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O ANO DA VIDA CONSAGRADA NA DIOCESE DE LAMEGO

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O ANO DA VIDA CONSAGRADA NA DIOCESE DE LAMEGO

Ser sempre amor em cada dia, ao Teu dispor (1)

O Ano da Vida Consagrada – caminho precioso e abençoado – atravessou o seu zénite, enquanto as vozes dos consagrados e das consagradas de todas as partes do mundo exprimem a alegria da vocação e a fidelidade à sua identidade na Igreja, testemunhada às vezes até ao martírio. (…) O papa Francisco chama-nos, com solicitude, a dirigirmos o olhar da nossa vida para Jesus, mas também a deixarmo-nos olhar por Ele, a fim de “redescobrir, cada dia, que somos depositários de um bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova”. Convida-nos a exercitar o olhar do coração porque “o amor autêntico é sempre contemplativo” (2). (…) Somos convidados, portanto, para um caminho harmonioso que saiba fundir o verdadeiro, o bem, o belo, lá onde algumas vezes parece que o dever, como ética mal entendida, assuma o controlo. (…) a ler dentro das coisas (3), à meditação, para realizar “a obra da arte escondida que é a história de cada um com Deus e com os irmãos, na alegria e no afã de seguir Jesus Cristo na quotidianidade da existência”(4).

A CIRP/CNISP – Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal/Conferência Nacional dos Institutos Seculares em Portugal – nacional, a equipa da CIRP/CNISP diocesana, pelos seus estatutos, deve estimular os Institutos de Vida Consagrada à integração na pastoral diocesana, procurar a animação espiritual dos consagrados e incrementar as relações entre os diversos Institutos existentes na diocese, contribuindo assim para esta “Beleza suprema” de que a Vida Consagrada deve dar testemunho.

O Ano da Vida Consagrada, na nossa diocese, iniciou com a renovação deste secretariado diocesano, que integrou novos elementos. Esta equipa foi muito bem acolhida pelos consagrados e não só, o que se manifestou na activa colaboração de todos com a equipa, nas suas iniciativas, ao longo do ano.

Foi no encontro do Senhor Bispo D. António Couto com os consagrados das comunidades das paróquias de Lamego, a 05.03.2015, no âmbito da sua visita pastoral ao arciprestado, que foi feita à equipa a proposta de se elaborar um desdobrável com informações sobre o carisma de cada Instituto existente na diocese, uma frase dos fundadores, a missão e os contactos, para ser distribuído pelos jovens e pelas paróquias durante o Ano da Vida Consagrada. Ler mais…

PROFETAS que se deixam conduzir por DEUS nos CAMINHOS DO AMOR

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Na Casa de São José – Lamego

Dentro da Semana do Consagrado, o Dia do Consagrado acontece a 02 de Fevereiro, dia da Apresentação do Senhor no templo. Neste ano, este dia coincide com o final do Ano do Consagrado.

Os Consagrados da diocese de Lamego celebraram este Dia no domingo, dia 31 de Janeiro, na Eucaristia das 11h30, na Sé de Lamego, que foi presidida pelo Sr. Bispo D. António José da Rocha Couto e foi concelebrada pelo Vigário episcopal para os Consagrados, Padre José Fernando Saraiva Abrunhosa, pelo Presidente da CIRP/CNISP diocesana, Padre Avelino Silva, pelo Padre Vasco Oliveira Pedrinho, responsável pela Comissão Vocações e Ministérios e pelo Pároco da Sé, Padre José Manuel Ferreira.

Estiveram presentes Servas de Maria e do Coração de Jesus e membros das seguintes Congregações e Institutos Seculares: Beneditinos, Cooperadoras da Família, Filhas de S. Camilo, Filhas do Coração de Maria, Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Franciscanos, Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus (provindas da Meda e de S. Cosmado) e Servas de Nossa Senhora de Fátima, que colaboraram no coro, nas leituras, na recolha das ofertas, no cortejo do Ofertório e, após a Homilia deram graças ao Senhor pelo dom da vocação de consagração que lhes concedeu e renovaram os seus votos, prometendo a Deus e à Igreja continuar a ser fiéis na vida de perfeição que escolheram.

