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Desumanização e comodidade | Editorial Voz de Lamego | 7.02.2017

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Na ordem do dia, a temática da Eutanásia. A Voz de Lamego destaca o tema na primeira página, mas também no interior. No Editorial, o Pe. Joaquim Dionísio reflete sobre esta temática, com os riscos envolvidos, com o seguidismo de alguns face a outros países, introduzindo um assunto para eventualmente ter mais um tempo de antena, acentuando-se a perda de valores e de referências, numa sociedade capaz de matar crianças por nascer e anciãos, muitas vezes por mera questão de comodidade.

DESUMANIZAÇÃO E COMODIDADE

O debate sobre a eutanásia estava prometido e era esperado, atendendo à movimentação dos promotores e à disponibilidade dos políticos para o concretizar. Poderá não avançar tão rapidamente como alguns o desejam, mas o tema vai fazer caminho e, mais tarde ou mais cedo, lá se vai conseguir legislar nesse sentido, com o argumento decisivo de que tal disposição legal não obriga quem pensa de outra forma e defende a opção de quem deseja antecipar a morte.

Os bispos portugueses, defendendo o sim à vida e alertando para a crescente desumanização, têm pedido um debate alargado e sereno com vista à necessária e desejada (in)formação.

A discussão agora iniciada não é uma total surpresa, se atendermos ao seguidismo de alguns face a outros países, à perda de valores e da perspectiva da eternidade, à comodidade observada e à solidão imposta, ao declínio da família e à ausência do apoio familiar, ao medo diante da fragilidade e da perda de atributos físicos, à descida da natalidade e ao abandono dos anciãos…

A eutanásia tende a impor-se disfarçada da veste humanista e apregoa o “morrer com dignidade”. O que agora é olhado como um mal (suspensão dos cuidados médicos, injecção letal, suicídio assistido, ajudar a morrer “com dignidade” doentes incuráveis e anciãos “inúteis”), vai parecer, daqui a algum tempo, algo natural e, até, louvável!

Na introdução ao livro “Contra a eutanásia” (Multinova, 2016), recorda-se que em certos grupos esquimós, quando chegava a fome, os idosos se afastavam voluntariamente e aceitavam morrer de frio, na neve e na solidão, para proporcionar a sobrevivência às crianças. Mas a nossa sociedade, conclui autor, “é capaz de fazer morrer, ao mesmo tempo, as crianças ainda por nascer e os anciãos por razões de comodidade”.

in Voz de Lamego, ano 87/13, n.º 4398, 7 de fevereiro de 2017

Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade – Revogar porquê?

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COMUNICADO

Lei de Apoio à Maternidade e Paternidade – Pelo Direito a Nascer – Revogar porquê?

1 – Este início da XIII Legislatura está marcado por um retrocesso civilizacional gritante – Revogação de Lei do Apoio à Maternidade e Paternidade – Pelo Direito a Nascer.

2 – Graças a uma grande movimentação cívica foi levada ao Parlamento a Lei do Apoio à Maternidade e Paternidade – Pelo Direito a Nascer. Após cumpridos todos os requisitos da Iniciativa Legislativa de Cidadãos e da Constituição Portuguesa, tal I.L.C. viria a dar origem, com o voto da maioria no Parlamento e posterior promulgação do Presidente da República, à Lei n.º136/2015.

3 – Trata-se de uma lei que, em síntese:

a) Afirma o valor social da Maternidade e Paternidade e consequentes responsabilidades que daí advêm para o Estado e para a Sociedade;

b) Cria mecanismo de apoio à Maternidade e Paternidade em período de discernimento;

c) Revoga o afastamento compulsivo dos profissionais de saúde, quando estes se declaram objectores de consciência.

4 – Este quadro de apoio à Maternidade e Paternidade foi desenvolvido numa postura de respeito pela pergunta do passado referendo de 2007.

5 – Porém, numa atitude ideológica, cega e sem qualquer pingo de solidariedade é agora apresentado o Projecto-Lei n.º4/XIII (PS) que, em suma:

a)Omite totalmente que tal lei resulta de uma Iniciativa Legislativa Cidadãos subscrita por cerca de 50.000 eleitores;

b)Nega o reconhecimento do valor social da Maternidade e Paternidade;

c)Revoga o apoio à Maternidade e à Paternidade;

d)Afasta compulsivamente médicos e enfermeiros objectores de consciência, do acompanhamento clínico às suas pacientes.

6 – Trata-se de um diploma sem humanismo, violento, violador das melhores práticas clínicas e da solidariedade social que este Séc. XXI tanto reclama.

7 – Num tempo em que o consentimento informado, a medicina de proximidade, a patient advocacye o humanismo na prática clínica são reclamados em todo o mundo ocidental como caminho de Futuro, vem agora este Projecto-Lei negar às mulheres que se encontram nas dificuldades próprias do drama da I.V.G., o apoio, a ajuda e o aconselhamento que em cada caso poderia e deveria ser dado.

8 – Só há Liberdade se forem conhecidas e conseguidas, as condições necessárias à escolha. No caminho que é único não há escolha, não há Liberdade.

Sem informação, sem alternativas, sem apoio a I.V.G. nunca será por livre vontade da mulher, mas sim imposta por uma Sociedade e um Estado que negam à Mulher apoio numa hora de necessidade.

9 – Em nenhum país da Europa a I.V.G. é tratada com a frieza, a falta de solidariedade e desprezo como a que estava plasmada na lei portuguesa, e agora se quer repor.

Voltamos assim aos dias em que à grávida em dificuldade o Estado nada mais oferece do que o aborto.

Aparentemente, para os proponentes deste projecto-lei é mais importante a ideologia do que o drama de tantas mulheres empurradas para o aborto pela falta de apoio da Sociedade e do Estado.

10 – Dos Srs. Deputados que sabem e têm consciência do valor civilizacional da Maternidade e Paternidade e respeitam a longa tradição de Liberdade dos respectivos partidos políticos, espera este Povo, que levou ao Parlamento a Iniciativa Legislativa de Cidadãos, um voto de rejeição a tão retrógrado e violento Projecto-Lei.

A Comissão Executiva da Iniciativa Legislativa de Cidadãos

in Voz de Lamego, ano 85/52, n.º 4339, 24 de novembro