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Aniversário natalício de D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego

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Hoje, dia 11 de Setembro, o Senhor D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, Bispo Emérito de Lamego celebra o seu aniversário natalício.

Nasceu em Prados de Cima, freguesia de Vila da Rua, concelho de Moimenta da Beira, Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Tabuaço, no ano de 1935, completando 80 anos de idade.

Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.

Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).

Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de S. Sebastião, Padroeiro de Lamego.

Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000, seria ordenado o primeiro padre, na Diocese, pelas suas mãos, e que é o Pároco de Tabuaço, Pe. Manuel Gonçalves.

Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.

Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 2012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.

Placuit Deo – Carta aos Bispos sobre a Salvação Cristã

Foi publicada, na passada quinta-feira, a Carta Apostólica “Placuit Deo”, da Congregação para a Doutrina da Fé, aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da salvação cristã.  A Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

O Texto é dividido em 4 partes com uma introdução e uma conclusão.

Depois da introdução o segundo ponto fala do Impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da Salvação cristã. O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão da fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira. A carta procura combater duas tendências que vão crescendo no nosso tempo: um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autónomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros, bem como um certo neo-gnosticismo, que apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo. O texto reafirma que a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens.

A tentação do gnosticismo – recordava o Papa Francisco em Florença – “leva a confiar no raciocínio lógico e claro, o qual porém perde a ternura da carne do irmão. O fascínio do gnosticismo é o de “uma fé fechada no subjetivismo, onde interessa unicamente uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que se acredita podem confortar e iluminar, mas onde o objeto em definitiva permanece fechado na iminência da sua própria razão ou dos seus sentimentos”.

Toda a pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar económico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo. A salvação plena da pessoa – evidencia o texto -, não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização. “A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina”.

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APRENDER A DESPEDIR-SE | Editorial Voz de Lamego | 21 de fevereiro

APRENDER A DESPEDIR-SE

Na passada quinta-feira, o Papa Francisco, numa  Carta Apostólica, convidou todos os bispos e titulares das dioceses e da Cúria Romana a reflectirem sobre a importância de “aprenderem a despedir-se”. Porque nem sempre é fácil renunciar, quando o próprio se vê como insubstituível ou pensa que sem a sua presença se perderá o ritmo ou a orientação.

“Quem se prepara para apresentar a renúncia precisa de se preparar adequadamente diante de Deus, despir-se dos desejos de poder e da pretensão de ser indispensável. Isto permitirá atravessar com paz e confiança tal momento, que poderia ser doloroso e de conflito”. Não se trata de se ver como inútil, já que cada um poderá elaborar “novo projecto de vida”, marcado pela “austeridade, humildade, oração de intercessão” e com tempo para a leitura e com “disponibilidade para fornecer simples serviços pastorais”.

Aprender a despedir-se, neste caso, não é sinónimo de “saída de cena” para esperar silenciosamente o fim, mas sinal de sabedoria, percebendo que a sua presença e a sua acção, sendo importantes e necessárias, podem concretizar-se de outra forma, respeitando os limites que a idade acentua.

O Papa escreveu para alguns, mas percebemos que os destinatários são todos, já que a tentação de controlar até ao fim, de permanecer diante, desejar ter a última palavra, marcar o ritmo… não é exclusivo do episcopado. Quantas vezes se adiam decisões e passagens do testemunho por falta de confiança nos outros e, sobretudo, no Espírito, protagonizando uma auto-referencialidade que a ninguém favorece.

A Igreja, assembleia convocada, tem lugar para todos e precisa de todos. E não podia ser de outra maneira. E se é salutar ter a companhia do bom senso para discernir, a cada instante, sobre a melhor maneira de a servir, só a humildade ajudará a evitar sentir-se indispensável.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/12, n.º 4449, 20 de fevereiro de 2018

Aniversário da Ordenação Episcopal de D. Jacinto Botelho

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D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, natural de Moimenta da Beira (Prados de Cima – Vila da Rua), nasceu em 11 de setembro de 1935.

Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.

Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).

Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de São Sebastião, Padroeiro de Lamego.

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Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000.

Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.

Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.

Papa Francisco no encerramento do Sínodo dos Bispos

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DISCURSO DO PAPA FRANCISCO

NA CONCLUSÃO DA XIV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

DO SÍNODO DOS BISPOS

Amadas Beatitudes, Eminências, Excelências,
Queridos irmãos e irmãs!

