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Archive for the ‘Oração’ Category

Editorial Voz de Lamego: Rezai o terço todos os dias

Um dia Jesus disse aos Seus discípulos para rezarem sem cessar e sem desfalecer, sem desistir. «Pedi e ser-vos-á dado, procurai encontrareis, batei e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede recebe, o que procura encontra, e ao que bate abrir-se-á» (Mt 7, 7ss). Jesus prossegue, dizendo que se os pais dão coisas boas aos filhos, muito mais o nosso Pai do Céu nos dará aquilo que Lhe pedimos.

Na passagem paralela, em São Lucas, Jesus aprofunda esta temática, contando uma parábola: «Quem de entre vós terá um amigo e irá ter com ele a meio da noite para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, visto que um amigo meu chegou de viagem e não tenho nada para lhe pôr à frente’; e ele, de dentro, respondendo, dirá: ‘Não me importunes, a porta está fechada, e os meus filhos estão na cama comigo; não posso levantar-me para tos dar’? Digo-vos: ainda que não se levante para lhos dar por ser seu amigo, levantar-se-á por causa da falta de vergonha dele e dar-lhe-á tudo quanto necessite».

Numa outra passagem, Jesus conta outra parábola, de uma viúva que insiste com um juiz iníquo, que não teme a Deus nem aos homens. Inicialmente, ele recusa-se, fica indiferente ao pedido, mas finalmente resolve-se, fazendo-o, não por convicção, mas por se sentir incomodado com a insistência. E Jesus conclui: «Ouvi o que diz o juiz injusto. E não fará Deus justiça aos seus eleitos que por Ele clamam dia e noite? Vai fazê-los esperar? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo, quando o Filho do Homem vier, encontrará porventura a fé sobre a terra?»

A parábola, diz-nos o evangelista, é acerca da necessidade de rezar sempre sem desanimar. Mas a concluir, Jesus fala de fé. Mas que tem uma coisa a ver com a outra? Sem fé, a nossa oração é vazia e inútil. Deus responde-nos sempre, mas será que O escutamos? Que confiamos na Sua bondade? Será que acreditamos que Ele quer o melhor para nós?

Nossa Senhora, em Fátima, convida a uma oração simples, acessível a todos. Tal como a mensagem que resulta das diversas aparições, também este apelo está em conformidade com o Evangelho e com o mandato de Jesus. Rezar. Sem cessar. A oração, porém, não é (apenas) a repetição de fórmulas. A oração implica sintonia, ligação, predisposição para acolher. Com efeito, Nossa Senhora pede aos pastorinhos orações pelo Santo Padre, pela paz no mundo e, reiteradamente, pela conversão dos pecadores. A conversão é ação de Deus e Deus pode agir quando e onde quer, mas podemos impedi-l’O de agir em nós, podemos fechar-nos ao Seu Espírito. A oração predispõe-nos a acolhê-l’O. A verdadeira conversão é acreditar em Jesus Cristo, pois se acreditamos n’Ele como Deus feito homem, não temos como não procurar segui-l’O, amá-l’O, imitá-l’O. Muitas vezes queremos que Ele faça a nossa vontade e esperamos que atenda as nossas preces automaticamente. É difícil a espera, é difícil colocarmos a nossa confiança, total e sem condições, em Deus, porque receamos que nos peça algo que não estamos dispostos a realizar. Por outro lado, os desígnios de Deus sempre se esbatem com a vontade humana. Ele criou-nos livres e respeita a nossa vontade. Rezamos pela paz e pedimos que Deus ilumine o coração dos agressores, dos governantes, mas não sabemos até que ponto eles pensam que estão a fazer o bem! Contudo, não deixemos de rezar, pela paz, para que o amor de Deus permite “amolecer” o coração dos homens. Este mês de maio, mês de Maria e de Fátima, rezemos pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo, pelo santo Padre e que a “repetição” de “aves-marias” e de “pai-nossos” seja a nossa forma de dizermos: Maria, eu amo-te mas aumenta a minha docilidade para com os outros; Jesus, eu amo-te, mas faz com que me sinta verdadeiro filho, verdadeiramente teu irmão e irmão de todos os que colocas no meu caminho.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/26, n.º 4657, 11 de maio de 2022

