Semana das Migrações

Igreja Católica dedica semana a «novas gerações migrantes»

A Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) está a promover, desde domingo, a sua semana nacional com o tema ‘Acolher o futuro – Novas gerações migrantes são o amanhã da humanidade’.

“Cuidar da nossa família e cuidar da casa comum, protegendo o ambiente e sobretudo amando o nosso próximo de modo concreto e não apenas com palavras, será a melhor maneira de mostrarmos que temos em atenção os menores, os mais vulneráveis, os sem voz”, escreve D. António Vitalino, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

O bispo emérito de Beja realça que também Portugal está a envelhecer, “não apenas porque muitos jovens emigram” à procura de trabalho mais bem remunerado mas também porque “os casais não querem ter filhos ou se limitam apenas a um”. “Quem irá tratar dos nossos idosos? Quem irá fazer descontos para a sustentabilidade da segurança social?”, questiona.

A diretora da OCPM explica que “impulsionados” pelo desejo do Papa Francisco querem “tomar consciência das vulnerabilidades” a que estão sujeitos os migrantes de menor idade. “Interpela-nos a responder a esta realidade investindo na proteção, na integração e em soluções duradouras”, afirma Eugénia Quaresma.

A 45.ª Semana Nacional de Migrações realiza-se sob o tema ‘Acolher o futuro – Novas gerações migrantes são o amanhã da humanidade’, e decorre até dia 13 de agosto. A Obra Católica Portuguesa das Migrações dinamiza a Peregrinação dos Migrantes e Refugiados ao Santuário de Fátima, a 12 e 13 de agosto.

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, da Santa Sé, D. Rino Fisichella, vai presidir à peregrinação na Cova da Iria, que começa às 18h30 do dia 12 deste mês, após a conferência de imprensa de apresentação às 16h00. Já no domingo, 13 de agosto, a OCPM convida as paróquias e comunidades cristãs a celebrar a Eucaristia pelos migrantes e pelo trabalho pastoral que a Igreja Católica desenvolve neste setor, numa Jornada de Solidariedade.

in Voz de Lamego, ano 87/39, n.º 4424, 8 de agosto 2017

TURISMO – ORGANIZAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 8 de agosto

Antes de uma breve pausa, duas semanas, aí está mais uma edição da Voz de Lamego, com tetos-reflexões, desafios, notícias da Igreja e do mundo… o Editorial desta semana, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, foca-se no turismo, mormente na cidade de Lamego, e na necessidade de organização das propostas turísticas, potenciando o turismo e oferecendo o melhor aos que nos visitam…

TURISMO – ORGANIZAÇÃO

O número de turistas que visitam o nosso país não pára de aumentar, o que contribui para uma economia mais saudável, mas também para elevar a auto-estima lusa. Quem é que não gosta de atenção ou de ser apreciado?

O mesmo acontece em Lamego e, possivelmente, noutros pontos da diocese. Nesta cidade, nas proximidades da Sé, do Museu, na Avenida, na zona do Castelo ou no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, multiplicam-se os grupos de forasteiros que admiram, fotografam e circulam. O património é muito, diversificado e está razoavelmente cuidado, oferecendo aos visitantes um contacto com a nossa história e a nossa cultura.

O movimento provoca alegria aos lamecenses. Mas não basta sorrir diante do aumento de turistas ou ficar satisfeito por ter algo para mostrar.

A este propósito, talvez falte alguma organização conjunta, de forma a dinamizar e a rentabilizar recursos. Por exemplo, são poucos os guias que acompanham os grupos. Noutros países, mesmo com um guia a acompanhar permanentemente o grupo, cada cidade ou realidade a visitar exige a presença de um guia local. Por outro lado, ao nível do património religioso, os turistas passam, fotografam, usam instalações e partem sem qualquer contrapartida. Não seria uma oportunidade para angariar alguns meios que permitam preservar o património e garantir postos de trabalho?

O Douro e toda a bacia envolvente são destino de milhares e milhares de turistas. No entanto, será que as populações locais têm beneficiado devidamente com este fluxo? A julgar pelas respostas de comerciantes e responsáveis pelo património, o benefício económico não tem sido muito.

Alegra-nos saber que os nossos monumentos são visitados, elogiados e divulgados através das imagens que circulam.

Mas talvez tenha chegado a hora de repensar a organização e aperfeiçoar a oferta, de forma a cativar e a aproveitar o fluxo turístico.

in Voz de Lamego, ano 87/39, n.º 4424, 8 de agosto 2017

Um reparo: VIDA

Nestes dias quentes, longe das paisagens do litoral e dos “famosos” que preenchem os alinhamentos noticiosos, também o nosso interior apresenta mais vida.

