em latim.

Na sua homília D. António da Rocha Couto após as devidas saudações e cumprimentos às irmãs, sacerdotes e todos os presentes, aproveitando das leituras litúrgicas da missa da Beata Josefina Vannini alertou para a importância do tempo da Quaresma que se aproxima e do verdadeiro jejum. Fazer jejum, e colegando-se ao carisma da Congregação disse que os sacrifícios e penitências não chegam, devemos ajudar os irmãos mais necessitados, nomeando as obras de misericórdia nas quais As Filhas de São Camilo dedicam toda sua vida, especialmente no cuidado dos doentes. No encerramento da festividade ocorreu um almoço convívio, com direito a bolo de aniversário para todos os presentes. Foi com imensa alegria que se brindou a esta comunidade religiosa que tanto se dedica aos doentes do Centro Social, prestando os cuidados de saúde necessários para um maior bem estar físico, espiritual e social, até ao declinar natural da vida.

Agradecemos a todos os amigos da comunidade de São Camilo em Portugal, pelo carinho e dedicação! Um grande bem-haja!

Ir. Francisca, in Voz de Lamego, ano 87/17, n.º 4402, 7 de março de 2017

Aniversário da Ordenação Episcopal de D. Jacinto Botelho

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D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, natural de Moimenta da Beira (Prados de Cima – Vila da Rua), nasceu em 11 de setembro de 1935.

Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.

Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).

Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de São Sebastião, Padroeiro de Lamego.

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Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000.

Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.

Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.

Papa Francisco celebrou 80 anos

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Como qualquer ser humano, o Papa Francisco fez anos. Oitenta anos, um lindo rol que muitos gostariam de ver na sua agenda pessoal, nas páginas da sua história, mesmo que desconhecida para o mundo onde vivemos, mas sempre conhecida aos olhos de Deus, o Deus da nossa vida e da nossa história.

A data não passou despercebida ao olhar atento de muitos, mesmo que a pessoa de Francisco não seja o grande amor da sua vida; os jornais da nossa banca foram falando e anunciando a data, como meta de um pensar e de um viver que marque as páginas que, porventura, terão outra visão de um público ávido de saber o que se passa em Roma, muito particularmente no Vaticano, onde uma pessoa muito amada pela generalidade dos cristãos, merece isso e muito mais.

Mas o jornal, cujas páginas mais vou olhando em cada manhã, aproveita para espalhar o clima de divisão, real ou suposta, que se viverá no Vaticano. E não deixa de sublinhar que os Papas teriam sofrido mais com a ala contestatária da Igreja, e dita progressista, ao passo que Francisco terá mais dificuldades com a ala conservadora da mesma Igreja.

Quem conhece o Evangelho e o acredita como palavra revelada de Jesus Cristo e sabe que só Ele pode dizer «a Minha Igreja», certamente não se deixa influenciar por estas «alas», que existem nas nossas pequenas famílias, se alargam na medida em que as «famílias» crescem, deixam de ser as «nossas» e «pequenas», não se deixa influenciar, muito menos alarmar pelo que se possa passar e nos possam querer comunicar como fraqueza da nossa grande Família, a Igreja.

E o Papa, «Pai» nessa grande Família, torna-se o centro tão amado como discutido, tão esperado como capaz de ser contraditado quando nos convida à misericórdia, quando se encontra com os «publicanos e pecadores deste tempo», como Jesus no seu tempo. E Francisco pode sofrer com tudo isto e muito mais do que nós sabemos, mas o facto de o trazerem à ribalta do mundo no dia do seu aniversário significa que, não sendo ele uma pessoa qualquer, nem todos o olham com o mesmo olhar de amor que o Papa nos merece.

Era bom de ver! Encher a boca com a palavra/nome Francisco sem ler o que ele diz, ensina e faz, não é suficiente para nenhum cristão consciente do que o Papa, seja ele qual for, é e representa para os cristãos. Muitos, milhares, vão a Roma, irão a Fátima, baterão palmas, gritarão «viva o Papa», mas regressarão sempre insatisfeitos porque Francisco não dirá a palavra que cada um gostava e queria ouvir.

Quantos fizeram, hoje, 17 de Dezembro, uma oração por Francisco, o Papa de quem se gosta? Pelo menos, pelo menos! E quantos accionaram o mail indicado para uma palavra de bons votos pelo seu aniversário (papafrancisco80@vatican.va)?

Buon compleanno, parabéns, Papa Francisco!

Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 87/07, n.º 4392, 20 de dezembro de 2016

DIGNIDADE E IGUALDADE | Editorial Voz de Lamego | 8 de março

Editorial Voz de Lamego

A edição desta semana da Voz de Lamego cai a 8 de março de 2016, Dia Internacional da Mulher, pelo que o Jornal Diocesano chama a atenção para este dia na primeira página e o seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, dedica-lhe o Editorial. No blogue que assume o nome do Jornal e faz eco do mesmo através da publicação de um ou outro texto, de reflexão ou informação, a partilha do Editorial faz-se no dia em que a Voz de Lamego fica disponível para os leitores, chegando a casa ou aos postos de venda, isto é, às quartas-feiras. Porém, hoje antecipamos esta publicação para coincidir com o próprio Dia Internacional da Mulher:

DIGNIDADE E IGUALDADE

O dia de hoje, 8 de Março, aparece no calendário como o Dia Internacional da Mulher. Uma data que se fixou no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto das mulheres. A data está associada a uma manifestação das operárias do setor têxtil nova-iorquino contra as más condições de trabalho, ocorrida em 8 de março de 1857 e reprimida com extrema violência, causando a morte de 130 mulheres.

