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Archive for the ‘Serviço Cáritas’ Category

Editorial da Voz de Lamego: O amor que nos transforma e salva

O rosto da Igreja é a caridade, que é o rosto de Jesus, visualizável no rosto de cada irmão que sofre. O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis. Não há muito por onde escolher se quisermos ser na vida, e fiéis à nossa identidade batismal, o que somos de nome: cristãos.

Não há duas opções, uma por Cristo e outra pela caridade, pela atenção e cuidado ao nosso semelhante. A nossa opção é a de Jesus Cristo. Não Se valendo da Sua igualdade com Deus, assumiu a nossa condição humana, tornou-Se semelhante a nós. Fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza.

Vivemos a Semana Nacional Cáritas em plena pandemia. Se há um ano se fazia confinamento geral precisamente na Semana Cáritas, este ano já por cá andámos há algum tempo e iremos andar por mais algum. A concluir a semana, os ofertórios das Eucaristias vespertinas e dominicais realizavam-se a favor das nossas Cáritas diocesanas, receita importante para sobrevivência deste organismo eclesial e para ter ferramentas para o serviço dos mais pobres. Este ano as iniciativas são online, mas com o mesmo apelo à nossa contribuição, em prol dos mais desfavorecidos.

São 65 anos de Cáritas portuguesa, cuja a missão é ser rosto da Igreja, que por Sua vez é rosto e presença de Jesus Cristo no mundo. Como lema para este ano: “O amor que nos transforma e salva”.

É um caminho conversão permanente ao amor de Deus, manifestado e concretizado em plenitude em Jesus Cristo, que nos salva, nos transforma, nos preenche. Não podemos pregar Jesus Cristo e o Seu Evangelho se antes não estivermos convictos da Sua divindade, da Sua missão e do Seu amor por nós. Pregar, sem antes nos termos convertido, seria um contrassenso, seriam palavras ocas, banais, destinadas a serem levadas pelo vento, mesmo que Deus por essas palavras possa chegar a algum coração. Como lembrava São Paulo VI, o nosso tempo precisa de testemunhas mais do que de mestres, ou que sejam as duas coisas juntas, mestres e testemunhas.

Somos discípulos missionários. Não podemos ser apóstolos sem ser discípulos, aprendizes de Jesus, da Sua mensagem e do mistério pascal, expressão máxima do Seu amor pela humanidade. O verdadeiro discípulo quer imitar o Mestre dos Mestres e, por conseguinte, assume-se como Seu apóstolo.

O nosso olhar há de estar fixo em Jesus, o nosso coração e a nossa vida. Ao olharmos para Jesus, é clara a Sua opção preferencial pelos mais pobres. Todos têm lugar, pobres e ricos, homens e mulheres, crianças e idosos, publicanos e pecadores, estrangeiros, mas a opção de Jesus é pelos pequeninos. Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos, pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pelos homens.

É paradigmática a parábola do Bom Samaritano. Não esqueçamos a mensagem de Jesus, em todo o tempo, também nesta Semana Cáritas. Revemos Jesus no Bom Samaritano, Ele que não Se alheia dos nossos sofrimentos e necessidades, desce, encarna a humanidade, vê e aproxima-Se, faz-Se próximo e vê-nos por inteiro. Debruça-Se sobre nós, não como quem está num patamar superior, mas baixa-Se para nos ajudar, para nos elevar, para curar as nossas feridas, colocando-nos na Sua montada, como o Bom Pastor, pronto para dar a vida por nós. Sejamos como Ele, prontos a gastar-nos pelos outros, tornando-nos próximos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/16, n.º 4598, 2 de março de 2021

Semana Cáritas: mensagem do Presidente da República

Semana Nacional Cáritas – É o amor que transforma a vida

Fratelli Tutti

Na memória de São Francisco de Assis, o Papa Francisco presenteou-nos com a nova carta encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social.

