Editorial da Voz de Lamego: O encontro com o Senhor do Tempo

O tempo é uma espécie de espiral que se enlaça entre lutos e vidas novas, entre fins de ciclos que nos conduzem para novas situações e novos projetos. Com efeito, como seres humanos somos constituídos no tempo e inseridos no espaço, somos presente, enraizados no passado e impelidos para o futuro. As memórias solidificam o que somos e as capacidades que temos, permitem-nos caminhar entre as coisas boas que já fizemos, as menos boas que queremos e podemos evitar, para que na atualidade não sejamos fantasmas do que fomos. Por outro lado, como o amanhã pertence a Deus, olhamos para o futuro com esperança, pois Aquele que está no início também vai estar à nossa espera no final do caminho; Quem nos gerou para vida também garantirá que a nossa vida não se perde.

No final do ano litúrgico, particularmente nas parábolas de Jesus, que o Evangelho nos serve aos Domingos, somos colocados diante do Senhor do Tempo, como Juiz benevolente e Pai misericordioso.

No entretanto, sem Se ausentar, alheado e distante, Deus confia-nos o mundo, dá-nos o tempo, gratuitamente, os dons e os talentos, para que cuidemos uns dos outros e para administrarmos os bens da criação. A perspetiva não é o açambarcamento, mas a partilha que multiplica o que se dá! Como sublinha D. António Couto, o pecado dos primeiros pais não foi o comerem do fruto da árvore, mas o facto de o recolherem e o reterem só para si mesmos, sem deixar nada para outros. O que Deus dá não é para esconder, para guardar, mas para dividir. O que guardamos perde-se, o que damos multiplica-se.

No final da caminhada, Ele estará, como sempre, à nossa espera. Ajustamos contas, não com um estranho, mas com Alguém que nos conhece e que conhecemos. Precede-nos na vida e espera por nós para nos acolher na Sua habitação eterna.

O Reino de Deus é comparável a 10 virgens que esperam para receber e acompanhar o noivo ao banquete nupcial. Esperamos, não de braços cruzados, mas ativamente, vigilantes. Quem vai para mar prepara-se em terra. Parte do grupo prepara-se e leva azeite nas candeias e de reserva nas almotolias. As outras apostam na sorte: ou que o noivo venha cedo ou alguém possa ajudá-las caso fiquem sem azeite. Na verdade, somos responsáveis uns pelos outros. Mas há a responsabilidade pessoal, os outros não nos substituem, não vivem por nós. Deus não vive na nossa vez.

O reino de Deus é comparável àquele homem que partiu de viagem e confiou cinco talentos a um servo, dois a outro e um a outro. Os primeiros duplicaram o valor. O último, com medo, escondeu o talento, não produzindo. Não arriscou nada. O cristão é alguém que tem que arriscar. [Cf. Homilia do Papa Francisco no Dia Mundial dos Pobres, na página sete desta edição] O que nos é dado não é para devolver a Deus como Ele no-lo confiou, mas para o multiplicarmos, no cuidado por toda a criação, especialmente pela humanidade, e sobretudo na atenção privilegiada aos mais pobres, ao jeito de Jesus, traduzível na práticas das obras de misericórdia. No final seremos julgados pelo que fizemos aos mais pobres. É Jesus quem no-lo diz: o que fizeste aos mais pequeninos foi a Mim que o fizeste. A vida eterna começa em terra. O amanhã decide-se hoje, o final inicia-se na história e no tempo para que diante do Senhor do Tempo a nossa vida lhe seja entregue preenchida de amor.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/02, n.º 4584, 17 de novembro de 2020

Editorial Voz de Lamego: Trump e Biden, conspirações e palhaçadas

Uma das notícias destes dias é a eleição do novo Presidente dos EUA, que tudo indica será Joe Biden, candidato democrata, derrotando o até aqui Presidente republicano Donald Trump. Lance-se o fogo de artifício, o mundo está a mudar! Agora até a pandemia vai chegar ao fim! A economia vai integrar os milhões de pobres; a liberdade, a igualdade e a fraternidade terão de novo cidadania!

Uma dose de confiança faz-nos bem, mas talvez o Presidente dos EUA, seja ele quem for, esteja mais preocupado com as intrigas internas, com a manutenção do status quo dos membros do partido, nos faça perceber que o país continua a dominar o mundo, e exiba acordos de paz, enquanto vende armamento armazenado para renovar os seus novos arsenais.

