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Posts Tagged ‘Arte Sacra’

Lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego

Teve lugar no passado sábado, dia 22 de Julho, o lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego, resultante de uma parceria entre a Diocese de Lamego e a Universidade do Algarve. A obra de autoria de Francisco Lameira, Pedro Vasconcelos Cardoso e José João Loureiro, aborda a história e temática do retábulo na Diocese, com especial incidência entre os séculos XVI a XX.
O evento começou com uma visita guiada à capela de Nossa Senhora do Desterro, em Lamego, orientada por um dos co-autores do livro – Pedro Vasconcelos Cardoso. Aquando da análise formal daquele espaço, foi referida a possibilidade de se tratar de uma “obra de arte total”, conferida pelo conjunto de elementos constitutivos do interior daquele espaço, destacando-se a importância da talha na sua concepção.
Da capela, local de paramentação dos bispos de Lamego, seguiu-se para a Sé onde, este co-autor abordou, de novo, a temática dos retábulos, dando especial relevo à ideia da Mitra ser o principal introdutor das novidades da retabulística na Diocese, a par de alguns mosteiros da região. Esse facto é manifestado pela datação do altar-mor, ou do altar de São Miguel no transepto, ambos a comportarem-se como importantes introdutores na região do Tardobarroco e Rococó respectivamente. Seguiu-se uma outra intervenção, esta proferida por José João Loureiro, também co-autor do livro, que abordou a pintura do retábulo-mor da Sé. Nela falou sobre a atribuição da autoria da tela e do aspecto curioso de o pintor se ter feito retratar na mesma.
Posteriormente ocorreu o lançamento do livro Retábulos na Diocese de Lamego no auditório do Museu Diocesano, apresentado pelo Cónego José Paulo Leite de Abreu. Foi enaltecida a grande qualidade gráfica da edição, acrescida pela excelência dos registos fotográficos, e igualmente foram louvadas a clareza e sistematização dos conteúdos que, desta forma, se tornam acessíveis a qualquer indivíduo. A intervenção daquele Cónego pautou-se pela boa disposição sem deixar de referir os aspectos importantes que o livro levanta, quer para o estudo da história da arte do retábulo, quer para a investigação e conhecimentos de outras expressões da história da arte em geral.
Coube de seguida aos três autores do livro a vez de exporem algumas considerações sobre o percurso da obra, as principais novidades que levanta e agradecer a total colaboração da Diocese no processo de investigação, destacando-se o papel desempenhado pelo Pró-Vigário Geral no processo.
O Senhor Padre João Carlos Morgado, enquanto Pró-Vigário Geral e coordenador de todo o evento, presidiu à sessão, e, antes do encerramento, destacou a importância desta obra como um documento, ou registo global, que fica sobre o retábulo na Diocese de Lamego, tornando-se, a par de outras edições de importantes investigadores locais, uma obra de referência para o estudo da arte sacra da região.

in Voz de Lamego, ano 87/37, n.º 4422, 25 de julho 2017

Restauro de retábulos põe a descoberto pintura mural

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Restauro de retábulos põe a descoberto pintura mural

A Igreja Matriz de Peravelha no concelho de Moimenta da Beira ganhou a partir do mês de Março uma nova representação religiosa.

A intervenção de conservação e restauro realizada nos retábulos colaterais da Igreja, revelou a existência de pintura mural. Os altares do séc. XVIII, embora se encontrem muito alterados, apresentam características do Barroco estilo Nacional.Encontravam-se em mau estado de conservação, tendo patologias muito diversificadas: repintados com tinta plástica, inseto xilófago ativo, podridão da madeira,utilização de madeiras inadequadas, instabilidade estrutural, entre outras alterações.A intervenção realizada teve em conta as especificidades materiais, técnicas, estéticas e históricas da obra e o seu estado de conservação. Pelo facto de não se tratar de uma obra isolada, mas um conjunto, a intervenção foi pensada para que o todo se apresentasse coeso.