Quero, antes de mais, agradecer ao Senhor por ter guiado o nosso caminho sinodal nestes anos através do Espírito Santo, que nunca deixa faltar à Igreja o seu apoio.

Agradeço de todo o coração ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo, a D. Fabio Fabene, Subsecretário e, juntamente com eles, agradeço ao Relator, o Cardeal Peter Erdö, e ao Secretário Especial, D. Bruno Forte, aos presidentes delegados, aos secretários, consultores, tradutores e todos aqueles que trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja: um cordial obrigado! E quero agradecer também à Comissão que fez a Relação; alguns passaram a noite em branco.

Agradeço a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditores, auditoras e conselheiros, párocos e famílias pela vossa activa e frutuosa participação.

Agradeço ainda a todas as pessoas que se empenharam, de forma anónima e em silêncio, prestando a sua generosa contribuição para os trabalhos deste Sínodo.

Estai certos de que a todos recordo na minha oração ao Senhor para que vos recompense com a abundância dos seus dons e graças!

Enquanto acompanhava os trabalhos do Sínodo, pus-me esta pergunta: Que há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?

Certamente não significa que esgotámos todos os temas inerentes à família, mas que procurámos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse.

Seguramente não significa que encontrámos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocámos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinámo-las cuidadosamente, abordámo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia.

Significa que solicitámos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimónio entre homem e mulher, fundado sobre a unidade e a indissolubilidade e a apreciá-la como base fundamental da sociedade e da vida humana.

Significa que escutámos e fizemos escutar as vozes das famílias e dos pastores da Igreja que vieram a Roma carregando sobre os ombros os fardos e as esperanças, as riquezas e os desafios das famílias do mundo inteiro.

Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família.

Significa que procurámos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades, de hoje com os olhos de Deus, para acender e iluminar, com a chama da fé, os corações dos homens, num período histórico de desânimo e de crise social, económica, moral e de prevalecente negatividade.

Significa que testemunhámos a todos que o Evangelho continua a ser, para a Igreja, a fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros.

Significa também que espoliámos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.

Significa que afirmámos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores.

Significa que procurámos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível.

No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.[1]

E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo – quase! –, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral – como disse, as questões dogmáticas bem definidas pelo Magistério da Igreja – cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado.[2] O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas».[3] A inculturação não debilita os valores verdadeiros, mas demonstra a sua verdadeira força e a sua autenticidade, já que eles adaptam-se sem se alterar, antes transformam pacífica e gradualmente as várias culturas.[4]

Vimos, inclusive através da riqueza da nossa diversidade, que o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas.

E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, procurámos abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2, 4), para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja está chamada a viver.

Amados irmãos!

A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas – são necessárias –, a importância das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 47-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27).

Neste sentido, o necessário arrependimento, as obras e os esforços humanos ganham um sentido mais profundo, não como preço da Salvação – que não se pode adquirir – realizada por Cristo gratuitamente na Cruz, mas como resposta Àquele que nos amou primeiro e salvou com o preço do seu sangue inocente, quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 6).

O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50).

Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (…). Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (…). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera… Ele – se tal se pode dizer – será feliz no dia em que regressarmos e Lhe dissermos: Senhor, na vossa bondade, perdoai-me. Vemos, assim, o nosso arrependimento tornar-se a alegria de Deus».[5]

Por sua vez São João Paulo II afirmava que «a Igreja vive uma vida autêntica, quando professa e proclama a misericórdia, (…) e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador das quais ela é depositária e dispensadora».[6]

Também o Papa Bento XVI disse: «Na realidade, a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus (…). Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10)».[7]

Sob esta luz e graça, neste tempo de graça que a Igreja viveu dialogando e discutindo sobre a família, sentimo-nos enriquecidos mutuamente; e muitos de nós experimentaram a acção do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo. Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes do Sínodo, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.[8]

Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!

Obrigado!