Na admonição de entrada, o Padre Avelino Silva, presidente da CIRP-CNISP diocesana, citando o Papa Francisco, disse que este Ano da Vida Consagrada foi convocado para repropor à Igreja a beleza e a preciosidade desta forma peculiar de seguimento de Cristo que é a Vida Consagrada e que os carismas dos Institutos de Vida Consagrada nunca são dons para encerrar dentro de uma redoma, mas para serem inseridos no dinamismo de uma Igreja “em saída”. Terminou a sua admonição pedindo a oração de todos para que os consagrados sejam cada vez mais fiéis e mais disponíveis para o serviço da Igreja em caminho, sendo sinais da visibilidade do Reino de Deus.

Citando o Sr. Bispo na sua homilia, o consagrado deve ser um filho da Escritura, como Jesus que apenas se dedicou à Escritura e não disse nada que não viesse da Escritura. Jesus transforma a Escritura em Palavra, para que possa entrar nos ouvidos e chegar ao coração, onde é pensada, consumida, saboreada. O profeta é o que faz acontecer a história: quando Jesus citou o provérbio – “Médico, cura-te a ti mesmo”, Luc 4, 23 c – está a dizer que isso vai acontecer na cruz: “Salvou os outros, salve-se a si mesmo” Luc 23, 35 c. Jesus cita ainda outro provérbio: “Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria” Luc 4, 24 c, e logo a seguir começa a desencadear-se a reacção contra Jesus. O que Ele diz cumpre-se. Não interpreta a história passada: Ele cria a história. É assim um profeta. Quando em Jer 1, 5 se diz “Antes de te ter formado no ventre materno (…) Eu te consagrei”, Jeremias é cada um de nós, que estamos no coração de Deus desde sempre. Primeiro, Jeremias e Deus entendem-se bem. Depois, Jeremias responde ao Senhor dizendo que vê um ramo de amendoeira (Cf. Jer 1, 11), porque vê a beleza desta vida no meio dos problemas, das tempestades, do inverno e dos charcos da história. Também os consagrados, como profetas que são, devem ser capazes de ver o belo e o bom e de levar sempre esta beleza e bondade de Deus às pessoas. S. Paulo diz que o Amor é o caminho (Icor 12, 31 – 13, 13). O caminho do Amor é andarmos no amor. O Amor é a expressão máxima de Deus. No primeiro sábado da Sua vida pública, Jesus não disse nada de si próprio, deixando-nos antever o último sábado da Sua vida, em que, no túmulo, aguardando a hora da ressurreição, também não fez nada. Os consagrados, como Jesus, somos igualmente chamados a deixar-nos conduzir por Deus nos caminhos do Amor que Ele nos indicar. Devemos assim uma palavra de muita gratidão aos consagrados, pela sua proximidade e pelo clima de oração que proporcionam a todos.

No final da Missa os consagrados ofereceram ao Sr. Bispo um ramo de amendoeira em flor – que coincidiu maravilhosamente com o que o Sr. Bispo dissera na homilia – e um quadro bordado por uma Irmã, com os dados biográficos do Sr. Bispo D. António manifestou-se muito agradecido por estes presentes singelos que, no final deste Ano do Consagrado, quiseram expressar a união e a amizade dos consagrados desta diocese pelo seu Bispo.

Após a Missa, os consagrados dirigiram-se à Casa de São José aonde almoçaram e conviveram fraternalmente e tiveram com eles o Sr. Bispo e o seu Pró-Vigário, Pe. João Carlos Morgado.

