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Archive for the ‘Liturgia’ Category

D. ANTÓNIO JOSÉ DA ROCHA COUTO, Bispo de Lamego

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – ano A – 9 de julho de 2017

A GRANDEZA DOS PEQUENINOS

1. As poucas linhas do Evangelho deste Domingo XIV do Tempo Comum, retiradas de Mateus 11,25-30, guardam o segredo mais inteiro de Jesus. Há quem considere estas breves linhas como o mais belo e importante dizer de Jesus nos Evangelhos Sinópticos (A. M. Hunter). Na verdade, estas linhas leves e ledas como asas guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo, o tesouro ou a pedra preciosa da parábola (Mateus 13,44-46), preciosa e firme, porque leve e suave como uma almofada, onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabeça (João 1,18), e tranquilamente conduzir, dormindo mansamente à popa, a nossa barca no meio deste mar encapelado (Marcos 4,38). Nos lábios de Jesus, chama-se «PAI» (Mateus 11,25) este lugar seguro e manso, doce e aprazível, que acolhe os pequeninos (nêpioi), os senta sobre os seus joelhos, lhes conta a sua história mais bela, e lhes afaga o rosto com ternura. Diz bem Santo Agostinho que «o peso de Cristo é tão leve que levanta, como o peso das asas para os passarinhos!».

2. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (népioi)» (Mateus 11,25). Sim, aos pequeninos, grego népioi, que em sonoridade portuguesa daria «népias», nada, nenhuma ciência, nenhum poder, nenhum valor autónomo. Ó abismo da sabedoria dos pequeninos, daqueles que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, e sabem que podem confiar, e sabem em quem confiar (cf. 2 Timóteo 2,12). É sobre os pequeninos que recai toda a atenção de Jesus, que, de resto, voluntariamente se confunde com eles, pois diz: «Todas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a “um destes meus irmãos, os mais pequeninos” (henì toútôn tôn adelphôn mou tôn elachístôn), foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)» (Mateus 25,40 e 45). E, no ritual do Batismo, são estes os dizeres que acompanham a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos da criança batizada: «a vós, pais e padrinhos, se confia o encargo de velar por esta luz, para que estes pequeninos, iluminados por Cristo…».

3. Abre-se aqui um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade cristã, habitualmente denominado por «infância espiritual», o «pequeno caminho», «o permanecer pequeno», «o estar nos braços de Jesus», que Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) exalta na sua «História de uma alma», que tem a sua nascente mais funda naquela maravilha que é o Salmo 131,2, em que o orante se diz assim: «Estou tranquilo e sereno/, como criança desmamada (gamûl),/ no colo da sua mãe;/ como criança desmamada,/ está em mim a minha alma». Não se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante à do recém-nascido, depois de ter mamado no seio da sua mãe. O texto fala de uma criança desmamada (gamul). E é sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos três anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. Génesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Também o famoso Padre Jesuíta francês, Léonce de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: «Santa Maria, Mãe de Deus, conserva em mim um coração de criança, puro e transparente, como uma nascente».

4. Os pequeninos, os népioi, népias, que nada valem de per si, dependem dos seus pais ou de alguém que cuide deles com carinho. Se Jesus os traz desta maneira para a primeira página, temos então de perguntar: o que é que são então cristãos adultos, maduros na sua fé? Serão aqueles que sabem tudo, que estão seguros de si, que chegaram ao fim de um curso ou percurso, que têm um estatuto, um status, que têm um diploma na mão, que já não são dependentes porque já não precisam de ninguém que cuide deles? Seguramente não. Cristãos adultos na sua fé são aqueles que sabem que precisam de Deus a todo o momento, e que sabem debruçar-se sobre os pequeninos com amor. Cristãos adultos na fé não somos nós que pensamos que temos as chaves de tudo e de todos, que abrimos ou fechamos todas as portas, mas somos nós como filhos de Deus, a quem carinhosamente tratamos por PAI (ʼAbbaʼ), em quem depositamos toda a nossa confiança, somos nós como filhos e irmãos, carinhosamente atentos uns aos outros, até ao ponto sem retorno de já não sabermos viver senão repartindo o pão e o coração.