Após a descoberta das pinturas, foi necessário proceder à sua preservação. Identificaram-se do lado da Epistola pequenos fragmentos que não permitem identificar a temática da pintura, enquanto do lado do Evangelho se encontra uma imagem mais completa. Trata-se de uma Nossa Senhora com o Menino envolvida pela mandorla, provavelmente Nossa Senhora do Rosário, não sendo possível identificar as representações laterais.

Na montagem dos retábulos optou-se por recolocar o retábulo colateral direito no local onde se encontrava,após tratamento dos fragmentos de pintura mural e registo fotográfico para memória futura.O retábulo esquerdo ficou avançado relativamente à sua posição inicial, de forma a criar um espaço onde se torne possível visualizar a pintura. Pelo tipo de pintura, técnica e cromatismo, trata-se de uma pintura executada nos finais do séc. XVI, início do séc. XVII. Conjeturamos que a pintura ocupasse uma maior extensão, abrangendo toda a área do arco cruzeiro.

Após a desmontagem dos retábulos foi possível definir com exatidão o estado de conservação da pintura. Registava-se a presença de diversas lacunas ao nível do suporte causadas pela fragilização e decaimento da argamassa, assim como pela colocação de elementos de fixação da estrutura retabular, nomeadamente um barrote que atravessava horizontalmente toda a pintura do lado esquerdo, na zona do rosto de Nossa Senhora. Identificou-se ainda a presença de fissuras de diferentes dimensões, sendo o aspeto mais preocupante a existência de ocos entre a argamassa e a alvenaria, que colocavam em causa a estabilidade da obra. A policromia apresentava diversas lacunas, desgaste, manchas, escorrências e acumulação de sujidades várias, assim como risco de destacamento. O primeiro passo consistiu na estabilização do suporte e fixação da policromia, de forma a conseguir a segurança necessária para a remoção do barrote e a continuação das diferentes etapas necessárias à conservação da pintura.

A pintura, de inegável valor cultural, constitui um exemplar de relevância artística no quadro da pintura mural, sendo o único exemplar visível no concelho de Moimenta da Beira.

A execução deste trabalho foi possível graças ao apoio do Pároco Paulo Esteves e toda a comunidade.

Ana Carla Roçado

Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Lamego

in Voz de Lamego, ano 86/20, n.º 4357, 5 de abril de 2016

ORAÇÃO E MISERICÓRDIA – Exposição no Museu diocesano

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Encontra-se patente ao público, no Museu Diocesano (Casa do Poço), a exposição “Oração e Misericórdia.” A temática da mostra liga-se ao tema do ano pastoral em curso: “Ide e fazei da Casa de meu Pai, casa de oração e misericórdia” e ao Ano Santo que estamos a viver.

O núcleo expositivo divide-se em três módulos: “Revestidos de Cristo”; “Casa e Escola de Oração” e “Misericordiosos como o Pai”. Pretende-se através deste “itinerário” levar os visitantes a (re)descobrir a função e diversidade das vestes litúrgicas, diferenciadoras dos diversos ministérios litúrgicos; as diferentes cores litúrgicas que ajudam a compreender o ano litúrgico e a tomar consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do mesmo. A beleza das vestes sagradas contribui para manifestar externamente a beleza da acção sagrada.

Passamos depois aos objectos litúrgicos utilizados na celebração dos mistérios da fé: cálice, patena, píxide, turibulo, prato de oferendas, sagrada custódia, âmbulas com os santos óleos e outros elementosusados, na Casa de Deus, para o culto divino que manifesta a “unção” de Deus ao seu povo.

As imagens de vários santos recordam-nos aqueles que, ao longo dos séculos, foram rostos da misericórdia de Deus ao longo da História. A presença de alguns relicários lembram-nos como as casas dos homens pretenderam, pela devoção popular, serigrejas domésticas, com espaços devocionais, que transportam para as nossas casas a presença da Casa de Deus e um prolongamento da mesma.

A rematar as peças expostas, temos uma cruz processional e lanternas que nos transportam do templo para o tempo. Elas abrem os cortejos litúrgicos nas igrejas e conduzem o Povo de Deus, nas procissões pelas ruas das cidades e aldeias. No átrio do Museu a acolher-nos e a enviar-nos as imagens de Nossa Senhora da Esperança e de Santo António.