FONTE: página oficial do VATICANO | Santa Sé

À conversa com D. Jacinto Botelho, nos seus 80 anos de idade

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No passado dia 11 de Setembro, o nosso bispo emérito, D. Jacinto Tomás de carvalho Botelho, festejou o seu 80.º aniversário natalício. Alegramo-nos com o facto e rezamos ao Senhor da Vida para que continue a conceder-lhe as graças que necessita, ao mesmo tempo que lhe agradecemos a presença, o testemunho e a disponibilidade que sempre protagoniza entre nós.

Vemos o D. Jacinto em diversas celebrações e iniciativas diocesanas. Como tem sido a experiência de passar de bispo titular a emérito da diocese? Sempre discreto, como são os seus dias?

A minha vida como bispo emérito é muito mais tranquila que a anterior, o que me dá uma grande paz, mas não me sinto desocupado. Além dos retiros que tenho orientado para sacerdotes de várias dioceses, e de alguma ocupação ministerial que me seja pedida pelo meu Bispo, o Senhor D. António Couto, ou da colaboração solicitada pelos irmãos sacerdotes, sinto-me sempre disponível para servir onde for preciso. Gosto imenso de saborear o magistério do Papa Francisco, como acontecia com o dos Papas anteriores, e, graças à Internet não perco a comunicação sempre oportuna que vai chegando. Tenho consciência que o Senhor me pede uma vida interior mais intensa e mais comprometida. Um dos propósitos recentes que confidencio é, neste Ano da Misericórdia, ter um horário de serviço de confissões na Sé Catedral.

Como olha para a nossa diocese, onde sempre viveu, se exceptuarmos os anos em que estudou em Roma e os quatro como bispo auxiliar de Braga?  

Nos últimos três quartos do século, assistimos na nossa diocese, como na generalidade do interior português, a transformações profundas que modificaram sociologicamente as nossas populações. Depois da emigração para o Brasil, em tempos anteriores, foi-se verificando a seguir à segunda guerra mundial, um êxodo crescente da população rural tanto para as grandes cidades no país, como para a Europa e também para as nossas ex-colónias africanas. A Revolução de Abril, com a consequente independência destes últimos territórios, provocou o regresso dos denominados retornados a modificar novamente a nossa fisionomia habitacional. Entretanto a entrada de Portugal na União Europeia e a posterior adesão à moeda única, sem uma imprescindível e pedagógica preparação, promoveram-nos a um nível de vida que não tinha sido devidamente estruturado com as prévias reformas absolutamente necessárias. E as consequências são agora palpáveis na crise económica, de que, com tanto sacrifício e dificuldade procuramos desembaraçar-nos.

A antiga pastoral de cristandade deveria dar lugar a uma pastoral de evangelização tão exigida pelo Concílio Vaticano II, até para responder a uma vaga de secularismo cada vez mais manifesto. Apraz-me destacar a acção reformadora e carismática de dois sacerdotes, C. José Cardoso de Almeida e Mons. Ilídio Fernandes, que estimulados pelos prelados de então, realizaram na pastoral catequética, na pastoral social e na pastoral familiar, uma renovação notabilíssima. É de referir ainda o papel da Acção Católica, mais tarde também do Movimento dos Cursos de Cristandade e de outros movimentos de espiritualidade familiar, bem como a dinamização da pastoral juvenil. A drástica diminuição da população, fruto do baixíssimo índice de natalidade, bem como do surto de emigração agravado com a crise que ainda vivemos, levou o actual prelado a um lúcido reajustamento dos arciprestados e zonas pastorais.

Ao longo da vida conheceu diversos pontificados. Como caracteriza o actual do Papa Francisco?

