Arquivo

Posts Tagged ‘Assunção de Nossa Senhora’

Editorial da Voz de Lamego: De que adianta ir à Lua?

Todas as semanas disponibilizamos, na Voz de Lamego, palavras proferidas pelo Papa Francisco, contextualizando os momentos e os encontros. Nesta semana teremos oportunidade de ler e refletir, entre outras, as palavras que precederam e introduziram a oração mariana do Angelus, no passado sábado, 15 de agosto, na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

É a partir dessas palavras que desejo refletir convosco. Serão palavras incisivas se previamente estivermos dispostos a escutar, a meditar e a encontrar brechas na nossa vida que permitam encaixá-las com alegria. Como cristãos não nos cabe, primeiramente, dizer o que diz o Papa. É o próprio a dizê-lo a bispos e a padres, desafiando-nos, nas homilias, a falarmos do Evangelho, de Jesus Cristo, mostrando, com palavras, imagens, exemplos, a alegria de sermos cristãos, deixando-nos guiar pela postura de Jesus, pela Luz da fé, que conduz à verdade, nos faz ver os irmãos necessitados e abre o nosso coração à vivência das obras de misericórdia.

Porém, vale a pena fixar-nos na imagem que o Papa utilizou na alocução que precedeu o Angelus. Relembrou a frase dita quando o primeiro homem – Neil Armstrong – pisou a Lua: «Este é um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade». Era um marco importantíssimo para a história. Na altura, este acontecimento foi comparado à descoberta do caminho marítimo para a Índia, por parte dos portugueses, mormente com a figura de Vasco da Gama. A partir desta frase o Papa sublinhou um acontecimento maior: “Na Assunção de Maria ao Céu, celebramos uma conquista infinitamente maior. Nossa Senhora colocou os pés no paraíso: ela foi lá não só em espírito, mas também com o seu corpo. Este passo da pequena Virgem de Nazaré foi o grande salto, para frente, da humanidade”.

E conclui, dizendo: “De pouco adianta ir à lua se não vivermos como irmãos na Terra”. E poderíamos dizer nós, de que adianta amar o mundo inteiro, as pessoas, os animais e a natureza se não somos capazes de cuidar dos nossos familiares e dos vizinhos?

Vivemos um tempo diferente. Todos os tempos são diferentes, pois a vida não se repete, a história não volta atrás, o relógio não permite recuar o tempo. Não temos outro tempo que não seja o de hoje, o que Deus nos dá. O que passou é memória e raiz. O que está para vir é de esperança (e expetativa), mas deixa de o ser quando o alcançamos e/ou se chegarmos lá!

Temos de nos colocar à escuta, com os olhos do coração, para perscrutarmos a presença de Deus nos acontecimentos e, sobretudo, nos nossos irmãos, especialmente os que carregam o peso da idade e da solidão, da doença e do abandono, aqueles cujas vidas são desvalorizadas ou sacrificadas no altar da liberdade e da comodidade.

Concluímos com as palavras do Santo Padre, que salienta que Maria “coloca Deus como a primeira grandeza da vida. Daqui nasce o Magnificat, daqui nasce a alegria: não da ausência de problemas, que mais cedo ou mais tarde chegam, mas a alegria nasce da presença de Deus que nos ajuda e está perto de nós. Porque Deus é grande e olha para os pequenos. Somos a sua fraqueza de amor: Deus olha e ama os pequenos”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/36, n.º 4571, 18 de agosto de 2020

MATERNIDADE E GRATIDÃO | Editorial Voz de Lamego | 9 de agosto

assunção4

A Jornada Mundial da Juventude, realizada em Cracóvia, na Polónia, continua a merecer destaque na edição desta semana na Voz de Lamego. Porém, além dos artigos de opinião-reflexão, variadas notícias da Igreja, na diocese e no mundo, e da região. Destaque também para as Bodas de Ouro Sacerdotais do Pe. José Augusto Alves de Sousa, Sacerdote Jesuíta (sj), natural da Paróquia de São Tiago de Magueija. Outro destaque: as festas dos Remédios.

O Jornal diocesano publica a Nota da Vigararia Geral com as NOMEAÇÕES e DISPENSAS de D. António Couto, Bispo de Lamego, para o ano pastoral de 2016-2017.

Para Editorial, o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, lembrando a presença massiva de emigrantes evoca a figura de Maria, como Mãe de Jesus e nossa Mãe, com muitas comunidades da diocese e do país a acorrerem aos braços e ao colo de Nossa Senhora, quando se aproxima a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, invocando-A com diversos títulos…

MATERNIDADE E GRATIDÃO

O ritmo de verão é também marcado pelas festas, aproveitando o calor, a presença dos migrantes e a nova vida que parece tomar conta das nossas aldeias. Celebrações, procissões, foguetes e bandas multiplicam-se por essas paróquias fora, congregando familiares e amigos, patrocinando convívios comunitários, motivando a marcação de férias e congregando o esforço de tantos para celebrar a alegria da vida.

E porque muitas destas festas são motivadas pela devoção mariana e nos aproximamos da Assunção de Nossa Senhora, sem qualquer originalidade, poderíamos perguntar: o que faz “correr” para Maria? O que leva a invocá-la sob tantos títulos? Porque não cessam os fiéis de lhe dirigir pedidos, mesmo sabendo que não faz milagres? Sem ter escrito qualquer tratado, o que leva a querer aprender com ela? Porque será tão edificante o seu testemunho e eloquente o seu silêncio?

As respostas, mais ou menos elaboradas, poderão variar, mas talvez se aproximem num ponto: todos veem em Maria uma Mãe! E qualquer mãe, independentemente das suas forças, da sua idade, do seu saber, da sua experiência, da sua presença ou ausência será sempre sinónimo de “colo”. E falar de colo é fazer referência à segurança, à proximidade afectiva, ao conforto, ao calor, à compreensão, à vida, ao acolhimento sem reservas, ao lugar que nunca nos será tirado…

Acompanha-nos o episódio de Caná. Com tanta gente presente e capaz de prover à falta de vinho, foi Maria a escolhida.

Tal como naquelas bodas, os olhares de muitos voltam-se para Maria e sossegam diante do colo acolhedor.

Nos dias quentes e festivos de agosto, como em tantos dias do ano, às vezes frios e húmidos, os corações crentes contemplam Maria e agradecem a solicitude maternal e a singular intercessão junto d’Aquele que tudo pode.

in Voz de Lamego, ano 86/39, n.º 4375, 9 de agosto de 2016