Isto pode parecer cinismo! Uma dose de esperança, ou de expetativa, faz-nos bem, porque nos mobiliza e nos empenha na transformação do mundo. No dia em que deixarmos de acreditar, começaremos a morrer. A eleição do Presidente da maior potência do mundo deve ser vista como um motivo de esperança e, por maioria de razão, quando chega ao final um dos mais controversos mandatos presidenciais.

Os norte-americanos são peritos em teorias da conspiração. Donalt Trump potenciou ao máximo estas teorias. Conspirações nas eleições, nas anteriores e nas atuais, conspirações na “criação” e expansão do contágio do novo corona vírus. Não é o primeiro a atribuir uma situação negativa, por culpa própria ou alheia, a conspirações, que muitas vezes não passam de desculpas e justificações. Não é exclusivo dos EUA, em muitos outros países acontece, em ditaduras, mas também em democracias, nos partidos, nos clubes e na Igreja. Há quem suspeite de tudo e de todos, numa preocupação excessiva por manter o estatuto ou o poder, há líderes (fracos) que veem conspiração em toda a parte, sentem-se ameaçados ou inseguros, esperam aplausos por tudo e por todos, independentemente dos méritos, não admitindo ideias diferentes, alternativas, visões que ajudem a melhorar as coisas. Claro que as conspirações existem, como sempre existiram, e, na maioria das vezes, vêm dos círculos mais próximos.

Mas, por outro lado, eu só votaria no Biden como se fosse um mal menor. No primeiro debate entre os dois candidatos, Joe Biden nunca olhou nos olhos do seu adversário e a única frase relevante que fixei foi: cale-se, palhaço. Cale-se, palhaço! Um candidato a Presidente da maior potência do mundo, com idade para ter juízo, chamar palhaço ao ainda Presidente, é no mínimo surrealista!

Que lições podemos tirar destas duas personagens?

Para nós cristãos o modelo por excelência é Jesus. São paradigmáticas as palavras de Jesus aos Seus discípulos, desejosos de constituírem um grupo fechado, excluindo outros, mesmo que façam o bem: “Ninguém fará uma ação em Meu nome e logo de seguida dizer mal de Mim; quem não é contra nós, é a nosso favor” (Mc 9, 39-40). Jesus Cristo, no final, foi vítima de conspiração, mas em nenhum momento Se deixou manietar pelos adversários ou mesmo pelos discípulos, sabia de que somos feitos, mas ainda assim apostou e aposta em nós, porque em nós habita a Sua santidade, ainda que sejamos habitados também pelas nossas limitações e pelo nosso egoísmo.

Não sei se aprenderíamos com o Biden a lidar com os nossos adversários, mas aprendemos com Jesus. Ele olha-nos nos olhos. O olhar de Jesus é uma constante. Olhos nos olhos. Mesmo os Seus adversários sentem um olhar terno, próximo, transparente. Quem não consegue olhar os outros nos olhos só pode esconder uma grande insegurança ou uma grande mentira.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/01, n.º 4583, 10 de novembro de 2020

Falecimento da Mãe do Pe. Vasco Pedrinho


Deus, na Sua infinda Misericórdia, na Sua infinita Sabedoria, chamou à Sua presença, no dia 10 de novembro, a Sra. D. Abília de Oliveira, mãe do reverendo Pe. Vasco Oliveira Pedrinho, que é pároco de Alvarenga, de Cabril, de Ester e de Parada de Ester e é natural da Paróquia de Magueija.

O Sr. Bispo, D. António Couto, em nome do presbitério de Lamego e da Diocese manifesta as suas condolências ao reverendo Padre Vasco, aos demais familiares e amigos, unindo-se neste momento de dor, mas igualmente ressalvando a esperança na ressurreição dos mortos e a vida eterna, confiando esta nossa irmã ao Deus da vida. À família, que sempre viveu num ambiente de fé e de forte ligação à Igreja, o Sr. Bispo agradece o testemunho da vivência cristã e a fidelidade e serviço à Igreja, certo que a Sra. Abília continua, agora na eternidade, a fazer parte dos que pertencem a Cristo e com Ele morreram e ressuscitaram, no Batismo e, depois, para a vida eterna.