Ir. Teresa, in Voz de Lamego, ano 86/11, n.º 4348, 2 de fevereiro de 2016

D. António Couto no Encerramento do Ano da Vida Consagrada

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  1. O texto do Evangelho de Lucas proclamado e ouvido no Domingo IV do Tempo Comum (Lucas 4,21-30) retoma e continua o «discurso programático» de Jesus na Sinagoga de Nazaré, iniciado no Domingo III. Neste 1.º SÁBADO da sua vida pública, Jesus entrou na Sinagoga, LEVANTOU-SE para fazer a leitura litúrgica dos Profetas (Isaías) e SENTOU-SE para fazer a instrução com base na Lei (Deuteronómio): «HOJE foi cumprida (passivo divino!) esta Escritura nos vossos ouvidos».
  1. O que Jesus faz é o procedimento tradicional do judeu piedoso em dia de SÁBADO, e as palavras que diz são também antigas. Dizendo as Palavras da Escritura e nada acrescentando de novo, Jesus assume-se como «FILHO DA ESCRITURA». As gentes de Nazaré olham, num primeiro momento, este Jesus com apreço e admiração, mas rapidamente passam a uma atitude hostil para com ele, apontando-lhe outra «paternidade»: «Não é este o “FILHO DE JOSÉ”?»; «o que ouvimos dizer que FIZESTE em Cafarnaum, FAZ também aqui na TUA PÁTRIA».
  1. Mas, neste SÁBADO INICIAL, Jesus NÃO FAZ nada de semelhante àquilo que fará nos outros SÁBADOS. Este SÁBADO INICIAL reclama aquele SÁBADO FINAL em que Jesus também NADA FAZ: passá-lo-á inteiramente deitado no sepulcro! E a própria Paixão é exactamente o contrário de uma manifestação de poder: é antes passividade e impotência de Jesus! Ele, que tinha salvado outros, não se salvará a si mesmo! Mas neste SÁBADO INICIAL Jesus continua também a não dizer nada de novo. Cita dois provérbios: «Médico, cura-te a ti mesmo» e «nenhum profeta é bem aceite na sua pátria», sendo que os provérbios são património de todos e de ninguém. Reclama depois a obra de dois Profetas antigos, Elias e Eliseu, para mostrar que também eles NADA FIZERAM para as gentes da SUA PÁTRIA: Elias sai da sua pátria para socorrer uma viúva de Sídon, e Eliseu cura o sírio Naamã, um estrangeiro que o vem procurar na sua pátria. Também Jesus saltará fronteiras e atenderá estrangeiros. Bem ao contrário, Israel e as gentes de Nazaré: cegos, não acolheram a ESCRITURA de ontem como Palavra para eles «HOJE», do mesmo modo que no FILHO DE JOSÉ não souberam ver o Profeta, aquele que, como a Escritura, traz a Palavra. Quebram dessa maneira o laço de união entre o FILHO e a PÁTRIA, terra dos pais. E para vincar melhor a rejeição desta herança que é o seu FILHO, expulsam-no para fora da cidade. Pior ainda, tramam a sua morte: matando o FILHO, renegam a própria paternidade, perdendo assim a sua própria identidade. Perdendo-se, portanto. Da admiração inicial à rejeição final.

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Consagrados | Renovação dos Votos religiosos

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Integrada na Semana do Consagrado – que, neste ano, decorrerá de 26 de Janeiro a 2 de Fevereiro -, no próximo domingo, dia 31 de Janeiro, o Senhor Bispo D. António Couto, presidirá à Eucaristia das 11h30, na Sé de Lamego. Nesta Eucaristia, os consagrados da Diocese presentes renovarão os seus votos religiosos e serão chamados a colaborar especialmente na animação da liturgia.

Todas as pessoas estão convidadas a participar nesta celebração, dando graças ao Senhor pelo dom que este chamamento de especial entrega ao Senhor é, para todas as vocações, de apelo de seguimento de Jesus segundo ao conselhos evangélicos de pobreza generosa, de castidade segundo o estado de vida e de obediência à vontade do Senhor nos caminhos deste mundo.

No final deste Ano da Vida Consagrada, a Igreja de Lamego pede ao Senhor por todos os consagrados para que renovem sempre o seu entusiasmo por Cristo, pela Igreja e pelo mundo, e por todas as famílias e paróquias, para que sejam verdadeiros espaços em que as crianças e jovens a quem Deus chama a uma vida de consagração total possam desabrochar e dizer um SIM sem reservas ao Senhor.

Irmã Teresa Maria de Frias, Serva de Nossa Senhora de Fátima,

secretária da CIRP diocesana,

in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

ANO DOS CONSAGRADOS | Editorial Voz de Lamego | 26 de janeiro

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A Edição da Voz de Lamego, na semana dos Consagrados, 26 de Janeiro a 2 de Fevereiro, dá destaque, a partir da primeira página, ao Ano de Vida Consagrada. Também o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, centra o Editorial no ano dos consagrados, sublinhando que o tempo de semear continua.

