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Encontro de oração e reflexão em São João da Pesqueira

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Realizou-se no passado sábado, dia 27 de Fevereiro, em São João da Pesqueira, um encontro de oração e reflexão que teve como tema, Misericordiosos como o Pai – Do coração de Deus ao coração do Homem. Estiveram presentes leigos do Arciprestado, nomeadamente das paróquias dos padres Filipe Rosa e José Filipe: Poço do Canto, Fonte Longa, Ranhados, Soutelo do Douro e S João da Pesqueira.

A manhã foi preenchida pela reflexão/oração, orientada pelo Pe. Vasco Pedrinho, tendo como linha orientadora a Sagrada Escritura, Misericordiae vultus, do Papa Francisco e textos do livro do Cardeal Walter Kasper, “A Misericórdia”, entre outros. Ouve ainda vários momentos de oração e reflexão pessoal com o intuito de trazer para a vida do dia-a-dia esta mensagem que, tal como o título do recente livro do Papa Francisco, nos leva a reconhecer que “o nome de Deus é Misericórdia”. A atividade terminou com o almoço que serviu também como uma oportunidade de convívio.

Este encontro inseriu-se na iniciativa diocesana, neste Ano Jubilar, de levar a cabo em vários lugares da Diocese, jornadas de oração e reflexão para melhor ajudar os fiéis a compreender e a viver a Misericórdia como caminho de salvação e de santidade.

João Pereira, in Voz de Lamego, ano 86/15, n.º 4352, 1 de março de 2016

Jubileu da Misericórdia | OBRAS DE MISERICÓRDIA

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A globalização da indiferença tem sido denunciada pelo Papa Francisco em diferentes momentos, como aconteceu, por exemplo, na sua recente mensagem para a 49.ª Jornada da Paz. A indiferença diante do mal, do sofrimento e da miséria dos mais frágeis contribui para o alastrar das injustiças observadas no mundo.

A este propósito, como texto bíblico de referência, podemos reler Mt 25, 31-46, onde o Senhor nos avisa que o critério do juízo final é o amor, o mandamento supremo. De forma clara, esta passagem bíblica, que costumamos escutar no final do ano litúrgico, mostra que a condenação de Jesus é motivada pela omissão do bem. O pecado não está apenas no mal que se pratica, mas também no bem que se deixa por fazer.

O jubileu da misericórdia em curso pode ser uma oportunidade para “acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina”.

Nesse sentido, recordar as obras de misericórdia apresentadas por Jesus pode ser importante para “podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos” (MV 15). Aqui as enunciamos, adoptando a formulação feita pelo Papa Francisco no n.º 15 da Bula “O rosto da misericórdia”.

Obras de misericórdia corporal:

– dar de comer aos famintos;

– dar de beber aos sedentos;

– vestir os nus;

– acolher os peregrinos;

– dar assistência aos enfermos;

– visitar os presos;

– enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espiritual:

– aconselhar os indecisos;

– ensinar os ignorantes;

– admoestar os pecadores;

– consolar os aflitos;

– perdoar as ofensas;

– suportar com paciência as pessoas molestas;

– rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Como refere o Catecismo da Igreja Católica, “as obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais” (n.º 2447). Contudo, como bem alertou o último concílio, as obras de misericórdia não substituem a justiça e não se pode oferecer “como dom de caridade aquilo que é devido a título de justiça” (AA 8).

As catorze obras de misericórdia podem, segundo W. Kasper, corresponder a quatro tipos de pobreza:

– pobreza física ou económica (não ter que comer, beber, casa, roupa, emprego, capacidade física para trabalhar), incluída nas quatro primeiras obras de misericórdia corporais;

– pobreza cultural (analfabetismo, , escassez de formação, exclusão social e cultural), a que correspondem as três primeiras obras de misericórdia espirituais;

– pobreza social e de relações (solidão, isolamento, viuvez, dificuldade de comunicação, discriminação, marginalização, prisão, desterro), presente nas três últimas obras de misericórdia corporais e na quinta e sexta espirituais;

– pobreza espiritual ou de alma (desorientação, vazio interior, desconsolo, desespero, confusão moral e espiritual, abandono, marginalização espiritual, apatia, indiferença), que pode ser enfrentada com a quarta e a sétima obras de misericórdia espirituais.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4345, 12 de janeiro de 2016

Jubileu da Misericórdia: Cooperação

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A misericórdia de Deus mantém viva a esperança do pecador, na medida em que tal atributo divino é sinónimo de não abandono do homem por parte do Criador. Deus não rejeita ninguém e revela-se como um Deus próximo, sempre pronto a acolher e a conceder novas oportunidades a quantos se descobrem e assumem como pecadores. Acreditamos que a misericórdia é a opção de Deus pela vida, a prova do Seu amor pelos homens de todos os tempos e lugares.

Mas este discurso eclesial sobre a misericórdia não será nunca um convite ao facilitismo ou, como escreveu W. Kasper, “a mensagem da misericórdia divina não é a mensagem de uma graça barata”. A citação bíblica que dá o mote a este jubileu é clara no convite e exigente na sua vivência: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Por isso, o Ano Santo em curso não pode levar a olhar a misericórdia como um “deixar andar” ou “deixar fazer”, sinónimo de um “cristianismo light” ou convite para um “ser-cristão de borla”. Porque, tal como já aqui foi referido, a misericórdia “põe-nos em movimento” e se tal não acontecer é fruto da nossa pouca adesão.

