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Archive for the ‘Santuários’ Category

Peregrinação do Arciprestado de Lamego aos Remédios: 28 de maio

Este ano, a peregrinação enquadra-se no Centenário das aparições de Fátima.

Começa na Sé Catedral às 16h e seguirá o percurso habitual até ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

O exemplo de um peregrino, como o papa Francisco, estará subjacente como estímulo e inspiração, nesta manifestação de devoção mariana dos fiéis do Arciprestado de Lamego.

Na capelinha das Aparições, no dia 12 de Maio, interpelou todos os peregrinos com uma provocação. “Que Mãe vamos visitar? A Bendita por ter acreditado ou a “Santinha” a quem se recorre para obter favores a baixo preço?

Certamente que o nosso Arciprestado vai expressar a sua fé n’Aquela que acreditou. Desde a procissão, aos cânticos, à liturgia, à recitação do Rosário e à participação na Eucaristia no recinto do Santuário, tudo será um meio ao nosso alcance, para honrarmos a nossa Mãe do Céu.

Maria não esquece os seus filhos que caminham como Ela outrora na peregrinação da fé; pelo contrário, como dizia Paulo VI no cinquentenário das aparições, em 1967: “Contemplando-os em Deus e conhecendo bem as suas necessidades… deles (seus filhos) se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira”.

Ela nos convoca. “Temos uma Mãe Admirável”. É a Senhora do SIM.

P. Joaquim de Assunção Ferreira (Arcipreste de Lamego),

in Voz de Lamego, ano 87/27, n.º 4412, 16 de maio de 2017

Citações do Papa peregrino para os peregrinos do mundo

  • Maria é “mestra da vida espiritual”, a “primeira que seguiu Cristo pelo caminho “estreito da cruz”, a “bendita por ter acreditado” e não a “senhora inimitável”, não a “santinha” a que se recorre para obter favores a baixo preço”, não “uma Maria melhor do que Cristo”.
  • . “Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia.
  • Naturalmente a misericórdia de Deus não nega a justiça”.
  • “Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. (…). A humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes”.
  • “A Virgem Mãe não veio aqui (a Fátima) para que a víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o céu”. Veio para advertir “para o risco do Inferno da vida sem Deus”.
  • Fátima é um manto de luz que nos cobre”, que cobre qualquer lugar da terra “quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe”.
  • “Queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus”.
  • Jesus “levou para junto do Pai a humanidade – a nossa humanidade!”, que assumira através de Maria “e nunca mais a largará”. Fundeemos a nossa esperança nessa humanidade (…). Uma esperança que nos sustente sempre”.
  • “Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e ai os levou a adorá-lo”.
  • “Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem. Dos seus braços virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no baptismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiências, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”.
  • Os cristãos devem desencadear “uma verdadeira mobilização geral contra a indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada”.
  • A igreja “brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.
  • “Amados peregrinos, diante dos nossos olhos, temos Jesus escondido mas presente na Eucaristia, como temos Jesus escondido mas presente nas chagas dos nossos irmãos e irmãs doentes e atribuladas”.
  • “Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom (…) Não vos considereis apenas receptores da solidariedade caritativa, mas senti-vos inseridos a pleno título na vida e na missão da Igreja” (…). Não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja”.
  • “Peço a todos para se unirem a mim, como peregrino da esperança e da paz: que as vossas mãos em oração continuem a apoiar as minhas”.

in Voz de Lamego, ano 87/27, n.º 4412, 16 de maio de 2017

Papa rejeita imagem de Nossa Senhora como «Santinha»

Francisco convida peregrinos a ver a Virgem Maria como «Mestra da vida espiritual»

O Papa Francisco afirmou hoje em Fátima que a Virgem Maria deve ser vista como uma referência para a vida espiritual dos católicos e não como uma “santinha”.