Editorial Voz de Lamego: A maior semana da nossa fé

Vivemos a Semana Santa, a maior da nossa fé, não pela duração das horas ou dos dias, mas pela intensidade e pelo significado fundante da comunidade cristã. Jesus entrega a Sua vida por inteiro! Nem a morte tem poder de lhe colocar um termo, pois a vida emerge em plenitude na Sua ressurreição. Cada Eucaristia é Páscoa, na qual celebramos um mistério que nos faz contemporâneos de Jesus, pois Ele vive agora, no meio de nós, pela força do Espírito Santo, em Igreja. A cada ano, de forma mais solene, vivemos os acontecimentos que marcam o culminar da Sua vida história, em dinâmica de entrega.

A semana é santa, porque Jesus é o Santo de Deus! Vem de Deus e dá-nos Deus. Santifica-nos e envolve-nos no Seu mistério de amor e no Seu ministério de serviço. Jesus percorre connosco as diversas situações da vida. São Paulo faz uma síntese perfeita: “Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou”.

Ele está no meio de nós como quem serve; amando, sujeita-Se às mesmas circunstâncias finitas, frágeis, limitadas; caminha lado a lado, entra connosco na cidade, ouve as nossas preces e os nossos gritos, aceita o nosso louvor, as nossas oferendas e a nossa conversão, a nossa alegria e a nossa cobardia. A realeza de Jesus é despojada de poder, de riqueza, de exuberância.

O Rei aclamado por uma multidão entusiasta e feliz, no início da semana, dá lugar a um Rei coroado de espinhos, injuriado por uma multidão enraivecida e embrutecida. O tempo que decorre nas últimas horas é mais demorado, doloroso, tenebroso.

Oportunamente, Jesus avisa os discípulos. O Filho do homem vai ser entregue aos anciãos, vai ser julgado, condenado e morto! Durante aqueles instantes, o coração dos discípulos estremeceu… mas a vida continua, e foram esquecendo a sentença que pesava sobre a Sua cabeça!

Aproxima-se a Páscoa (judaica). Jesus manda preparar a ceia pascal. Em casa, à volta da mesa, numa refeição festiva, recordando as maravilhas que Deus realizou, através dos tempos, a favor do Seu povo, Jesus faz ver que tudo se precipitará para o fim! “Não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus”.

Os discípulos percebem que alguma coisa não está bem, mas ainda não sabem a dimensão das palavras de Jesus, que institui o memorial, antecipando, no repartir do pão e do vinho, a Sua permanência no meio de nós, depois da Sua morte e ascensão para Deus. Ouvem Jesus a dizer que entre eles está alguém cujas intenções não são concordes com o Seu projeto. A casa começa a desfazer-se. Um deles levanta-se da mesa e sai de casa. Doravante a casa fica vulnerável, exposta, as portas não são forçadas, abrem-se por dentro. A história de famílias, comunidades e povos! Os inimigos, mais perigosos, porque mais silenciosos, estão dentro, na família, na comunidade, no povo, e dentro de nós!

O Mestre clarifica de novo a opção pelo serviço: Eu estou no meio de vós para servir e dar a vida. A disputa não é pelo poder, mas pelo amor. Os nossos propósitos são testados pela realidade! A oração é a garantia da nossa comunhão com Deus, o contexto que nos permite querer o que Deus quer! Pela oração fortalecemos as nossas escolhas.

Até à Cruz, a postura de Jesus é constante, realizar a vontade de Deus, expressar o Seu amor por nós, apontar-nos o caminho do perdão, do serviço e da ternura de forma a construir fraternidade.

Qua a vivência da Semana Santa nos faça perceber que a vida se ganha, gastando-se por amor, no serviço uns aos outros, ao jeito de Jesus, nossa Páscoa e nossa Paz.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/22, n.º 4653, 13 de abril de 2022

Por quem rezar?

Crónica semanal de Raquel Assis no jornal Voz de Lamego, edição de 2 de março de 2022, sobre a oração em tempo de guerra...