Há outros temas de interesse, entre os quais se pode destacar a celebração do Padroeiro da Diocese, São Sebastião, no passado dia 20 de janeiro, na Sé de Lamego, disponibilizando-se a HOMILIA de D. ANTÓNIO COUTO, e as Jornadas do Clero nos dias 18 e 19 de janeiro, que tiveram como conferentes o nosso Bispo e o Pe. Carlos Carneiro, sacerdote Jesuíta.

ANO DOS CONSAGRADOS

Aproxima-se o encerramento do Ano da Vida Consagrada convocado pelo Papa Francisco e proposto aos Consagrados como oportunidade para “olhar com gratidão o passado”, “viver com paixão o presente” e “abraçar com esperança o futuro”.

Na nossa diocese, com uma presença cada vez mais reduzida, os Consagrados viveram tal itinerário com alegria, não apenas nos encontros que protagonizaram ou na divulgação dos respectivos carismas, mas sobretudo pelo empenho com que participam na vida diocesana. A sua presença e serviço, tantas vezes discretos, são sempre apreciados e vistos como sinal do Senhor atento e disponível.

Num tempo marcado pelo secularismo, onde a cultura dominante tem a marca da cristofobia e do anti-católico, rejeitando a dimensão social da fé, os Consagrados são um sinal de Deus e representam a geografia da oração, do apostolado e da caridade, participando na edificação da Igreja e na concretização da sua missão evangelizadora.

Os Consagrados protagonizam uma grande liberdade pessoal, afastando-se de ideologias dominantes e optando por uma vida que não está em voga, sem aplausos. Mas é, certamente, uma forma bela de viver a vida “escondida com Cristo em Deus” (Col 3,3), de ser “sal e luz do mundo” (Mt 5, 13-16) e de encarnar o espírito das bem-aventuranças.

A história ilustra bem a fidelidade criativa dos Consagrados diante de vicissitudes e circunstâncias nem sempre favoráveis. Tal como ontem, também hoje lhes é pedida uma resposta diante dos desafios que se colocam. Com humildade, sem fórmulas mágicas, o importante é não cair em pessimismos contagiosos ou em ilusões triunfalistas. A todos anima a certeza de que Deus não abandona a Sua Igreja.

Termina o Ano da Vida Consagrada. Mais do que balanços, importa a consciência do dever cumprido. O tempo de semear continua.

in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

D. António Couto aos Consagrados: Seguir Jesus no Caminho

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No sábado passado, 24 de outubro de 2015, reunimo-nos cerca de trinta consagrados no Santuário de Nossa Senhora da Lapa, para vivermos uma manhã de reflexão com o nosso Bispo D. António Couto. Este encontro teve o seu momento culminante na Eucaristia, à qual se seguiu um almoço de partilha fraterna entre todos os presentes.

No final, saímos mais ricos e agradecidos, em especial ao Senhor Bispo e também às Irmãs que servem neste santuário, pelo acolhimento e generosidade com que nos receberam.

A reflexão do Senhor Bispo centrou-se no episódio do cego de Jericó (Mc 10, 46-52), evangelho do domingo XXX do Tempo Comum.

Com o pedido insistente do cego, que, quando o mandaram calar, ainda gritava mais por Jesus, Marcos ensina-nos que a nossa oração deve ser insistente e persistente. Ao vê-lo, Jesus disse-lhe, Que queres que Eu te faça? porque nós temos que dizer a nossa vida a Jesus. Marcos ensina-nos, assim, a rezar.

O cego, ao atirar fora o manto, no qual recolhia as moedas, atirou fora tudo o que tinha: ficou sem nada, deu um salto e foi ter com Jesus, o Único que tem soluções fortes para a vida humana. Ficou logo a ver e passou a seguir Jesus no caminho. Estava à beira do caminho e entra no caminho vocacional da missão de Jesus.