Na sua segunda intervenção em solo português, o Papa questionou os peregrinos reunidos na Cova da Iria sobre a imagem que têm de Nossa Senhora: “A ‘bendita por ter acreditado’ sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma ‘santinha’ a quem se recorre para obter favores a baixo preço?”.

Francisco participou esta noite na Benção das Velas e na Oração do Terço no santuário, num percurso em papamóvel durante o qual saudou com alegria as centenas de milhares de peregrinos presentes.

O Papa argentino percorreu inclusivamente os últimos metros a pé, até à Capelinha das Aparições, e dirigiu depois a palavra a todos os presentes.

Francisco sublinhou a importância da recitação do terço e convidou os peregrinos a ver na Virgem Maria uma “mestra da vida espiritual”, ou seja “a primeira que seguiu Cristo pelo caminho estreito da cruz” e não “uma Senhora inatingível e, consequentemente, inimitável”.

Francisco apresentou uma reflexão sobre a figura da Virgem Maria, “que deu um rosto humano ao Filho do eterno Pai”.

“Na verdade, se queremos ser Cristãos, devemos ser marianos”, afirmou, citando uma intervenção de Paulo VI.

O Papa rejeitou “sensibilidades” na Igreja Católica que apresentam Nossa Senhora “segurando o braço justiceiro de Deus pronto a castigar”.

Após a oração do terço, introduzida por Francisco, o Papa segue para a Casa de Nossa do Carmo, onde fica hospedado em Portugal, até este sábado.

Na Cova da Iria, os fiéis prosseguem com a procissão de velas e a Missa presidida pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano.

in Voz de Lamego, ano 87/27, n.º 4412, 16 de maio de 2017

MISSÃO E COMPROMISSO | Editorial Voz de Lamego | 16 de maio

A peregrinação do Papa Francisco a Fátima é um dos momentos mais importantes da vida da Igreja em Portugal e com reflexos em todo o mundo. O Centenário das Aparições e a canonização de Francisco e Jacinta marcaram indelevelmente este mês de maio, culminando nos dias 12 e 13, mas que vinha a ser preparado há alguns anos. O convite ao Papa e a sua decisão em se fazer peregrino multiplicaram a participação dos crentes e não crentes, com ampla divulgação nos meios de comunicação social…O Pe. Joaquim Dionísio, no Editorial desta semana da Voz de Lamego, faz eco da vinda do Papa Francisco, como peregrino, convidando-nos a ler e refletir as palavras pronunciadas pelo Papa no Santuário de Fátima:

MISSÃO E COMPROMISSO

Nas páginas deste jornal, a exemplo de tantos outros, teremos a oportunidade de encontrar palavras e imagens marcantes da recente peregrinação do Papa Francisco ao Santuário de Fátima.

Apesar da idade, das limitações físicas e das poucas horas entre nós, o “homem vestido de branco” marcou a actualidade e ritmou a vida de quem o esperou e acompanhou naquele local, bem como a de quantos o seguiram através dos meios de comunicação.

Durante as horas de espera para “ver o Papa”, os jornalistas questionam os presentes sobre a fé e as motivações para aguardar Francisco. O que tem este homem frágil que tanto atrai? E se escasseiam as palavras para verbalizar a experiência da fé, tudo é diferente quando se trata do Papa: a simplicidade cativa, a proximidade atrai e as intervenções questionam e edificam.

As entrevistas rápidas e os contínuos comentários são unânimes em sublinhar a simplicidade, o discernimento e a proximidade de Francisco, tão presentes nos gestos e opções que protagoniza, nas palavras claras e oportunas que escolhe para dizer a alegria da fé, no silêncio que guarda, na misericórdia divina que anuncia e na confessada confiança na humanidade.

Mas se a figura de Francisco atrai, valerá também a pena reler e meditar as palavras proferidas na oração proclamada na Capelinha das Aparições, na alocução que antecedeu a recitação do Terço e na homilia do dia 13.