E quando pensávamos que estávamos a chegar ao dia da liberdade da guerra pandémica, eis que as tropas Russas invadem a Ucrânia, sem dó nem piedade, com uma frieza, arrogância, calculismo e sentido de superioridade nunca visto desde a II Guerra Mundial.

Avizinham-se tempos muito conturbados a nível da paz mundial, da economia e do abastecimento de bens essenciais.

Aqui longe, a sofrer com as imagens de desespero do povo ucraniano, resta-nos rezar! Mas rezar a quê? A quem? Os mais céticos dirão que de nada vale rezar, que o mundo está perdido e que se Deus existisse nada disto estaria a acontecer. Outros, por todo mundo, de todas as religiões, estão a criar redes de oração pelo povo ucraniano.

Mas há aqui uma questão que gostaria de partilhar convosco. Uma questão que me tem inquietado nas últimas horas. Sabemos que Deus é amor, não é cruel! Toda a maldade e todo o ódio que está no mundo surge de dentro de cada um de nós, porque Deus nos fez livres! Posto isto, será que é correto, e útil, rezar apenas pelos que sofrem? Não!

Quem sofre, sofre porque existe alguém cruel, desumano e impiedoso.

Se esse alguém não praticasse a maledicência, a maldade não surgiria e ninguém sofreria. Devemos rezar pelos nossos inimigos! Pedir a Deus que a Sua luz consiga penetrar no coração empedernido dos insensíveis malfeitores. Pedir a Sua bênção para esse irmão perdido, essa ovelha tresmalhada.

Nada justifica o mal, «nenhuma bandeira é suficientemente grande para cobrir a vergonha de matar pessoas inocentes». Jesus ensina-nos a dar a mão a quem precisa de ajuda, a perdoar os inimigos. Rezemos, então, pelo povo ucraniano, mas também pelo povo russo, por todos os militares envolvidos, pelo presidente Vladimir Putin, que tanto precisam de ajuda para que consigam ter consciência das suas atitudes, para que os seus olhos vejam o sofrimento atroz que estão a causar, para que saibam reverter o rumo das suas vidas, e assim, todo o mundo encontrar novamente a paz.

Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 92/16, n.º 4647, 2 de março de 2022

Editorial Voz de Lamego: São Paulo caiu do cavalo… E eu e tu?

Decorre, entre os dias 18 de 25 de janeiro, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, no hemisfério norte, e na proximidade do Pentecostes, no hemisfério sul. A semana está envolvida pela conversão de São Paulo, que a Igreja celebra a 25 de janeiro. São Paulo, segundo o relato do livro dos Atos dos Apóstolos, perseguia ferozmente os cristãos quando, a caminho de Damasco, caiu do cavalo abaixo. O perseguidor, afinal, era perseguido por Jesus e passa a ser Seu seguidor. Paulo dá-se conta que, ao perseguir os cristãos, estava em contramão a perseguir o próprio Jesus. Perseguindo Jesus, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, Paulo conclui que está a perseguir Aquele em nome do Qual era perseguidor. Para defender Deus, perseguia Deus, perseguia Jesus, perseguindo os cristãos.

É, sem dúvida, uma conversão plasticamente significativa. É repentina! Um milagre perfeito! Sem contar! Sem que nada se pudesse prever! Da noite para o dia! Se virmos como o próprio relata a sua conversão nas cartas que escreve talvez percebamos melhor como Deus ia agindo, silenciosa e eficazmente, no íntimo de São Paulo. Uma pessoa devota, zelosa da religião, autêntica… mais tarde ou mais cedo é possível que se deixe moldar por Deus! Ainda que, diga-se em abono da verdade, seja difícil a conversão num crente fanático e fundamentalista! Mas a Deus nada é impossível!

Também neste aspeto, São Paulo é um desafio e uma provocação. Tanto zelo, tanta persistência, mas é Deus que sai vencedor. A oração é combustível que pode, e deve, dilatar o nosso coração, e o daqueles por quem rezamos, para acolhermos a vontade de Deus, para a Ele, e somente a Ele, nos convertermos de todo o coração.