Em Mc 10, 35-45, João e Tiago que iam com Jesus no caminho também estavam cegos, ao quererem sentar-se em bons lugares, quando Jesus lhes ensinara que deviam procurar o último lugar. E os outros dez apóstolos, indignados com o pedido destes dois, também eram cegos, e nós com eles, quando nos consideramos melhores que os outros, por sermos consagrados.

Em Mc 10, 28, o evangelho mostra-nos outro cego: Pedro que se dirige a Jesus, dizendo, Nós deixámos tudo e seguimos-Te! Como nós por vezes, Pedro sentia-se com méritos sobre os outros, como se Deus tivesse que nos pagar o que nos deve…

O homem rico (Mc 10, 17-22) é alguém que tão depressa entra no caminho de Jesus, como sai dele, tal como acontece às vezes connosco, inconstantes, quando as coisas não nos correm bem, o que ocorre normalmente pelo apego a alguma coisa.

Como a nós, que também sabemos bem Quem Jesus é, mas tantas vezes nos colocamos à frente d’Ele e não O deixamos andar, nem falar nas nossas vidas – e ninguém pode evangelizar sem ser com Jesus – em Mc 8, 29, Pedro respondeu certo à pergunta de Jesus – E vós, quem dizeis que Eu sou?- mas, de facto, não sabia bem Quem Ele era, pois, logo a seguir, em Mc 8, 32, repreende Jesus quando este lhes fala da Sua Paixão. Jesus responde, Vai para trás de Mim, Satanás! porque Pedro se tinha posto à frente do caminho de Jesus, tinha-se atravessado à frente. Jesus chama-o a tomar o seu lugar de discípulo.

Destes vários cegos, o único que vai vendo alguma coisa é o cego de Jericó…

No seu evangelho, Marcos nunca menciona a palavra discípulo, mas discípulos, pois quer ensinar-nos que o evangelizador não vai sozinho, pois só em comunidade pode viver. A nossa missão é a de arranjar outros evangelizadores, pois qualquer pessoa se pode transformar num evangelizador. O cego não sabia a doutrina nem os mandamentos…

Segui-l’O verdadeiramente é ir buscar outros. Ao ouvir os gritos do cego, Jesus pára: comunga da situação daquela pessoa que ali está, ensinando-nos a fazer o mesmo. O Senhor Bispo terminou a sua reflexão, pedindo-nos insistentemente para irmos à procura das pessoas, começando pelas que se aproximam de nós, sabendo acolhê-las, entusiasmando-as por Cristo e pelo seu evangelho, como Jesus nos ensinou a fazer, para que haja muito mais gente dedicada ao evangelho.

Irmã Teresa Frias, Serva de Nossa Senhora de de Fátima, CIRP diocesana

in Voz de Lamego, ano 85/48, n.º 4335, 27 de outubro

Ano da Vida Consagrada | Testemunho da D. Fernanda

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Neste dia de Festa da Senhora dos Remédios, os consagrados de Lamego foram convidados a participar na Procissão. Foi uma feliz ideia, mas notou-se a falta de participantes das Instituições; talvez porque parte avisados à última da hora.

Neste ano da vida consagrada, há que unir esforços e testemunhar ao mundo as razões de viver, numa entrega a Jesus, ao serviço dos irmãos: pela causa do Reino, liberdade e gratuidade. “Ninguém ama o que não conhece.”

E o Senhor continua a chamar, porque Deus é sempre o mesmo de todos os tempos…

O Papa Francisco pede-nos para sermos fiéis ou dóceis ao Espírito Santo, sendo coerentes na nossa vida, com coragem, vigilância e firmes na fé…

No longo percurso da Procissão, senti que estar ali era uma graça de Deus, acompanhada por tão grande multidão: adultos, idosos, jovens e crianças. Vindos de longe e de perto, alguns choravam, esperando para verem passar a Mãe e os abençoar…

Perante tudo isto pensava: quem sou eu para ir aqui no meio desta assembleia? Senti alguma responsabilidade, mas ao mesmo tempo ia elevando ao Céu uma prece por todos. Em especial pelas famílias, que tantas dificuldades enfrentam. Sim, a família tem que retomar os verdadeiros valores, e sobretudo viver a presença de Deus, colaborando com Ele na criação de novas vidas, formando e educando os filhos para que a sociedade se valorize e assim o mundo se torne melhor… O mundo que Deus criou belo para o homem ser feliz. É das famílias cristãs que nascem as vocações para o matrimónio, o sacerdócio ou a vida consagrada.