Em todos os momentos sobressai o desejo de uma Igreja que se quer em saída para o mundo e para a vida, enfrentando desafios e dificuldades, confiando na infinita misericórdia divina e imitando o exemplo crente e discipular de Maria.

Uma missão que também o Santuário de Fátima pode e deve cumprir, ajudando os peregrinos a ver mais longe que o incenso ou as velas que ali se queimam e comprometendo-se com a missão de chegar a todas as periferias.

 in Voz de Lamego, ano 87/27, n.º 4412, 16 de maio de 2017

Caminhar com Maria em Lamego

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios quis associar-se à celebração do Centenário das Aparições, em Fátima, e programou, entre maio e outubro deste ano, uma procissão mensal, seguida de uma conferência com diferentes protagonistas. O encontro está marcado para os dias 13 de cada mês, à excepção de Maio, em que o acontecimento decorreu no dia 04, tal como anunciado e aqui divulgado pelo Serviço de Apoio ao Santuário.

À hora marcada, pelas 21h00, muitos foram os fiéis que aceitaram o convite e se juntaram para a procissão de velas, presidida por D. António Couto. Entre os presentes, um numeroso grupo de homens e mulheres que, com uma t-shirt apropriada, se identificavam como peregrinos em vésperas de iniciarem a caminhada até Fátima. E foram eles que transportaram o andor com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que seguia atrás da cruz e dos escuteiros e à frente da restante assembleia. Durante o percurso rezou-se o Terço, meditando cada Mistério a partir do livro de apoio para este mês que a Conferencia Episcopal editou e distribuiu.

Já no interior da igreja do Santuário dos Remédios todos se ajoelharam e rezaram diante do Santíssimo Sacramento, recebendo a Sua Bênção. Após este momento, muitos dos que participaram na procissão já não ficaram para o que se seguiu.

Depois, e tal como previsto, a oportunidade para escutar o nosso bispo falar de Maria, aquela que sabe acolher o Outro, está atenta aos outros e guarda o importante da vida. Para isso, um coração pronto a encher-se com o bem e a deixar-se ocupar pela revelação de Deus Amor. E caminhar com Maria de Nazaré é tentar imitar tal postura e adoptar o seu exemplo.

No final da breve conferência, atendendo ao avançar da hora e à necessidade de levantar cedo por parte de alguns, foram abençoados os peregrinos presentes, pedindo ao Senhor que os acompanhe e desejando a todos uma profícua experiência espiritual.

Antes da despedida, os responsáveis do Santuário dos Remédios, agradecendo a presença e a palavra a D. António Couto, ofereceram-lhe uma lembrança e convidaram-se a assinar o Livro de Honra dos Visitantes.

Na mesma altura, o Reitor, Padre João António Teixeira, renovou o convite para os dias 13 dos próximos meses, anunciando que em junho e em julho ali estarão a Ir. Ângela Coelho e o Eng. Fernando Santos, respectivamente, para as conferências que se seguirão às procissões de velas.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/26, n.º 4411, 9 de maio de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Peregrinar a caminho

Iniciámos a vivência do mês de Maio, época do ano em que o olhar de muitos se volta para Fátima. Muitos fá-lo-ão com fé no Senhor e motivados pela esperança de contarem com a intercessão da Mãe, outros com curiosidade jornalística de quem encontra por ali motivo de reportagem, alguns com certo desdém por não partilharem a mesma fé e não compreenderem tamanho fervor.

Neste penúltimo contributo para assinalar a passagem do primeiro Centenário das Aparições, uma palavra sobre os peregrinos, essa massa de gente crente e anónima que, contra frios e indiferenças, caminha, ano após ano, rumo ao santuário. Fazem-no para rezar e cumprir promessas, para acompanhar amigos e testar a própria resistência, para celebrar a alegria de vencer obstáculos ou partilhar experiências… E se é verdade que há agora mais apoios e melhores condições, também é verdade que caminhar durante tantos quilómetros continua a ser exigente. Ler mais…

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | FÁTIMA E O PAPA

Ao longo destes cem anos de Fátima muitos foram os devotos que escutaram, confiaram e divulgaram os “apelos” que a Mãe comunicou aos pastorinhos para o mundo inteiro. Também os Papas.