5. «Eu Te bendigo, ó PAI, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mateus 11,25; cf. Lucas 10,21). Esta é uma das muitas vezes em que, nos Evangelhos, Jesus aparece a rezar ao PAI, mas é uma das poucas vezes em que nos é dada a graça de ouvirmos o conteúdo da oração de Jesus [além desta vez, só no Getsémani: «PAI, se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas sim a tua» (Mateus 26,39 e 42), e na Cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» (Mateus 27,46); «PAI, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lucas 23,34); «PAI, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lucas 23,46)]. Note-se que a belíssima oração do «PAI Nosso» (Mateus 6,9-13; cf. Lucas 11,2-4) é-nos ensinada por Jesus, mas não o ouvimos a rezá-la. Um cristão adulto na sua fé, isto é, na sua confiança, tem de se pôr, como Jesus, totalmente nas mãos seguras e carinhosas do PAI, única direção da sua e da nossa vida dada, recebida e oferecida.

6. É assim que o Evangelho entra por nós adentro, cortante como uma espada de dois gumes ou como um bisturi. Vem-me à memória uma velha história que circula na África Oriental, e que fala de uma mulher pobre que andava sempre com uma Bíblia grande debaixo do braço. Dizem que nunca se separava dela. As pessoas que a viam passar todos os dias, faziam chacota dela com dizeres do género: «Porquê sempre a Bíblia, se há tantos livros para ler?». Mas a mulher lá seguia o seu caminho, imperturbável e indiferente às provocações. Um dia, porém, a mulher da Bíblia viu-se cercada por um bando de escarnecedores. Então, levantando bem alto a sua Bíblia, a mulher, abrindo um grande sorriso, disse: «Eu bem sei que há muitos outros livros que posso ler! Mas este é o único livro que me lê a mim!». Sim, como um bisturi!

7. Nenhum arrogante raciocínio, nenhum orgulho, nenhuma escada por nós construída, conduz a Deus. Nenhuma arrogância conduz a Deus. Jesus, Mestre novo, não aponta para coisas nem ensina coisas. Ele diz: «Vinde a Mim» e «aprendei de Mim» (Mateus 11,28 e 29). Com Jesus. Como Jesus. Ele não ensina coisas. Ensina-se a si mesmo, dando-se a si mesmo. Aprendeu do Pai, que tudo lhe deu (Mateus 11,27). Dar e receber. Jugo suave e carga leve (Mateus 11,30). Como os missionários do Evangelho, que devem partir sempre sem ouro, nem prata, nem cobre, nem saco, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, dando de graça o que de graça receberam (cf. Mateus 10,8-9). Nenhum acessório ou mero adereço nos faz falta. Dar o acessório, o adereço, o supérfluo, o que sobra, não tem a marca de Deus, não é fazer a verdadeira memória de Jesus, que se entregou a si mesmo por nós (Efésios 5,2), que se entregou por mim (Gálatas 2,20). Como é da nossa humana experiencia, o acessório, o adereço, o supérfluo deixa a vida intacta. O dom de si mesmo, se for verdadeiro, afeta a nossa vida, porque é decisivo, é para sempre, tem a marca da eternidade, põe-nos no seguimento de Jesus. E, neste caminho discipular, não há estratégia que nos valha.

8. Esta agenda [AGE + NDA] de Jesus, que fica «connosco todos os dias» (Mateus 28,20), podemos vê-la diariamente na sua maneira feliz, ousada, pobre, despojada, humilde, filial, fraternal, próxima e dedicada de viver, bem ao jeito do Rei novo e fazedor de paz e de felicidade, sonhado por Zacarias (9,9-10) no último quartel do século IV a. C., em claro contraponto com o esplendor militar dos cavalos e pesados carros de combate de Alexandre Magno, que então atravessava a costa palestinense a caminho do Egito. Da agenda de Jesus, faz parte indeclinável a completa orientação da sua vida filial para o Pai, abrindo a este mundo novos rumos e desafios imensos de fraternidade. Não carros e cavalos, glória militar, vanglória do poder. Jesus, o Rei novo, belo e manso, vem montado num jumento, que não é animal que se leve para a guerra! «Estrada bela! É andando nela, que encontraremos repouso para a nossa vida» (Jeremias 6,16).