O primeiro capítulo retrata a sociedade atual: as novas formas de colonização cultural, a luta de interesses que coloca todos contra todos, a cultura do descarte de alimentos e de seres humanos, a injustiça de um modelo económico fundado no lucro, a cultura do conflito e do medo. O Papa Francisco faz ainda referência à tragédia que trespassa o nosso mundo, a pandemia do COVID-19, e a forma como desmascarou a nossa vulnerabilidade e a necessidade de pertença como irmãos; a falta de dignidade de que sofrem os migrantes e refugiados, entre muitos outros pontos interessantíssimos.

Numa das referências a São Francisco “escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz dos enfermos, escutou a voz da natureza. Transformou tudo isso num estilo de vida.” O Santo Padre sublinha que não devemos perder a capacidade de escuta!

Esta atitude de São Francisco consegue ser simples e complexa, antiga e tão atual, tão evidente, tão necessária no dia de hoje.

Não poderiam muitos males ser resolvidos e/ou minimizados se todos estivéssemos à escuta? Deus deu-nos dois ouvidos, mas insistimos em utilizar demasiado a única boca para debitar ideias e mais ideias. sem agir e sem perceber o que se passa em redor.

Não queremos ouvir para não ver, não sentir as dificuldades do outro. Se não tivermos conhecimento, não temos de fazer nada pelo outro, podemos continuar a nossa vida medíocre!

Parar e ouvir quem nos dirige a palavra é um sinal de respeito, mas mais ainda, quando ouvimos o silêncio e o sofrimento do outro, e da própria natureza. Quantas vezes nem paramos para nos ouvir a nós? Quantas vezes vivemos a correr iludidos num “mundo ideal”, que queremos mostrar aos outros, e não paramos para perceber quem somos, o que estamos aqui a fazer, e ter consciência de nós próprios?

Parar e ouvir! Simples! Mas nós, nem paramos, nem ouvimos. Parecia que estávamos a melhorar o nosso modo de ser com os acontecimentos da pandemia, mas rapidamente voltámos ao que éramos, quando é urgente viver um mundo novo, uma vida nova, e não voltar para o “normal doentio” a que estávamos presos, como diz o nosso Bispo na nova Carta Pastoral, ABRIR E SEMEAR SULCOS DE PAZ E ESPERANÇA.

É urgente viver em comunidade, como uma verdadeira comunidade! Nesse modo de viver, é imperativo saber escutar para poder ser ouvido! É urgente aprender a viver com fraternidade e amizade social, abrindo e semeando sulcos de paz e esperança.

Que possamos, brevemente, colher o fruto da nossa mudança, da nossa escuta.

Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020

Apresentação do Plano Pastoral Diocesano 2020-2021

COVID-19 – EMERGÊNCIA SOCIAL – Cáritas Portuguesa

  • Cáritas Portuguesa abre resposta de emergência social
  • 130 mil euros para apoio na aquisição de alimentos e bens essenciais a 2 000 pessoas

A Cáritas e a Igreja Católica não fecharam portas e estão comprometidas com a procura de soluções.
Face à emergência sanitária, a rede Cáritas em Portugal assumiu, em primeiro lugar, a preocupação de manter ativos todos os serviços essenciais à população implementando medidas de autoproteção nas respostas onde os utentes estão presentes e sem retaguarda familiar.

Hoje a Cáritas Portuguesa dá início a uma nova etapa na resposta à emergência social. A Cáritas Portuguesa disponibiliza uma verba de apoio às Cáritas Diocesanas que identificaram, neste momento, como principal dificuldade o acesso a bens alimentares. O atual programa de apoio terá um orçamento de 130.000,00€, proveniente de fundos próprios da Cáritas Portuguesa, dividido da seguinte forma: 100.000,00 € para vales e 30.000,00 € para apoios a situações pontuais urgentes. Este Programa de Resposta Social irá funcionar através da atribuição de vales de aquisição que permitam acesso de forma imediata a alimentos e bens essenciais.

“Acreditamos estar, desta forma, a dar um sinal à sociedade de que estamos atentos às suas dificuldades e poderemos apoiar a nossa rede agilizando a logística e a segurança das Cáritas Diocesanas no apoio às pessoas que as procuram e, ao mesmo tempo, a salvaguarda a dignidade, autonomia e privacidade dos beneficiários.” Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.

