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Posts Tagged ‘Bênção’

Editorial Voz de Lamego: Um Menino que é bênção e luz

Quando uma criança nasce é uma bênção, enche a casa e a família, traz luz e brilho ao lar, enriquece a Igreja e a sociedade, torna viável o futuro da humanidade e possibilita que este mundo seja habitável e possa ser admirado pela beleza com que foi criado por Deus e transformado pela ação humana.

Uma criança que nasce deveria ser uma bênção luminosa.

Mas nem sempre é assim.

Há crianças cujo nascimento acentua desgraças, escuridão e treva, ruturas e pobrezas.

Há crianças que nunca chegarão a nascer, porque incomodariam os pais, seriam mais uma fonte de despesa, de preocupação, de desgaste.

Há um ror de situações problemáticas. Devemos colocá-las na nossa oração e confiá-las ao carinho misericordioso de Deus que é Pai e Mãe (João Paulo I).

Há muitas situações que merecem a nossa atenção, pois são provocação ao nosso compromisso social e político. E temos tantas formas de o fazer: os meios de comunicação social, as redes sociais, o voto, as campanhas a favor da vida, os debates e reflexões públicas, as campanhas de solidariedade (não apenas neste tempo, mas ao longo de todos os segundos do ano) que beneficiarão as pessoas mais frágeis, as instituições que apoiam mães solteiras ou vítimas de violência doméstica, que acolhem crianças desprotegidas ou famílias desgovernadas, dispondo de tempo para o voluntariado e contribuindo com generosidade e, sem recorrer nunca às coscuvilhice, procurar intervir em situações de violência, verbal, física e emocional, maus tratos ou descuido com crianças mas também com pessoas idosas, situações de injustiça e pobreza. Há santos à porta mas, sem o sabermos, por distração ou por pressas nos nossos nadas, também há pobres que precisam de ajuda ou de voz, ou de carinho ou de palavras amigas.

Estamos a ficar velhos. O lugar dos idosos há de ser valorizado, pela sabedoria a comunicar aos mais novos e à sociedade e porque, em todo o caso, estamos cá por eles, porque foi através deles que Deus nos deu a vida.

Estamos a ficar velhos. Sobretudo nas terras do interior e nos países ocidentais. Muitos dos problemas económico-financeiros têm a ver com a falta de crianças e jovens. A população está a morrer, está envelhecida e não se renova. As pessoas que estão em “idade ativa” são cada vez menos em relação às gerações anteriores, além da esperança média de vida ter aumentado muito.

Estamos a ficar velhos. Estamos a morrer. Mas Aquele Menino vem para nos dar vida e vida em abundância (Jo 10, 10). O Papa Francisco tem alertado para um género de egoísmo que nos conduz à morte, a preferência por investir num animal doméstico ao invés de um filho. Até agora, muitos casais tinham apenas um filho, agora há casais que não estão para isso!

Há muitos ponderáveis, mas talvez seja tempo de pensar mais nas pessoas e fazer com que as percentagens económicas sejam para combater desigualdades, criar oportunidades, erradicar a pobreza, proteger a vida, o ambiente.

Ainda não morrermos, ainda há esperança. Que o Deus Menino seja Luz, Bênção e Vida. Santo Natal.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/04, n.º 4539, 17 de dezembro de 2019

BÊNÇÃO . FERIDA | Editorial Voz de Lamego | 2 de janeiro de 2018

BÊNÇÃO . FERIDA

Iniciámos ontem uma nova etapa, um novo ano. Diante de nós estão agora doze meses e muitos dias, prenhes de possibilidades, que ansiamos viver com alegria e cumprir de forma realizadora.

Mas também sabemos que o novo ano pode suscitar sentimentos diversos, de acordo com a situação em que cada um se encontra. Para uns representará a oportunidade de ser, ir, conseguir, chegar; para outros poderá aparecer como repetição, tempo sem sabor ou motivações; para uns uma passagem que se deseja rápida para uma meta que está mais além; para outros apenas a recordação de que se aproxima o fim.

