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Archive for the ‘Liturgia’ Category

Paróquia da Mêda – “Fazer-se ao próximo”

O Papa Francisco, na sua mensagem do passado dia 11 de fevereiro – Dia Mundial do Doente, dirigiu “um pensamento especial aos doentes que, em todas as partes do mundo, para além da falta de saúde, sofrem muitas vezes com a solidão e a marginalização”.

Foi neste contexto, que a convite do Sr. Pe. Basílio Firmino, o Pe. José António – Capelão dos Hospitais da Universidade de Coimbra e Assistente Espiritual de doentes e famílias que por ali passam, (há já 17 anos), nos conferenciou situações e formas como lidar com o doente e nos tornarmos mais próximos dele. Esta conferência, enquadrada nas chamadas “Escolas da Fé” da nossa paróquia de Meda, teve lugar no Salão Polivalente do Patronato, no passado dia 11 de fevereiro, e teve como principal objetivo salientar o papel do visitador na vida do doente. O pároco desta comunidade, Sr. Pe. Basílio, no início do ano pastoral, e tendo presente o lema do plano da nossa diocese “vai e faz tu do mesmo modo”, informou a comunidade que ao longo deste ano pastoral iria ter em consideração a vivência da caridade em três camadas: as crianças e adolescentes da catequese e suas famílias com a celebração do Dia Mundial da Família e preparação das festas da catequese no mês de Maio; os jovens com a Missão País e a Páscoa jovem em que cerca de 80 jovens virão testemunhar a sua vivência cristã junto dos nossos jovens; e finalmente os doentes com a criação do grupo dos visitadores dos doentes e esta conferência debruçada sobre o tema do cuidado a ter com os doentes. Ler mais…

Dia Mundial do Doente na Paróquia de Almacave

Ao cuidar dos doentes, a Igreja serve o próprio Cristo presente nos irmãos que sofrem, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que “passou fazendo o bem e curando a todos” (Act 10, 30) e cumpre o mandato do Senhor deixado aos seus discípulos na Última Ceia (Jo 13, 34-35). A parábola do Bom Samaritano, que suporta o lema do nosso Plano Pastoral, é o ícone atraente do Amor de Deus que cada um de nós deve testemunhar junto dos irmãos que mais sofrem e que impõe a cada cristão, também, respostas operativas capazes de rasgarem tanta indiferença e insensibilidade perante o sofrimento dos outros.

Esta solicitude pastoral torna-se também visível, não só visitando os doentes, mas igualmente confortando-os com os sacramentos da Santa Unção e da Eucaristia.

O Conselho Pastoral Paroquial, através das Conferências Vicentinas, propôs à comunidade paroquial celebrar o Dia Mundial do Doente, no próprio dia 11 de fevereiro, numa celebração eucarística comunitária na Igreja da Graça, com a administração do Sacramento da Santa Unção a todos os doentes que não se encontram acamados e às pessoas de idade, cuja fragilidade física se vai acentuando. A celebração deste Sacramento da Unção dos Enfermos foi preparada nas homilias que antecederam o dia desta celebração e em encontros de reflexão, aprofundando junto dos paroquianos a eficácia da graça deste sacramento instituído por Cristo e confiado à igreja, destinado especialmente a reconfortar não apenas os que estão no fim da vida, mas também os que se encontram sob a provação de uma doença e do peso da idade. Não foram celebradas todas as eucaristias dominicais, para que a comunidade pudesse participar e acompanhar, como Família Paroquial, os irmãos doentes, na celebração destes sacramentos, a Eucaristia e a Santa Unção. Ler mais…

TEMPO DE QUARESMA: Um tempo com características próprias.

A Quaresma é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais frequente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (Mt 6,1-6.16-18).