Em cada ano, um organismo das Igrejas cristãs fica responsável por escolher, propor e refletir um tema e apresentar materiais para uma melhor vivência deste tempo de oração e reflexão pela unidade dos cristãos. Este ano coube ao Conselho das Igrejas do Oriente Médio (MECC), que tem sede no Líbano, que escolheu como tema “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O” (Mt 2, 2). O porquê desta escolha: “Nunca como nestes tempos difíceis sentimos a necessidade de uma luz que vença as trevas, e essa luz, como proclamam os cristãos, manifestou-se em Jesus Cristo para dar testemunho comum na terra onde Cristo viveu e ressuscitou. Diante da atual crise sanitária internacional, numa região do mundo onde os direitos humanos são sistematicamente espezinhados por injustos interesses políticos e económicos, e que sofre as consequências no plano humano e material da terrível explosão que assolou Beirute em 4 de agosto de 2020, o Grupo ecuménico local tem multiplicado os esforços para apresentar os frutos das sessões de trabalho realizadas na plataforma on-line”.

Por sua vez, o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristão sublinha que “os cristãos do Oriente Médio encontraram na ‘estrela’ uma imagem da vocação cristã. A estrela foi o sinal que guiou os Reis Magos de lugares distantes e de diferentes culturas até o Menino Jesus e representa uma imagem de como os cristãos se unem em comunhão entre eles ao aproximarem-se de Cristo. O tema da Semana quer, portanto, ser um convite para que os cristãos sejam um símbolo como a estrela, que conduz todos os povos a Cristo, o meio pelo qual Deus conduz todos os povos à unidade”.

Os autores dos subsídios acrescentam que a pandemia Covid-19, “a consequente crise económica e o fracasso das estruturas políticas, económicas e sociais que deveriam ter protegido os mais fracos e vulneráveis, evidenciaram o profundo desejo, a nível global, que uma luz brilhe nas trevas”, salientando que a estrela que brilhou no Oriente há dois mil anos “ainda nos chama a ir à Manjedoura, onde Cristo nasceu”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/10, n.º 4641, 19 de janeiro de 2022

Falecimento do Pai do Pe. Basílio Firmino

Só Deus é Deus! Jesus traz-nos Deus e mostra-nos o rosto do Pai em Si mesmo, um rosto misericordioso, que ilumina o nosso peregrinar sobre a terra. Antes de morrer, e prevendo para breve a Sua morte, Jesus garante aos Seus discípulos, garante-nos, a vida eterna. Em Casa do Pai há muitas moradas! Ele vai e prepara-nos uma morada. Também Ele morre, ressuscitando três dias depois.

O Deus de bondade infinita, Pai de Jesus e Pai nosso, chamou para as moradas eternas o Sr. Firmino Augusto, pai do reverendo Pe. Basílio da Assunção Firmino, pároco da Mêda e de Outeiro de Gatos.

O Sr. Bispo, D. António Couto, e o presbitério de Lamego a que preside, manifesta a sua amizade e proximidade ao Pe. Basílio e aos seus familiares, amigos e paroquianos, confiando o Sr. Firmino à misericórdia de Deus, na esperança da vida eterna e da ressurreição dos mortos, e convida-nos a todos à comunhão pela oração, agradecendo a Deus o dom da vida e pedindo-Lhe que afague e abençoe os familiares que agora sentem a partida.

Celebração da Santa Missa, de corpo presente, nesta segunda-feira, pelas 10h30, na Igreja Paroquial do Ourozinho (Zona Pastoral de Penedono), seguindo-se o funeral no cemitério local.

Deus dê o descanso dos justos a este nosso irmão, o Sr. Firmino e a nós nos desperte para juntos caminharmos e sermos Igreja.

Editorial VL: GOSTO MAIS, MUITO MAIS DE MARTA

Gosto mais de Pedro. E também gosto de Judas, por ter sido um dos discípulos mais próximos de Jesus, homem de confiança, a quem foi confiada a administração dos parcos bens que iam recebendo para acomodar o estômago e circular entre povoações!

De Judas há de dizer-se muita coisa, mas no final só o juízo de Deus será definitivo. Tinha tudo para ser líder, inteligência e capacidade de gestão, mas perdeu-se a meio e não foi capaz de deixar que a Luz de Jesus destronasse as trevas que o vinham a consumir. Há estudiosos que sustentam que o último gesto de Judas, o suicídio, além dos fusíveis meios fritos, foi uma tentativa de se encontrar mais rapidamente com o Seu único Senhor, Jesus Cristo, no Paraíso.