As Exéquias fúnebres realizam-se em dia de São Martinho, na Igreja Matriz de Santiago de Magueija, pelas 15h00, prosseguindo o funeral no cemitério local.

Deus lhe conceda a vida eterna e aos seus familiares e amigos a consolação das palavras da fé.

Padre Domingos da Silva Pereira » 1928 – 2020

Deus, na Sua Misericórdia infinita, fez regressar a Casa o Seu filho Domingos da Silva Pereira, sacerdote, neste dia 5 de novembro de 2020, em vésperas de completar 93 anos de idade. Nasceu a 30 de dezembro de 1928, na paróquia de Magueija, onde irá a sepultar, a 6 de novembro, pelas 15h00, seguindo as normas da Direção Geral de Saúde e as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

Foi ordenado sacerdote a 6 de julho de 1952.

Durante anos foi ecónomo do Seminário Maior de Lamego.

Nos últimos anos acolheu-se às Lareiras – Centro Social Filhas de São Camilo (As Lareiras).

O Sr. Bispo, D. António Couto, em comunhão com o presbitério e com a diocese de Lamego, a que preside, manifesta as condolências aos familiares e amigos, sublinhando a esperança na Ressurreição e na Vida eterna. A Deus confia a vida deste irmão no batismo e no sacerdócio, agradecendo o dom da vida e do ministério sacerdotal, convidando-nos à oração confiante, na certeza da fé numa vida que não acaba, mas se transforma, como diz São Paulo, para que, desfeita a morada terreste, entremos, em definitivo, na habitação eterna, não feita por mãos humanas, mas pelo amor infindo de Deus.

Ao Padre Domingos, Deus lhe conceda o prémio dos justos e a todos quantos choram a sua partida deste mundo a consolação das palavras da fé, na esperança de um dia nos encontrarmos todos na comunhão com Deus, nosso Pai, em Jesus Cristo, nosso irmão, na ação do Espírito Santo.

Editorial Voz de Lamego: Esquecer a morte é morrer

Atravessamos o mês de novembro, mês das almas. Iniciámo-lo com a Solenidade de Todos os Santos e com a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Dois dias que nos falam especialmente do fim, mas também de um caminho que nos levará à presença definitiva junto de Deus.

São dias, ou um mês, em que o cemitério recebe mais visitas, ainda que haja quem o faça muitas vezes. Alguns porque ainda não conseguiram recompor-se da “partida”, outros, porque fizeram disso um ritual de luto, pois sabem que existiu uma história que as levou ali, mas não acaba ali. Pessoas que, mesmo recompostas, recordam e saúdam aqueles com quem construíram a vida e partem da visita ao cemitério com a certeza de que vida continua, com novas memórias, que não destroem as anteriores, mas que permitem viver com gratidão e firmeza.

A comemoração dos fiéis defuntos, em particular, recorda-nos da fragilidade e finitude; é oportunidade de gratidão para com aqueles que nos trouxeram à vida e nos legaram valores, nos introduziram na sociedade, nos enxertaram na fé. É um desafio a construirmos um mundo melhor, mais fraterno e saudável, para o “passarmos” aos nossos filhos e netos, para que também eles construam a história.

Aproveitando as memórias das redes socias, recuperamos uma intervenção do Papa Francisco, há pouco mais de um ano que nos faz refletir sobre a morte, sobre o fim. “É a morte que permite que a vida permaneça viva! É o fim que permite que uma história seja escrita, um quadro pintado, que dois corpos se abracem”. Mas o fim, alerta o Santo Padre, “não está só no final. Talvez devêssemos prestar atenção a cada pequeno fim da vida quotidiana. Não só no final da história, que nunca sabemos quando termina, mas no final de cada palavra, no final de cada silêncio, de cada página que se escreve. Só uma vida que é consciente deste instante que termina, torna este instante eterno”.

Quando visitamos um cemitério, quando participamos num funeral, quando vemos morrer aqueles que caminham ao nosso lado, mais facilmente nos lembramos que um dia também o nosso fim chegará. Lamentamos, tomamos consciência que há muitas coisas que não valem a pena. Mas passa o momento e voltamos aos nossos afazeres, preocupações e azáfamas.

