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LAUDATO SI’ | Carta Encíclica sobre o cuidado da Casa Comum

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Um texto denso para cuidar da casa comum

Laudato Si’

A nova encíclica do Papa Francisco, “Louvado sejas”, foi apresentada e publicada na passada quinta-feira, no Vaticano. Trata-se de um texto denso: 246 parágrafos, divididos por seis capítulos, onde o Papa torna público o seu pensamento sobre um planeta que se deteriora e sobre a responsabilidade do homem nesse processo.

O Papa começa por recordar a herança dos seus predecessores, de Paulo VI a Bento XVI, sobre esta temática, continuando a apresentar um horizonte desenhado pela ciência, dirigindo, depois, uma constatação alarmante sobre o estado da “nossa casa comum”, onde as mutações climáticas, o acesso à água potável ou a perda de biodiversidade são sintomas da doença que assola a terra.

O Papa fala de uma dívida ecológica dos países do hemisfério norte face aos países do sul. Em seguida relê o relato bíblico, onde Deus confia ao homem a Criação. “Estas narrações sugerem que a existência humana se baseia em três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Segundo a bíblia, estas relações romperam-se não só exteriormente, mas também dentro de nós. Esta rutura é o pecado” (66). O homem é, assim, convidado a colaborar com a Criação e a proteger a sua fragilidade.

Ponto nevrálgico da encíclica, o terceiro capítulo debruça-se sobre a “raiz humana da crise ecológica”: o Papa interroga-se sobre os avanços tecnológicos, às vezes fonte de progresso, mas também portadores de limites. Apesar de escrever que “ninguém quer o regresso à Idade da Pedra”, a encíclica identifica as “lógicas de dominação tecnocráticas que conduzem à destruição da natureza e à exploração das pessoas e das populações mais frágeis”. Numa época onde o antropocentrismo marca a forma de estar, o Papa denuncia, mais uma vez, a “cultura do descarte”, onde tudo e todos podem ser descartáveis, já que o ser humano e o meio ambiente são tidos como objetos que só são apreciados se puderem ser uteis.

A nova encíclica clama por uma “ecologia integral”, inclusiva, onde tudo está interligado. “Não há duas crises separadas, uma do meio ambiente e outra social, mas uma só e complexa crise sócio-ambiental”

No texto agora publicado, e cuja leitura se recomenda, o Papa não se limita a constatar o observável, mas fornece pistas para a ação, nomeadamente um convite ao diálogo honesto e sincero, quer a nível local quer a nível internacional. A este propósito, o Papa não deixa de criticar os inúmeros encontros internacionais sobre a questão climática que redundaram em contínuos fracassos, atendendo a que não produziram as mudanças necessárias.

No final do texto, o Papa propõe uma verdadeira educação e espiritualidade ecológicas, alertando para a necessidade de uma mudança no estilo de vida e a não sobestimar os simples gestos quotidianos pelos quais se rompe com a lógica da violência, da exploração, do egoísmo. Para isso, Laudato si’ convida a colocarmo-nos à escuta dos santos, a começar por S. Francisco de Assis.

E o Papa conclui:  “No coração deste mundo, permanece presente o Senhor da vida que tanto nos ama. Não nos abandona, não nos deixa sozinhos porque se uniu definitivamente à nossa terra e o seu amor leva-nos sempre a encontrar novos caminhos. Que Ele seja louvado!”

in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

ECOLOGIA INTEGRAL | Editorial Voz de Lamego | 23 de junho de 2015

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No dia 18 de junho, foi publicada a segunda Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si’, sobre o cuidado da casa comum, isto é, numa dinâmica de promoção do ambiente natural e humano. A primeira Encíclica deste Papa, Lumen Fidei, publicada a 29 de junho de 2013, foi escrita a 4 mãos. Sabia-se que o Papa Bento XVI tinha uma esboço bastante avançado da Encíclica sobre a Fé, depois de ter escrito sobre a Caridade e sobre a Esperança, como virtudes teologais. O Papa Francisco assumiu a herança do antecessor, acrescentou algumas notas mais pessoais, e ofereceu essa belíssima Encíclica à Igreja e ao mundo. Há já alguns meses que se vinha a anunciar que a próxima Encíclica papal teria como fio condutor a ecologia. Poder-se-ia quase dizer que esta é a primeira Encíclica de Francisco, pelo deve suscitar um estudo aprofundado.

No Editorial desta semana, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz a ressonância da temática desta carta Encíclica, que evoca o patrono do Papa, São Francisco de Assis, nessa comunhão com a natureza e com os pobres.