A igualdade e dignidade da mulher são realidades que decorrem da Criação. Nos nossos dias, as mulheres já lideram países, multinacionais, exércitos… O facto de existirem países e sociedades onde essa igual dignidade não é reconhecida atenta contra a vontade do Criador. Nesses casos, o caminho a percorrer será longo e difícil, mas é inevitável.

Mas, neste âmbito, a Igreja também não se livra de críticas que a acusam de alguma misoginia e de limitar o seu discurso à mulher-esposa, à mulher-mãe ou à mulher-consagrada. Sem confundir com a reivindicação de alguns, a propósito da ordenação de mulheres, muitos gostariam de ver a mulher em locais de maior responsabilidade e visibilidade na Igreja, o que é assumido como necessário pelo atual Papa, para quem “é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja” (EG 103).

Superadas as fases da “subordinação social” e da “igualdade absoluta”, configurou-se agora um novo paradigma, o da “reciprocidade na equivalência e na diferença”. Isto é, a relação homem-mulher deve reconhecer que ambos são necessários enquanto possuem uma idêntica natureza, mas com modalidades próprias.

Neste sentido, o Papa atual convidou a trabalhar mais sobre a teologia da mulher, aprofundando a questão feminina, para que as mulheres não se sintam hóspedes, mas plenamente sujeitos da vida eclesial (cf. EG 104).

in Voz de Lamego, ano 86/16, n.º 4353, 8 de março de 2016

Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2016

A Syrian refugee holds a baby in a refug...A Syrian refugee holds a baby in a refugee camp set in the town of Harmanli, south-east of Sofia on November 12, 2013. Bulgaria's asylum centres are severely overcrowded after the arrival of almost 10,000 refugees this year, half of them Syrian. The influx has fuelled anti-immigrant sentiment in a country already struggling with dire poverty. AFP PHOTO / NIKOLAY DOYCHINOVNIKOLAY DOYCHINOV/AFP/Getty Images

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Os emigrantes e refugiados interpelam-nos.

A resposta do Evangelho da misericórdia

“Migrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia” é o tema escolhido para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que será celebrado no dia 17 de janeiro de 2016. O tema insere-se no contexto do Ano da Misericórdia. Esta será a 102ª vez que o Dia Mundial do Migrante e Refugiado será celebrado. A data foi celebrada pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1915.

O tema quer destacar dois aspectos. Primeiro, a dramática situação de tantos homens e mulheres obrigados a abandonar o próprio local de origem. “Não se deve esquecer, por exemplo, as atuais tragédias do mar que têm como vítimas os migrantes”, enfatiza a mensagem. Contudo, diante do risco de que isso aconteça, o Papa apresenta o drama dos migrantes e refugiados como uma realidade que deve interpelar cada pessoa.

A segunda parte do tema – “A resposta do Evangelho da Misericórdia” –, quer relacionar de modo explícito o fenómeno da migração com a resposta do mundo e, em particular, da Igreja. “Neste contexto, o Santo Padre convida o povo cristão a refletir durante o Jubileu sobre obras de misericórdia corporal e espiritual, entre as quais se encontra aquelas de acolhimento aos estrangeiros”.

Palavras do Papa

“Neste nosso tempo, os fluxos migratórios aparecem em contínuo aumento por toda a extensão do planeta: prófugos e pessoas em fuga da sua pátria interpelam os indivíduos e as colectividades, desafiando o modo tradicional de viver e, por vezes, transtornando o horizonte cultural e social com os quais se confrontam. Com frequência sempre maior, as vítimas da violência e da pobreza, abandonando as suas terras de origem, sofrem o ultraje dos traficantes de pessoas humanas na viagem rumo ao sonho dum futuro melhor. Se, entretanto, sobrevivem aos abusos e às adversidades, devem enfrentar realidades onde se aninham suspeitas e medos. Enfim, não raramente, embatem na falta de normativas claras e praticáveis que regulem a recepção e prevejam itinerários de integração a breve e a longo prazo, atendendo aos direitos e deveres de todos. Hoje, mais do que no passado, o Evangelho da misericórdia sacode as consciências, impede que nos habituemos ao sofrimento do outro e indica caminhos de resposta que se radicam nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, concretizando-se nas obras de misericórdia espiritual e corporal…

De facto, a presença dos emigrantes e dos refugiados interpela seriamente as diferentes sociedades que os acolhem. Estas devem enfrentar factos novos que podem aparecer imprudentes se não forem adequadamente motivados, geridos e regulados. Como fazer para que a integração se torne um enriquecimento mútuo, abra percursos positivos para as comunidades e previna o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo ou da xenofobia?…

A Igreja coloca-se ao lado de todos aqueles que se esforçam por defender o direito de cada pessoa a viver com dignidade, exercendo antes de mais nada o direito a não emigrar a fim de contribuir para o desenvolvimento do país de origem. Esse processo deveria incluir, no seu primeiro nível, a necessidade de ajudar os países donde partem os emigrantes e prófugos. Assim se confirma que a solidariedade, a cooperação, a interdependência internacional e a distribuição equitativa dos bens da terra são elementos fundamentais para actuar, em profundidade e com eficácia, sobretudo nas áreas de partida dos fluxos migratórios, para que cessem aquelas carências que induzem as pessoas, de forma individual ou colectiva, a abandonar o seu próprio ambiente natural e cultural. Em todo o caso, é necessário esconjurar, se possível já na origem, as fugas dos prófugos e os êxodos impostos pela pobreza, a violência e as perseguições”.

in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4345, 12 de janeiro de 2016