Embora tivesse nascido no Pontificado de Pio XI, foi Pio XII o primeiro Papa de que tenho consciência de ouvir falar e, fruto da formação recebida no Seminário, por quem tinha uma verdadeira veneração, considerando-o quase insubstituível. Faleceu em 1958, quase dois meses depois da minha ordenação sacerdotal e nas vésperas da minha partida para Roma, para continuar estudos em História da Igreja. Vivi como tantos outros na Praça de S. Pedro as espectativas do Conclave e vibrei com a eleição de S. João XXIII. Foi a primeira eleição papal mediatizada pela televisão. Depressa nos habituou Sua Santidade a um novo estilo de convivência e comunicação. O anúncio da realização dum Sínodo para a Diocese de Roma e sobretudo da convocação dum novo Concílio Ecuménico e da reforma do Código de Direito Canónico, foi de todo inesperado. A determinação deste homem eleito com 77 anos de idade, indicava uma profunda viragem e era sinal evidente da presença do Espírito Santo que assiste a Sua Igreja. E esta convicção de fé, da presença do Senhor – eu estarei convosco … as portas do inferno não prevalecerão… – havia de consolidar-se nos pontificados sucessivos, quer no do Beato Paulo VI, quer nos brevíssimos 30 dias de João Paulo I ou no longo pontificado de S. João Paulo II, quer com Bento XVI que ainda vive. Dos 4 papas falecidos que acabei de enumerar, dois foram já canonizados e um beatificado, prova irrefutável da recordada profecia de Jesus e do papel preponderante que tiveram na História da Igreja contemporânea. Tive a graça de encontrar-me algumas vezes com S. João Paulo II, que me nomeou bispo, e também com Bento XVI. Foi na recente Visita ad Sacra Limina Apostolorum que pela primeira vez falei com o Papa Francisco. O Papa Francisco atrai-nos com a sua simplicidade onde tudo é transparência e verdade, e envolve-nos e contagia-nos, comprometendo-nos com as suas preocupações. O encontro pessoal com o Santo Padre onde cada um pôde confiar-lhe os sentimentos mais profundos, foi para mim dos momentos mais intensos desta Visita ad Limina. Experimenta-se na proximidade de Sua Santidade, que, como com Jesus, os seus preferidos são os pobres, os excluídos, os esquecidos, os das periferias quer geográficas, quer existenciais. Com o testemunho luminoso da sua vida, anuncia-nos Cristo e Cristo crucificado.

A partir do que vai observando, o que podemos esperar da próxima Assembleia sinodal sobre a família?

É com muita esperança e serenidade que aguardo a próxima reunião sinodal. Podemos dizer e suponho que até já foi afirmado que há um duplo Sínodo: o mediático e o dos membros sinodais com o Santo Padre. O mediático é caracterizado por especulações, porventura alguma manipulação, publicitando o que se afigura mais curioso e mais interessante para os leitores a quem a informação se dirige. O dos membros sinodais é o da verdade, da liberdade de expressão, mas igualmente o da atenção e da fidelidade ao Espírito Santo que conduz a Igreja. Nada mudará na doutrina – não se cansa de o repetir o Papa Francisco e não se esqueceu de o recordar no encontro que com ele tivemos. Todos sabemos que a instituição familiar se encontra muito fragilizada; em certos sectores quase desacreditada e ridicularizada, por ideologias deliberadamente opostas ao projecto de Deus que a criou. Ouvindo com atenção o Papa Francisco, nos seus mais recentes discursos, homilias, catequeses … e muito especialmente respondendo ao pedido tão empenhado de orações por esta intenção que sempre nos faz, estou certo de que o futuro Sínodo será um momento providencial para dar à humanidade a convicção de que a família é a sua fundamental e insubstituível escola. Recordo apenas uma expressão do Santo Padre no encontro com as famílias em Santiago de Cuba no passado dia 22 de Setembro: “Apesar de tantas dificuldades que hoje afligem as nossas famílias no mundo, não nos esqueçamos, por favor, disto: as famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar. É uma maneira de dizer que são uma bênção.”

Os portugueses continuam a sofrer com a crise económica e algumas vozes criticam o aparente silêncio dos nossos bispos. Reconhece alguma justiça na crítica feita?

A questão que me é colocada reporta-me à resposta do papa Francisco a uma pergunta que no encontro da província de Braga, um dos bispos presentes – precisamente o nosso, D. António Couto – lhe fez, e que mais ou menos assim formulou: A voz de Vossa Santidade é porventura a única escutada com atenção e a mais credível no tempo presente. Que deveremos nós, bispos, fazer para o ajudar nesta missão de Pedro? O Papa Francisco recordou-nos a eleição dos diáconos repetindo-nos a palavra de S. Pedro: “Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra”, para afirmar de imediato a missão do bispo que é rezar e pregar sempre com a autenticidade do testemunho. A resposta à questão que me foi apresentada, tem de ter como pano de fundo a reflexão do Papa Francisco e não é difícil reconhecer que nos é pedida uma permanente conversão.

in Voz de Lamego, ano 85/44, n.º 4331, 29 de setembro