A rede nacional Cáritas irá continuar a trabalhar para que todos os que estão em situação de maior vulnerabilidade tenham condições para uma subsistência com dignidade. A preocupação da Cáritas é proteger a dignidade das pessoas mais vulneráveis e garantir que tudo é feito para que estas possam recuperar a sua vida ou redesenhar o seu caminho.

“É um trabalho que nenhuma organização faz de forma isolada. Apoiamos as famílias em complementaridade com aquilo que é feito pelas autoridades nacionais e locais, bem como outras entidades, através de respostas de apoio social.

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.

Desde o início da atual crise provocada pela propagação do novo Coronavírus – COVID-19, que as 20 Cáritas Diocesanas sentem um aumento na procura de ajuda em cinco grupos considerados de apoio prioritário: população sénior, famílias e crianças em situação de vulnerabilidade, pessoas em situação de sem-abrigo, reclusos ou ex-reclusos em situação de inserção, migrantes em situação de vulnerabilidade social. Estima-se que esta medida chegue a 2 000 pessoas em todo o país.

A rede nacional Cáritas dá, anualmente, resposta a cerca de 100 mil pessoas no atendimento nacional e 40 mil pessoa em respostas sociais. Á maior preocupação é não deixar ninguém para trás!

Márcia Carvalho | marciacarvalho@caritas.pt

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Pobre 2017

(XXXIII Domingo do Tempo Comum – 19 de novembro de 2017)

 

  1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade. Ler mais…

Cáritas, com Portugal, abraça vítimas dos incêndios

A Cáritas Portuguesa acaba de abrir uma conta solidária, para aceitar donativos que serão encaminhados para as vítimas dos incêndios que deflagraram durante o mês de outubro. A conta “Cáritas, com Portugal, abraça vítimas dos incêndios”, criada em parceria com a Caixa Económica Montepio Geral, está disponível para todos os que queiram contribuir para fazer face às necessidades emergentes das vítimas desta catástrofe.

Os donativos podem ser feitos através do IBAN:

PT50 0036 0000 99105878243 94 com o CÓDIGO SWIFT – MPIOPTPL

e através do Multibanco com a entidade: 33333 e referência 333 333 333.

A verba angariada destina-se a ajuda de emergência e para apoio na reconstrução de habitações, assim como outras situações que sejam imprescindíveis para a recuperação dos meios de subsistência.

“A Cáritas está sempre empenhada em fazer tudo o que está ao seu alcance para minorar o sofrimento das pessoas. A destruição de tantas casas, fábricas e terrenos deixaram centenas de pessoas sem norte, sem teto, sem trabalho. Este é um momento difícil, mas o povo português é resiliente e temos a certeza que a reconstrução é possível. É neste sentido que abrimos esta conta solidária, para que todos quantos queiram ajudar tenham um canal que os aproxima das vítimas.” A afirmação é de Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.

A Cáritas tem vindo a desenvolver diversas reconstruções de casas no seguimento dos fogos de verão que atingiram a zona centro, trabalho que está a ser feito em parceria com as autarquias e através das Cáritas Diocesanas que estão no local. Até agora já estão em processo de reconstrução parcial um total de 14 habitações, 12 das quais nos concelhos de Castanheira de Pêra e de Pedrógão Grande, e as restantes duas no concelho da Sertã. Assim, como o apoio a uma empresa familiar e duas reparações de habitações em Mação.

“É desejo da Cáritas Portuguesa concluir estas reconstruções com a maior celeridade possível, priorizando a segurança e a qualidade das mesmas”, conclui o presidente da Cáritas Portuguesa.

A ação da Cáritas no terreno, é operacionalizada pelas Cáritas Diocesanas, começou logo no início da catástrofe, quando ainda havia fogos por extinguir. Todas as Cáritas envolvidas estão a trabalhar em articulação com as entidades locais, disponibilizando os seus meios técnicos e os voluntários.