É verdade que não há areais extensos para estender toalhas, mas há miradouros e sombras que convidam a demorar-se diante de paisagens singulares. É verdade que não há “festivais” que congregam milhares de jovens, mas há festas nas aldeias, vilas e cidades que, para lá da música, promovem o convívio e fortalecem amizades. É verdade que por estes lados não haverá muitos centros comerciais ou grandes eventos, mas há fontes de água que saciam, caminhos de infância que vale a pena percorrer, mesas com petiscos que esperam ser saboreados. É verdade que haverá milhares e milhares a querer chegar ao mar, mas também há muitos que, vindos do estrangeiro ou de outros pontos do país, aqui são esperados com carinho…

À nossa volta há vida a acontecer. Não apenas incêndios que destroem, acidentes que matam ou agressões que ferem. Há famílias reunidas, mesas maiores, crianças que são baptizadas, matrimónios que são celebrados, convívios familiares e comunitários que aguardaram por estes dias.

As lojas aumentam vendas, há filas nas caixas dos supermercados, os restaurantes servem mais refeições, as esplanadas dos cafés enchem-se de gente sequiosa que não olha para o relógio, o som dos foguetes propaga-se, as bandas percorrem ruas decoradas, os grupos musicais convidam à dança…

E também a vida paroquial se anima. Há igrejas e capelas que se enchem e voltam a ouvir o som de crianças, padroeiros que são festejados, tradições que se mantêm…

E há belezas para serem admiradas, melhoramentos que esperam ser valorizados, paisagens para contemplar, histórias que merecem ser ouvidas, guardadas e transmitidas…

A vida nunca esteve longe. Mas a presença de mais vidas dá-lhe som e cor.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/38, n.º 4423, 1 de agosto 2017

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Iraque: As Irmãs Dominicanas sonham com o regresso a casa 

Anjos-da-guarda 

Desde que foram obrigadas a abandonar o convento de Teleskuf onde viviam, no Verão de 2014, face à conquista da região pelos jihadistas do auto-proclamado “Estado Islâmico”, que as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty sonham com o dia de regresso a casa. Mas durante estes três longos anos não ficaram um dia sequer de braços cruzados. E criaram conventos de emergência…

Por muitos anos que vivam, dificilmente as Irmãs Luma Khuder e Nazek Matty esquecerão os dias de tumulto que ocorreram na Planície de Nínive, no Iraque, em Julho e Agosto de 2014, faz agora precisamente três anos. Nesses dias, perante o ensurdecedor silêncio do mundo, grupos jihadistas foram conquistando todos os palmos de terra da região, subjugando aldeias, vilas e cidades, obrigando milhares de cristãos a abandonarem tudo o que tinham para salvarem as próprias vidas. Num espaço de dias, às vezes até em poucas horas, muitas dessas aldeias e vilas ficaram vazias, sem ninguém para testemunhar o saque das casas, a destruição das capelas e igrejas, a profanação de todos os lugares sagrados. Fugiram quase todos para o Curdistão. Luma Khuder e Nazek Matty, irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena, assim como outras 70 religiosas, fizeram-se também à estrada. Não tinham alternativa. Quando partiram, quando olharam pela última vez para o convento de Nossa Senhora do Rosário, em Teleskuf, não conseguiram esconder as lágrimas. Quando chegaram a Erbil, ao Curdistão iraquiano, as Irmãs Luma e Matty eram refugiadas entre refugiados. Mas eram também verdadeiros anjos-da-guarda. Muitas vezes, Luma e Matty nada mais podiam oferecer do que o conforto dos seus abraços ou palavras de simpatia embrulhadas em sorrisos. Era quase nada mas ali, no meio daquele desespero humano, valia como um verdadeiro tesouro. Todos os dias havia alguém para consolar, havia alguém em lágrimas. Ler mais…

Peregrinação Nacional do Movimento da Mensagem a Fátima

O homem é um peregrino sobre a Terra.

A Peregrinação é uma experiência religiosa universal, é a expressão típica da religiosidade popular. Pressupõe uma caminhada de conversão em direção a Deus, desde a sua preparação à viagem e, por fim após a chegada, ao dia a dia e vida daquele que a fez – o peregrino.

As suas raízes encontram-se na própria Bíblia. Desde Abraão que deixa a sua terra, a casa paterna e se põe a caminho para o lugar que Deus lhe indica, a terra de Canaã. O Povo de Deus caminhou em direção à terra prometida. O fenómeno das peregrinações está presente em toda a história do cristianismo. Nos nossos dias faz-se, sobretudo, em direção aos santuários. Ler mais…

Missão jovem nas Paróquias de São Tomás de Aquino e Salzedas

Missão Jovem da Juventude Mariana Vicentina em São Tomás de Aquino e Salzedas

Este ano, pela segunda vez, a Juventude Mariana Vicentinarealizou a Missão Jovem JMV. As paróquias escolhidas para esta atividade missionária foram a Paróquia de São Tomás de Aquino, no Patriarcado de Lisboa, e a Paróquia de Salzedas, na Diocese de Lamego.

