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Posts Tagged ‘Bento XVI’

Editorial Voz de Lamego: Cristo, Luz do Oriente, ao centro

Antes de mais, quero dizer com alegria: o Papa Bento XVI foi o meu Papa (de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013). Como cristão, sacerdote, professor, teólogo, como Bispo e Cardeal, como responsável máxima do Dicastério da Doutrina da Fé, procurou ser fiel a Jesus Cristo e à Igreja. Foi uma ajuda preciosa ao ministério petrino de João Paulo II, trabalhando discretamente.

Na Visita Apostólica a Portugal, no Porto, Bento XVI reafirmava o essencial para os cristãos: partir de Cristo e encaminhar-se para Cristo (14/05/2010). Foi também esse o mote da primeira hora. Na homilia em que assumiu a Cátedra de Pedro, Bento XVI deixava claro: “O meu verdadeiro programa de governo é não fazer a minha vontade, não perseguir ideias minhas, pondo-me contudo à escuta, com a Igreja inteira, da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me guiar por Ele, de forma que seja Ele mesmo quem guia a Igreja nesta hora da nossa história” (24 de abril de 2005)

“A caridade na verdade”. Servir a Igreja e a humanidade, transparecer Cristo, que não nos rouba nada… dar Cristo aos outros… No conclave que o viria a eleger, o então futuro Papa referia-se ao relativismo, para sublinhar, que também hoje, a Igreja e os cristãos têm a missão (e a obrigação) de testemunhar a verdade de Cristo e do Evangelho, não para excluir, condenar ou julgar os outros, mas para reafirmar o Caminho, a Verdade e a Vida. O problema não é saber para onde vou, ainda que com as minhas fragilidades, limitações e hesitações, o problema é mesmo não saber. O diálogo só é possível quando há convicções. E então sim, o diálogo com ateus, agnósticos, com crentes de outras confissões cristãs e de outras religiões… integrar, incluir aqueles que foram excluídos ou que se excluíram, com humildade e com a sabedoria do coração.

Firmeza nos princípios, na procura da verdade e da justiça. E como vimos, isso trouxe-lhe oposição. Na via-sacra, em 2005, ainda sob o pontificado de João Paulo II, o então Cardeal Ratzinger explicitara: “Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta autossuficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos… que Lhe trespassa o coração”. Aquilo que então denunciava e que provocou calafrios, viria a revelar-se demasiado preocupante e escandaloso, mas que mereceu o maior cuidado e atenção, para repor a verdade, refazer, quanto possível, a justiça, ressarcir as vítimas, afastar os violadores.

Bento XVI preparou a Igreja para Francisco.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/13, n.º 4499, 26 de fevereiro de 2019

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | ESCOLA DE FÉ

O ainda vivo Papa Bento XVI visitou apostolicamente o nosso país em 2010, passando também pelo Santuário de Fátima, como muitos recordarão. Apesar de ter sido essa a única vez que ali veio como responsável máximo pela Igreja, a verdade é que já peregrinara até este santuário noutras ocasiões. E também é verdade que conhecia bem a “mensagem de Fátima” já que, entre outros textos escritos, foi o autor do comentário teológico ao, assim denominado, “segredo de Fátima”, enquanto desempenhava a missão de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Eleito Papa para suceder a João Paulo II, em 2005, recebeu os bispos portugueses em 2007, na visita “ad limina”. Foram notícia as suas palavras quando, no encontro final, pediu aos nossos bispos para se empenharem na renovação da pastoral das suas dioceses. Mas, entre o muito que disse, estavam também afirmações que, nas vésperas de comemorarmos o primeiro centenário das aparições, poderíamos recordar:

“Amados Bispos de Portugal, há quatro semanas encontrastes-vos no Santuário de Fátima com o Cardeal Secretário de Estado que lá enviei como meu Legado Especial no encerramento das celebrações pelos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora. Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé com a Virgem Maria por Mestra; lá ergueu Ela a sua cátedra para ensinar aos pequenos Videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar. Na atitude humilde de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, a Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total, todos e cada um de vós e os sacerdotes vossos directos colaboradores na condução do rebanho, os consagrados e consagradas que antecipam o Céu na terra e os fiéis leigos que moldam a terra à imagem do Céu. Sobre todos implorando, pelo valimento de Nossa Senhora de Fátima, a luz e a força do Espírito, concedo-lhes a minha Bênção Apostólica”.