Que a Senhora dos Remédios a todos abençoe, a cada um na sua missão, na fidelidade e esperança em Deus que é a nossa força.

Maria Fernanda Costa, Instituto Secular das Cooperadoras da Família,

in Voz de Lamego, ano 85/42, n.º 4329, 15 de setembro

Bicicleta de 12 lugares com religiosos a pedalar por Portugal

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A Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) apresentou hoje um ‘velocípede de 12 lugares’ do Ano da Vida Consagrada, em Vila Nova de Gaia. “Para além de ser um excelente e saudável meio de transporte, de (des)encontros, este velocípede de 12 lugares evocará outro grupo de apóstolos. Vai congregar consagrados(as) que desejem e puderem afetiva e efetivamente pedalar pelos caminhos lusitanos humano-divinos”, explica o presidente da CIRP.

Segundo o responsável, a bicicleta de 12 lugares é um “sinal itinerante” que “ousa facilitar novos diálogos” nos lugares da vida quotidiana dos cidadãos. Neste contexto, os Institutos Religiosos e Seculares querem “ousar romper preconceitos” sobre quem são e o que fazem testemunhando a “genuína fraternidade, a desafiante multiculturalidade” e a “enriquecedora complementaridade na diversidade” através da “alegria” de seguirem Jesus Cristo.

Em pleno Ano da Vida Consagrada, vivido com o lema ‘Vida Consagrada na Igreja Hoje: Evangelho, Profecia e Esperança’, os religiosos vão manifestar a sua “dedicação ao próximo, exercitando a gramática da proximidade e contagiando o abraço de Deus para todos/as e para cada pessoa”, acrescenta o padre Artur Teixeira.

Confiantes na “proteção de Nossa Senhora de Fátima”, a meta desta viagem é o santuário mariano da Cova da Iria, onde esperam chegar a 7 de fevereiro de 2016, coincidindo com a peregrinação nacional de encerramento do Ano da Vida Consagrada em Portugal.

Uma iniciativa que pretende especificamente até 2 de fevereiro de 2016 ajudar institutos religiosos e seculares a concretizarem três grandes objetivos: “Fazer memória agradecida do passado; abraçar o futuro com esperança e viver o presente com paixão.”

in Voz de Lamego, ano 85/39, n.º 4326, 25 de agosto

ANO DA VIDA CONSAGRADA | Encontro e Oração

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Os constantes apelos do nosso Bispo, D. António Couto, em relação ao ano dos consagrados, para que demos testemunho dos nossos carismas ao povo de Deus, na Diocese em que estamos inseridas, entusiasmaram-nos a corresponder como a um convite de Deus.

Despertar nas famílias a beleza da vida consagrada, nos diferentes carismas, grande riqueza da Igreja de Jesus Cristo, para que o conhecimento deste especial chamamento suscite mais vocações ao serviço dos irmãos, era e é o objetivo de qualquer ação, neste ano proposto pelo Papa Francisco.

Assim, a fraternidade das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, ao serviço do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, de acordo com o nosso Reitor, Sr. Dr. João António, aproveitou a data do nascimento da sua Fundadora, Beata Maria Clara do Menino Jesus – 15.06.1843 – para glorificar a Deus e Sua mãe, através da homenagem à Beata Maria Clara. Não podíamos celebrar sós, portas adentro… pois, tornava-se imperativo partilhar a nossa alegria e agradecera Deus, esta portuguesa que tudo deixou para, em Seu nome, legar à sua nação e ao mundo, uma congregação dedicada ao serviço de todos, especialmente dos mais pobres.