Tal como o povo de Israel que peregrinou durante quarenta anos pelo deserto para chegar à terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, afastarmo-nos de tudo aquilo que separa do Plano de Deus, e por conseguinte, da nossa felicidade e realização pessoal. Ler mais…

ESCLEROCARDIA – HUMILDE | Editorial Voz de Lamego | 13/02/2018

ESCLEROCARDIA – HUMILDE

Amanhã iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma, durante a qual a Igreja dedica particular atenção ao arrependimento, convidando a enfrentar a “esclerocardia”, a dureza de coração ou incapacidade de nos arrependermos, tendo como finalidade última a conversão. Como alguém escreveu, “ninguém pode ser grande sem tomar consciência da sua miséria”.

E anunciar um tempo de arrependimento é mais do que um convite às lágrimas diante do mal feito; significa anunciar uma esperança: o mal não vencerá, o homem é maior que o seu pecado.

Diante da certeza de que é amado e destinado a algo grandioso, embora consciente dos limites que o acompanham e da impossibilidade de chegar à meta apenas com as próprias forças, o homem é convidado a protagonizar a humildade, a aceitar-se pequeno e a acolher o perdão de Deus.

A humildade, indispensável ao arrependimento, não pode entender-se como autodesprezo, mas como a serena aceitação de que somos pó, frágeis e limitados, mas que, apesar de tudo, somos amados e salvos.

A Quaresma surge, então, como a oportunidade para assumir que não existe mal irreversível, que não existe culpa imperdoável. Para isso, o arrependimento é fundamental, fruto de uma culpa responsavelmente assumida e da tomada de consciência do amor do Pai. Um amor que perdoa e restabelece a relação afectada pelo pecado, conduzindo à salvação. E esta é a boa nova do Evangelho: Deus é Pai e liberta-nos do sentimento de culpa.

Animados pela esperança que o amor do Pai nos concede e humildemente arrependidos, somos convidados a avançar e a mudar. Porque, como nos disse D. António Couto na recolecção da última sexta-feira, não basta acreditar que é possível ser melhor, é preciso que tal se concretize.

A Quaresma serve para nos recordar que o mal pode ser vencido.

in Voz de Lamego, ano 88/11, n.º 4448, 13 de fevereiro de 2018

NATAL – AMOR VIRTUAL | Editorial Voz de Lamego | 19 de dezembro

NATAL – AMOR VIRTUAL

A quadra natalícia não esconde nem disfarça uma certa confusão, própria da preparação que os grandes acontecimentos exigem. É verdade que o Menino nasce Natal, discretamente, sem alarido ou acolhido por muitos, e que Deus privilegia a simplicidade e o silêncio para se revelar, longe da azáfama ou da correria.

Mas também é verdade que Deus se alegrará com uma certa confusão por nós provocada nestas alturas, quando tal se deve ao desejo de festejar com familiares e amigos o nascimento do Salvador. Nesse caso, Deus lidará bem com a nossa confusão e esperará pacientemente que nos demos conta que o Natal nos mostra o caminho que conduz à plenitude!

Por outro, parece-me que será sempre mais salutar a confusão de quem corre para conseguir encontrar ou se afadiga para que nada falte em sua casa e aos seus, do que a aparente calma de quem se refugia em relações virtuais sem se aproximar de ninguém.

E esta pode ser mais uma mensagem do Natal: o amor virtual não existe!

Num tempo em que o mundo está ao alcance de um clique, Jesus revela a importância do toque. E por isso vem até nós, mostra-nos o caminho, caminha connosco e eleva-nos.

Ao olharmos a actualidade verificamos que o mundo virtual potencia e alimenta relacionamentos fictícios, contribuindo para a ilusão da ausência de obstáculos, de limites ou de contrariedades. Depois, quantas vezes a descoberta e a inserção no mundo real acarretam inadaptações e sofrimento porque, afinal, a verdadeira vida é muito mais do que “navegar”, estar no “chat”, “postar” ou veicular frases e imagens agradáveis.