Gosto muito mais de Pedro, porque é o Padroeiro da minha terra, Penude, onde nasci como cristão, onde comunguei pela primeira vez, onde celebrei a minha “Missa Nova”. Gosto muito de Pedro, não tanto por se tornar a Pedra sobre a qual Jesus constituiu a Sua Igreja, o que é deveras importante, mas pela sua espontaneidade. Esta valeu-lhe algumas reprimendas da parte do Mestre dos Mestres. Pedro tem o coração ao pé da boca, diz o que lhe dá na real gana, não mede o que diz, primeiro diz e só depois é que pensa. Mas é genuíno. Não tem duas caras, a não ser quando Paulo lhe mostra a duplicidade perante cristãos oriundos do judaísmo ou cristãos originários dos gentios! Mas nessa altura já Pedro está temperado pela humildade e pela luz da Páscoa, e reconhece que Paulo clarifica o caminho de Jesus.

Gosto muito de Marta, por alguns dos motivos pelos quais gosto muito de Pedro. Já lá vamos. Primeiro dizer que este “gostar mais” não é tanto uma comparação em relação a Maria ou a Lázaro! É uma família acolhedora, hospitaleira, próxima de Jesus. A casa deles, a família, o coração deles está disponível para Jesus, nas partidas e nos regressos.

No dia 29 de julho celebrávamos a memória litúrgica de Santa Marta. A 2 de fevereiro, deste ano, a Santa Sé decretou que a Igreja passasse a celebrar, nesse dia, os Santos Marta, Maria e Lázaro numa única Memória Litúrgica. Através de Lázaro, Jesus amadurece ou prepara a fé dos Seus discípulos na ressurreição. Com Maria, descobrimos a urgência, a primazia, a necessidade de estarmos aos pés de Jesus, para sintonizarmos o nosso com o Seu coração, para O escutarmos. De algum modo, como o discípulo amado, também Maria ajusta o bater do seu coração ao bater do coração de Jesus. Está tão perto d’Ele, que ouve este compasso com o qual sincroniza a sua vida.

Gosto mais de Marta, porque nela se visualiza uma faceta que o Papa tem acentuado em relação, por exemplo, a Abraão, a faceta de uma oração direta, sem medo, pronta a enfrentar o próprio Deus. Abraão negoceia o “destino” de Sodoma e Gomorra, até à exaustação. Na hora decisiva, a opção é por Deus, a quem confia o seu filho único. E por isso, porque confia em Deus, nele, Deus abençoa as nações da terra inteira. Ou como Jacob que luta com Deus até de madrugada!

Quando Marta se atarefa toda, afronta e enfrenta Jesus: não te importas que minha irmã fique na conversa? Após a morte de Lázaro, quando Jesus se aproxima, Marta corre ao Seu encontro e diz-lhe das boas: se Tu estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido! Direta, espontânea, confia em Jesus, revela uma grande fé, mas não deixa de Lhe fazer chegar o seu protesto, a sua oração. E, por isso, hoje gosto mais de Marta, porque me ensina a rezar em todos os momentos, mesmo sem guião!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/38, n.º 4620, 4 de agosto de 2021

Padre Domingos da Silva Pereira » 1928 – 2020

Deus, na Sua Misericórdia infinita, fez regressar a Casa o Seu filho Domingos da Silva Pereira, sacerdote, neste dia 5 de novembro de 2020, em vésperas de completar 93 anos de idade. Nasceu a 30 de dezembro de 1928, na paróquia de Magueija, onde irá a sepultar, a 6 de novembro, pelas 15h00, seguindo as normas da Direção Geral de Saúde e as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa.

Foi ordenado sacerdote a 6 de julho de 1952.

Durante anos foi ecónomo do Seminário Maior de Lamego.

Nos últimos anos acolheu-se às Lareiras – Centro Social Filhas de São Camilo (As Lareiras).