A exposição é composta por um total de 45 peças, num arco temporal que vai do Séc. XV ao Séc. XX; de materiais diversificados: tapeçaria, ourivesaria, pintura e escultura; provenientes da Catedral, do Seminário, do Paço Episcopal, do Arquivo Diocesano e de sete paróquias.

A presente iniciativa pretende ser um subsídio cultural e pastoral, para a vivência do plano pastoral diocesano, sob a luz do Jubileu da Misericórdia. Deste modo, nas peregrinações a organizarem-se pelas paróquias, zonas pastorais ou movimentos à Porta Santa da Catedral, estas poderão incluir uma visita prévia à exposição, seguida de celebração na Igreja Jubilar e uma visita ao Coro Alto da Sé, onde, no cadeiral, estão pintadas as 14 obras de misericórdia. Aproveitemos, pois, este rico e simbólico património material, para nos ajudar a assimilar todo o património de fé que o suporta e ao qual o Ano Santo da Misericórdia confere uma actualidade acrescida.

Pe. João Carlos Morgado, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4344, 5 de janeiro de 2016

Paróquia da Penajóia | Tarde de Arte Sacra

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Penajóia cumpriu uma das atividades pastorais programadas para o Tempo da Quaresma, um evento musical – CONCERTO DE ÓRGÃO DE TUBOS – na sua Igreja do Santíssimo Salvador. Aconteceu na tarde do Primeiro Domingo da Quaresma, dia 22 deste mês de Fevereiro. A Igreja desta Paróquia, bela pela sua arte barroca e acolhedora pelo seu sentido religioso foi o espaço perfeito para que penaguienses, convidados e outros pudessem ter assistido a um momento encantador de arte musical que sensibilizou a quem ali esteve presente.

Os organistas Pe. André Pereira e Seminarista do VI ano do Seminário Maior de Lamego, Joel Pedro Valente, ambos com percursos académicos acentuados no campo musical e currículos diversificados, tocaram-nos obras de música clássica com a mestria de melodiosos acordes muito apreciados e aplaudidos numa Igreja cheia e atenta.

O Concerto incluiu também o Grupo Coral da Catedral de Lamego presidido pelo senhor Pe. Marcos Alvim que nos deliciaram com cânticos apropriados para o momento, cânticos entoados como louvor a Deus e de alegria.

Penajóia orgulha-se de ter um órgão de grandes tradições do século XVIII, restaurado no ano 2002, e que foi obra do importante organeiro, Francisco António Soalho, construtor de outros como o órgão da Sé de Lamego, do órgão do Convento de Tibães e do de S. João de Tarouca. Depois do seu restauro, este foi o quarto Concerto realizado entre nós. Um Concerto é tempo que serve de convívio à volta de uma arte muito antiga mas sempre nova como o é a música e que nos proporciona sempre momentos de boa disposição.

Entre os convidados assistiram ao Concerto o Senhor Vigário Geral da Diocese, Monsenhor Joaquim Dias Rebelo; o Senhor Reitor do Seminário Maior de Lamego, Dr. Joaquim Dionísio; o Senhor Presidente da Junta, Dr. Romeu Sequeira; a Senhora Vereadora da Cultura do Município de Lamego, Dr.ª Andrea Santiago; a Senhora Presidente da Junta de Freguesia de Samodães, D. Alzira Sousa Coelho.

O Pároco de Penajóia, Pe. José Fernando Mendes, saudou todos com amizade e agradeceu a disponibilidade dos que contribuíram para que esta tarde tivesse sido ocasião de alegria, tempo de grande prazer espiritual.

Aos Organistas e ao Coro foram oferecidos produtos da Terra, vinho e mel assim como um lanche convívio.

Prof.ª Teresinha, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4302, ano 85/15, de 24 de fevereiro de 2015

Património artístico e religioso: Inventariar, preservar e fruir

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In Voz de Lamego, 21.01.2014

Liturgicamente, o dia 20 de Janeiro é dedicado à memória do Mártir S. Sebastião, Padroeiro principal da nossa diocese. Assinalando o facto, os responsáveis pelo do Departamento diocesano dos Bens Culturais e Patrimoniais organizaram um encontro in(formativo) que decorreu nas instalações do Museu diocesano, frente à Sé: uma conferência a cargo da Dra. Fátima Eusébio, responsável pelo Departamento dos Bens Culturais na diocese de Viseu, a apresentação do Catálogo da exposição, pelo Padre J. Correia Duarte e uma visita à referida exposição. Ao final da tarde, na Sé, celebração da Eucaristia, presidida pelo nosso bispo emérito, D. Jacinto Botelho.