Olhar para Fátima como “escola de fé” e para Maria como mestra é motivador e apresenta-se como oportunidade para caminhar e crescer como crente, indo muito além do mero espaço que se visita, da recordação que se compra, da fotografia que se guarda, da água que se bebe ou das pessoas que ali se encontram. Porque uma “escola” exige disponibilidade para escutar, humildade para aprender, vontade para cumprir, abertura à novidade e disponibilidade para mudar.

As celebrações do centenário, as canonizações anunciadas, a presença do Papa, as multidões esperadas… são factos singulares que ficarão na história humana e sempre serão notícia.

Mas, verdadeiramente, o mais importante será cada um olhar para Fátima com vontade de aprender e contemplar Maria com vontade de avançar.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/24, n.º 4409, 25 de abril de 2017

CONVERSAS FINAIS | Editorial Voz de Lamego | 21 de março de 2017

A peregrinação do Papa Francisco ao Santuário de Fátima, nos próximos dias 12 e 13 de maio, vai tomando conta das notícias, ocupando um espaço cada vez maior e mais frequente. A Voz de Lamego tem procurado fazer o seu trabalho de informação e e formação à volta da Peregrinação Papal, do Centenário das Aparições, da Mensagem de Fátima.

Há, porém, espaço e tempo para outras notícias, outras reflexões, outros temas. O Diretor da Voz de Lamego, o Pe. Joaquim Dionísio, faz eco das Conversas Finais com o Papa (Emérito) Bento XVI, entrevista-livro que agora chega às bancas nacionais.

CONVERSAS FINAIS

Apesar de publicado em setembro último, só hoje aparece, em português, o livro “Conversas finais”, fruto da mais recente entrevista que Bento XVI concedeu ao alemão Peter Seewald. E são já quatro as entrevistas destes protagonistas que deram outros tantos livros.

O título é sugestivo, não porque inviabilize novas conversas, mas porque revela a serenidade do ancião que se sabe mais próximo do encontro com o Criador. Com naturalidade, sem desespero ou saudosismo, Bento XVI sabe que os seus 89 anos o fazem olhar mais de perto a finitude desta vida, ele que vive uma situação inédita: um Papa reformado!

O livro pode ser encarado como uma espécie de balanço do seu pontificado (2005-2013), sem esquecer as razões da renúncia, a opinião sobre o sucessor ou o futuro da Igreja, ao mesmo tempo que surge como oportunidade para Bento XVI falar de si e dos seus, partilhar memórias e explicar opções, recordar pessoas e factos.

Um dos grandes teólogos do nosso tempo que, apesar da personalidade reservada que o caracteriza, soube aliar humildade e sabedoria. Pode discordar-se das suas posições, criticar-se a sua actuação ou questionar opções, mas não poderá negar-se a singularidade do seu pensamento, a forma didáctica como se expressou e a disponibilidade para servir a Igreja.

E serviu-a quando se apresentou como o “humilde servo da vinha do Senhor”, mas também quando resignou, mostrando que sair pode não ser sinónimo de desistir ou abandonar, mas ser uma outra forma de permanecer e de ser fiel (amar).

Após a renúncia, soube preservar-se de qualquer tentação para aparecer ou fazer-se ouvir, não acompanhando aqueles que se opõem à linha do Papa Francisco e que, possivelmente, gostariam de o ter como “porta-voz”.

in Voz de Lamego, ano 87/19, n.º 4404, 21 de março de 2017

CONVENÇÃO – CONVICÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 21 de fevereiro

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A edição desta semana da Voz de Lamego destaca, a partir da capa, o encontro dos Jovens Sem Fronteiras, em Vila da Ponte, com outros encontros de jovens realiazados na última semana, destacando no interior a Visita Pastoral de D. António Couto à Paróquia do Mezio e a vivência do Dia Mundial do Doente, no Hospital de Lamego. Mas há muitas razões para folhear e ler a Voz de Lamego, artigos de opinião/reflexão, variados nos colaboradores e nos temas, notícias da Igreja e do mundo, da diocese e da região.