9. Aí está de novo S. Paulo, escrevendo aos Romanos (8,9-13) e a nós, para nos advertir que não é «na carne» (en sarkí), mas «no Espírito» (en pneúmati), que devemos viver. E ele insiste em dizer como é importante Cristo estar «em vós» (en hymîn), e o Espírito, Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, habitar (oikéô) «em vós» (en hymîn). A carne tem a ver com o currículo, o status, a importância, a ganância… Mas podemos sempre socorrer-nos do vasto elenco, sempre atualizado, das «obras da carne», que S. Paulo faz na Carta aos Gálatas: «São manifestas as obras da carne, que são: fornicação, impureza, devassidão, idolatria, magia, inimizades, rixa, ciúme, iras, ambições, dissensões, divisões, invejas, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como já preveni, que os que tais coisas fizerem não herdarão o Reino de Deus» (Gálatas 5,19-21). E podemos também ver o confronto que ele faz com os «frutos do Espírito», que são: «amor, alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio» (Gálatas 5,22-23).

10. Fica bem hoje cantar com alegria renovada o grande hino alfabético que é o Salmo 145, até que vibrem as cordas do nosso coração. Orígenes classificava este Salmo como «o supremo cântico de ação de graças», e Agostinho viu-o como «a oração perfeita de Cristo, uma oração para todas as circunstâncias e acontecimentos da vida». E enquanto saboreamos as imensas riquezas que nos vêm de Deus: a sua graça, misericórdia, amor e bondade, usando, para o efeito, toda a gama de sabores e todas as letras do alfabeto, continuemos a cantar: «Abris, Senhor, a vossa mão, e saciais a nossa fome!» (Salmo 145,16).

Senhor Jesus,

Dá-me um coração puro e transparente

Como uma nascente,

Como uma semente,

E ensina-me a ser simples e leve

Como aquele pássaro que do céu desce,

Reza, canta, come e agradece.

D. António Couto, Bispo de Lamego

in MESA DE PALAVRAS

Homilia de D. António Couto nas Ordenações Sacerdotais – 2017

HOJE MESMO TERÁS TRÊS FILHOS NOS BRAÇOS!

  1. Refere uma indicação do Pontifical Romano acerca da Ordenação dos Presbíteros que o Bispo faz a homilia, dirigindo-se ao povo e aos Eleitos, falando-lhes do ministério dos presbíteros, a partir do texto das leituras lidas na liturgia da palavra (n.º 123). É o que vou tentar fazer, caríssimos fiéis leigos, caríssimos Eleitos Ângelo Fernando, Diogo André e Luís Rafael, caríssimos sacerdotes e diáconos, consagrados, seminaristas.

Amados irmãos e irmãs, amados Eleitos, o Evangelho segundo S. Mateus apresenta-nos hoje a última parte do Discurso Missionário de Jesus (Mateus 10,37-42). São afirmações vertiginosas. Ficai atentos, portanto, às curvas e contracurvas do Evangelho de Jesus, não vá alguém adormecer ou enjoar, e ir borda fora e ficar pelo caminho, isto é, ficar sem caminho. Eis o texto:

«10,37Quem ama o pai ou a mãe mais do que a MIM, não é digno de MIM; quem ama o filho ou a filha mais do que a MIM, não é digno de MIM. 38Quem não recebe a sua Cruz para seguir atrás de MIM, não é digno de MIM. 39Quem encontrar a sua vida, vai perdê-la, e quem perder a sua vida por causa de MIM, vai encontrá-la.

40Quem vos ACOLHE, é a MIM que ACOLHE; e quem ME ACOLHE, ACOLHE Aquele que ME enviou. 41Quem ACOLHE um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; quem ACOLHE um justo por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42E quem der de beber um copo de água fresca a um destes pequeninos, por ele ser discípulo, em verdade vos digo, não perderá a sua recompensa» (Mateus 10,37-42).

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Solenidade do Sagrado Coração de Jesus na Sé de Lamego

Deus é amor. O amor é de Deus. O amor vem de Deus.

Coração de Jesus

No dia 23 deste mês, a Igreja viveu a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o que habitualmente acontece na sexta-feira após a oitava do Corpo de Deus. O nosso bispo presidiu à Eucaristia celebrada, na Sé, às 18h30, bem como à consagração de todos os diocesanos ao Coração de Jesus.