Convidados os amigos, colaboradores no serviço do Santuário e o povo da cidade de Lamego, realizou-se a celebração dessa data tão importante para nós, para a Igreja e para o mundo. Com o Santuário repleto, diante do Santíssimo Sacramento exposto, sob a presidência do nosso Reitor, iniciou-se a oração do terço, com uma liturgia apropriada, enriquecida com leituras do evangelho, relatos de testemunhos de vida da Beata Maria Clara, proclamados pelos consagrados/as de diversos Carismas, Sacerdotes, Seminaristas, sr. Comissário da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, adolescentes, jovens, Liga dos Amigos Pró Canonização e leigos. Foi abrilhantada pelo coro do Santuário que lhe imprimiu solenidade profundamente espiritual.

Tudo decorreu num ambiente de partilha e compromisso de melhor servir, louvar e dar glória a Deus que nos oferece o testemunho dos Santos, que não são pertença de ninguém em particular, mas de Deus e da sua Igreja.

Após esse alimento espiritual, os participantes foram convidados a tomar parte num lanche/convívio fraterno, na casa das Irmãs Franciscanas, que decorreu duma forma muito familiar e alegre, onde reinou o espírito de hospitalidade e alegria cristã, tal como poderia ter sido no tempo da Fundadora, Beata Maria Clara.

CONFHIC Lamego, in Voz de Lamego, n.º 4320, ano 85/33, de 30 de junho de 2015

Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição

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  1. Presença

Já andam pela diocese de Lamego desde 1881, quando foram chamadas para o Asilo de Nossa Senhora de Lourdes, em Resende. D. Maria José Pereira dos Santos Fornelos e sua irmã, desejavam estabelecer, na sua enorme casa, um Colégio-asilo para meninas. Chamaram para o dirigir as Irmãs franciscanas hospitaleiras das Trinas. Encerrado, por morte da fundadora da casa, em 1903, ficou o registo de que “sob muitos aspectos, a passagem destas religiosas por esta terra foi muito meritória e benemérita”. Regista ainda a II Crónica do Centenário, (pág. 794) que “a implantação desta obra, em Resende, despertou muitas e boas vocações para a Congregação”. Trinta e seis anos depois, 1939, voltam a prestar os seus serviços no Hospital da Misericórdia e no Asilo de Mendicidade que lhe ficou anexo. Deixados em 1974.

A cidade de Lamego conhece-as, em 1883. Pedidas para o Hospital de D. Luis ou da Misericórdia, são cinco religiosas que chegam a 12 de fevereiro, para assumirem o serviço da instituição.

No ano imediato, novo grupo dá entrada no então chamado Asilo da Infância Desvalida e aí permanece treze anos. Mais tempo ficaria, se a Mesa administrativa confiasse um pouco mais na visão da Superiora Geral e aceitasse a transferência de quem lhe parecia insubstituível… Dois anos depois, é a vez do Asilo de Mendicidade ficar sob a orientação e desempenho da terceira fraternidade de Irmãs.

Sempre os lamecenses tiveram em grande apreço o trabalho destas obreiras do bem. Se dissermos que, nestes 134 anos de permanência, não houve interrupção de presença, apenas fazemos jus à história que registou a sua continuidade até aos nossos dias. Se, em 1910, a sanha revolucionária levou as Irmãs do Asilo de Mendicidade a um hiato de meia dúzia de anos (para reabrir, depois, em Arneirós), não se conhece afastamento das Irmãs do Hospital, nem mesmo durante o período reacionário. É que a população não “permitiu que os fanáticos republicanos tocassem no seu prestígio e as incomodassem na sua ação”. Aguentar-se-ão, ainda, por mais de seis décadas, saindo no decurso da nacionalização do hospital, por março de 1979.

Não foram apenas estas três obras a usufruir do trabalhos das hospitaleiras.

Um pouco mais brandos os ventos republicanos, em fevereiro de 1927, nova fraternidade ruma até Lamego. Por ter obtido um velho solar, doado à Diocese, para, entre outro clausulado, aí ser aberto um colégio para meninas, o Bispo D. Agostinho de Jesus e Sousa pede à Congregação Irmãs para ocupar o imóvel. Não obstante todas as deficiências e dificuldades, o Colégio que iria chamar-se da Imaculada Conceição, entrou em funcionamento com poucas alunas internas e algumas externas. Após seis anos de exercício, a Diocese, por documento assinado pelo Bispo supracitado, com algumas cláusulas, cede o edifício à Congregação.

