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Posts Tagged ‘Agradecimento’

Editorial Voz de Lamego: a vida a partir do fim

O futuro a Deus pertence. Podemos vislumbrar o dia de amanhã, com a incerteza, o mistério e a surpresa que é sempre o futuro, mas a nossa vida daqui a 10 anos, ou daqui a 20, 30, 40 anos, a partir da nossa morte, do nosso fim biológico/terreno (ou mesmo a partir da eternidade de Deus) torna-se uma tarefa árdua, mas não deixa de ser uma provocação.

Num retiro do Seminário, o D. João Evangelista Salvador, então sacerdote da Diocese de Coimbra e atual Bispo de Angra, ao testemunhar o dom da sua vocação, as dúvidas e incertezas, e o que o levou em definitivo a avançar foi uma conversa com um irmão que o convidou a ver-se no futuro e a olhar a vida desde o fim. O mesmo exercício nos foi proposto. Chegado ao fim da vida, ao olhar para trás, o que gostaria de ter sido, o que gostaria de ter feito, que escolhas teria realizado. Ver-se a partir de Deus, do Definitivo, do Eterno, olhar através dos olhos de Deus, para toda a vida passada (ainda por viver). Chegou à conclusão, vendo a partir do fim, que gostava de viver numa lógica de Infinito, as realidades últimas. Todas as escolhas humanas são dignas, cada pessoa há de seguir o caminho que mais o aproxima de Deus. Ele sentiu que a vida que mais o colocava nas realidades últimas, era a opção pelo sacerdócio ordenado.

São Francisco de Borja acompanhou o corpo de D. Isabel de Portugal para a sepultura real, em Granada. A rainha era adulada por uma beleza inigualável, mas na morte, diante do cadáver, já em decomposição, ficou chocado com algo comum a todos as pessoas: a degradação física e a fealdade da morte biológica. Decidiu “não servir nunca mais a um senhor que pudesse morrer”. Viria a tornar-se santo. Olhou a vida a partir do fim, neste caso, o fim terreno e mortal da Imperatriz Isabel.

Este era o Editorial pensado para esta semana, semana em que o Senhor da Vida chamou a Si a minha querida Mãe e, obviamente, também isso me faz olhar a vida a partir do fim duma forma mais emotiva, sabendo que o tempo vai deixando pelo caminho pessoas que fazem parte da nossa vida, confiando-as ao verdadeiro e eterno Fim, para que se tornem ainda mais próximas. Oportunidade também, neste espaço, para agradecer a oração, a amizade e a comunhão de todos os quiseram fazer-se próximos e que confiaram a minha Mãe à Mãe do Céu. Que o Deus do Fim e de todos os começos e recomeços nos conceda a alegria e a paz, a luz e o amor, e nos faça amar os que Ele ama infinitamente e servi-los de todo o coração.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/01, n.º 4487, 27 de novembro de 2018

Começar em jeito de agradecimento | Editorial Voz de Lamego

A missão evangelizadora da Igreja diz respeito a todos, por maioria de razão aos ministros ordenados, comprometidos precisamente com o anúncio do Evangelho, a começar pelo Bispo, estendendo-se ao presbitério e aos diáconos, conjugando a pregação com a caridade e com a santificação do povo de Deus, ao qual todos pertencemos como batizados. É uma missão de todos e a todos se destina. Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura.

Neste âmbito fui chamado a assumir a direção da Voz de Lamego, sucedendo ao reverendo Cónego Joaquim Dionísio que, durante 5 anos, nos fez chegar notícias da diocese e da região, da Igreja e do mundo, bem como reflexões pertinentes sobre a vida, a igreja, a fé, a cultura, a comunicação, a educação, contando com colaboradores diretos, como o reverendo Pe. Hermínio, designer e responsável pela imagem do Jornal, pela sua paginação, pela estética que desafia a folhear e a ler a nossa Voz Lamego, como a D. Aniceta, funcionária do Jornal, fundamental para na recolha e preparação final de textos, na gestão de assinantes, no atendimento a quem nos visita, na captação de publicidade.

O jornal diocesano chegou até hoje graças ao empenho e engenho de muitas pessoas. Como diocesano e como sacerdote, sublinho o trabalho realizado e que agora me responsabiliza e compromete. Continuo a contar com todos, com o meu antecessor imediato, Cónego Dionísio, com o Pe. Hermínio, com a D. Aniceta e com todos os nossos colaboradores que assinam crónicas, que redigem e nos enviam notícias, que nos fazem chegar fotografias para ilustrar os textos e com aqueles, pessoas e entidades, que equilibram a contabilidade do nosso jornal, ao contrataram espaços para publicitar e/ou divulgar os seus produtos e trabalhos.

Ao Monsenhor Armando Ribeiro – que já esteve nesta missão como Diretor e que sabe os contornos com que se gere um jornal – agradecemos a generosidade e boa vontade com a qual continuamos a beneficiar, nas sugestões pertinentes, na correção de provas, na promoção da língua portuguesa e na relevância da Voz de Lamego.

Que o Deus de toda a paz nos conceda a audácia, a sabedoria e alegria de continuarmos a servir a Palavra de Deus através da Voz de Lamego, divulgando a região, sempre com um olhar de bênção, de gratidão e louvor ao Senhor da Vida. Que os nossos colaboradores se sintam compensados por cada palavra que ajuda a aproximar, a refletir, a viver, a estreitar laços, a construir pontes! Que os nossos assinantes e os nossos leitores se sintam parte essencial deste projeto diocesano. Muito obrigado. Que Deus vos abençoe a todos e a todos Vos conceda saúde, paz e alegria.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 88/36, n.º 4473, 21 de agosto de 2018

Paróquia de Avões: Pe. Silvestre, 48 anos de serviço

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No domingo, Avões viveu mais um dia de festa. Muita alegria e muitas lágrimas, depois de 48 anos, a última missa dominical presidida como pároco Sr. Padre Silvestre.

Pelas 10 horas da manhã, a igreja começou a encher- se de paroquianos e, passado meia hora, deu-se início à santa missa. Esta contou com uma munição lida por um leigo, que em geral agradecia a dedicação e empenho do Sr. Padre Silvestre ao longo dos 48 anos que conta nesta paróquia.

Na homilia, o Sr. Padre falou-nos do poder da fé e relembrou os melhores momentos.

Durante a acção de graças, foi entregue ao Sr. Padre uma pequena lembrança dos seus paroquianos. E o grupo do 10º ano de catequese, sempre muito atencioso, também lhe entregou um pequeno texto como forma de recordação. Seguiu-se mais um momento muito emotivo: a entrega de um ramo com 48 rosas ao Sr. Padre, pela mesma senhora que há 48 anos o recebeu com uma bandeja de flores.

Depois do Sr. Padre se despedir, seguimos para o centro paroquial para um almoço convívio muito simples, mas feito com muito carinho.

OBRIGADO SR. PADRE SILVESTRE!

Tina Caetano, in Voz de Lamego, ano 85/42, n.º 4329, 15 de setembro