O Natal revela o amor salvífico do Criador que não desiste das Suas criaturas e vem para encontrar, acompanhar, chamar, sossegar, curar… de uma maneira única e muito real.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/55, n.º 4441, 19 de dezembro de 2017

CONVITE à ALEGRIA | Editorial Voz de Lamego – 5.dezembro.2017

ROME, ITALY - MARCH 27, 2015: The fresco of Immaculate Conceptio

CONVITE À ALEGRIA

Na próxima sexta-feira, 8 de dezembro, a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. Uma festa que nos fala de um Deus que ama, que se ocupa e preocupa com as suas criaturas e nos mostra como o mal não vencerá.

O relato da Anunciação é o texto evangélico do dia, convidando a viajar até uma insignificante terra da Galileia, a entrar numa singela habitação e a testemunhar o encontro/diálogo entre o mensageiro divino e uma discreta jovem que se disponibiliza para participar no plano de Deus.

No chamamento/convite de Deus a Maria percebemos que, mais do que um desenvolvimento de capacidades humanas, a vocação será, sobretudo, abertura à novidade do alto e a confiança n’Aquele para quem “nada é impossível”. Consciência dos limites humanos e confiança na misericórdia divina.

“Alegra-te!” é a primeira palavra do anjo Gabriel, um convite, em tom imperativo, à alegria messiânica. Como alguém notou, o anjo não pede a Maria para se ajoelhar, esconder ou rezar; no início do anúncio/diálogo é pedido a Maria que se alegre. E que razões, humanamente falando, teria Maria para se alegrar? Talvez tantas como aqueles que, também hoje e em tantos lugares da terra, se sentem esquecidos de Deus, experimentam o ódio e a indiferença humanas ou se vêem privados de tudo e também da esperança!

Mas o convite mantém-se. Porque é o amor de Deus por todos e cada um que torna possível tal alegria, que não pode confundir-se com a gargalhada ruidosa, o gozo que vem do ter ou aparência que ilude. A humanidade é convidada a alegrar-se porque se sabe e se sente amada.

A Incarnação anuncia a derrota do mal e o sim de Maria ilustra a abertura do humano ao amor de Deus.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/53, n.º 4439, 5 de dezembro de 2017

ENDIREITAR CAMINHOS | Editorial Voz de Lamego | 28 de novembro

ENDIREITAR CAMINHOS

No próximo domingo iniciamos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento que, como sempre, convida a esperar, de maneira atenta e activa, o Senhor. Uma espera que continua depois do Natal e se assume ao longo da vida, traduzindo-se num esforço de bem preparar o encontro definitivo.

Nesse sentido, uma das expressões que se ouve nestes dias, “endireitar os caminhos do Senhor”, vale para sempre e apela à participação consciente e responsável de cada um, revelando-se fundamental para acolher e testemunhar um Deus que não se impõe nem dispensa o contributo e o protagonismo humanos na edificação do Reino.

Estamos, assim, longe do sentido dado por muitos quando afirmam “é preciso alguém para endireitar isto ou aquilo”, como sinónimo de imposição de normas ou de uma visão justiceira (para os outros), esquecendo a compaixão e a misericórdia.

Endireitar caminhos será, porventura e antes de mais, olhar para si e, confiando na graça de Deus e nos dons recebidos, avançar:

evitar os sempre atractivos e ilusoriamente cómodos atalhos que, a pretexto da facilidade, podem levar por vias contrárias ao Evangelho;

deixar de preocupar-se tanto com as cinzas e ocupar-se mais com as brasas que ainda ardem;

viver com serena alegria a paixão por Jesus Cristo e a pertença eclesial, testemunhando a fé e tornando-se credível;

fazer da proximidade uma meta, encurtando distâncias e vencendo indiferenças;

ser sal e luz que se espalham, não para ofuscar, ferir, ocupar o centro, chamar a atenção ou perpetuar o ego, mas para valorizar os outros, ao jeito de João Baptista e de tantos que se doaram e voluntariamente se apagaram sem medo de desaparecer…

Endireitar caminhos seguindo o convite do Senhor, o mesmo que nosso plano pastoral repete: “Vai e faz também tu do mesmo modo”.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/52, n.º 4438, 28 de novembro de 2017