A preparação desta festa, na paróquia da Sé, é particularmente assumida e vivida, pelos Associados do Apostolado da Oração, com um tríodo eucarístico. Ao longo desse tempo, o ritmo é marcado pelas celebrações eucarísticas, pela adoração ao Senhor, pela oportunidade de Reconciliação, pela escuta da Palavra e pela presença de um pregador convidado. Este ano esteve presente o Padre José Miguel Loureiro, a quem o pároco, Cón. José Ferreira, agradeceu no final.
D. António Couto, acompanhado por D. Jacinto Botelho e por um grupo de fiéis que não enchia a Sé, presidiu, às 18h, à adoração eucarística e à Bênção do Santíssimo Sacramento, encerrando o referido tríodo preparatório.
Mas, antes da bênção e como habitualmente, consagrou toda a diocese ao amor misericordioso e sempre atento do Coração de Jesus a quem pediu graças e protecção.
Na homilia da Eucaristia que se seguiu, o nosso bispo convidou todos a perderem-se no refúgio do Coração de Jesus, a alegrarem-se e a darem graças ao Amor celebrado, uma presença sempre vida e sublime, ao mesmo tempo que recordava a jaculatória tantas vezes repetida: “Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”.
Recordando a história recente desta festa e das protagonistas que incentivaram à sua vivência, D. António sublinhou as afirmações do Apóstolo João, que não se cansou de dizer o quanto o Amor de Deus é primeiro e como está sempre onde é preciso: “Deus é Amor. O Amor é de Deus. O Amor vem de Deus”. E convidou a imitarmos Deus: a estar primeiro e a imitar o amor solícito de Jesus.
E responder a um amor assim exigirá a atenção aos mais fracos e pobres, os socialmente esquecidos.

União Eucarística

No final da homilia e antes da profissão de fé, a assembleia testemunhou a presença e o compromisso de novos membros da União Eucarística Reparadora. A todos foi proferida uma breve nota histórica e, logo de seguida, se procedeu ao chamamento dos novos membros que, em uníssono, assumiram o seu compromisso de adorar o Senhor e de levar até ao Senhor todos quantos mais precisam. Foi distribuída uma insígnia, benzida pelo presidente da celebração, que os novos associados colocaram ao pescoço.
Este movimento eclesial foi fundado por um bispo espanhol na primeira metade do século passado, Manuel Gonzalez (falecido em 1940), recentemente canonizado, e era também conhecido como “Marias dos Sacrários-Calvários”.
O objectivo primeiro desta obra é promover a adoração e o aperfeiçoamento espiritual de quantos a assumem, nomeadamente através da visita regular aos sacrários e ao Senhor que ali está e nunca deixa de escutar as súplicas e os louvores dos seus amigos visitantes. Como escreveu o seu fundador, trata-se de “procurar a agradável e fiel companhia ao abandono mais injusto, mais cruel, mais transcendente de todos os abandonos – o do Coração de Jesus nos seus Sacrários”.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/33, n.º 4418, 27 de junho 2017

APOSTOLADO DE ORAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 20 de junho

Em destaque nesta edição, entre as várias notícias e reflexões, a Solenidade do Corpo de Deus na cidade de Lamego e a Peregrinação Diocesana ao Santuário de Fátima no Dia da Família Diocesana. O nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, faz outro sublinhado, a celebração da solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

APOSTOLADO DE ORAÇÃO

O calendário litúrgico convida os católicos a celebrarem, no próximo dia 23, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus como momento singular de um mês totalmente dedicado a esta devoção.

E falar do “coração de Jesus” é mais do que recordar ensinamentos e práticas eclesiais ou as visões de Sta. Margarida Maria Alacoque (1675), em Paray-le-Monial, França. Trata-se de tomar consciência do amor de Deus, realidade divina que todos abraça e centro para onde tudo converge.

A Igreja contempla o coração do Salvador da humanidade e deixa-se guiar até ao mais profundo do mistério de amor, onde se encontram o homem e Deus. E a devoção ao Sagrado Coração convida a fixar a atenção sobre este coração amoroso, compassivo e misericordioso que revela a essência de Deus. E facilmente percebemos a estreita ligação entre o Sagrado Coração e a Eucaristia.

O Evangelho insiste no olhar sobre a compaixão de Deus diante da nossa fragilidade. E não se trata apenas da nossa ligação ao pecado e à confissão. A misericórdia divina ultrapassa a dimensão do pecado e recorda-nos continuamente que o convite “Sede misericordiosos” retoma o grande mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Uma palavra também para as Associações do Apostolado da Oração, presentes em tantas das nossas paróquias e que, de forma discreta e eficiente, promovem e alimentam redes de oração e de proximidade entre os seus membros e o mundo.

Num tempo em que a eficiência é enaltecida e continuamente medida pelos resultados visíveis, o Apostolado da Oração convida à confiança e à esperança, valorizando o compromisso pessoal e o acto de semear pelo bem de todos.