Assim, não podemos conceber uma misericórdia que perdoa sem nenhuma cooperação do homem. Pelo contrário, a todos deve acompanhar a convicção de que Deus conta com a vontade e o empenhamento de cada um, de acordo com os talentos recebidos. Por mais discretos ou pouco numerosos que sejam, tais dons não podem ser escondidos ou guardados. Aliás, a melhor forma de os preservar é fazê-los render, gastando-os. Tal como ensinou Santo Agostinho: “Aquele que te formou sem ti, não poderá salvar-te sem ti!”. Sem o compromisso e a cooperação do homem que deseja ser salvo, poderíamos cair num “banal optimismo salvífico”, pensando que a misericórdia de Deus premeia preguiçosos!

Poderíamos então, ao longo deste ano jubilar, ter como referência a parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37). Protagonizar a misericórdia é cooperar com Deus, servindo os mais frágeis (os feridos no corpo e na alma, os desiludidos da vida, os das periferias existenciais, os que foram “descartados”, os que anseiam ser compreendidos, ensinados ou perdoados…); não porque Deus necessite do nosso tempo e forças, mas porque a nossa conversão passa por aí, quando traduzimos em obras a nossa fé (Tg 2, 14-26).

No início de mais um ano civil, altura escolhida por muitos para fixar objectivos, enunciar propósitos e adoptar novas posturas, porque não viver e marcar este Ano da Misericórdia? Porque não aceitar o convite da Igreja e protagonizar algo de diferente, novo e salutar? E mesmo que os gestos possam parecer discretos ou quase insignificantes serão, certamente, marcantes na caminhada.

Aceitemos contemplar, dando graças, a misericórdia divina, mas também a responsabilidade de a protagonizar no ambiente familiar, laboral, eclesial…

JD,  in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4344, 5 de janeiro de 2016

APROFUNDAR PARA MUDAR | Editorial Voz de Lamego | 30-09-2014

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No dia 27 de setembro, sábado, no Seminário Maior de Lamego, em Dia de Igreja Diocesana, a apresentação do Plano Pastoral Diocesano e a apresentação da Carta Pastoral de D. António Couto, Bispo desta nobre Diocese de Lamego. “Ide e construí com mais amor a Família de Deus”. É o tema da carta e o lema para o Ano Pastoral de 2014-2015. O jornal diocesano faz largo eco deste dia, publicando imagens, desenvolvendo a notícia e publicando a Carta Pastoral do nosso Bispo, alargando desta forma a possibilidade de mais pessoas terem acesso à convocação de D. António Couto.

Outro tema em destaque: a entrada nas paróquias do Pe. José Fonseca Soares e do Pe. Vítor Taveira. Também esta edição da Voz de Lamego faz eco do que vai acontecendo na região, na igreja e um pouco por todo o lado.  Por outro lado, várias reflexões, sob inspiração cristã, à procura de dar pistas, para dizer bem e bem fazer, para melhor viver.

O editorial desta semana faz-nos compreender o que significa o Sínodo dos Bispos que inicia no próximo domingo, cuja temática principal será a família.

Aprofundar para mudar

No próximo domingo, dia 05, no Vaticano e com participantes de todo o mundo, tem início o Sínodo sobre a família.

Ao serviço dos homens e mulheres de hoje e de sempre, a Igreja está particularmente atenta à família. Por isso a sua voz se faz ouvir, constantemente, para sublinhar a sua importância na vida de cada um e no todo da sociedade. E procura fazê-lo com realismo e confiança, denunciando profeticamente o que a atinge e demonstrando esperança nas capacidades humanas para fazer melhor. Porque a família é um bem universal que deve ser defendido e promovido, independentemente da fé que se professa ou da falta de fé que se assume.

No âmbito familiar, diante de tantas situações que geram desconforto pastoral, multiplica-se o refrão: “a Igreja tem que mudar o seu ensinamento e a sua prática!” Mas será que a Igreja poderá reescrever o Evangelho? Não. Mas pode aprofundar o conhecimento e interpretação do mesmo, bem como da circunstância histórica em que nos encontramos.

Por isso, “mudar”, na Igreja, significa aprofundar para conhecer. E conhecer mais proporciona seguir melhor. Daí que a esperança seja legítima, convictos de que o Espírito guia e assiste e que a Igreja reunida saberá interpretar os sinais e encontrar respostas. Este é o grande desafio de sempre: articular fidelidade doutrinal (estar junto de Deus) com criatividade pastoral (estar perto dos homens).

O próprio Papa desafiou, recentemente, o Cardeal W. Kasper a colocar questões sobre o assunto e a partilhá-las com Cardeais (Consistório). Nessa perspectiva, o Sínodo vai certamente debruçar-se sobre questões doutrinais, mas vai também estar ocupado em oferecer possibilidades e perspectivas pastorais: para trazer luz, abrir portas, fazer pensar, convidar à mudança e, sobretudo, apresentar um sentido.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 30 de setembro de 2014, n.º 4282, ano 84/44