Património: caminhos de fé

A Dra. Fátima Eusébio trabalha há alguns anos na inventariação do património religioso da diocese de Viseu, coordenando uma missão nem sempre fácil, mas necessária e que às vezes chega tarde demais. Com efeito, fruto de algum voluntarismo e de escassa formação e sensibilidade artística, cometeram-se erros graves na preservação do nosso património religioso. Mas também em construções recentes, no que se vai deixar para o futuro: o que é de todos não deve ficar subordinado ao gosto de alguns. E foi para nos falar disso que esteve entre nós, falando para um auditório repleto de gente atenta e disponível para acolher ensinamentos: párocos, seminaristas, membros dos Conselhos pastorais e económicos, técnicos de restauro, estudantes, membros de grupos e movimentos apostólicos…

Falar de património artístico religioso é fazer referência a bens móveis (pinturas, esculturas, alfaias, talha, paramentos, instrumentos musicais, mobiliário, livros, documentos, ourivesaria, joalharia) e a bens imóveis (edifícios de culto e anexos, mosteiros, conventos, paços episcopais, residências paroquiais, complexos educativos e caritativos). Mas a atenção não se pode fixar apenas do edificado ou adquirido; precisamos também olhar para o espaço envolvente. Estamos perante uma diversidade assinalável, nem sempre fácil de preservar: diversidade dos bens e dos intervenientes responsáveis, desconhecimento de quem cuida, escassez de recursos, desleixo, falta de planeamento para a preservação, população mais idosa com pouca força para preservar, menor zelo dos mais novos… Dito de forma simples, não vai ser possível preservar tudo e é urgente planificar e fixar prioridades.

Por outro lado, os nossos espaços de culto foram concebidos tendo em vista a evangelização, a utilização pastoral. E esta dimensão começa a ficar esquecida. Já são muitos aqueles que, diante de uma imagem, de um símbolo, já não conseguem entender. Assim, não basta preservar e divulgar, também é preciso clarificar a função ou o significado dos bens em causa. Esta é também uma das missões dos inventários que se vão fazendo. E isto é importante para se poder fruir dos bens. Trata-se de ajudar a descobrir caminhos de fé através da sacralidade intrínseca dos objectos e obras edificadas.

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Património religioso

In Voz de Lamego, 2014.01.14

Tal como anunciado, o Departamento para os Bens Culturais, Patrimoniais e Arte Sacra da nossa diocese, dia 20 deste mês, com início marcado para as 15h30, uma acção de formação sobre «Os cuidados a ter com a salvaguarda do património religioso». A iniciativa, a realizar no Museu Diocesano de Lamego, é orientada por Maria de Fátima Eusébio, coordenadora do Departamento para os Bens Culturais da Diocese de Viseu.

O património religioso é um dos tesouros “mais importantes” que os antepassados, “movidos por amor a Deus e às almas”, legaram, nesse sentido, “torna-se necessário promover acções de formação que ajudem a redescobrir o valor, a beleza e o cuidado que merece o património religioso”.

Esta acção de formação dirige-se de aos sacerdotes, mas também aos membros dos Conselhos Económicos e Pastorais Paroquiais, bem como a todos aqueles que lidam, com o desafio de conservar, restaurar e promover o património religioso.

Na mesma ocasião, será apresentado o catálogo da exposição, patente no Museu diocesano, sob o tema «Igreja de Lamego, a dimensão da fé», pelo padre Joaquim Correia Duarte, recentemente publicou a História da Igreja de Lamego.

A tarde será encerrada com a celebração da Eucaristia, às 18h30, na Sé, louvando também a intercessão, o exemplo e o testemunho do Mártir S. Sebastião, Padroeiro principal da diocese.