Bento XV (1914 – 1922). Era o Papa na altura das aparições (1917). Explicitamente, nunca se referiu ao facto, apesar da informação disponível. Recorde-se que, à data dos acontecimentos, estavam cortadas as relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé (I República). Por outro lado, só alguns anos depois é que o bispo de Leiria reconhecerá as aparições.

Pio XI (1922 – 1939). A primeira visita de um representante do Papa à Cova da Iria só acontece em 1926 e só em 1927 a Congregação dos Ritos permitiu que ali se celebrasse a Missa votiva do Santíssimo Rosário. Mas este Papa benzeu uma imagem da Senhora de Fátima para o Colégio Português, em Roma (06/12/1929), e permitiu que a Senhora de Fátima fosse proclamada padroeira da Acção Católica portuguesa.

Pio XII (1939 – 1958). A sagração episcopal deste futuro Papa aconteceu em Roma, no dia 13 de Maio de 1917 e, ao longo do seu pontificado, serão várias as referências a este Santuário e contínuos os seus convites à oração a Nossa Senhora de Fátima. Por alturas dos 25 anos das aparições (1942) enviou uma radiomensagem, onde se refere à consagração da Igreja e do mundo.

João XXIII (1958 – 1963). Antes de ser eleito Papa e marcar o seu pontificado com a convocação do II Concílio do Vaticano, foi peregrino de Fátima e presidiu à peregrinação de maio de 1956, enviado por Pio XII.

Paulo VI (1963 – 1978). Deve-se a este Papa a atribuição ao Santuário de Fátima da Rosa de Ouro (1964), expressando confiança nos cuidados da Mãe do Céu por toda a família humana. Mas o grande facto acontece em 1967, quando se comemoraram os 50 anos das aparições e o Papa veio a Portugal presidir à peregrinação do 13 de maio.

João Paulo I (26/08 – 29/09/1978). Os 33 dias como Papa não lhe permitiram muito, mas, antes de ter sido eleito, em 1977, esteve em Fátima e foi até Coimbra, onde se encontrou com a Ir. Lúcia.

João Paulo II (1978 – 2005). Será, certamente, o Papa que mais testemunhou a sua devoção e amor a Nossa Senhora de Fátima. Após o atentado (13/05/1981), cedo confidenciará que a protecção materna de Nossa Senhora o livrou da morte e peregrinará até Fátima por três vezes: 1982, 1991 e 2000, ano em que beatificará Francisco e Jacinta.

Bento XVI (2005 – 2013). No ano 2000, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e aquando da divulgação da “terceira parte do segredo de Fátima”, publica um comentário ao mesmo que valerá a pena ler. Como Papa visitou Fátima em 2010.

Francisco (2013 – …). Aguarda-se a sua vinda para presidir à peregrinação de Maio de 2017, no centenário das aparições. Até lá, esperamos ainda uma palavra sua sobre a esperada canonização de Francisco e Jacinta.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/22, n.º 4407, 11 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | BEATOS E SANTOS

Nos últimos tempos, a propósito das Aparições de Fátima, temos escutado e lido notícias de beatificações e canonizações: o processo diocesano da Ir. Lúcia, com vista à sua beatificação foi concluído e seguiu para Roma e, mais recentemente, a notícia de que a canonização dos Beatos Francisco e Jacinta está para breve.

O que se quer dizer com tais palavras? Sem muitas explicações técnicas sobre o processo, que é exaustivo, demorado e caro, de maneira simples e breve, aqui fica uma explicação.