O Sr. Bispo, D. António Couto, em comunhão com o presbitério e com a diocese de Lamego, a que preside, manifesta as condolências aos familiares e amigos, sublinhando a esperança na Ressurreição e na Vida eterna. A Deus confia a vida deste irmão no batismo e no sacerdócio, agradecendo o dom da vida e do ministério sacerdotal, convidando-nos à oração confiante, na certeza da fé numa vida que não acaba, mas se transforma, como diz São Paulo, para que, desfeita a morada terreste, entremos, em definitivo, na habitação eterna, não feita por mãos humanas, mas pelo amor infindo de Deus.

Ao Padre Domingos, Deus lhe conceda o prémio dos justos e a todos quantos choram a sua partida deste mundo a consolação das palavras da fé, na esperança de um dia nos encontrarmos todos na comunhão com Deus, nosso Pai, em Jesus Cristo, nosso irmão, na ação do Espírito Santo.

Editorial da Voz de Lamego: A minha alma engrandece o Senhor

– Ainda o apanhamos!

É a esperança de Carlos e de João da Ega quando avistam o “americano”. Apressam o passo – ainda o apanhamos – e, logo depois, lançam-se a correr a ver se ainda o apanham. É o final da emblemática obra d’ Os Maias, de Eça de Queirós. Esta esperança, de apanhar o “elétrico”, é sobretudo analogia em relação à vida. A vida torce-nos, tantas vezes, mas há sempre uma réstia de esperança e enquanto houver essa réstia, esse lampejo de luz, então é possível caminhar, apressar o passo, lutar um pouco mais. Como sói dizer-se, morremos, não quando o coração para e o cérebro se desliga, mas no momento em que perdemos toda a esperança.

A partir de sábado, 30 de maio, as celebrações comunitárias regressam em Portugal continental, ainda dentro do mês dedicado especialmente a Nossa Senhora, Mãe da Eucaristia, Mãe de Jesus. Com cuidados, com medos, precauções e afastamentos, mas, para muitos portugueses, é um momento de júbilo, tempo de recuperar parte da alegria, momentos que cadenciavam a vida. Por estes dias, tenho encontrado algumas pessoas que me vão dizendo isso mesmo: faz-nos falta a Missa, era um momento de sairmos de casa, de nos encontrarmos, de rezarmos em conjunto, o tempo até custa mais a passar, não sei o que parece…

Regressamos na Solenidade do Pentecostes, aniversário da Igreja, pois é a partir de então que os Apóstolos, destemidamente, anunciam o Evangelho e começam a cumprir o mandato de Cristo: ir e ensinar, batizar e fazer discípulos de todas as nações.

Maria é a Mãe da primeira Igreja que é Jesus. No Pentecostes surge a Igreja, mas sempre enxertada em Jesus, pois é o Seu Corpo, agora constituída de vários membros. Maria, como Mãe de Jesus, a primeira Igreja, é Mãe da Igreja que incorporam todos os discípulos do Seu filho Jesus. No início deste caminho está o seu “sim”: faça-se em mim segundo a Tua Palavra.

No alto da cruz, o próprio Jesus no-la dá por Mãe: eis aí o teu filho, eis aí a tua mãe. E como discípulos prediletos trazemos Maria para nossa casa, para a nossa vida ou, como se depreende, se ela não habita connosco é porque não somos filhos diletos do Deus altíssimo, irmãos de Jesus.

Se ela habita connosco, como com os primeiros, na comunidade primitiva, então teremos de verificar se a nossa vida e a nossa missão estão conformidade com a vida e a missão de Maria, para que ela se sinta realmente em casa.

Na Visitação, Maria ensina-nos a colocar a misericórdia de Deus ao centro. “A minha alma engrandece (glorifica) o Senhor”. Esta é a humildade de quem se deixa preencher pelo Espírito Santo e transparece a grandeza de Deus, o Seu poder e o Seu amor. Nas Bodas de Canaã, novamente a opção de Maria: “fazei o que Ele vos disser”. Maria vive descentrada de si, é a Igreja em saída, que não se vangloria por ser a Mãe, mas se regozija por ser discípula, por ser a serva do Senhor. Pergunte-se às mães de que forma são “servas” dos seus filhos! São-no por amor e opção, por vocação e missão. Por amor, somente por amor. Maria assume-se, também em relação a nós, como Mãe e como serva, intercedendo por nós: eles não têm vinho. Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/26, n.º 4561, 26 de maio de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Bendito é o fruto do teu ventre, Jesus