ECOLOGIA INTEGRAL

A encíclica do Papa retoma a invocação de S. Francisco de Assis, “Louvado sejas meu Senhor”, do Cântico das Criaturas que nos recorda que a terra, nossa casa comum, é como “uma irmã, com quem partilhamos a existência” e como uma boa mãe “que nos acolhe nos seus braços”. Revisitando a teologia da criação a partir do princípio do dom, o Papa desconstrói a tese segundo a qual o homem deveria “dominar a terra”, instrumentalizando-a.

Num texto denso, dividido em 246 parágrafos e distribuídos por seis capítulos, o Papa expressa o seu pensamento sobre um planeta que sofre e a responsabilidade do homem. Eis o convite para uma conversão ecológica, tão necessária para manter vida a esperança e louvar o Criador.

Entre o muito que ali se pode ler, destaque para o conceito de “ecologia integral” (n.º 137), que permite ao Papa ultrapassar a distinção entre uma ecologia que protege o ser humano e uma ecologia que não se interessa senão com a natureza. A preocupação pela natureza, a justiça para os pobres, o compromisso social e a paz são inseparáveis. Há quem defenda a água e os animais e se esqueça dos vizinhos; há quem defenda o bem-estar do vizinho e se esqueça de que os recursos são limitados. De resto, este conceito integra-se num outro já defendido pela Igreja, o de “desenvolvimento integral”, de todo o homem e de todos os homens.

A nossa época é marcada por um desmesurado antropocentrismo, propício a uma cultura do descartável, que justifica todo o tipo de despejo, seja ambiental ou humano, que trata o outro como simples objecto e conduz a formas de dominação, económicas e sociais. Protagonizar uma ecologia integral é ter uma preocupação inclusiva e empenhar-se num novo paradigma de justiça.

in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

LOUVADO SEJAS | Editorial Voz de Lamego | 16 de junho de 2015

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A edição desta semana da Voz de Lamego, a começar pela primeira página, destaca o DIA DA FAMÍLIA DIOCESANA que se realiza no próximo dia 27 de junho, na Carreira Central do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, para que a Diocese, com as suas paróquias e movimentos, em clima de festa e de partilha de fé se encontrem para se sentirem parte integrante desta família diocesana.

como habitualmente, muitos outros temas, reflexões, notícias, eventos a realizar, na região, na Diocese, e no mundo. Destaque para a Visita Pastoral de D. António Couto no Arciprestado de Lamego, desta feita em Figueira e em Queimadela, que preenche as páginas centrais desta edição.

O Editorial, da responsabilidade do reverendo Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz eco da próxima encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si”, dedicada ao ambiente.

LOUVADO SEJAS

Na próxima quinta-feira, 18 de junho, o Papa Francisco oferece ao mundo uma nova encíclica, Laudato Si (louvado sejas), cujo tema é a questão ecológica. Um texto anunciado por Francisco há alguns meses e publicado agora para e alertar o mundo e sensibilizar os participantes que participarão na cimeira sobre o ambiente, em Paris, dentro em breve. Mais uma vez, a Igreja, pela voz do Papa, atenta e disponível para cuidar do que é de todos, cumprindo a ordem do Criador.

A ecologia, dito de forma simples, ocupa-se do estudo e análise da relação que existe entre os seres vivos e o meio que os rodeia. A palavra é formada por dois vocábulos gregos: “oikos”, que significa “casa”, e “logos”, que pode ser traduzido por “estudo”. Assim, ecologia pode definir-se como “estudo do meio em que vivemos”.

O mundo está cheio de vida. É verdade. Mas, como todo o vivente, é atravessado por doenças. E, digamo-lo com clareza, as doenças de hoje são violentas. Chamam-se amor ao dinheiro e ao consumo, a voracidade e o gosto pelo poder, mas também o saber sem moral.

A preservação deste mundo exige compromissos duradouros e abrangentes, por forma a não ser irremediavelmente deteriorado e assim “entregue” às gerações futuras.

Por mais que o conhecimento e os meios avancem, a sede do absoluto nunca será saciada com dinheiro, técnica, poder ou comunicação.

Não sabemos o que será a encíclica do Papa, mas as duas primeiras palavras “Laudato Si” que a designam (em latim, pelas quais será conhecida) oferecem um tratamento para curar as doenças: o louvor.

Admirar. Louvar. Reconhecer o que faz o outro, o que faz o Outro. Ali está a fonte de alegria.

in Voz de Lamego, n.º 4318, ano 85/31, de 16 de junho de 2015