Numa palavra, podemos sempre falar do novo ano como uma oportunidade de bênção, mas sem esquecer que no seu decorrer poderão aparecer feridas. É verdade que, a escolher, preferiríamos apenas o bom, a bênção… mas isso só acontece no mundo virtual. Porque no mundo real também há lágrimas, limites, erros, distâncias, ressentimentos…

Ao longo da vida, da contagem dos anos, vamos tomando consciência de que Deus nos concede bênçãos, mas não nos dispensa de agir responsavelmente; que o tempo disponibilizado pelo calendário permite ser, mas não isenta de riscos; que o amor dos outros nos protege e motiva, mas não livra de quedas; que cada vida humana é um caminho percorrido em ritmos diferentes, um todo onde convivem diferentes momentos e etapas, se conjugam disposições e opções diversas, se articulam escolhas mais ou menos conseguidas…

Com realismo, olhamos 2018 como uma bênção, sem a ingenuidade de pensar que o mal estará ausente e longe do fatalismo de quem se deixa derrotar sem ter começado. Avançamos decididos e motivados, confiantes na providência divina e animados pela esperança que a fé nos confere.

Um abençoado 2018.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/05, n.º 4442, 2 de janeiro de 2018

CONVENÇÃO – CONVICÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 21 de fevereiro

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A edição desta semana da Voz de Lamego destaca, a partir da capa, o encontro dos Jovens Sem Fronteiras, em Vila da Ponte, com outros encontros de jovens realiazados na última semana, destacando no interior a Visita Pastoral de D. António Couto à Paróquia do Mezio e a vivência do Dia Mundial do Doente, no Hospital de Lamego. Mas há muitas razões para folhear e ler a Voz de Lamego, artigos de opinião/reflexão, variados nos colaboradores e nos temas, notícias da Igreja e do mundo, da diocese e da região.

A abrir, o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, que nos desafia a viver de convicções…

CONVENÇÃO – CONVICÇÃO

Na véspera da V Conferência Latino-Americana, Bento XVI dirigiu-se aos participantes para dizer também que “A Igreja é a nossa casa” (Aparecida, 12/05/2007), convidando cada um a sentir-se à vontade, consciente do seu lugar e pertença, identificado e próximo de todos, em segurança e com esperança. É sempre bom estarmos em casa!

No livro A Vitalidade da Bênção, de Elmar Salmann, a propósito desta pertença e presença na Igreja, diante do conteúdo da fé e da sua celebração, o autor pergunta: “Onde nos sentiríamos em casa?”

Ou seja, apesar de “estarmos em casa”, como dizia o Papa, é também necessário “sentirmo-nos em casa”, como afirma este beneditino. E compreendemos a não coincidência: quantas vezes “estamos” em algum lugar, conversa, reunião, convívio, celebração… sem nos “sentirmos” verdadeiramente presentes?

O mesmo se passa na vivência da fé e na participação eclesial (paróquia, grupo, presbitério…): podemos estar sem sentir e vice-versa. Mas será que podemos estar verdadeiramente sem que tal se sinta ou podemos sentir sem o esforço para estar?

Daí que diante da indiferença que cresce, da não vontade em aprofundar a fé, do desleixo diante da transmissão do Evangelho, do comodismo que se instala, do descomprometido consumismo de alguns sacramentos… aquele autor questione: “Haverá ainda algo de precioso para nós, capaz de nos tocar a alma, algo que nos torne totalmente presentes, que nos abra a inteligência e o coração?”

Que “lugares teológicos” privilegiar para ajudar à experiência do divino? Mais profecia? Mais mística? Como ir além da mera sensibilidade para a religião? Ou, como diz o nosso bispo, como passar da convenção à convicção?

Diariamente testemunhamos uma Igreja que, pela voz e acção dos seus pastores, sente dificuldade em apresentar o cristianismo como motivação que desbloqueie a vontade, encoraje a uma nova interpretação da vida e leve a um agir mais espontâneo.

Mas o Senhor está connosco!

in Voz de Lamego, ano 87/15, n.º 4400, 21 de fevereiro de 2017

Bênção das Obras de restauro da Igreja de Vale de Figueira

tabuaço-vale de FigueiraOs foguetes a estalarem no ar anunciavam que Vale de Figueira estava em festa e assim calorosamente foi recebido o senhor Bispo de Lamego, D. António Couto, no passado dia 14 pela população e convidados que o aguardavam. Acompanhava-o o senhor pró-vigário da diocese, Pe. João Carlos, para a missão de inaugurar e benzer o restauro da Igreja Matriz, que duraram cerca de um ano, sendo o culto realizado no edifício da Junta de Freguesia naquele espaço de tempo.