A abrir, o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, que nos desafia a viver de convicções…

CONVENÇÃO – CONVICÇÃO

Na véspera da V Conferência Latino-Americana, Bento XVI dirigiu-se aos participantes para dizer também que “A Igreja é a nossa casa” (Aparecida, 12/05/2007), convidando cada um a sentir-se à vontade, consciente do seu lugar e pertença, identificado e próximo de todos, em segurança e com esperança. É sempre bom estarmos em casa!

No livro A Vitalidade da Bênção, de Elmar Salmann, a propósito desta pertença e presença na Igreja, diante do conteúdo da fé e da sua celebração, o autor pergunta: “Onde nos sentiríamos em casa?”

Ou seja, apesar de “estarmos em casa”, como dizia o Papa, é também necessário “sentirmo-nos em casa”, como afirma este beneditino. E compreendemos a não coincidência: quantas vezes “estamos” em algum lugar, conversa, reunião, convívio, celebração… sem nos “sentirmos” verdadeiramente presentes?

O mesmo se passa na vivência da fé e na participação eclesial (paróquia, grupo, presbitério…): podemos estar sem sentir e vice-versa. Mas será que podemos estar verdadeiramente sem que tal se sinta ou podemos sentir sem o esforço para estar?

Daí que diante da indiferença que cresce, da não vontade em aprofundar a fé, do desleixo diante da transmissão do Evangelho, do comodismo que se instala, do descomprometido consumismo de alguns sacramentos… aquele autor questione: “Haverá ainda algo de precioso para nós, capaz de nos tocar a alma, algo que nos torne totalmente presentes, que nos abra a inteligência e o coração?”

Que “lugares teológicos” privilegiar para ajudar à experiência do divino? Mais profecia? Mais mística? Como ir além da mera sensibilidade para a religião? Ou, como diz o nosso bispo, como passar da convenção à convicção?

Diariamente testemunhamos uma Igreja que, pela voz e acção dos seus pastores, sente dificuldade em apresentar o cristianismo como motivação que desbloqueie a vontade, encoraje a uma nova interpretação da vida e leve a um agir mais espontâneo.

Mas o Senhor está connosco!

in Voz de Lamego, ano 87/15, n.º 4400, 21 de fevereiro de 2017

JUBILEU DA MISERICÓRDIA: Reconciliação

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Um dos capítulos do Catecismo da Igreja Católica (CIC) é dedicado aos “sacramentos da cura”: Penitência/Reconciliação (1422 – 1498) e Unção dos Enfermos (1499 – 1532). No âmbito do Ano da Misericórdia e na proximidade da celebração destes sacramentos, será sempre útil reler, individualmente ou em grupo, e divulgar tais parágrafos, não apenas para conhecer a doutrina da Igreja, mas também para melhor preparar a sua celebração.

O Papa Bento XVI, no Discurso à Penitenciária Apostólica, em 9 de Março de 2012, afirmou o seguinte: “O sacramento da Reconciliação, que se inspira numa consideração da condição existencial pessoal concreta, contribui de modo singular para aquela ‘abertura do coração’ que permite dirigir o olhar para Deus a fim de que entre na vida. A certeza de que Ele está próximo e, na sua misericórdia, atende o homem, mesmo o envolvido no pecado, para curar as suas enfermidades com a graça do sacramento da Reconciliação, é sempre uma luz de esperança para o mundo”.

A consciência do pecado que leva ao reconhecimento da culpa é condição sine qua non para pedir e esperar o perdão. E aqui se encontra uma das dificuldades experimentadas neste ambiente pouco sensível ao uso da consciência: humildade para se reconhecer pecador e coragem para pedir perdão.