Vale a pena prosseguir com a reflexão do Papa, que nos diz que a morte nos faz saber da impossibilidade de ser, compreender e englobar tudo, “é uma bofetada na nossa ilusão de omnipotência. Ensina-nos na vida a relacionarmo-nos com o mistério. A confiança de pular no vazio e perceber que não caímos, que não afundamos, que desde sempre e para sempre há Alguém ali para nos sustentar. Antes e depois do fim”. O mundo atual sacraliza a autonomia, a autossuficiência, a autorrealização, centra-nos em nós, faz-nos pensar que somos o fim, que não adianta pensar no final, o que faz com que vivamos como se fossemos os donos disto tudo, agindo como nos dá na real gana, sem pensarmos no fim. “Uma cultura que esquece a morte começa a morrer por dentro. Aquele que esquece a morte já começou a morrer. As três mortes que nos esvaziam a vida! A morte de cada instante. A morte do ego. E a morte de um mundo que dá lugar a um novo. Lembrai-vos, se a morte não tem a última palavra, é porque na vida aprendemos a morrer pelo outro”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/47, n.º 4582, 3 de novembro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Fraternidade, fonte de liberdade e igualdade

Esta é uma das expressões do nosso Bispo, na missa crismal, no dia 5 de outubro, e que deu tom e cor à sua homilia, partindo da recente Carta Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti”, todos irmãos.

A receção ao documento do Papa vai-se fazendo, dentro e fora do âmbito da Igreja, com diferentes sublinhados e, como sempre, algumas polarizações. Ao nosso jornal também vão chegando algumas reflexões que incidem ou partem desta Carta.

São Francisco de Assis desafia-nos a tratar como irmãos o Sol, o mar, o vento, os passarinhos, e irmão de todos, a começar pelos pequeninos, pobres, doentes, abandonados, descartados, dos últimos, pois essa foi a opção de Jesus, essa há de ser a opção preferencial dos cristãos. Diz o Papa, “a fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs”.

O nosso Bispo, na missa crismal e, no passado sábado, nas Jornadas Nacionais de Catequistas, sublinhou que a fraternidade é o sustentáculo da igualdade e da liberdade, sugerindo que ao tríptico da revolução francesa e do iluminismo deveria subtrair a fraternidade. E porquê? Porque se Deus foi retirado da equação, então não há como justificar, defender ou propor a fraternidade. Sem Deus, sem Pai, não há filhos! Se não temos um Pai comum, não podemos ser irmãos. A fraternidade supõe a filiação. Se não somos filhos, como é que poderemos ser irmãos, construir a fraternidade (comunidade de irmãos).

Claro que, sem fraternidade, a igualdade e a liberdade não têm um fundamento sólido, duradouro e definitivo. Com efeito, a fraternidade é o cimento da igualdade e da liberdade. Se não somos irmãos, porquê preocupar-nos com estranhos? Refira-se ainda assim que a sobrevivência do mundo depende de todos, o bem ou o mal que faço vai afetar o outro, vai decidir que o mundo é destruído ou se é contruído.

Do mesmo modo a liberdade. Se a liberdade se apoia em mim ou em ti, se se apoia nas normas de um país ou de uma ideologia, será uma liberdade a prazo, pois basta mudar a pessoa que tem mais poder para que também esta adquira outras feições. Sem a fraternidade, a lei do mais forte ganha terreno, manda quem pode.

“Como crentes, diz-nos o Papa, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo á fraternidade” (272).

D. António, por sua vez, salienta que a raiz da fraternidade e essência da família é o amor eterno e verdadeiro. E o lugar humana onde se manifesta a fraternidade é a família. “Os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais, e são iguais não obstante as suas acentuadas diferenças; são iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito; são diferentes mas são iguais, são iguais não devido a isto que fazem, ao seu currículo e ao seu trabalho, mas devido ao amor dos seus pais, que os faz iguais, que os torna iguais”. E também em função do amor fontal de Deus Pai, somos filhos de Deus, filhos no Filho, é esse amor primeiro que que nos torna livres e iguais. Deus não tem netos nem sobrinhos. Somos todos irmãos, porque somos todos filhos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/46, n.º 4581, 27 de outubro de 2020

Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro começa na quinta-feira

Porque muitas das iniciativas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) organizava não puderam decorrer por causa da pandemia de covid-19, e porque o apoio aos doentes e famílias está muito mais dependente do peditório nacional, a LPCC apela à generosidade dos portugueses para o peditório nacional que arranca na próxima quinta-feira, dia 29 de outubro, e termina na segunda-feira, 2 de novembro.