Para a “beatificação” (do latim beatus, abençoado) são necessárias três vozes: a voz do povo cristão, que atribui a reputação de “santidade”; a voz da Igreja (o Papa e a ajuda da Congregação para a causa dos Santos), através da declaração da “heroicidade de virtudes” (fé, esperança, caridade, prudência, temperança, justiça, fortaleza e outras; heroicidade significa fazer de si mesmo um dom total e durável no amor) ou do “martírio”; a voz de Deus, através de um milagre que se testemunha após invocação do Servo(a) de Deus e sua intercessão.

Para se iniciar este longo processo é necessário que decorram cinco anos após a morte da pessoa. Tal exigência visa impedir que se confunda a reputação de santidade com o entusiasmo popular passageiro. Contudo, o Papa pode dispensar tal período de tempo, como foi o recente caso de Madre Teresa de Calcutá e de João Paulo II.

Na diocese que promove o inquérito, sob a responsabilidade do bispo diocesano, são recolhidos testemunhos e documentos, favoráveis ou não, e tudo é enviado para a Congregação da causa dos Santos, em Roma. Foi isto que aconteceu recentemente com o processo respeitante à Ir. Lúcia.

Em Roma, partindo do que foi enviado, decorrerá um processo de averiguação e de contraditório para que a verdade se afirme sem dúvidas, com o contributo de especialistas na área da teologia, da medicina, da história, entre outros. O parecer favorável sobre a heroicidade das virtudes permitirá declarar o Servo(a) de Deus com o título de “Venerável”.

O processo com vista à beatificação continua e fala-se, então, do milagre (um feito prodigioso, frequentemente uma cura física, inexplicável pelo estado actual da ciência, atribuído à intercessão do Venerável). O reconhecimento do milagre, por parte do Santo Padre, permite avançar para a beatificação. Foi isto que aconteceu com os Veneráveis Francisco e Jacinta, permitindo a sua beatificação em 13 de Maio de 2000. Como nota, importa dizer que a beatificação de um mártir não necessita de milagre, uma vez que o martírio testemunha já uma ajuda especial recebida de Deus.

Normalmente, será necessário o reconhecimento de um novo milagre, posterior à beatificação e novamente atribuído à intercessão do Beato(a) para se avançar para a canonização. E escrevi “normalmente” porque o Papa pode dispensar deste milagre, como foi o caso do Papa João XXIII. E foi isto que aconteceu com os Beatos Francisco e Jacinta: um segundo milagre já foi reconhecido pelo Papa Francisco, o que deixa antever uma canonização próxima.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/21, n.º 4406, 4 de abril de 2017

CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | AINDA O SEGREDO

Na semana passada fizemos referência ao “segredo” de Fátima que, durante tantos anos, alimentou fantasias e “profecias catastrofistas”. Um “suspense” que durou até ao ano 2000, quando o Papa João Paulo II autorizou a sua divulgação e a Congregação para a Doutrina da Fé, pela voz do Card. J. Ratzinger, apresentou um comentário ao conteúdo até então desconhecido, a tal “terceira parte”. Recorde-se que as outras duas partes já tinham sido tornadas públicas em 1941.

Continuando uma breve apresentação, eis algumas palavras sobre as duas partes restantes.

A “segunda parte do segredo” refere-se à devoção ao Imaculado Coração de Maria. Para lá dos desastres da fome e da guerra, refere-se também à perseguição da Igreja. E é neste âmbito que surge a referência à Rússia e às más influências por ela provocadas, propondo o referido texto que se proceda à consagração daquele país.

Tal consagração foi concretizada por João Paulo II (25/03/1984), sem, contudo, se referir explicitamente àquele país. Os entendidos afirmam que a nomeação da Rússia quererá significar a existência de todos os países que perseguem os cristãos e procuram destruir a Igreja. Daí que João Paulo II consagre o mundo inteiro ao Imaculado Coração de Maria.