Deixando para outro dia a referência às dificuldades que podem ser encontradas na vivência deste sacramento, a partir da leitura de algumas páginas do livro “A confissão – Sacramento da Misericórdia”, do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (pp.16-21), poder-se-ia antes, neste breve texto, sublinhar diferentes realidades experimentadas por aqueles que se abeiram deste sacramento:

– Gratuidade. O perdão de Deus não pode ser adquirido, mas só implorado e recebido. Nesse sentido, o pecador está diante de um dom que o levará à gratidão;

– Luz. A misericórdia não é um vago sentimento que se instala e recebendo a remissão dos pecados, o homem é iluminado com a luz de Deus e torna-se capaz de ver o caminho e descobrir o sentido;

– Verdade. A súplica do perdão dirigida a Deus mantém vigilante a consciência do cristão sobre a verdade da sua condição pecadora. Tal como nos disse S. Paulo, não basta querer fazer o bem para evitar o mal. Atenção e vigilância nunca serão demais;

– Regeneração. Este sacramento renova a graça do Baptismo e consagra no caminho pessoal e eclesial de conversão. Trata-se de um sacramento de cura que acompanha na sequela de Cristo, amparando quem está marcado pela fragilidade e debilidade;

– Comunhão. O perdão oferecido por Deus nunca é uma realidade puramente individualista. O perdão de Deus é recebido no seio e mediante a Igreja. A reconciliação aviva a comunhão da comunidade. O eu do crente é inseparável do nós da comunidade;

– Admiração. Em Cristo, a revelação do pecado e do seu mistério individual e colectivo não pode ser separada da salvação que Cristo nos oferece. O cristão não teme tomar consciência pessoal do pecado e dele se confessar, porque está seguro da sua salvação. Nesse sentido, a par da confissão do pecado há lugar para a admiração agradecida.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/13, n.º 4350, 16 de fevereiro de 2016

D. António Couto e a renúncia do Papa Bento XVI

In Agência Ecclesia

Lisboa 11 fev 2013 (Ecclesia) – D. António Couto disse hoje não ter percebido sinais de qualquer “fragilidade intelectual” em Bento XVI quando em outubro esteve no Vaticano para participar no Sínodo para a Nova Evangelização.

“O Papa esteve em quase todas as sessões do Sínodo sempre com extrema vivacidade, com muito bom humor, muito vivo e dinâmico, muito lúcido e claro nas suas intervenções”, afirmou o bispo de Lamego à Agência ECCLESIA, recordando que a sua fragilidade se sentia quando este tinha de andar.

“Quando ele se tinha de mover, ai sim, apresentava dificuldade. Para andar 100 metros tinha alguma dificuldade mas sentado era impecável, completamente lúcido e clarividente” afirma, recordando imagens nos corredores na ala sinodal.

D. António Couto olha para a resignação de Bento XVI como uma decisão de quem “vê a sua vida à luz de Jesus Cristo, de quem ele nunca se desligou” e por isso, considera que “o seu serviço à Igreja e o seu amor a Cristo o levam a tomar a este passo para um maior bem da Igreja, não tenho dúvida”.

O bispo de Lamego lembra ainda o desafio da Nova Evangelização “por quem ele lutou tanto” e que “pedirá mais energias para o levar por diante do que as que ele tem”.

Esta manhã, durante um Consistório público para a promulgação de três novos santos da Igreja Católica, o Papa transmitiu aos membros do colégio cardinalício a sua intenção de abdicar do cargo a partir do dia 28 de fevereiro, abrindo assim caminho para a eleição de um novo Papa.

“Cheguei à conclusão de que as minhas forças, por causa da idade avançada, já não são adequadas para exercer de forma apropriada o ministério petrino”, disse Bento XVI aos seus colaboradores.

LS

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Mensagem de S. S. o Papa Bento XVI para o Dia Mundial do Doente

Amados irmãos e irmãs!

1. No dia 11 de Fevereiro de 2013, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, celebrar-se-á de forma solene, no Santuário mariano de Altötting, o XXI Dia Mundial do Doente. Este dia constitui, para os doentes, os operadores sanitários, os fiéis cristãos e todas as pessoas de boa vontade, «um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade» (João Paulo II, Carta de instituição do Dia Mundial do Doente, 13 de Maio de 1992, 3). Nesta circunstância, sinto-me particularmente unido a cada um de vós, amados doentes, que, nos locais de assistência e tratamento ou mesmo em casa, viveis um tempo difícil de provação por causa da doença e do sofrimento. Que cheguem a todos estas palavras tranquilizadoras dos Padres do Concílio Ecuménico Vaticano II: «Sabei que não estais (…) abandonados, nem sois inúteis: vós sois chamados por Cristo, a sua imagem viva e transparente» (Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos os que sofrem).

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