Cáritas Diocesana de Lamego,

in Voz de Lamego, ano 87/48, n.º 4434, 31 de outubro 2017

Cáritas de Lamego: Um Adeus ao Amigo D. António Francisco

Passaram-se uns escassos dias desde que o Senhor D. António Francisco nos deixou.  Parece ainda um sonho, a verdade é nua e crua, Deus achou por bem levá-lo para junto de Si, mas para nós foi um choque, foi como se de um membro da nossa família se tratasse.

Um Homem e um Amigo especial para  muitos que com ele privaram, e não foram poucos, sim, o Sr. D. António tinha – os  em muitos locais, desde a terra que o viu nascer até aos lugares mais diversos. Era uma pessoa afável, simples, serena e  disponível para escutar, para dialogar, para aconselhar, em suma, uma pessoa cheia de conhecimento, de afazeres inerentes aos cargos desempenhados, mas  sempre com um sorriso expresso no rosto, olhar atento e  preocupado com os mais frágeis, com os pobres e famílias mais vulneráveis.

Não foi por acaso que há bem pouco tempo tenha sido designado pela Conferência Episcopal,  Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana. Na sua última entrevista concedida à Agência Ecclesia, face ao novo desafio que acabava de abraçar, referiu: “ …Iniciei o meu trabalho há um mês… Estamos a dar passos e temos preocupações, mas temos também sonhos e propósitos. Temos também um desejo muito grande de trabalhar e estar presente neste espaço tão necessário como é a ação socio-caritativa da Igreja. Temos de ter capacidade de lermos a realidade e escutarmos o mundo. Temos de estar disponíveis para dar resposta às novas formas de pobreza e aos novos desafios da sociedade moderna.” 

É nesta senda que, inspirados na postura do Sr. D. António Francisco face aos desafios dos dias de hoje, num mundo tão desprovido de valores, a Cáritas Diocesana de Lamego procurará exercer a sua missão junto dos que mais precisam.

Obrigado Sr. D. António e que Deus o tenha na Sua Infinita Glória.

Isabel Duarte Mirandela da Costa

Cáritas Diocesana de Lamego

in Voz de Lamego, ano 87/43, n.º 4428, 19 de setembro 2017

Um reparo: DONATIVOS

Nos últimos dias foram notícia os donativos, ou melhor, o paradeiro dos mesmos. Ao que parece, algum do dinheiro oferecido para auxiliar as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande andará em parte incerta.

Acreditamos que haverá uma explicação para o sucedido e que será possível seguir o rasto do dinheiro, ficando a saber quem o recebeu e como o distribuiu.

Mas será que era necessário chegar a este ponto, deixando no ar suspeitas que levarão os doadores a repensar a sua generosidade? E se o descrédito afecta futuras angariações de verbas, a ocasião não deixará de provocar interrogações sobre situações passadas: será que o dinheiro chegou sempre aos seus destinatários? Como tem sido feito o controlo das verbas? Um Estado que é tão arguto em vigiar fiscalmente os cidadãos não consegue vigiar-se quando se trata de recolher e distribuir o que não lhe pertence? Será assim tão difícil anotar o que entra e o que sai, bem como o seu destino?

A comunicação social vai alertando para o facto e dar-lhe-á destaque durante algum tempo, até que outro assunto apareça. E vai, também, relatando acontecimentos mais antigos, dando vez e voz a algumas vítimas a quem muito foi prometido e a quem pouco ou nada foi chegando.

Nos momentos de catástrofe não faltam referências aos milhões que vão ser destinados para apoiar as vítimas. Meses ou anos depois, os milhões tornaram-se apenas tostões. E quanto à celeridade dos processos também estamos esclarecidos: a morosidade dos institutos públicos contrasta bem com a prontidão e proximidade das nossas gentes e das instituições particulares.

Por isso, já que os dinheiros públicos tardam em chegar, não sejam os responsáveis pela “coisa pública” a atrasar ou desbaratar o auxílio dos privados. Não estorvar ainda é, às vezes, a melhor ajuda!

JD,  in Voz de Lamego, ano 87/42, n.º 4427, 12 de setembro 2017