Os voluntários que em Moimenta da Beira andarão no terreno, cumprirão, como se impõe, todas as medidas de proteção de modo a impedir o contágio por causa da pandemia.

— 

Rui Bondoso

(Gabinete de Comunicação)
Câmara Municipal de Moimenta da Beira
www.cm-moimenta.pt

Editorial da Voz de Lamego: Stayaway Covid

Foi apresentado o Orçamento de Estado para o ano de 2021, num contexto difícil para Portugal e para o mundo, com um horizonte de futuro condicionado pela pandemia do novo coronavírus. Não me cabe a mim, nem é este o lugar para tal, discutir as virtualidades ou as limitações orçamentais. Há outros que o farão com muito mais fundamento, ainda que sempre prevaleça a janela de onde falam, refletem, discutem.

Entrou em vigor, na passada quinta-feira, 15 de outubro, o Estado de Calamidade. Duas medidas sobressaíram de imediato: o uso obrigatório de máscara nos espaços onde/quando não for possível manter a distância física de dois metros e a “obrigatoriedade” da aplicação “Stayaway Covid”. Instalei a referida aplicação logo que ficou disponível para o sistema operativo do meu telemóvel. Era uma recomendação. Poderá passar a ser uma obrigação, pelo menos no contexto escolar e profissional. Pensei que era mais difícil usar a máscara durante um dia inteiro, mas para meu espanto, afinal a aplicação pode pôr em causa a privacidade! E até, por momentos, deixámos de falar no Orçamento de Estado, uma ferramenta para as pessoas e famílias, para as empresas, com todas as incertezas quanto à evolução epidemiológica.

A aplicação, mesmo como recomendação, depende do bom uso da mesma, não isenta de outras responsabilidades e compromissos, como o distanciamento físico, o uso de máscara (em muitos contextos), a expressão dos afetos, os comportamentos em ambientes com algumas/muitas pessoas. A privacidade é um direito. Há pessoas que expõem as suas vidas ao segundo, o que estão a fazer, o que comem, o que vestem, que marcas usam, onde estão; opinam sobre tudo, sobre todos, valorizam as niquices e desvalorizam o que é essencial para os outros. Mas algo que é “imposto” para o bem de todos, faz esquecer que a nossa vida já está exposta de mil maneiras, que nos impõem valores, princípios e modas, através de leis, aprovadas quando ninguém está a ver, através de campanhas de des-informação, spots publicitários, direitos de antena, comentário nos órgãos de comunicação social. Como não evocar o episódio dos pais que acharam oportuno intervir na educação dos filhos, recusando o conteúdo de uma disciplina… e como logo se levantaram vozes, campanhas, acusações contra os pais por se oporem, pelo direito que têm a escolher a edução para os filhos, a um conteúdo específico…

Vem-me à lembrança outro episódio, este bíblico. O general Naaman é estimado pelo seu rei e pelo povo da Síria, é valente e robusto, mas tem lepra. Guiam-no até ao profeta Eliseu, que lhe manda dizer, por um mensageiro, que vá banhar-se sete vezes no rio Jordão. Começa a contestação: Porque é que Eliseu não se dignou recebê-lo pessoalmente? E porquê lavar-se no rio Jordão e não num rio do seu país? A resposta dos servos de Naaman é clarificadora: «Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse mandado uma coisa difícil, não a deveria fazer? Quanto mais, agora, ao dizer-te: ‘lava-te e ficarás curado’» (2Reis 5, 1-23). Difícil seria voltarmos a estar confinados em casa! Usar uma aplicação, para o bem de todos, quando usamos dezenas de aplicações que recolhem dados sobre os nossos gostos, lugares que visitamos, pessoas com quem nos cruzamos… e o OE lá vai sub-repticiamente sendo discutido, com aprovação garantida, faltando apenas saber que dividendos políticos vão ter os diferentes partidos… estamos a discutir a bola… uma aplicação… e enquanto os “lázaros” continuam a pelear por algumas migalhas que caem da mesa da opulência e da indiferença…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/45, n.º 4580, 20 de outubro de 2020

Depressão Bárbara: Município de Lamego apela a cuidados redobrados

O Município de Lamego alerta que a depressão “Bárbara” vai atingir Portugal a partir de hoje, pelo que as condições meteorológicas vão agravar-se, trazendo chuva intensa e ventos fortes que podem chegar aos 100 km/hora. 
Por esta razão, apela a todos os cidadãos que adotem cuidados redobrados nas próximas horas e especial atenção nas zonas com risco de cheias e inundações rápidas em meio urbano.