Entretanto, a fraternidade havia assumido outra instituição anexa – o Patronato Nun’Álvares -, obra que o pároco da Sé, Padre Aníbal Bastos, sonhava para acolher crianças pobres, de idade escolar. Ensinava-se ali a instrução primária, a boa educação e a instrução religiosa, destacando-se, muito depois e por cerca de 40 anos, a Irmã Alda que, na sua dedicação, exerceu de uma forma brilhante, abnegada e generosa, o cargo de docente e diretora escolar.

Um Colégio que sempre deu prestígio a Lamego, enalteceu a educação em Portugal e honrou a Congregação. Em tempo de crise vocacional, por falta de sangue novo, não sem dor, em 2008 o discernimento ditou a retirada das Irmãs, passando a obra para outras mãos. Todavia, embora modificada a fraternidade, as Irmãs não se retiraram de Lamego. Subiram o escadório do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e ali continuam em serviço, oferecendo o apoio requerido e possível que a comunidade se empenha em prestar.

Depois de 1927, a diocese de Lamego recebe outra fraternidade, em 1966. Entra a serviço do Hospital Sub regional de Armamar. 25 anos depois, também porque, já então, os noviciados eram mais reduzidos, as Irmãs terão de abandonar este campo de evangelização.

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  1. Congregação

A Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição foi fundada em Lisboa, a 03 de Maio de1871, pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão (1810-1878) e Madre Maria Clara do Menino Jesus – Libânia o Carmo (1843-1899), teve os seus Estatutos assinados pelo Governo português, como simples Associação de Beneficência, a 22 de Maio de 1874. A 27 de Março de 1876, era aprovada pelo Papa Pio IX, como Congregação de direito pontifício.

O seu fim específico é tornar visível no mundo a ternura e a misericórdia de Deus, servindo a humanidade sofredora, de preferência os mais pobres, exercendo para com todos as obras de misericórdia.

Face a tanta miséria, para a qual era urgente remédio eficaz, o Padre Raimundo, juntamente com D. Libânia do Carmo e um grupo de senhoras terceiras seculares de São Francisco de Assis, recolhidas no Convento de São Patrício, em Lisboa, começaram a ocupar-se da educação de meninas pobres, as mais miseráveis da capital. Havia, porém, necessidade absoluta de cuidar os doentes abandonados em suas casas e pelas ruas.

Assim foi crescendo o projeto de fundar uma Congregação religiosa que se ocupasse destes desvalidos, com total gratuidade, por amor de Deus. Como em Portugal se mantinha a proibição de emitir votos religiosos, recorreram a uma Congregação francesa. Em 1870, seguiu para França um pequeno grupo de senhoras, tendo à frente a Irmã Maria Clara do Menino Jesus (Libânia do Carmo). Feito o noviciado e emitida a profissão, em Calais, regressaram a Lisboa, a 01 de Maio de 1871. A Irmã Maria Clara tomou, então, posse do cargo de Superiora da Casa de S. Patrício, onde começou imediatamente a estabelecer e organizar uma Congregação autónoma, genuinamente portuguesa. Obtida a aprovação pontifícia, foi nomeada Superiora Geral e considerada, desde então, como Fundadora.

Em l878, após a morte do Padre Raimundo Beirão, assumiu totalmente o governo da Congregação, dando-lhe um tal impulso, que, no espaço de 20 anos, encheu Portugal de lés a lés com o serviço dedicado de suas Irmãs, transformando-as, também, nas primeiras missionárias portuguesas. As Hospitaleiras chegaram a Angola em 1883, à Índia, três anos depois, à Guiné-Bissau e a Cabo Verde, em 1893.

Após a Revolução republicana de outubro de 1910, a Congregação, expulsa de Portugal, continuou a expandir-se, a partir de Espanha, encontrando-se hoje em quatro continentes e 15 países: Europa: Portugal, Espanha, Itália; África: Guiné, S. Tomé, Angola, Moçambique, África do Sul; Ásia: Índia, Filipinas, Timor Leste, Indonésia; América: Brasil, Califórnia, México.

Irmã Maria Lucília de Carvalho, Fhic

in Voz de Lamego, n.º 4313, ano 85/26, de 12 de maio de 2015