Durante uma semana, cerca de 30 jovens da Juventude Mariana Vicentina, divididos em dois grupos, acompanhados por dois Padres da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) e por duas religiosas da Companhia das Filhas da Caridade, desenvolveram atividades missionárias em cada uma destas paróquias.

A primeira valência de missão, definida num projeto de evangelização, relembra o papel dos primeiros discípulos, que num ato de coragem e convicção partiram na partilha da Boa Nova. O objetivo desta missão é despertar a Comunidades para a Fé, aproveitando a alegria e a ousadia da juventude para atrair crianças, jovens, adultos e idosos para o caminho do Pai.

As Missões Jovem JMV em São Tomás de Aquino e Salzedas decorreram entre os dias 8 e 16 de julho e são compostas por várias atividades de diversa índole, sempre com o escopo de despertar nos irmãos a chama da Fé e proporcionar uma experiência de encontro com Jesus Cristo. Durante esta semana, os jovens realizaram vigílias de oração, celebrações marianas, rezam o rosário, animaram as Eucaristias, organizaram atividades e catequeses com crianças e jovens, proporcionaram aos idosos momentos de animação, encontro e escuta, visitaram as casas das famílias das paróquias, em especial, onde habitam pessoas idosas e doentes, … Tudo para que esta semana fosse marcante, não só para a Comunidade que acolhe, mas também para os jovens que, “saindo do sofá” e “rumando às periferias” fizeram deste período de férias um tempo de partilha e de testemunho missionário. Ler mais…

Almacave Jovem  Porque não Taizé? 

Em pleno Verão, depois dos exames e das frequências nas faculdades, são milhares os jovens portugueses que participam de um modo exuberante nos vários Concertos Alive que proliferam desde o norte ao sul do país. Para alguns, há outras “fugas” que arrastam igualmente muitos deles, durante o mês de Agosto, ao encontro de outras melodias musicais e que, por isso, optam por outros “concertos” a transbordar de alegria e cheios de vida, onde a música é também silêncio, as palavras não fazem barulho e o estar com outros tem a marca da fraternidade e da comunhão ecuménica.

Taizé é esse lugar de eleição.

Porquê esta aventura de peregrinar até Taizé?

Estar em Taizé, durante uma semana, é fazer a experiência de uma vida simples e pobre, partilhada com jovens de todo mundo sem preconceitos étnicos, ideológicos e religiosos, sem alienações e sem a tentação do isolamento que descompromete. Aqui, esquecemos o viver carregado de stresses, as futilidades, as crispações de toda a ordem, e os temores que nos tolhem, hoje mais do que nunca, a serenidade do nosso dia-a-dia. Ir a Taizé é sentir-se acolhido por uma comunidade ecuménica marcada por duas aspirações: avançar numa vida de comunhão com Deus e com os outros, através da oração, da reflexão e do silêncio, e assumir a responsabilidade de se ser hoje no mundo, no nosso país e nas nossas paróquias, fermento de paz, de confiança e de misericórdia. As pessoas que aqui se cruzam connosco, sejam de outros países ou de outras culturas, ou até de diferentes confissões religiosas, conseguem transmitir alegria, tranquilidade, esperança, paz e simplicidade: esta é a única linguagem descodificada, sem tradutores, que se fala em Taizé.

Ao contrário do que se poderia esperar, a vida em Taizé não é monótona: as orações comunitárias três vezes ao dia são momentos marcantes no ritmo diário dos jovens ; as reflexões de textos bíblicos por grupos etários são enriquecedoras e orientam para a partilha da vivência da fé, e o trabalho de voluntariado tem sempre a alegria do servir o outro.

Porque precisamos todos os anos deste “concerto alive”, também com canto e música, mais uma vez um grupo de jovens e adultos da Paróquia de Almacave parte no dia 4 de Agosto rumo à Comunidade Ecuménica de Taizé, na Borgonha-França. Regressaremos à nossa Paróquia com a alma cheia de melodias com outras pautas, para sermos semeadores da paz, da simplicidade e misericórdia, e mais comprometidos com a missão de saber falar de Deus, com linguagens novas, aos jovens das nossas paróquias.

SF,  in Voz de Lamego, ano 87/38, n.º 4423, 1 de agosto 2017