Talvez o mundo e a Igreja não vejam o bem diariamente semeado pelos Associados do AO, mas testemunham as graças que continuamente o Coração de Jesus lhes concede.

in Voz de Lamego, ano 87/32, n.º 4417, 20 de junho 2017

Encontro de Ministros Extraordinários da Comunhão em Resende

No passado sábado, 3 de junho, teve lugar no Seminário Menor de Resende o XIII Encontro de Ministros Extraordinários da Comunhão. O encontro contou com participantes de diversas paróquias da diocese de Lamego.

Da parte da manhã, depois do acolhimento, Monsenhor Bouça Pires, presença habitual nestes encontros, expôs a temática “Ao serviço da comunhão como Maria e os Pastorinhos”, tendo como “pano de fundo” o Centenário das Aparições. Dizia: “Este acontecimento para além de um privilégio é também uma responsabilidade para cada um de nós, pois devemos acreditar que Nossa Senhora não é uma Mãe qualquer mas é a Mãe de Deus e nossa Mãe tal como o Papa Francisco o repetiu em Fátima “Temos uma Mãe”.

Tal como Maria e os Santos Francisco e Jacinta Marto, o Ministro Extraordinário da Comunhão deve ser agente de oração e ação, isto é, trabalhar para a comunhão e união de todos, procurando “ver com os olhos do coração” que não tem barreiras, levando Jesus, presença do amor e da misericórdia de Deus, àqueles que visita. O Ministro da Comunhão deve sentir-se que é procurado e não esquecido, chamado para uma missão. Ler mais…

Profissão de Fé na Paróquia de Almacave

Decorreu no dia 4 de Junho, no Auditório do Centro Paroquial,  a Festa da Profissão de Fé de 42 catequizandos  que assim concluem a sua caminhada na Catequese da Infância.

A Cerimónia iniciou-se na Igreja Paroquial, onde a renovação das promessas baptismais e passagem pela Pia baptismal  e a entrega da vela do Baptismo de pais a filhos  fazem parte do ritual de uma nova fase de vida destes catequizandos que agora assumem pessoalmente a sua Fé.

A procissão até ao Centro Paroquial faz parte de uma caminhada acompanhada dos pais, que leva à integração da Comunidade Paroquial como testemunha viva deste ato  celebrativo a que acorrem muitos familiares.

O hábito é ainda usual nesta festa, o que em tempos passados representava a igualdade do traje, entre os que tinham mais ou menos posses.  O tempo foi passando e as melhorias nos mesmos hábitos vão sendo evidentes mas ainda se apresentam em igualdade de circunstância, aceitando estes pré-adolescentes este dia como um momento memorável nas suas vidas.

Esperamos que todos eles regressem no próximo ano, de espirito e fé renovada para prosseguirem na caminhada para o sacramento da Confirmação, e que seja o Espirito Santo vivido neste Dia de Pentecostes a fazer deles obreiros futuros da Missão .

Isolina Guerra, in Voz de Lamego, ano 87/30, n.º 4415, 6 de junho 2017

Pentecostes: Fortalecidos pelo Espírito Santo para testemunhar

Os cristãos crêem em um só Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. A Solenidade de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, celebra a vinda do Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho sobre os Apóstolos, e o nascimento da Igreja. O acontecimento não pode ser compreendido senão em ligação à Páscoa e à Ascensão: Jesus morreu pela salvação do mundo (Sexta-feira Santa), ressuscitou (domingo de Páscoa) e partiu ao encontro do Pai (Ascensão). Esta festa encerra as sete semanas do tempo pascal.

O vento e o fogo

Cinquenta dias depois da Páscoa, na altura em que uma multidão está reunida em Jerusalém para comemorar o dom da Lei concedida ao povo por intermédio de Moisés, ao Apóstolos, Maria e outros discípulos ouviram um ruído “comparável ao de forte rajada de vento” que encheu a casa. Foi o primeiro sinal. O segundo sinal não se fez esperar: “viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles”. E eis que testemunham um terceiro sinal: cheios do Espírito Santo, significado pelo vento e pelo fogo, “começaram a falar outras línguas”. A multidão que festejada estava estupefacta “pois cada um os ouvia falar na sua própria língua”. A situação era tão extraordinária que alguns ouvintes afirmavam que os cristãos estavam “cheios de vinho doce” (Act 2, 1-13). Ler mais…