“A fragilidade humaniza a vida”, tematiza a vivência de mais uma Semana da Vida, proposta pela Igreja que caminha em Portugal, num contexto sui generis, de grande preocupação em defender, proteger e cuidar da vida, bem acentuada pela pandemia do novo coronavírus. Quem diria que aqueles que há poucos dias estavam apressados a legislar sobre direitos à morte estejam hoje a suspender direitos e liberdades a quem possa colocar em causa a saúde e a vida dos outros!

Para o cristão – seja onde for, na família, no desperto, na cultura, na política – é sempre oportuno a defesa e a promoção da vida, desde a sua conceção até à morte natural, não desistindo de encontrar respostas, ajudas, de comunicar esperança, de ser um apoio, privilegiando afetos e proximidade, aliviando a dor, procurando um sentido, mesmo que provisório, para continuar a viver bem. A morte boa não é uma opção de quem ama a vida, a opção é uma vida boa. Sem ser um valor absoluto, a vida é o primeiro dos direitos, é um valor fundante das liberdades, dos direitos e as garantias. Mais fácil é desistir. Cristão é confiar em Deus, entregar a Deus o esforço e a dedicação, e com Deus aliviar a carga que possa pesar sobre os demais.

A vida nem sempre é fácil. E há momentos em que as trevas são mais densas, como no tempo que atravessamos, mas nem por isso as pessoas ponderam desistir e, quando isso acontece nos outros, reclamam por vigilância, cuidado, respeito, responsabilidade pelos mais velhos, pelos que estão na linha da frente, na saúde, na alimentação, na manutenção da ordem, nas farmácias… respeito pelas normas! A liberdade, seja a 25 de abril ou a 25 de novembro, seja a 1 de maio ou a 10 de junho, não vai avante sem a discussão da responsabilidade e do compromisso de cuidarmos uns dos outros, mesmo que tentemos e consigamos arranjar exceções para nós!

Dentro da Semana da Vida, nos dias 12 e 13 de maio, haverá uma multidão de fiéis com os olhos colocados no Santuário de Fátima, que encherá de oração, de bênção e das intenções dos devotos, mas cuja presença física de milhares de pessoas, em nome da saúde de todos, no respeito pelas normas sanitárias e pelos avisos reiterados ao distanciamento social, contará com um número muito reduzido de pessoas, os celebrantes, funcionários do Santuário, os que ajudam na celebração e na transmissão da mesma para o mundo inteiro. A fé exige o serviço à vida, o cuidado pelos outros.

A vida nova que se gera em Isabel e que germina em Maria está envolvida no mistério de Deus. Isabel já tinha vivido tempo demais na desolação da infertilidade, mas Deus surpreende-a. Maria não sonhava com o que estava para vir, a alegria e o sofrimento atroz que a aguardariam, e Deus surpreende-a com um sonho, um projeto de vida que a envolve com a humanidade inteira.

Maria é a Senhora da esperança e da alegria, com ela Deus faz com que a humanidade seja enxertada no Seu sonho de amor e de paz, de bênção e de comunhão.

«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 2, 42). Esta é a maior esperança e o fundamento de toda a alegria: Deus connosco. E luz para caminharmos neste tempo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/24, n.º 4559, 12 de maio de 2020

Falecimento da Irmã do Pe. Vítor Esteves Rosa

O Senhor, Pai de Misericórdia, em Cristo, Deus connosco, chamou à Sua morada eterna a Sra D. Georgina Rosa, irmã do reverendo Pe. Vítor Esteves Rosa, pároco Pároco de Lamelas e São Joaninho, na Zona Pastoral de Castro Daire.

O Sr. Bispo, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, manifesta ao Pe. Vítor, aos seus familiares e amigos, as suas condolências, confiando que esta nossa irmã, morrendo em Cristo, com Cristo ressuscitará para Deus.

Rezemos pela D. Georgina, que Deus lhe dê o descanso dos justos e aos familiares a consolação das palavras de Jesus que nos diz que n’Ele temos a vida eterna.