A “terceira parte do segredo”, porque ainda não fora tornada pública, alimentava a curiosidade de muitos. Aquando da beatificação de Jacinta e Francisco (13/05/2000) e com João Paulo II presente na Cova da Iria pela terceira vez, o Secretário de Estado do Vaticano, tornou pública esta parte do “segredo”. Em Junho seguinte, o texto integral do “segredo” será  publicado, bem como um comentário do Card. J. Ratzinger.

No dizer do futuro Bento XVI, o texto até então guardado, faz referência ao sofrimento e às perseguições, aos conflitos bélicos e à destruição que marcaram grande parte do século passado. O próprio João Paulo II considerou que parte do texto se referia a si próprio e ao atentado que quase o vitimou, em 13/05/1981, atribuindo a Nossa Senhora o facto de ter sobrevivido.

Certamente que o texto está disponível para leitura de todos os interessados, bem como o comentário teológico referido e tantos textos que se referem ao assunto. Mas, de forma breve e incompleta, talvez não seja descabido dizer que o “segredo” se inscreve no todo da mensagem de Fátima: o caminho do pecado, oposto ao de Deus, provoca sofrimento, afasta do Criador e leva à condenação; ao contrário, o caminho da conversão, para o qual muito contribuem a oração e a penitência, leva à comunhão com Deus e à paz entre todos.

Por isso, o melhor é procurar conhecer e valorizar a “mensagem de Fátima” no seu todo, não se fixando demasiado neste pormenor do “segredo” que tanta especulação alimentou. Afinal, Deus não tem segredos para nós. E todos sabem que o não assumir com responsabilidade a vida recebida ou o não respeitar da dignidade humana, em si e nos outros, leva à tentação de domínio, às perseguições e aos conflitos.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/20, n.º 4405, 28 de março de 2017

Lapa candidata às 7 maravilhas de Portugal – Aldeias

Lapa, a aldeia Santuário com mais de cinco séculos, é candidata a Maravilha de Portugal

Começa hoje a escolha dos candidatos que serão pré-finalistas do concurso das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias. Sernancelhe concorre com a Lapa, a aldeia Santuário com mais de cinco séculos, símbolo de fervoroso culto religioso no nosso País, exemplo de riqueza patrimonial, história e tradição, reconhecida como Aldeia de Portugal pela Associação do Turismo de Aldeia (ATA).

A Lapa, que durante mais de 500 anos, soube preservar vivos os valores, a simplicidade e a autenticidade que lhe moldaram a identidade, é uma terra modelo pela sobriedade como alia religião, tradição, eventos, gastronomia e turismo.

A candidatura da Lapa a Maravilha de Portugal, desencadeada pelo Santuário da Lapa, a que o Município se associa de forma ativa, é uma oportunidade para Sernancelhe dar a conhecer uma das mais extraordinárias criações dos Jesuítas, que ali se instalaram em 1576, mas cujas bases foram lançadas em 1493 quando entre umas penedias apareceu a imagem de Nossa Senhora da Lapa.

Confiada à Companhia de Jesus a gestão do culto, a Lapa ganhou preponderância, correu mundo, velou pelos portugueses que embarcaram nas caravelas dos descobrimentos e, em 1740, foi elevada à categoria de Vila, estatuto que manteria durante 145 anos.

O Colégio, onde gente ilustre como o escritor Aquilino Ribeiro ingressou em 1895 para estudar gramática, latim, lógica e moral, é outro exemplo do excecional património da Lapa, e começou a ser construído em finais do século XVI.

A caminho de Quintela, encontrará a nascente do Rio Vouga, que guarda, na sua pureza e cor cristalina, o segredo para o pão da Lapa, cujo sucesso perdura, assim como o queijo de qualidade e sabor único.

A Lapa, que agora é candidata a Maravilha de Portugal, é um lugar mítico, de rara beleza, que exibe história, fé e património como mais nenhum sítio no nosso País. Como refere o Loreto Lusitano, já no século XVIII a Lapa era descrita como “perene manancial de maravilhas”.

in Voz de Lamego, ano 87/20, n.º 4405, 28 de março de 2017