O prelado dirigiu-se em procissão para a igreja e aqui foram-lhe entregues as chaves pelo responsável adjudicatário das obras. Seguiu-se a Eucaristia, solenizada pelo grupo coral da paróquia, e durante a qual foi ungido o altar com óleo sagrado.

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D. António Couto, falou da importância da preservação dos edifícios religiosos, na vida de cada um que professa a religião cristã, porque é aqui que se aprendem os ensinamentos de Cristo.

O ofertório, feito pelos habitantes, traduziam o símbolo de tudo o que se produz nesta terra e serve para a sobrevivência de quem aqui trabalha.

No final da Eucaristia, o pároco, o senhor Pe. Albano Cardoso, agradeceu a todos os habitantes que contribuíram para as obras, bem como à Câmara Municipal no momento representada pelo senhor Presidente Carlos Carvalho acompanhado pelo senhor Presidente da Assembleia Municipal Leandro Macedo. Referiu que faltam ainda alguns donativos e que a conclusão do restauro só ficará totalmente concluído quando for colocado o relógio e o vitral nas janelas a representar figuras bíblicas e que para tal se estima gastos que rondam os 130 mil euros.

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De destacar que praticamente só se aproveitaram as paredes da igreja, já que todo o interior foi novo, talha dourada restaurada, nova instalação elétrica e nova instalação sonora e outras intervenções que fazem desta uma das igrejas mais bonitas do concelho. De salientar também a bênção da Capela da Ressurreição e Vida (capela mortuária) a deslado da igreja, criada a partir de um anexo que servia para arrumos.

Da União de Juntas de Freguesia, estava o seu presidente, senhor Amâncio Silva, mas foi o autarca local, o senhor Leonel Dias Fernandes, que proferiu palavras de agradecimento às autoridades religiosas e civis, assim como a toda a população presente, pela forma como cada um contribuiu para que as obras se tornassem realidade.

No final um lanche oferecido a todos os convivas, permitiu um ambiente de uma saudável confraternização.

Rui de Carvalho, in Voz de Lamego, ano 86/24, n.º 4363, 17 de maio de 2016

Avôes > Capela de Nossa Senhora das Candeias

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Obras de restauro

No dia 1 de Fevereiro do ano corrente, a manhã decidiu sorrir com um sol brilhante para a procissão que dava início à inauguração das obras de restauro da Capela de Nossa Senhora das Candeias.

Nesta primeira ação do dia em curso para a Capela, onde se iria realizar a missa dominical presidida pelo Pró-Vigário Geral Sr. Pe. João Carlos e pelo Sr. Pe. Joaquim Manuel Silvestre, pároco desta paróquia, contou-se com a presença de várias entidades comunitárias, entre elas representavam-se a Câmara Municipal de Lamego, a Junta de Freguesia de Avões, a Associação Desportiva de Avões, a Comissão Organizadora, Agrupamento 781 do CNE e o Núcleo da FNA de Avões. E ainda a comissão de Arte Sacra Diocesana e a empresa responsável pelo restauro Capitellum.

A celebração da missa foi animada pelo grupo coral da paróquia e encheu-se com a participação empenhada da população que tanto acarinha esta capela que agora se revê com uma nova imagem depois de ter sido edificada no século XVII, sofrendo com a degradação do tempo, e um furto ocorrido no ano anterior que subtraiu algumas das imagens mais icónicas da capela. Da parte da tarde realizaram-se atividades que combinavam a religiosidade e o convívio da comunidade.

Agora, com as obras de restauro apoiadas pela população e as de mais entidades, a capela possui uma instalação elétrica e sonora nova, um forro novo no teto da capela-mor, uma pintura do teto da nave da capela, um ambão renovado e, ainda, a desinfestação e o restauro rejuvenescedor do altar-mor, dos laterais e do arco cruzeiro. Uma capela, praticamente, nova para acompanhar a devoção que se tem para com a fé nela depositada.

Resta um especial agradecimento a todos que, com esforços, doações ou apoios, contribuíram para que tal obra tenha ocorrido para o encanto e para a fé da população, um restauro que é de todos e para todos.

 

Tina Caetano, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4299, ano 85/12, de 3 de fevereiro de 2015