O Município de Lamego alerta também para o piso rodoviário escorregadio e a eventual formação de lençóis de água, danos em estruturas montadas ou suspensas, possibilidade de queda de ramos ou árvores e deslizamentos de terra.
Na sequência do mau tempo, aconselha também a adoção de uma condução defensiva e os automobilistas a ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atentos para a possibilidade de queda de ramos e árvores.
O distrito de Viseu estará sob aviso laranja entre as 18h de hoje e as 03 horas de terça-feira, devido à previsão de chuva forte e persistente e vento forte.
O Município de Lamego, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, estará a acompanhar em permanência o evoluir da situação. 

Ricardo Pereira
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Editorial da Voz de Lamego: Eis-me aqui, envia-me

Este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para sua Mensagem do Dia Mundial das Missões, no próximo domingo, 18 de outubro. (A mensagem encontra-se na página sete do jornal e na nossa página: http://www.diocese-lamego.pt).

O Senhor questiona: quem enviarei? «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8). É a resposta do Profeta Isaías, clarificador e resoluto, apesar do ambiente adverso.

O Santo Padre parte das tribulações e desafios que nos coloca a pandemia do covid-19, convocando-nos à esperança e ao compromisso solidário. A oração, diz-nos o Papa, abre-nos o coração aos outros, sintonizando-nos com o coração de Deus, que nos ama a todos. “Celebrar o Dia Mundial das Missões significa também reiterar que a oração, a reflexão e a ajuda material das vossas ofertas são oportunidades para participar ativamente na missão de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebrações litúrgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho missionário, realizado em meu nome pelas Obras Missionárias Pontifícias, que acodem às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salvação de todos”.

Na cruz, Jesus realiza a Sua missão, revelando que Deus nos ama a todos e a cada um, pedindo-nos a disponibilidade para sermos enviados. “Por amor dos homens, Deus Pai enviou o Filho Jesus (cf. Jo 3, 16). Jesus é o Missionário do Pai: a sua Pessoa e a sua obra são, inteiramente, obediência à vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; 6, 38; 8, 12-30; Heb 10, 5-10). Por sua vez, Jesus – crucificado e ressuscitado por nós –, no Seu movimento de amor atrai-nos com o seu próprio Espírito, que anima a Igreja, torna-nos discípulos de Cristo e envia-nos em missão ao mundo e às nações”.

A missão deriva do amor de Deus. Deus, porque nos ama, é um Deus em movimento, em saída.

“Deus é sempre o primeiro a amar-nos e, com este amor, vem ao nosso encontro e chama-nos. A vida humana nasce do amor de Deus, cresce no amor e tende para o amor. Ninguém está excluído do amor de Deus e, no santo sacrifício de seu Filho Jesus na cruz, Deus venceu o pecado e a morte (cf. Rom 8, 31-39). Para Deus, o mal – incluindo o próprio pecado – torna-se um desafio para amar, e amar cada vez mais (cf. Mt 5, 38-48; Lc 23, 33-34). A Igreja, sacramento universal do amor de Deus pelo mundo, prolonga na história a missão de Jesus e envia-nos por toda a parte para que, através do nosso testemunho da fé e do anúncio do Evangelho, Deus continue a manifestar o seu amor e possa tocar e transformar corações, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar”.

A concluir, parte da letra do Hino Outubro Missionário 2020, da Banda Jota: “Senhor… Envia-me a anunciar o Teu amor / Deixarei o meu egoísmo para partir / Serei um pedaço de Ti no outro / Serei um discípulo, irei servir / Uma mão cheia e aberta para dar / Serei um abraço a viver em missão / Procurarei o outro para Te encontrar / Deixarei que sejas Tu a viver em mim / SEREI UM SIM por dentro do Teu sim”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/44, n.º 4579, 13 de outubro de 2020